A FUNDAMENTAÇÃO DA METAFISICA DOS COSTUMES – A POLITICA TENSA E A PAZ PERPETUA E OUTROS OPUSCULOS – IMMANUEL KANT

Metaphysics-2

Resenha: Fundamentação da Metafísica dos Costumes

A filosofia grega, se divide em física, ética e lógica, cada qual em suas respectivas funções conseguem explicar tudo. Esta mesma filosofia grega é perfeita, nada nela se pode corrigir, apenas acrescentar, nas subdivisões da física, ética e lógica, que em suma são consideradas os nossos conhecimentos racionais, ou seja pertencentes aos seres racionais humanos. Eis suas subdivisões desta filosofia grega:

  1. material:  considera qualquer objeto;
  2. formal: I – Lógica; II – Física e III – ética.

I DA LÓGICA

Jamais pode ser empírica, porque as Leis Universais não podem ser derivadas da experiência, porque ela é um Canon do entendimento e precisa ser apenas demonstrada racionalmente, porque se baseia em principios a priori é uma filosofia pura.

II DA ÉTICA e da Física .

A Filosofia Moral, pode ter suas partes empíricas, porque ela se refere ao homem, ou seja suas vontades, da mesma forma que a física ou ciência natural, que determina às leis da natureza, graças à experiência. Ao tratar da ética e da física deriva dois termos.

  1. A METAFISICA DA NATUREZA – OU FÍSICA

É quando a física para ser provada se utiliza tanto do empirismo, como da racionalidade;

  1. A METAFISICA DOS COSTUMES – OU ÉTICA

Subdivide-se em:

  • Antropologia Prática: que é a parte empírica
  • Moral: que é a parte racional, não possui nada de empírico, ou seja, não possui nada da antropologia. Toma-se como exemplo às Leis Morais, que são fundamentos de uma obrigação, tem de ser uma necessidade absoluta ou uma lei universal, que consiste em sua aceitação  por todos os seres racionais.

Assim o mandamento não deves matar é uma necessidade absoluta e deve ser seguido por todos, da mesma forma o mandamento não roubarás, ou não mentirás, possuem o mesmo dever moral.

 Segundo Kant, as regras morais só se baseiam na razão e não podem se misturar com o empirismo, porque neste caso perderia a função de Lei Moral (que é a priori, baseada nos conceitos da razão pura) e ganharia o nome de Razão Pratica, que pertence a Antropologia Prática perdendo assim suas funções de ser a priori.

TODA FILOSOFIA MORAL, ASSENTADA SUAS BASES APENAS NA PARTE PURA; É APLICADA AO HOMEM, PORÉM NÃO RECEBE NENHUM CONHECIMENTO DO HOMEM (ANTROPOLOGIA), mas lhe fornece LEIS A PRIORI.

Em linhas gerais a Metafísica dos costumes é estabelecida graças às Leis a priori, a qual Kant denominou de Moral, mas é verdade que muitas destas Leis a priori, que são obrigatoriamente isentas de qualquer empirismo, ao qual ele (Kant) denominou de Antropologia Prática, precisam ser julgadas por esta mesma antropologia prática, para que  o homem conheça a razão pura, através da razão prática. Isto nada mais é do que a denominação da metafísica dos costumes.

Outro ponto que Kant destaca, é que algo que é moralmente bom, não basta que seja bom, porque a Lei Moral o denomina a ser, mas sim tem que ser bom por amor a esta mesma Lei. É neste ponto que A METAFISICA DOS COSTUMES PASSA A SER INDISPENSAVEL, POIS MOSTRA QUE OS COSTUMES PODEM  PERVERTER OS HOMENS.  É por isto que costumes e Filosofia Moral, não podem andar juntos, porque a mistura entre empirismo e racional prejudica a pureza dos costumes.

O presente objetivo de Kant foi detalhar esta metafísica dos costumes. Para ampliar a explicação, |Criou a teoria da Fundamentação da metafísica dos Costumes, que é a busca e fixação do principio supremo da moralidade, e dividiu em três métodos de estudos: VEJAMOS.

