Observações sobre os fenômenos sociais: mundialização do capital, pós-modernidade e novas tecnologias

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Índice

  • Introdução
  • Mundialização do capital
  • Pós-modernidade
  • Novas tecnologias
  • Referências

Resumo: Este texto apresenta algumas mudanças, atualmente, significativas na sociedade e na tecnologia, que vem transformando rapidamente os usos e costumes coletivos característicos da sociedade humana contemporânea. Esta reflexão se propõe a examinar as discussões que envolvem a Sociologia a partir dos três temas dominantes da cultura e da ciência na atualidade: mundialização do capital, pós-modernidade e novas tecnologias.

Palavras-chave: mundialização do capital; pós-modernidade, novas tecnologias.

Introdução

Vivemos, atualmente, mudanças significativas na sociedade e na tecnologia, que vem transformando rapidamente os usos e costumes coletivos característicos da sociedade humana contemporânea. Esta reflexão se propõe a examinar as discussões que envolvem a Sociologia a partir dos três temas dominantes da cultura e da ciência na atualidade: mundialização do capital, pós-modernidade e novas tecnologias. A Sociologia foi escolhida como ponto essencial pelo fato de ser a ciência que tem como trabalho árduo tentar compreender e enquadrar através das teorias, o que o homem e o medium humano em suas interações recíprocas podem revelar da verdadeira natureza dos fenômenos sociais.

Neste período de transmutação, em que se apresentam novas práticas, expressões e características do conhecimento, a mundialização do capital surge como um fenômeno, que aparece de maneira evidente, na segunda metade do século XX, inicialmente com a internacionalização das empresas que ganham maior força, dissolvem fronteiras e pulverizam culturas.

A pós-modernidade, ainda que tematizada por uma plêiade de estudiosos em seus mais variados aspectos, no entanto, continua a propor questões à Sociologia com suas novas formas de percepção e significação dos valores individuais e dos processos sociais fundamentais. Mas, é no universo das novas tecnologias que o mundo passa por maior transição na realidade contemporânea. A influência da imagem coloca em contratempo o estatuto do real e do virtual redefinindo-os na orientação das relações dos indivíduos e sociedades.

Mundialização do capital

A transformação em curso, provocada pela mundialização do capital, pela emergência da sociedade global, tem levado a Sociologia a transferir sua observação em busca de novos paradigmas teóricos para entender os novos processos e estruturas sociais, econômicas, políticas e culturais dos indivíduos e da sociedade. E ao se formarem novos padrões e modelos teóricos, a Sociologia, nesse conjunto passa a pensar o seu objeto de investigação, através de métodos e conceitos caracterizados pela reflexão, compreensão e explicação a partir do olhar, produzidos em tempos de mundialização do capital. Conforme Mello (1996, p.56):

Enquanto razão crítica de seu tempo, as ciências sociais refletem e exprimem as convicções, dúvidas e perplexidades do curso da história, movidas pelos acontecimentos de cada época e lugar, contexto e cultura, revelando-se simultaneamente efeito e causa na dialética do jogo das interações humanas.

A gênese e constituição da Sociologia, enfim a sua história, confunde-se com a história da modernidade, porém, com o final da Segunda Guerra Mundial seus fundamentos clássicos, como matéria inacabada de sua própria era, onde tudo o que é sólido desmancha no ar começam a ser questionados, uma vez que os novos fatos decorrentes do processo de mundialização do capital não mais ofereciam soluções teóricas para os problemas apresentados, passando possivelmente, a tornar as teorias clássicas em referenciais obsoletos e, a suscitar o desenvolvimento de outros métodos, tema/questões e teorias para melhor conceituar e interpretar o momento.

Esta mundialização do capital emerge com o crescimento intensivo e exponencial do capitalismo mundial, isto é, com a passagem do intercâmbio internacional à internacionalização da produção, provoca uma transformação nas convicções íntimas, nas técnicas, nas relações sociais e nos padrões comportamentais e mentais até então vigentes. A partir de então, radicalizou-se o questionamento e discutiram-se novos objetos e métodos para a teoria sociológica, o que ocasionou a enunciação de conceitos e interpretações como “sociedade global”, “interdependência das nações”, “mundo sistêmico”, “economia mundo”, “internacionalização do capital”, “globalização do capitalismo” e “racionalização do mundo”, dentre outros.

