FILOSOFIA

Inteligence

FILOSOFIA

DIRETRIZES GERAIS

O papel da Filosofia é estimular o espírito crítico, portanto, ela não pode assumir uma atitude dogmática nem doutrinária; deve apresentar, de maneira plural, teorias diversas e estimular a discussão, porém de maneira sistemática e com método. É justamente esse potencial de diversidade de abordagens e de variedade temática que permite o exercício da função crítica. Por isso, é importante que o programa não seja restritivo, mas contemple uma multiplicidade de temas sempre com preocupação de permanecer dentro da especificidade dos temas genuinamente filosóficos.

Parece-nos que, hoje, essa é a tarefa pedagógica   da reabilitação da Filosofia no Ensino Médio, pois tal reabilitação da filosofia tem como objetivo contribuir com a restituição do rigor do pensamento e com a formação de um repertório cultural mais crítico, que saliente momentos marcantes do pensamento ocidental e das instituições construídas no seu contexto. Também, cumpre-lhe despertar habilidades e resgatar nossa cidadania enquanto participação consciente, crítica e construtiva no interior do corpo social.

O conteúdo da filosofia deverá ser abordado em duas grandes seções – O Conhecimento e a Ação.

CONHECIMENTO

Nessa Seção, o estudante estudará tópicos selecionados de filosofia grega, medieval e moderna, tomando contato com questões fundamentais para a formação do pensamento ocidental e com disciplinas que se tornaram fios condutores desse longo processo, como a lógica, a metafísica, a teologia e a teoria do conhecimento.

A AÇÃO

Nessa Seção, o estudante deverá estudar tópicos selecionados relativos à ética e à filosofia política, tendo oportunidade de conhecer e discutir algumas ideias fundamentais da formação de nossa cultura política pública, como as ideias de democracia, legalidade, poder, dever moral, liberdade e virtudes. A filosofia política preocupa-se com a natureza e os fundamentos do Estado, especialmente, com a justificação da autoridade política diante dos cidadãos que a ela se submetem. A ética, como estudo filosófico do pensamento e das ações morais, propicia um contato com as idéias que justificam as decisões humanas e outras que esclarecem os fundamentos dos problemas e respostas morais.

O CONHECIMENTO: EIXO TEMÁTICO A Filosofia Grega

No eixo temático a Filosofia Grega, em um primeiro momento, procurar-se-á apresentar aos estudantes a especificidade histórica do surgimento da Filosofia na Grécia Antiga. Com isso também, será possível mostrar a demarcação própria da Filosofia ante outros saberes, sobretudo o pensamento mítico. Em um segundo momento, os estudantes serão apresentados, a partir de textos dos próprios filósofos, aos problemas que compuseram uma tradição filosófica no pensamento antigo. Nesse sentido, o embate entre o mobilismo de Heráclito e o imobilismo de Parmênides, bem como a possível síntese dos dois realizada por Platão, são exemplares de soluções diversas dadas a um problema central para gregos. Por

fim, a partir da crítica de Aristóteles a Platão, será possível analisar as condições, segundo as quais se constitui, mesmo sobre o Ser, o saber de uma ciência, sempre a partir das quatro causas. Além disso, será possível fornecer aos estudantes as regras próprias do pensamento formal, a fim de que eles, com a Lógica, compreendam as regras a que qualquer raciocínio deve se submeter.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

NÍVEIS DE EXIGÊNCIA

1.1. O significado do termo filosofia · O nascimento da filosofia

  • O surgimento da polis · O espanto
  • Explicar as três principais teorias sobre o surgimento da filosofia: a ruptura entre o mito e o logos – teoria do milagre grego; a continuidade entre mito e logos – o mito noético e o surgimento político da filosofia.
  • Explicar a hipótese     aristotélica     do surgimento da filosofia a partir do espanto.

1.2.Pré-socráticos

  • Parmênides: imobilidade do ser e aparência
  • Heráclito: eterno fluxo, multiplicidade e unidade
  • Compreender como os pensadores pré-socráticos buscaram explicações racionais para o conhecimento da natureza e da realidade, tendo como problemas centrais a constante mudança percebida pelos sentidos humanos e a recusa dos sentidos como fonte segura de conhecimento.
  • Caracterizar o pensamento de Parmênides, que afirma a imobilidade do ser e a identidade entre o ser e o pensar, em oposição à aparência, que é fruto das opiniões formadas pelos homens a partir dos sentidos.
  • Caracterizar o pensamento de Heráclito como reflexão que afirma a mudança constante, o eterno              fluxo,                         como fundamento do conhecimento, admitindo tanto a multiplicidade (dos seres) quanto a unidade e a harmonia garantidas pelo “logos”.