DA FUNDAMENTAÇÃO DA METAFISICA DOS COSTUMES.

  1. PRIMEIRA SECÇÃO: TRANSIÇÃO DO CONHECIMENTO MORAL DA RAZÃO VULGAR PARA O CONHECIMENTO FILOSÓFICO.

Muitas qualidades, tomemos neste caso a coragem, pode ser considerada por muitos como boa e desejável, mas pode se tornar má, se o caráter envolvido não for bom, como é o caso de um facínora, que na ausência do caráter bom, se torna um abominável, ou quando o excesso de soberba guia as qualidades; basta ver o que acontece com os dons da fortuna, riqueza, honra e até saúde, quando comandados pela soberba, se tornam prejudiciais, mas é o bom caráter, que barra esta soberba.

Para Kant, embora este bom caráter, ou esta boa vontade possam ser considerados um freio, mas não possuem nenhum valor intimo absoluto, embora os filósofos antigos como Aristóteles os louvassem tanto; o que conta é a razão.

                A natureza nos deu a razão, para que ela controlasse a “vontade”. Em linhas gerais se a nossa real função  fosse apenas a sobrevivência, a natureza teria se encarregado de nos dar o instinto, assim com o deu aos animais, porque este instinto realiza muito bem o seu papel de proporcionar a sobrevivência. É por isto que quando alguns homens em pleno uso da razão a utilizam para alcançar seus gozos, isto provoca um sentimento de mesologia (ódio a razão) naqueles que acreditam que este fim está sendo muito mal-empregado.

                Ao mesmo tempo  as artes, o luxo e as ciências pertencem a esta razão e portanto uma vantagem para nossa espécie; mas na realidade não há vantagem alguma, apenas um amontoados de coisas que sobrecarregam os homens; assim se um homem  são perdesse por completo sua razão, não se tornaria menos indigno do que aquele que não a perdeu, pois passaria a ser governado pelo instinto, que faz muito bem o seu papel ao conduzir os animais. Ora, mas se a razão nos foi dada, foi com o intuito de que com ela possamos combater a nossa vontade. Desta forma uma ação deve ser isenta de interesses, porque uma ação pode ser realizada pelo DEVER, ou por uma ação EGOISTA.

Como exemplo, Kant diz que é dever do comerciante, não aumentar os preços ao comprador inexperiente, para que não dê o preço desvantajoso para um e vantajoso para o outro, da mesma forma que é dever deste mesmo comerciante, não aumentar os preços quando a procura é grande, mas sim em mantê-los estáveis. Segundo Kant, mesmo que o comerciante seguisse rigorosamente estes princípios, isto não lhe daria o crédito em dizer que fez tal ação motivado pelo dever ou no principio da honradez, mas sim fez tal ação baseado no interesse que neste caso é ganhar a confiança do freguês.

Da mesma forma, considera-se que cada homem tem o dever de preservar  sua própria vida, se isto fizerem, mesmo assim  não estão desempenhando nenhuma função moral, pois podem estar preservando à própria vida com o intuito de enriquecer, ou almejar interesses próprios. Isto se conclui que de fato estão a preservar a sua própria vida não pelo verdadeiro dever, que consiste em preservá-la mesmo quando a condição exija que não se preserve mais, seja por alguma atrocidade da vida, mas mesmo assim deve preservá-la, pois este é seu real dever.

