Sociedade e indivíduo na contemporaneidade

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As minhas reflexões acerca da sociedade e do indivíduo na contemporaneidade continuam a evidenciar o imediatismo do mundo hipermoderno. Ressaltando o desejo do reconhecimento, e de fazer a diferença. Bem como a importância das empresas estarem atentas para as necessidades do consumidor oferecendo produtos e serviços que condizem com a velocidade de suas vidas.

A contemporaneidade é dominada pelo princípio do desempenho, não se baseia no tempo, no conhecimento e na experiência, mas na agilidade e eficiência. Bem-estar, liberdade e vida social são colocados em segundo, terceiro ou quarto plano. O importante é vencer o tempo, produzir e consumir cada vez mais desprezando, na maioria das vezes, a qualidade de vida.

A velocidade que estabelecida no cotidiano gera uma nova percepção na passagem de tempo. As tarefas diárias não conseguem ser concluídas no decorrer do dia. Tudo é imediato. “Estou atrasado”, “preciso correr”, “Estou sem tempo” e “Minhas demandas profissionais não cabem em meu dia, semana, mês” são as maiores preocupações.  A percepção de tempo diminui. O varejo tornou-se dinâmico, mutante e efervescente. Com isso, os ciclos de vida dos produtos tornaram-se menores e produtos sazonais com prazo de vendas temporários tornaram-se febre. O “para viagem” é o mais buscado.

Essa nova sociedade, que era organizada por regras conhecidas pelos indivíduos, passou a ser instável e incerta, robotizando as reações humanas e se transformando em um mundo das imagens. Imagens, estas, que preenchem o espaço real e imaginário dos indivíduos, criando uma ilusão das suas próprias realidades. Tudo fica reduzido em “o que eu preciso consumir”, em como fazer para identificar-se com a imagem idealizada.

Os “vazios” contemporâneos são preenchidos por uma quantidade absurda de produtos inúteis, desenvolvidos num ciclo vicioso de compra e venda; de trabalho, dinheiro e poder. Parece que tudo pode ser resolvido com o ato de consumir, as tristezas e derrotas diárias são deixadas até mesmo nas prateleiras do supermercado. Entretanto o desejo não termina e a necessidade de consumo e da “imagem” só aumenta, levando o indivíduo a um estado de perda de consciência e à sociedade a loucura e ao isolamento total.

As relações interpessoais vão se anulando, não existe tempo e espaço para um “bom dia”, para um “como você está?” há falta de comunicação e diálogo, sendo assim inexiste relação, mesmo em uma sociedade da máxima comunicação em grande escala. Esse contexto conturbado vai se agravando na medida em que os indivíduos vão se afastando um dos outros, se isolando em seu mundinho de imagens e desejos de consumo.

 

Garcia

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