1.3. Sócrates

  • O oráculo de Delfos e o julgamento · Ironia, aporia e maiêutica: ética e

conhecimento

  • Explicar como Sócrates modifica o eixo das questões propostas pelos pré-socráticos, direcionando as questões filosóficas para temas como a Ética, a formação moral, os limites do conhecimento humano e para a formulação de conceitos universais, em oposição ao relativismo dos sofistas.
  • Verificar como a maiêutica (o parto das ideias), o reconhecimento do não saber pela ironia e a ausência de respostas às questões levantadas (aporia) constituem o fundamento do pensamento socrático.
  • Verificar como a mensagem do Oráculo de Delfos “Conhece-te a               ti                        mesmo”,                 a acusação e o julgamento definem a missão de Sócrates.

1.4.Platão

  • A alegoria da caverna

−      A relação entre o sensível e o inteligível

−      Reminiscência e conhecimento −             O ideal da política: o rei filósofo

  • Caracterizar a solução proposta por Platão para     o impasse     entre Parmênides   e Heráclito, por meio da relação entre o sensível e o inteligível, presente na Alegoria da Caverna.
  • Compreender a relação         entre conhecimento e reminiscência e a distinção entre o verdadeiro saber (episteme) e o falso saber (doxa).
  • Compreender, a partir das alegorias da Caverna e do Navio, o ideal platônico da política: a cidade Justa e o Rei Filósofo.

1.5. Aristóteles

  • Metafísica

− As categorias: substância e acidentes

− Teoria das quatro causas

  • Noções de lógica

−     Proposição: verdade e falsidade

−     O silogismo: termos, premissas e validade

  • Explicitar em que   sentido     a   Filosofia Primeira (Metafísica) pode conhecer as causas primeiras ou as mais universais, a partir da substância.
  • Explicar a teoria das quatro causas.
  • Mostrar que o ser pode ser dito de várias maneiras, a partir dos acidentes e das categorias.
  • Explicitar de que maneira a Filosofia Segunda (Física) se relaciona-se com a Filosofia Primeira (Metafísica), a partir dos conceitos de matéria/forma, ato/potência e motor imóvel.
  • Entender a verdade da proposição como uma adequação do discurso àquilo que ocorre nas coisas, distinguindo da noção de validade, apropriada ao raciocínio.
  • Mostrar como a lógica pode ser um instrumento para o exercício formal do pensamento.
  • Explicar as regras do pensamento dedutivo, tendo como modelo o silogismo categórico (1ª figura).

O CONHECIMENTO: EIXO TEMÁTICO 2 __ Filosofia Grega e Cristã

No eixo temático, Filosofia Grega e Fé Cristã, deve se procurar mostrar aos estudantes os problemas postos à tradição filosófica pelos pressupostos da fé cristã, matriz de uma cultura que se convencionou chamar a idade média latina (dominante entre os séculos V e XV de nossa era). Esse encontro entre filosofia e fé cristã dá-se, no entanto, em diversos estágios, que podem ser sintetizados em dois grandes períodos: a Patrística e a Escolástica. O primeiro é dominado pelo pensamento de Agostinho de Hipona, de tendência neoplatônica; o segundo, subdividido em dois períodos: a discussão do problema dos universais, em que se destacam o realismo, a posição de Pedro Abelardo e o nominalismo e a hegemonia do pensamento de Tomás de Aquino, que a partir da filosofia aristotélica desenvolveu as chamadas provas da existência de Deus.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

NÍVEIS DE EXIGÊNCIA

2.1. Introdução

  • Compatibilidade ou incompatibilidade entre fé cristã e filosofia grega
  • Apresentar as diferentes       teorias envolvendo a relação entre a filosofia grega e a fé cristã: os conflitos e a possibilidade de conciliação entre ambas.
  • Discutir a relação entre a fé cristã e a filosofia grega, a partir da concepção da patrística e da escolástica, com ênfase nas propostas de Agostinho de Hipona e de Tomás de Aquino.
  • Abordar o papel da filosofia grega como instrumento da teologia (fé cristã).
  • Esclarecer a idéia central da superioridade da fé sobre a razão.