                Outro exemplo, é o da caridade, em que muitas vezes mesmo ela sendo feita corriqueiramente, não se caracteriza por amor à caridade.   Eis um exemplo que podemos trazer a nossa atual época. é comum vermos alguns programas de televisão fazendo campanhas para ajudar crianças carentes, com  doença ou deficiência. De fato estas crianças em partes acabam sendo beneficiada, mas ao mesmo tempo a empresa que apareceu na mídia e fez as doações será ainda muito mais beneficiada, pelo fato de ter aparecido em rede nacional e já ter feito Marketing de seus produtos. O canal de televisão, que a principio abriu o espaço voluntariamente, também será beneficiado, porque com o aumento do IBOPE, outras empresas anunciarão seus Comerciais, nesta emissora.  De acordo com Kant, se conclui:

                Foi de fato uma ação voltada para o bem, mas não produziu nenhum valor moral, porque o objetivo estava nas aquisições das honras e nos lucros posteriores. Uma ação para ter um valor moral deve ser praticada não pela inclinação, mas sim pelo dever; como se daria então este dever? Kant, dá o exemplo do filantropo, que mesmo em uma situação adversa, onde sua filantropia já não seria possível tendo em vista o fim dos seus proventos, mas que mesmo assim continuaria em querer se empenhar em sua filantropia; eis ai  o verdadeiro autentico valor moral.

Da mesma forma se dá, quando um determinado homem que desejoso de comer uma determinada comida, mas não a come pois está consciente que a mesma lhe faz mal, ou não a come, para recuperar a saúde,  agiria apenas em busca de um interesse , porém como este interesse é para lhe assegurar a preservação da vida, e como todo home tem o dever de preservar a sua própria vida, então esta ação sai da condição de ser um mero interesse para ganhar uma ação moral.

Conclusões:

1.Um dever é sempre um dever, é a mais pura ação moral, isenta de qualquer interesse.

2.Fazer e praticar o bem não por inclinação, mas sim pelo dever.

3. Assim Kant diz, que estes princípios apresentados ajuda a compreender quando As Escrituras sagradas dizem que devemos amar o próximo inclusive o nosso inimigo, pois o amor em si, já é um dever prático e não patológico, reside  na vontade e não na tendência da sensibilidade.

4. Abstrair qualquer faculdade do desejar. O Dever é a necessidade de uma ação por respeito à lei. Para Kant, a ação verdadeira é a que está baseada no puro respeito pela lei prática que é a Máxima, porque vai abolir todas as minhas inclinações e que me faz amá-la e sentir respeito por ela, mesmo que eu não concorde, como é o caso da lei de Não Matar, porque de acordo com Kant, um homicida é sempre um homicida, mesmo sendo em legitima defesa,  ou de Amar o inimigo, ou de não mentir.

Ora, se uma ação realizada por dever deve eliminar totalmente a influencia da inclinação e com ela todo o objeto da vontade, nada mais resta à vontade que a possa determinar do que a lei objetivamente. O puro respeito por esta lei prática, e por conseguinte a máxima que manda obedecer a esta lei, mesmo com prejuízo de todas as minhas inclinações. (KANT, 2007, p. 31).

Em  linhas gerias o que chamamos de moral, só pode estar presente nos seres racionais, agora se vão ou não cumprir com O dever da lei, não saberemos, porque o que está em jogo, nada mais é do que a vontade do ser racional, que muda as ações, diferente daqueles que são governados pelo instinto. O respeito pelo verdadeiro dever é recebido apenas pela razão e não por inclinações ou medo de punições, mas sim o respeito a uma lei nada mais é  do que eu subordinar ou aprisionar a minha vontade , causando dano ao meu amor próprio, não sendo uma ação nem por inclinação e nem por temor, mas sim o respeito a uma lei que é necessária a si mesma, ou seja que a minha máxima se torne uma lei universal, para que o dever  não seja uma falsa visão, ou um conceito quimérico . é uma ação que mesmo em situação de perigo eu não minta ou fazer promessas que não passam ser cumpridas.

                Kant reconhece que ao cumprir rigorosamente uma máxima deverá ter que enfrentar conseqüências, mas estas serão muito mais benéfica do que aquelas que terei que enfrentar por medo. Uma mentira mesmo em uma situação difícil deve ser abolida, pois Kant conclui:

I” Ficaria eu satisfeito de ver a minha máxima (mentir) tomar valo0r de uma lei universal?”