Nestes “novos tempos” a Sociologia passou a desenrolar temas/questões voltados para dar conta dos indivíduos concretos e das ações humanas, renunciando assim as grandes abordagens macro-sociológicas – discutindo-se mais a identidade, as diferenças, o quotidiano e menos as noções como as de sociedade, história, revolução, imperialismo e outras tantas voltadas para a teorização dos processos-macros e dos grandes conjuntos e sistemas sociais típicos dos cânones herdados dos modelos teóricos clássicos. Com efeito é que tais modificações impõem um dado empírico à reflexão filosófico-sociológica que desafiam a Sociologia e as demais Ciências Sociais a repensarem o mundo sob a ótica de um novo tipo de “percepção”, colocando sob crítica contundente as formas tradicionais de movimento epistemológico.

Mas para pensadores, fica a indagação se realmente os clássicos, como instrumental teórico, legados, por exemplo, por Marx, Durkheim e Weber estariam superados, e até que ponto procederia à tese de sua obsolescência, pois acreditam esses que ao invés da negação, uma releitura dos clássicos certamente traria uma renovação profícua na elucidação teórica da dinâmica da mundialização do capital. Se por um lado alguns teóricos acusam os paradigmas clássicos de serem incapazes de reconhecer até mesmo as multidimensonalidades institucionais da modernidade, por outro lado teóricos com o peso de David Harvey (1998) encontram nos clássicos referenciais preciosos à reflexão científica, que mesmo em tempos de mundialização do capital apresentam um poder de atualidade a margem do sentido profético.

Assim, em tempos de mundialização do capital, há conforme Mello (1996, p.72):

[…] uma amplificação seletiva e atenta das reflexões sobre o mundo moderno contido nas obras de MARX, WEBER e tantos outros autores clássicos, permitiria identificar a presença subjacente de uma teoria da globalização extremamente atual e potencialmente capaz de fornecer chaves de explicação/compreensão para uma gama considerável de fenômenos que apenas recentemente têm sido empiricamente evidenciados pela institucionalização da sociedade globalizada.

Resolutamente a mundialização do capital enquanto fluxos internacionais de mercadorias e capitais, e como um novo fenômeno que gradativamente tem modificado os processos e relações dos indivíduos e da sociedade, está alterando a natureza dos objetos e métodos em Sociologia. Neste novo milênio a Sociologia defronta-se com a mundialização do capital, com novas estruturas e novos processos sociais, econômicos, políticos e culturais que apenas começam a ser estudados no dizer de Ianni (1997), quem sabe, os autores clássicos Marx, Durkheim e Weber dentre outros, ainda continuarão a oferecer sua observação na representação da “sociedade global” em seus desafios e potencialidades.

Pós-modernidade

Através do século XX muitos debates surgiram tentando ligar a relação Sociologia e pós-modernidade inscritas nas sociedades capitalistas ocidentais contemporâneas. Tal contraposição entre sociedade industrial/sociedade pós-industrial, no entanto, diz respeito às mudanças socioeconômicas e ao desenvolvimento da sociedade da informação na era atual. Porém, foi a partir dos anos oitenta que as mudanças nas dimensões sociais, culturais e políticas passaram a ser referidas como moderno/pós-moderno tirando da cena o par anterior. Entre os autores mais ligados a temática está Baudrillard, Lyotard, Jameson, Featherstone e Harvey.

A cooperação de Baudrillard (1985) para com esta discussão diz respeito à idéia da reprodução da totalidade social numa época caracterizada pela tecnologia industrial, pela expansão da mercantilização que levam conseqüentemente ao fim do social através de sua implosão e o surgimento das maiorias silenciosas. Baudrillard (1985, p.09) afirma que: “[…] todo o confuso amontoado do social se move em torno desse referente esponjoso, dessa realidade ao mesmo tempo opaca e translúcida, desse nada: as massas.” Essas massas não reproduzem nem refletem o social, pelo contrário, nelas há um precipício de sentido, ou seja, há uma perda de significado na era atual.

Segundo Baudrillard (1985), se na modernidade houve um processo de desencantamento do mundo, a pós-modernidade é marcada pelo processo de destruição dos significados, pois, neste conjunto, as massas se interessam apenas pelo espetáculo e não no sentido. O social sequer possui um significado que possa dar força a um significante político. O único referente é a massa silenciosa que só existe nas estatísticas reveladas em sondagens e enquetes. A massa silenciosa seria uma simulação do social onde o social desapareceu. Assim para Baudrillard (1985) a pós-modernidade é uma condição que a sociedade assume a partir de determinado momento.