2.2. A patrística

  • Agostinho

− A doutrina da reminiscência

− A doutrina da Iluminação divina: Deus como origem e fim do conhecimento

  • Apresentar a influência do neoplatonismo no pensamento de Agostinho de Hipona, destacando a diferença entre a teoria da reminiscência (Platão) e   a   teoria   da Iluminação divina (Agostinho).
  • Compreender que Agostinho considera a filosofia grega um instrumento útil para a fé cristã, pois a        primeira            ajuda                a compreender melhor as verdades da fé.
  • Entender que as verdades   eternas   e imutáveis têm sua sede em Deus, assim sendo, as mesmas só podem ser alcançadas pela iluminação divina: Deus que é uma realidade exterior, habita o interior do homem, revelando      o                    conhecimento verdadeiro.
  • Mostrar que a verdade não pode ser ensinada pelos homens, mas somente pelo mestre interior.

2.3. A escolástica

  • O problema dos universais − A posição realista

−     A posição de Pedro Abelardo −        A posição nominalista

  • Apresentar o debate em torno da questão dos universais, caracterizando-o como um momento na reflexão filosófica sobre a existência ou não de conceitos universais.
  • Caracterizar o ponto     central     dessa discussão: saber se os universais são realidades ou coisas que existem por si mesmas ou se são apenas entidades mentais e, ainda, se os universais existem nas coisas ou separados delas.
  • Apresentar as correntes em debate: o realismo, Pedro Abelardo e o nominalismo. Conforme as seguintes indicações:

− O realismo representa a opinião de que o mundo   exterior      é       tal       qual       o compreendemos, por   meio de   nossos conceitos (universais), ou seja, considera

 

que   os universais são entidades que existem por si e separados das coisas exteriores             (corrente                      influenciada                         pela filosofia platônica).

− Os nominalistas defendem a ideia de que os    universais           não                existem independentemente     das     coisas,        os universais       são                apenas     palavras     sem existência   real,   ou   apenas   conceitos produzidos pela razão para referir-se a elas, ou seja, consideram nossos conceitos como ficções úteis que nos permitem uma compreensão da realidade sem nos dar certeza de como ela é realmente.

− A posição de Pedro Abelardo diferencia-se do realismo, pois nega que os universais sejam      entidades                 metafísicas    (tese defendida pelo realismo), mas não se identifica com o nominalismo, pois para Abelardo   os   universais   existem   como entidades mentais, que fazem a mediação entre o mundo do pensamento e o mundo do ser, portanto, não podem ser apenas palavras, como pregavam os nominalistas.

2.4. Tomás de Aquino

  • A teoria da abstração: a relação entre o intelecto e a realidade sensível
  • As provas da existência de Deus
  • Caracterizar o trabalho da razão humana como compatível com a crença nos dogmas de fé: filosofia e teologia são ciências distintas, porém não excludentes.
  • Compreender que Tomás    de    Aquino trabalha   para   conciliar   a   filosofia   de Aristóteles com a religião cristã, embora mantenha a supremacia da fé em relação à razão.
  • Apresentar sumariamente o                         caráter abstrativo do conhecimento tomista, que consiste em abstrair do objeto a espécie inteligível:     abstrair           o     universal       do particular, a espécie inteligível das imagens singulares.
  • Mostrar que Tomás de Aquino recorreu à teoria aristotélica da abstração: a razão tem como ponto de partida a realidade sensível, pois cada  ente                    (substância individual) traz a sua forma inteligível, que é a forma da espécie.
  • Explicitar as chamadas    “provas”    da existência de Deus, partindo dos dados sensíveis e procurando ultrapassá-los pelo esforço   de   abstração,   culminando   na Metafísica.

O CONHECIMENTO: EIXO TEMÁTICO 3 __ Teoria do Conhecimento

No eixo temático Teoria do Conhecimento, o estudante poderá ver uma amostra do trabalho da Filosofia para definir conhecimento e ciência, mapear as suas fontes e os seus limites, pensar o papel da subjetividade humana na formação da objetividade científica, entre outros problemas. O recorte proposto também se justifica por indicar como os filósofos pensaram o surgimento da ciência moderna. Trata-se, no entanto, de uma exposição pautada pelo debate, mostrando diferentes posições rigorosamente estabelecidas sobre a mesma problemática. Ao estudar a formulação de Descartes sobre o método, o papel da imaginação na construção do conhecimento pensado por Hume e a Revolução copernicana de Kant, percebemos, sobretudo, que o esforço do homem para compreender o mundo é uma tarefa inacabada.