Uma mentira, jamais poderia se tornar uma máxima, porque causaria a ruína da sociedade. assim se preciso de dinheiro, não posso fazer uma falsa promessa que vou paga-lo, mas sim posso dizer que não tenho condições para pagar o valor adequadamente, pois do contrário as pessoas não confiariam mais uma nas outras e a confiança é a base da sustentação de uma sociedade.

Podes tu querer que a tua máxima se converta em uma lei universal? Se não podes, então deves rejeitá-la… porque ela não pode caber com o principio de uma possível legislação Universal ( KANT, 2007, p. 35).

Conclusão final

Assim mentir para se livrar de uma situação ruim pertence a razão vulgar, que não quer obecer a Lei Universal. A razão vulgar seria um homem que olha uma bussola, e a Lei Universal é o ponteiro da bussola; o erro se dá quando mesmo ele vendo o ponteiro se recusa a seguir na direção correta. Assim a dialectica natural, é esta oposição as nossas inclinações.  O homem que por seu bel prazer seguiu o caminho errado, agora voltará a olhar a bussola para seguir o correto; da mesma forma a razão vulgar se vê levada a dar um passo em direção à filosofia prática, tendo em vista os erros que cometeu, ou seja, nos princípios morais que transformou erroneamente em máximas.

2 . SEGUNDA SECÇÃO: TRANSIÇÃO DA FILOSOFIA MORAL POPULAR PARA A METAFISICA DOS COSTUMES

Em muitos casos parece que o ato do verdadeiro dever se torna duvidoso, isto foi um fato crucial que fez muitos filósofos negarem esta intenção.  Assim deploraram profundamente a fraqueza e a corrupção da natureza humana. Kant, discordava destes, pois para ele se fizermos um profundo exame de conciencia, não encontraremos nada mais que o dever, que nos impele de más ações; todas as nossas ações estão baseadas no dever, mas o erro se dá, quando o “EU” quer tomar o lugar do dever; ao mesmo tempo, quando se fala de ações morais, não são das visíveis, mas sim dos princípios íntimos que não se vêem.

        Outro ponto que Kant destaca, é que a descrença tornam as pessoas céticas não fazendo-as mais confiarem nas virtudes; para Kant, este ceticismo é também um equivoco, porque a razão por si mesma nos obrigaria a acreditar nestas virtudes;  ou seja, mesmo que ninguém nos fossem honestos ou bons amigos, temos o dever de sermos honestos e leais; este é u7m dever que reside na razão  que já determina obrigatoriamente uma vontade por motivos a priori. Kant insiste em dizer que isto se dá porque as leis da moral não são tiradas do empirismo , mas sim elas são apriori, baseadas na razão pura e na pratica; é por este motivo que ela não pode ser negada e tal negação se torne em uma lei universal, como no caso da descrença, ao negar todas as virtudes.  Ao mesmo tempo, não se pode retirar vida prática exemplos que venham a ser regras morais, porque os exemplos servem apenas para encorajar aquilo que a regra prática exprime de maneira mais geral;  os verdadeiros exemplos reside na razão, que são fornecidos por leis a priori.

Basta que lancemos os olhos aos ensaios sobre a moralidade feitos conforme o gosto,  com um pouco de sentimento moral, um pouco do temor de Deus, depois um pouco disto, um pouco daquilo, formando uma mistura espantosa de conceitos de moralidade; como já foi dito servem apenas para encorajar, isto se dá pois,  uma verdadeira metafísica dos costumes deve ser completamente isenta de mistura de idéias da antropologia, teologia, física,  porque uma lei moral que não está misturada com nenhum empirismo tem sobre o coração humano, por intermédio da razão, uma influencia muito mais poderosa do que todos os outros móbiles que se possam ir buscar ao campo empírico. Assim tirar da razão pura os seus conceitos e leis, expô-los com pureza e sem misturas isto é a função da Razão Pura Prática, porque valem para todos os seres racionais.