Para Lyotard (1986), a pós-modernidade é colocada na crise das narrativas, uma vez que este a analisa em termos da condição do conhecimento. De acordo com seu pensamento, a ciência moderna é aquela que busca sua legitimação com referência em uma grande narrativa na filosofia, e a ciência pós-moderna é definida como aquela que desconfia de e questiona tais narrativas. Segundo Lyotard (1986, p.35):

O saber não é a ciência, sobretudo em sua forma atual; e esta longe de poder ocultar o problema de sua legitimidade, não pode deixar de apresentá-lo em toda sua amplitude, que não é menos sociopolítica que epistemológica. Precisemos de início, a natureza do saber narrativo; este exame permitirá, por comparação, discernir melhor pelo menos certas características da forma de que se reveste o saber científico na sociedade contemporânea.

Assim como nas transformações sociais do fim do século XIX, que alteraram as regras do jogo para as ciências, a literatura e as artes, Lyotard (1986), observou que para analisar o conhecimento é preciso também analisar a sociedade na qual ele ocorre – se na era pós-industrial o conhecimento foi mercantilizado é devida sua elevada importância no conjunto da capacidade produtiva do Estado-nação. Daí o que faz da pós-modernidade especificamente aparecer em alguns momentos e sociedades é a relação que esse conhecimento adquire nestes momentos e sociedades, porém em outros passa a ser vista não como o fim da modernidade, mas como uma outra relação com a modernidade.

Habermas (1990), por sua vez, acreditando tratar-se a modernidade de um projeto que não se concretizou, rejeita a expressão pós-modernidade. Mesmo porque, se a razão iluminista por um lado subordina o mundo da vida, por outro ainda é um projeto interessante na medida em que pode propiciar uma maior racionalidade do social, maior justiça e moralidade.

A postura de Mike Featherstone (1995), é de considerar válida a idéia de pós-modernidade, trazendo em si algumas questões novas, que inspirado em Pierre Bourdieu (1989) reconhece nas mudanças: do campo artístico, intelectual e acadêmico; numa esfera cultural mais ampla que envolve questões de equilíbrio de poder; e, nas práticas e experiências quotidianas dos vários grupos. A mesma consideração de validade não se aplica às teorias pós-modernas que carecem de sistematicidade. Para Featherstone (1995), se não se pode falar de uma sociologia pós-moderna, que não seria de fato uma sociologia é, no entanto, necessário que se faça uma sociologia da pós-modernidade.

Para David Harvey, encontramos um estudo do modernismo até os dias atuais em que procura demonstrar que a pós-modernidade é “a emergência de novas maneiras dominantes de experimentarmos o tempo e o espaço na sociedade contemporânea”.(HARVEY, 1998, p. 08).

Segundo Harvey (1998), o próprio significado e a própria percepção do tempo e do espaço variam, mostrando que essa variação afeta valores individuais e processos sociais do tipo mais fundamental, o que explicaria o surgimento da pós-modernidade.

É importante entender que se autores como Baudrillard, Lyotard, Habermas, Feartherstone e Harvey entre tantos outros que tematizam a pós-modernidade apresentam questões típicas aos paradigmas da Sociologia, faz-se providencial criar-se não uma Sociologia Pós-Moderna, mas uma Sociologia daquilo que contemporaneamente convencionou-se chamar de Pós-Modernidade.

Este processo de homogeneização descentrada das culturas, este fenômeno bizarro da tribalização massificada – pós-modernidade – talvez possa ser compreendido através de seus fragmentos, nos quais o global se reflete e se atomiza. É a realidade fractal que parece impor um olhar ao mesmo tempo histórico e transdisciplinar.

Tomados esses critérios, não é difícil ver no pensamento contemporâneo essa mesma possibilidade múltipla e plural. Se não podemos definir a pós-modernidade como um réquiem fúnebre da sociedade industrial, podemos ao menos delimitá-la como um movimento cultural sem estilo ou estética definidos, marcada pela bricolagem criativa, por esta universalidade estilhaçada em diferentes singularidades. É o sincrético sem síntese: o real como mosaico. E nesta conjuntura múltipla e globalizada, o intercâmbio em tempo real, a usuabilidade dos parâmetros do Ciberespaço passará a desempenhar um papel essencial de mediação entre as culturas. Definindo o Ciberespaço como um fenômeno pós-moderno.

Novas tecnologias

Fazer uma abordagem unindo a Sociologia e as Novas Tecnologias sugere ao pensamento que a Sociologia, enquanto ciência que estuda as relações entre os indivíduos e sociedades, tem sido, transformada pela mediatização que as inúmeras invenções na eletrônica e nas comunicações, entre outras, estão imprimindo na forma de se relacionar deste homem contemporâneo. O impacto sobre a sociedade provocada pelos aviões, cinema, rádio, TV, telefone, fax, satélite e vídeos produziu amplos debates, artigos, livros e teorias.