Na conclusão do eixo temático Teoria do Conhecimento, o estudante deverá examinar a proposta do criticismo kantiano para definir conhecimento e ciência, mapear as suas fontes e os seus limites, pensar o papel da subjetividade humana na formação da objetividade científica. O recorte proposto também se justifica por indicar como o inatismo, o empirismo e o criticismo pensaram o surgimento da ciência moderna.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

NÍVEIS DE EXIGÊNCIA

3.1. Descartes

  • As regras do método · A dúvida e o cogito
  • A teoria das ideias: adventícias, fictícias e inatas
  • Caracterizar as regras que compõem o método cartesiano.
  • Entender a dúvida     cartesiana    como metódica, hiperbólica e provisória.
  • Entender o cogito cartesiano como verdade indubitável e como fundamento de outras verdades: Deus e a matemática.
  • Distinguir ideias adventícias, fictícias e inatas, bem como a origem e o valor de verdade de cada uma delas.
  • Caracterizar as diferenças entre empirismo e inatismo quanto à origem das ideias.

3.2. Hume

  • Impressões e ideias
  • Princípios de associação: semelhança, contiguidade, causa e efeito
  • Hábito e conhecimento
  • Compreender a teoria do conhecimento de David Hume, a partir da classificação das percepções: ideias e impressões.
  • Compreender a anterioridade      das impressões em relação às idéias e o critério da intensidade.
  • Compreender os princípios naturais de associação das ideias    na                         mente: semelhança, contiguidade e causa e efeito. Ter noção de que esses são os recursos que a mente possui para produzir conteúdos cognoscitivos.
  • A partir dos pressupostos do empirismo de Hume, entender porque é impossível se construir a priori o conceito de causalidade.
  • Compreender o hábito, em decorrência, como um recurso cognoscitivo para explicar a relação de causa e efeito.
 
  • Compreender o termo      “revolução

3.3. ant

  • A revolução copernicana

− Intuição (pura e empírica) e conceito (puro e empírico)

A priori e a posteriori

− Fenômeno e coisa em si

− Transcendental e transcendente

  • Juízos analíticos e juízos sintéticos

copernicana” no pensamento kantiano, como uma nova concepção da relação entre sujeito e objeto no uso teórico da razão,      conseguindo                  formular              essa concepção   a   partir   das   características apresentadas abaixo.

  • Conseguir diferenciar conceitos e intuições como representações de                             diferentes faculdades.
  • Entender sumariamente no   plano    da sensibilidade e do intelecto a relação entre a priori e a posteriori, sem confundir o a priori com a posse de conteúdos inatos.
  • Compreender a relação do conceito de fenômeno com os conceitos de tempo, espaço e sensações e ser capaz de separá-lo do conceito de coisa em si.
  • Compreender sumariamente o transcendental como um conhecimento das formas que antecedem a experiência. Compreender o transcendente como um conhecimento dos objetos que estão fora do domínio da experiência.
  • Associar a revolução   copernicana   ao propósito de Kant de investigar o modo como as ciências formulam juízos sobre a experiência.
  • Caracterizar os juízos analíticos como juízos que explicam o conteúdo de um conceito.
  • Caracterizar os juízos sintéticos como juízos que ampliam o conteúdo de um conceito.
  • Compreender a fundamentação dos juízos sintéticos a priori como uma alternativa para pensar os limites do projeto inatista e do projeto empirista.