        A moral que precisa de conhecimentos de antropologia será impossível de alcançar e propor o bem supremo aos homens; é só pela faculdade prática da razão com suas regras universais que nos faz alcançar a verdadeira noção do dever. Isto se dá,  porque tudo na natureza age segundo leis, mas os seres racionais quebram esta regra, e isto se dá porque possuem a vontade, que nada mais é do que a razão prática. A vontade é a faculdade de escolher aquilo que lhe parece bom, e se diferencia da razão, que escolhe aquilo independentemente da inclinação,  o que se denomina como um mandamento da razão e a fórmula deste mandamento chama-se imperativo.

        Assim todos os imperativos se exprimem pelo verbo dever;  eles dizem que seria bom praticar ou deixar de praticar qualquer coisa ,  mas ditam esta regra a uma vontade que nem sempre está disposta em cumprir tais ordens;  isto se dá porque bom em linhas gerais é aquilo que determina uma vontade por meio da razão, por princípios que sejam válidos para todos os seres racionais e assim distingue-se do agradável que está baseado em ações que são boas ou más para aquele ser em si, mas não como boas ou más pelos princípios da razão;  para Kant há duas linhas de raciocínio,  o qual ele deixou expresso na nota de rodapé; uma vontade que age por interesse prático e outra por interesse patológico; a primeira subordina a vontade á razão e a segunda abandona a razão para socorrer às inclinações.

Para Kant os imperativos ou são hipotéticos ou categóricos; o primeiro está relacionado com o ato da vontade e pode ser problemático ou assetorico;  e o outro já é uma ação necessária sem relação com qualquer outra finalidade, sendo pois portanto apodidico.  Assim todas as ciências possuem uma parte prática e de imperativos que explicam como ela pode ser atingida. Da mesma maneira acontece com os seres humanos, que perseguem a felicidade. Será um imperativo hipotético assertório, quando busca meios para alcançar este fim, e será um imperativo categórico quando esta inteiramente baseado nas leis da moralidade. Assim um envenenador e um médico podem usar técnicas diferentes porém de igual valor para atingir um fim, pois o primeiro fará o possível para matar e o segundo para curar, o primeiro pode-se considerar como um imperativo hipotético e o segundo como categórico.

Deste exemplo apresentado, Kant conclui, que os imperativos categóricos não são influenciados por nenhuma condição, é um mandamento necessário, pois as leis devem ser respeitadas e obedecidas mesmo que não concordemos, ou seja que devem ser seguidas mesmo contra a nossa inclinação; ao contrário dos conselhos que podem ser5 seguidos ou não, caso o individuo acredite que tal conselho possa influenciar n  a busca de sua felicidade.]

Num triangulo retângulo, a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa,  isto nada mais é do que uma teoria sintética, na qual para eu analisar se é verdadeira ou falsa, devo levar a um teste analítico. Mas saindo do campo da matemática e indo para o campo dos homens, tomemos novamente como exemplo o conceito de felicidade; ora se existisse algum imperativo que denominasse este conceito de felicidade assim como se denominou o triangulo, também deveria ser analítico,  mas infelizmente nenhum consegue dar umna solução exata para este conceito, porque todos os conceitos de felicidade são todos empíricos, ou seja tirados obrigatoriamente da experiência, então qual conceito empírico deste deveríamos escolher para servir como exemplo para a felicidade?

1 se é a riqueza que alguém quer, porque acredita que será feliz e após consegui-la, quanta cilada não vai chamar para si?

2 se é a vida longa, quem lhe pode garantir que seja repleta de miséria?

        Em linhas gerais nenhum deste empirismo não é capaz de determinar o que verdadeiramente faria alguém feliz; n mas se mesmo assim a pessoa quer perseguir a riqueza e a vida longa, porque está convicta que tais lhe transformará em uma pessoa feliz, então deve fazer muitas economias, bem como ser moderado, pois são também exemplos extraídos da experiência, que podem receber o nome de imperativos da prudência, que não são imperativos necessários, mas sim conselhos e não mandamentos da razão.

