PENSAR

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Não se deve permitir que a acomodação ocupe o lugar do pensar. É somente através deste que a mente será, para cada um de nós, uma fonte de interesse e desafio para toda a vida.

Aceitar e repetir parece ser o princípio universal. A grande maioria está satisfeita com este mundo onde tudo se compra e tudo se vende. Assim, pensar diferente é perda de tempo. Afinal, é basta tentar, para que apareça um acomodado com a seguinte afirmação: “você quer mudar o mundo? É impossível!”. A postura do acomodado, neste caso, o preguiçoso mental, muitas vezes acaba contribuindo para que alguém (principalmente um iniciante) desista de pensar, debater, fundamentar o seu pensamento e,  muitas vezes, se sentir envergonhado. Por incrível que possa aparecer, os acomodados ou preguiçosos mentais estão por toda parte e se multiplicam de forma acelerada. Por isso, hoje, raramente as pes soas preenchem  suas cabeças com assunto como, por exemplo, desejar e lutar por um mundo, no qual os homens  possam viver sem as pressões alienantes de um sistema social, econômico e jurídico submetidos apenas ao domínio do dinheiro e de uma certa casta no poder. Pois, para certos acomodados, esse desejo lembra o “comunismo soviético”. Um certo “ideal” que não soube manter suas promessas e, pelo contrário, edificou um sistema repressivo e opressivo particularmente sofisticado.

O homem não pode  se acomodar. A acomodação provoca estagnação das “faculdades racionais” ligadas à “coragem” para tomar iniciativas e começar algo “novo”. Sem reflexão e sem questionamento o mundo pára. É necessário pensar e repensar o mundo incessantemente. É necessário participar da sua história, fazer parte efetivamente dela. O homem precisa “lutar” contra si e contra os outros para fazer renascer o gosto pela reflexão e pelo questionamento mesmo sabendo que são tarefas difíceis. Pois, infelizmente, vivemos numa “sociedade” satisfeita consigo mesma. Uma sociedade que já se convenceu que o material é superior ao espiritual e que a maioria sempre vence.

Ninguém está habilitado a pensar no lugar do outro. E esse ato deve ser entendido como natural e necessário. Os homens precisam retomar com afinco essa tarefa. A razão precisa voltar a iluminar e a guiar o mundo rumo à idéia da humanidade. Ela precisa retomar a “produção” dos conceitos e colocá-los em questão. Deve-se manter sempre vigilante para poder anunciar novos empreendimentos, denunciar todos os crimes de todos os poderes, atacar incisivamente todas as injustiças e os egoísmos, estimular a imaginação de todos, alimentar as esperanças e questionar sem descanso sua época.

Pensar, pesquisar, questionar e produzir idéias não  são privilégios desta ou daquela pessoa, apesar de serem executados por um grupo pequeno ao redor do mundo. Na verdade, qualquer homem normal, está capacitado para executar tais atos, mas, infelizmente, poucos conseguem chegar a ter essa consciência. Por isso digo que é necessário um esforço diário para que a própria cabeça seja usada: pense por conta própria. Interrogue o mundo, o pensamento do outro, a “sociedade”, a experiência e os seus próprios pensamentos. Ninguém é modelo de juízo, mas simplesmente uma ocasião de se fazer um juízo sobre ele, até mesmo contra ele. Fique atento: ninguém pode pensar em seu lugar. Pensar é viver com a razão.

Pascal afirmou que “o homem não passa de um caniço, o mais frágil da natureza; mas é um caniço pensante”. Ora, que o homem é um ser  vulnerável, todo mundo já sabe, a dúvida é se todos sabem que são seres “pensantes”, ou melhor, seres com capacidades para pensar, já que nenhum homem nasce, mas se torna um ser pensante. Nessa ótica, homem que não pensa é um simples caniço frágil, um marionete, um “Maria vai com as outras”. O ato de  pensar dignifica e dá sentido ao homem. Pois, a maneira como ele pensa afeta a sua própria visão e o modo como ele trata as outras pessoas e o mundo. Por isso, para que e le possa existir, deve se tornar, necessariamente, um ser pensante. Existem muitas coisas que passam despercebidas, porque as pessoas nunca aprenderam a pensar sobre elas. Em meio a tantas opiniões, crenças, valores e mudanças da nossa atual “sociedade”, o homem necessita usar a Razão para identificar o que de fato está sendo dito, de onde vem as idéias e aonde levam.

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