Contudo, num universo tão amplo onde há inovações a cada dia e com a expansão crescente do Ciberespaço, a delimitação do estudo de um tipo de novas tecnologias se faz necessário. Segundo Vidotti (2001, p.16): “As tecnologias de informática têm perdido o ar de ficção científica e vêm ganhando espaço nos aspectos socioeconômicos e culturais, assumindo cada vez mais sua presença no cotidiano das pessoas e das empresas.” Entre as conquistas tecnológicas o ideal seria escolher aquela que mais que as outras, desponta como fator de mudanças nos conceitos e relações, nos comportamentos e na cultura.

Dessa forma, procurou-se privilegiar a discussão envolvendo a sociedade e a realidade virtual, uma vez que esta última instrumentaliza-se com a produção de novas tecnologias, além do quê, tem sido considerada como uma espécie de mundo alternativo, uma ampliação da realidade, que relativiza-a abrindo novas possibilidades, diferentes do que já experimentamos e conseqüentemente desenvolvendo-se entre si e com a própria sociedade. Conforme Santos (1997, p.115):

O mundo alternativo da realidade virtual não é, no entanto, o primeiro mundo fictício inventado pela tecnologia. Comentando o impacto sobre a sociedade contemporânea, Gianni Vattimo, em A sociedade transparente, observa uma tal erosão do próprio “principio da realidade” que hoje, para nós, a realidade é mais o resultado do cruzamento, da contaminação das imagens, das interpretações, das múltiplas reconstruções que a mídia distribui. Portanto, antes mesmo que o mundo alternativo da realidade virtual adviesse, o principio de realidade entrara em crise – como se fosse necessário primeiro explodir a visão do mundo em múltiplas visões de mundo; e só num segundo momento fazer a realidade virtual como ampliação da realidade.

A sociedade em sua realidade de meio humano na qual os indivíduos estão integrados, passa a deslocar parte de seu habitat para os meios tecnológicos instituindo novas formas de relações e integração entre os indivíduos e permitindo criar ambientes virtuais que impõem, também, novas formas de relações entre o real e a imagem virtual. Jean-Louis Weissberg (1996) discutindo tais relações entre real e virtual, propõe que estas se dão de seis formas possíveis.

A primeira é aquela em que o real é apresentado pelo virtual, que não o substitui, mas antes se torna uma das formas de sua percepção. Como exemplo pode-se citar os simuladores de vôo usados em aviões de caça norte-americanos em que o território alimenta como substrato, sua própria simulação. Neste caso, real e virtual são igualmente necessários. A segunda apresenta o virtual como um intérprete do real, ajudando a dar-lhe sentido. Assim uma dada captação óptica num único plano, em uma realidade tridimensional, pode ser decodificada e experimentada numa simulação de modelos, averiguando suas possibilidades.

Já a terceira forma implica uma interação real/virtual num único sistema em que é possível realmente agir sobre o virtual. É o caso de uma criação artística, em que o sopro é analisado por captadores numa tela fazendo mover uma imagem-síntese de uma pena. Weissberg (1996), chama a essa forma de prolongamento do real no virtual por contigüidade. Na quarta forma ou figura, temos a que injeta o real no virtual. Um indivíduo pode ser inserido numa tela de computador (imagem-síntese) e animar esse universo virtual.

Na quinta o virtual é visto por uma janela real, caso em que num monitor apresenta-se uma imagem que, girando o monitor, será vista de outro ângulo. A tela converte-se em órgão de visão. Na sexta e última, há uma telepresença real no virtual. Numa “realidade artificial” o ser humano pode mergulhar no universo virtual, utilizando telas que funcionam como órgãos de visão (não mais como fundo de projeção) onde a mão de um indivíduo, utilizando luvas especiais acopladas a um computador, tornam-se imagem-síntese desta mão. Com isso o virtual pode ser visto e tocado como realidade “natural”. Há efetivamente uma telepresença do real no virtual. Continua, contudo, sendo o ser humano a dar consistência ao virtual.

Para André Parente (2002), as tecnologias do virtual exprimem o regime de visibilidade em que vivemos, no qual não se trata mais de pensar um real que só existe em função do que a imagem permite visualizar. O que leva a Sociologia ao desafio de estudar e entender esta sociedade que passa a se constituir com indivíduos que se relacionam e interagem num mundo real e também num mundo virtual. O real passa a não ser a forma privilegiada, ou o único e melhor meio humano, mas apenas mais um junto com o mundo virtual possibilitado pelas novas tecnologias.