A AÇÃO: EIXO TEMÁTICO 4 __ Política

No eixo temático  olítica será estudada a ação do homem em relação às coisas públicas e em relação aos outros homens. Essa ação é mediada pelo Estado, que pode ser concebido de duas formas. Na Filosofia Política moderna, o Estado não se justifica pela virtude dos cidadãos ou pela busca da perfeição como na antiguidade, mas pelo uso legítimo da força para manter a segurança dos cidadãos e o próprio Estado. O Estado moderno necessita ser legítimo, isto é, o uso da força deve obedecer aos princípios legais para garantir a obediência dos súditos e a autoridade da lei. Na Filosofia Política moderna, o Estado pode também ser concebido como um fenômeno histórico, isto é, um movimento progressivo e de transição das formas de Governo que determina as relações históricas entre Força e Direito. Dentro desse movimento progressivo, o Estado passa a ser concebido não como uma instituição autônoma, mas como um instrumento de classe.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

NÍVEIS DE EXIGÊNCIA

4.1. O Estado como direito e força

  • A autonomia da esfera política
  • Caracterizar o pensamento                           político moderno como autônomo, em relação aos imperativos da metafísica e da religião.
  • Maquiavel

−     O uso da força e da astúcia, por parte do Príncipe, para a conquista e a manutenção do poder

−     Relações entre fortuna e virtù − Relações entre a virtù do

Príncipe e as virtudes cristãs

  • Caracterizar a necessidade do Príncipe de combinar o uso da força e da astúcia, pois nenhuma das duas isolada produzirá o efeito desejado, ou seja, a conquista e a manutenção do poder.
  • Caracterizar as relações entre fortuna e virtù: o Príncipe não é o senhor do destino, mas deve ter   virtù   para   superar   as dificuldades que venham lhe ocorrer. Para atingir sua finalidade – a conquista e a manutenção do poder – deve empregar os meios necessários.
  • A virtù do Príncipe não deve ser a mesma do cristianismo, o qual prega a resignação, a humildade, o perdão aos inimigos. Porém, o Príncipe deve parecer ter tais virtudes, mas de modo algum deve, de fato, empregá-las.
  • Hobbes, Locke e Rousseau

−     Estado de natureza e direitos naturais

−     Contrato Social, sociedade civil e Estado

−     Constituição do Poder Soberano e limites da soberania

  • Caracterizar as diferenças entre as noções de estado de natureza, estado de guerra e sociedade civil.
  • Caracterizar e diferenciar a noção de Pacto ou Contrato Social.
  • Caracterizar a noção de Soberania nesses autores, destacando outros conceitos que, necessariamente, decorrem desse:  o governo,    as    leis,   a    autoridade    e     a obediência.
  • Caracterizar a noção de direitos naturais na filosofia política moderna, destacando seus principais elementos: o                       direito              à propriedade e o direito à vida.

4.2. O Estado como processo histórico

  • Hegel

−     Dialética e idealismo

−     Estado moderno e liberdade

  • Conceituar idealismo e dialética em Hegel. · Definir o que são os espíritos subjetivo,

objetivo e absoluto (ou universal).

  • Explicar a constituição do Estado moderno como a realização da liberdade humana na concepção histórico-política.
  • Marx

−     Dialética e materialismo histórico

  • Apresentar a crítica feita por Karl Marx ao idealismo hegeliano, assim como a nova possibilidade que ele apresenta para uma concepção dialética da realidade social.

−     Modo de produção capitalista: forças   produtivas   e   relações sociais de produção

−     (Infra)estrutura e superestrutura −            A concepção do Estado

  • Mostrar o caráter      de                    exploração característico   do                    modo   de     produção capitalista,     que     leva     ao     limite  o antagonismo   entre   as   classes   sociais: burguesia e proletariado.
  • Demonstrar o caráter                           contraditório existente entre o desenvolvimento de forças produtivas e a manutenção das relações sociais de produção capitalistas.
  • Caracterizar a relação de condicionamento da base econômica da sociedade sobre as ideias presentes em   um   determinado período histórico.
  • Esclarecer como o Estado, assim como as demais formas da superestrutura, são um instrumento de manutenção das relações existentes na base econômica.

A AÇÃO: EIXO TEMÁTICO 5 Ética

No eixo temático ética, o aluno deverá estudar algumas idéias de Aristóteles, maior exemplo da corrente de ética clássica que privilegia as virtudes e a harmonia entre o indivíduo e a comunidade. Depois, deverá examinar o pensamento kantiano que privilegia a obrigação que se fundamenta na razão e na autonomia do indivíduo. Também deverá ter contato com alguns conceitos da ética de Nietzsche, a qual se fundamenta em uma oposição aos valores morais oriundos das filosofias e das religiões. Por fim, no tópico sobre Sartre, deverão ser estudados alguns aspectos críticos para a ética, ligados à noção de que os valores são subjetivos e que a liberdade é incontornável.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