Ao desenvolvermos reflexões sobre a Sociologia tendo como conceitos de articulação a mundialização do capital, a pós-modernidade e as novas tecnologias (privilegiando a realidade virtual), ressalta-nos de imediato que as mudanças nas formas de relações entre os sujeitos e as sociedades estão se dando com a transformação das concepções do tempo e do espaço que vem ocorrendo, mais evidentemente, a partir da segunda metade do século XX – categorias básicas da existência humana, o espaço e o tempo não podem ser compreendidos fora da vida humana, sob pena de, com a variação de suas concepções, afetarmos os valores individuais, a cultura e a realidade.

Na mundialização do capital, a aceleração contemporânea do tempo mundo e espaço mundo são um resultado da banalização do telefone, do satélite, do fax, do computador e principalmente do Ciberespaço, que permitiu, em dimensão mundial, organizar o mercado de modo supranacional up to date com os desejos do homem de produção dos fluxos de materialidade.

A pós-modernidade evidencia uma reação à modernidade ou mesmo uma continuação a ela. Nela a transformação mais uma vez, da concepção do tempo aniquila o espaço, aliada a transição do fordismo para uma forma mais flexível de acumulação capitalista provocando assim antecipação da passagem do modernismo para a percepção de um contexto dito pós-moderna, com temporalidade social distinta de outras formas culturais até então existentes, mas em muitos pontos conviventes.

Nas novas tecnologias a subversão das categorias tempo e espaço são mais evidentes, com a expansão do Ciberespaço onde podemos em tempo real, fazer a emissão com a garantia da recepção, simultaneamente, no outro lado do espaço terrestre; com certeza no virtual reside uma verdadeira revolução do tempo e do espaço, pois podemos também perceber a interação entre o usuário e a imagem em tempo real, fazendo nos questionar sobre a natureza da realidade do mundo real e de seu espaço real.

Como afirma Harvey (1998), o modo como representamos espaço e tempo na teoria importa, visto afetar a maneira como nós e os outros interpretarmos e depois agimos com relação ao mundo, o que para a Sociologia faz da mundialização do capital, da pós-modernidade e das novas tecnologias merecerem toda a atenção já que estes termos estão modificando a temporalidade e a espacialidade contemporânea.

Referências

  • BAUDRILLARD, Jean. À sombra das maiorias silenciosas: o fim do social e o surgimento das massas. São Paulo: Brasiliense, 1985.
  • BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 3.ed. Trad. Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Difel, 1989. (Memória e Sociedade)
  • FEATHERSTONE, Mike. Para uma sociologia da cultura pós-moderna. In: Cultura de consumo e pós-modernismo. São Paulo: Studio Nobel, 1995.
  • HABERMAS, Jürgen. O discurso filosófico da modernidade. Trad. Ana Maria Bernado; et. al. Lisboa: Dom Quixote, 1990
  • HARVEY, David. Condição Pós-Moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. 7. ed. São Paulo: Loyola, 1998
  • IANNI, Octavio. A sociologia numa época de globalismo. In: FERREIRA, Leila da Costa (Org) A Sociologia no horizonte do século XXI. São Paulo: Boitempo Editorial, 1997.
  • LYOTARD, Jean-François. O pós-moderno. Trad. Ricardo Corrêa Barbosa. 2.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.
  • MELLO, Alex Fiúza de. As Ciências Sociais em tempos de globalização: morte ou vitalidade dos clássicos? Revista Cultura Vozes, São Paulo ,n. 5, p. 56-71, set./out. 1996.
  • PARENTE, André. A última versão da realidade: o virtual como metafísica da exterioridade. Disponível em: <http://www.eavparquelage.org.br/eav/
    revista/andreparente.htm> Acesso em: 23 dez. 2002.
  • SANTOS, Laymert Garcia dos. Considerações sobre o virtual In: FERREIRA, Leila da Costa (Org) A Sociologia no horizonte do século XXI. São Paulo: Boitempo Editorial, 1997.
  • VIDOTTI, Silvana Apª. B. G. O ambiente hipermídia no processo de ensino-aprendizagem. Marília, 2001. 126f. Tese (doutorado). Universidade Estadual Paulista 2001. 126p.
  • WEISSBERG, Jean-Louis. Real e Virtual In: PARENTE, André (Org) magem-Máquina: a era das tecnologias do virtual. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 1996.

 

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