NÍVEIS DE EXIGÊNCIA

5.1. Aristóteles

  • Teoria do meio termo e prudência
  • Destacar o papel da ética aristotélica como o meio que possibilita o fim (ou Bem) humano, que é a felicidade.
  • Caracterizar a virtude como uma disposição de buscar o meio termo, a justa medida entre o excesso e a falta em determinada conduta, definindo os conceitos gerais de virtudes e vícios.
  • Caracterizar os conceitos das virtudes morais como gênese do hábito nas relações de formação do caráter humano, o qual deve ser a base para a participação na vida da polis.
  • Mostrar a prudência como condição de todas as virtudes, por ser a disposição prática para deliberar                 em     qualquer circunstância, visto que versa sobre a totalidade do bem viver.

5.2. Kant

  • Ação por dever, conforme ao dever e por inclinação
  • Autonomia e Esclarecimento
  • Compreender o princípio de universalização contido no imperativo              categórico    e conseguir usar esse princípio para pensar o caráter moral da ação.
  • Ser capaz de distinguir ação por dever, conforme ao dever e por inclinação.
  • Compreender que a moralidade da ação é definida a partir do móvel da ação. Assim, uma ação pode ser conforme ao dever e não ser moral.
  • Caracterizar a relação entre autonomia e liberdade.
  • Entender a dimensão política da autonomia como a capacidade de fazer uso por si próprio da razão sem a tutela de outrem.
  • Ser capaz de diferenciar uso público da razão (autônomo) e uso privado da razão (heterônomo).

5.3. Nietzsche

  • A transvaloração dos valores

− O apolíneo e o dionisíaco

− A moral do senhor versus a moral do escravo

− Além do bem e do mal − Vontade de potência

  • Compreender a proposição        de transvaloração   dos   valores  feita   por Nietzsche, cujo objetivo é o de revalorizar o equilíbrio entre as forças instintivas e vitais do homem que foram subjugadas pela filosofia                    socrático-platônica     e     pelas religiões.
  • Compreender que a cultura helênica foi marcada pelo equilíbrio entre o dionisíaco (força vital e do instinto) e o apolíneo (a racionalidade) e que a filosofia socrático-platônica representou a    tentativa    de compreender e dominar a vida com a razão.
  • Compreender que a moral do senhor é caracterizada pela valorização da força, da saúde, da criatividade, do amor à vida, da embriaguez dionisíaca, do novo orgulho. Porém, compreender também que a moral do escravo é caracterizada pelo ódio dos impotentes, pelo ressentimento contra aquelas características e pela crença em um mundo superior, que torna a Terra algo inferior e imperfeito, da qual se aspira distância.

5.4. Sartre

  • Existência e essência
  • Liberdade, escolha, angústia e má-fé · Responsabilidade    e     engajamento

político-social

  • Compreender que o bem e o mal foram transformados em valores metafísicos transcendentes   à   realidade   da   Terra, independentes das situações   concretas vividas pelos homens.
  • Compreender que a moral do super-homem, ou além-do-homem, define como
 

bom tudo o que intensifica no homem o sentimento e a vontade de potência e que o mau é tudo o que provém do sentimento de fraqueza.

  • Apresentar a filosofia de Jean-Paul Sartre a partir da relação entre    existência   e essência.
  • Analisar a questão da liberdade, da escolha, da angústia e da má-fé.
  • Analisar a relação da responsabilidade com o engajamento político-social.

SUGESTÕES PARA INTERDISCIPLINARIDADE

Nos últimos 2500 anos, os Filósofos têm estudado a possibilidade de um discurso sobre o que é comum aos vários campos do saber humano. Traduzindo para o conceito pedagógico atual, uma das questões fundamentais da Filosofia é a interdisciplinaridade.

De um lado, toda disciplina tem método, relaciona eventos, procura explicar algo, caracterizando-se como forma de saber. Perguntas como essas – o que é método? O que é causa? O que é uma explicação? O que é uma disciplina? O que é conhecer algo? – fazem parte do questionário filosófico, definindo um discurso que não é feito por nenhuma outra disciplina e, ao mesmo tempo, diz respeito a todas. Desse modo, a preocupação filosófica é com a constituição de uma visão de conjunto do saber humano, sustentada por uma reflexão crítica e rigorosa.

Por outro lado, a Filosofia não procura só entender o discurso científico, seu objeto, seus pressupostos, sua potencialidade, mas lida também com o campo dos valores e dos afetos. Ela pensa tanto cada uma em separado, como também a relação das três formações distintas do homem, a técnico-científica, que habilita o homem a conhecer; a formação humanista, que refina a sensibilidade humana e a formação ética, que se ocupa com a conduta humana. A Filosofia, portanto, pergunta pelo sentido integral da educação do homem.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

LIVROS DIDÁTICOS

ARANHA, M. L. A; MARTINS, M. H. P. Filosofando. Introdução à Filosofia. São Paulo: Ed. Moderna, 2003.

CHALITA, Gabriel. Vivendo a Filosofia. São Paulo: Ática, 2006. CHAUÍ , Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ed. Ática, 2003.

_____ . Filosofia. São Paulo: Ed. Ática, 2000. Série Novo Ensino Médio.

CUNHA, José A. Filosofia. Iniciação à Investigação Filosófica. São Paulo: Atual Editora, 1992. MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 7ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

______. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.

NICOLA, Ubaldo. Antologia ilustrada de Filosofia: das origens à idade moderna. Trad. Maria Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

REZENDE, Antônio (org.) Curso de Filosofia. 8ºed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor/SEAF, 1998.

VV.AA. Os filósofos através dos textos. De Platão a Sartre (por um grupo de professores). São Paulo: Paulus, 1997.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

BOSCH, Philippe van den. A filosofia e a felicidade. Trad. Maria Ermantina Galvão. E. M. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1998.

CORTELA, Mario Sergio. Não nascemos prontos!Provocações Filosóficas. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2006.

FEARN, Nicholas. Aprendendo a Filosofar em 25 lições: Do poço de Tales à desconstrução de Derrida. Trad. Maria Luíza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.

FIGUEIREDO, Vinicius. (Org.). Seis filósofos na sala de aula. Platão, Maquiavel, Descartes, Voltaire, Kant, Sartre. São Paulo:Berlendis e Vertechia Editores, 2006.

GAARDER, Jostein. O Mundo de Sofia. Romance da História da Filosofia. Trad. João Azenha Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

______. O Dia do Curinga. Trad. João Azenha Jr. São Paulo: Companhia das Letras: 1995. GIKOVATE, Flávio. Os sentidos da vida: uma pausa para pensar. 2º ed. Reform. São Paulo: Moderna, 2004. (Coleção polêmica)

JAFFRO, Laurent; LABRUNE, Monique (Org.). Gradus philosophicus: a construção da Filosofia ocidental. Trad. Cristina Murachco. São Paulo: Mandarim, 1996.

LEBRUN. O que é poder. Trad. Renato Janine Ribeiro e Silvia Lara. 12. ed.. São Paulo: Brasiliense, 1992.

_________. Ética para meu filho. Trad. Mônica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 2005. PEGORARO, Olinto. Ética dos maiores mestres através da história. Petrópolis, R.J: Vozes, 2006. PERINE, Marcelo. Ensaio de iniciação ao filosofar. São Paulo: Ed. Loyola, 2007.

PLATÃO. República. Livro IV. Adaptação Marcelo Perine. São Paulo: Ed. Scipione, 2002. (Coleção Reencontro)

REALE, G. & ANTISERI, D. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. 6ª ed. São Paulo:Ed Paulus,1990, v. 1.

SAVATER, Fernando. As Perguntas da Vida. Trad. Mônica Stahel. São Paulo: Martins Fontes. _________. História da Filosofia: do humanismo a Kant. 6ª ed. São Paulo: Ed. Paulus, 1990, v. 2.

____________. História da Filosofia: do Romantismo até nossos dias. 5º ed. São Paulo: Paulus, 1991, v. 3.

COLEÇÕES DE LIVROS INTRODUTÓRIOS A TEMAS OU AUTORES

Coleção Cara ou Coroa. Editora Scipione. (autores: Brigitte Labbé e Michel Puech). Coleção Logos – Editora Moderna.

Coleção Mestres do Pensar – Editora Loyola. Coleção Passo a Passo – Editora Zahar. Coleção Prazer em Conhecer – Editora FTD. Coleção Os Pensadores – Abril Cultural.

REVISTAS

Discutindo Filosofia. Ano 1. São Paulo: Escala Educacional. Filosofia. Revista Ciência e Vida. São Paulo: Editora Escala.

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