        Tese 01: Em linhas gerais, nenhum imperativo pode ordenar algo que leve realmente a felicidade, porque ela não é um ideal da razão , mas da imaginação, baseada em princípios empíricos e que são analíticos-práticos.

Tese 02:  Para Kant, o imperativo da moralidade não é hipotético e não se apóia em conselhos como os hipotéticos, jamais podem ser levados à experiência, mas não é errôneo em dizer que algum destes imperativos categóricos podem receber ou ser aplicados características de conselhos. Exemplo: “ não deves fazer promessas enganadoras.”

Isto embora pareça um conselho, mas na verdade é um imperativo categórico, que por si, não pode ser levado à experiência, mas piode se associar a ela, já que uma mentira traz conseqüências  como a perca da confiança, da credibilidade.

Tese 03: o imperativo categórico é uma lei prática, ao passo que os hipotéticos  são apenas princípios da verdade e não leis. O imperativo categórico é portanto só um tipo, que é este: “age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal.”

Após estas explanações Kant voltará a discorrer na questão do DEVER. eis como ele dividiu e enumerou:

  1. deveres para com nós próprios, que podem ser perfeitos ou imperfeitos
  2. deveres para com o próximo que podem ser perfeitos ou imperfeitos

exemplos:

·        – O suicídio é um exemplo, mesmo que diversos males me afligissem seria um equivoco tirar a própria vida , porque temos um dever com nós próprios que é o amor de nossa conservação e é esta lei que deve se tornar universal.

·        Suponhamos que uma pessoa em apuros resolvesse pedir dinheiro, mas         sabendo que não iria pagar , mas que isto era a única maneira de tirá-lo do sufoco,  ao prometer que iria pagar; isto poderia ser considerado um dever para com  nos mesmos, já que meu objetivo é garantir a minha própria sobrevivência , isto em hipótese alguma poderia se tornar em uma lei universal, porque se todos os homens que tivessem  em apuros resolvessem pedir dinheiro e não pagassem levaria a ruína da sociedade, porque ninguém confiaria mais em ninguém, o que prejudicaria as relações comerciais. Neste contexto a Professora Dra. Regina Andre Rebollo, em uma de suas aulas ministradas na USJT, apresenta uma solução. O mesmo poderia pedir o dinheiro emprestado com a condição de pagar na medida que pudesse , desde que explicasse sua situação, assim o outro poderia já emprestar ciente de tal questão .

·        Outro exemplo que Kant apresenta é o de uma pessoa que vive economicamente estável, mas presencia outras pessoas com dificuldades financeiras a lutar pela sobrevivência, mas não resolve nem ajudar e nem prejudicar; pelos mesmos exemplos já apresentados tal atitude não poderia se transformar em uma lei universal.

Destes exemplos apresentados, nos ensinam que já conhecemos de antemão estes imperativos categóricos, mas são nossas inclinações que nos desviam deles. O dever em si , é  um conceito que deve conter uma verdadeira legislação de imperativos categóricos isento de imperativos hipotéticos.

Assim o dever deve ser a necessidade prática incondicionada da ação; tem de valer para todos os seres racionais. Tudo o que é empírico e que é acrescentado a moralidade é inútil e prejudicial à pureza dos costumes. Assim uma ação de um ser racional deve ser sempre julgada antes de se tornar uma lei universal e isto só é possível graças a uma metafísica dos costumes, que está separada da filosofia especulativa, que não esta preocupada em investigar o que é o prazer do desprazer, porque tudo isto pertence à uma filosofia empírica fundadas em leis empíricas.

Como já foi dito, a vontade só se encontra nos seres racionais. O principio do desejar é o móbil e o do querer o motivo. O simples desejar de um individuo não pode fornecer princípios universais , que possam ser aplicados para todos os seres racionais, que se transformem em leis práticas. O querer de um individuo é apenas uma base para todos os  imperativos hipotéticos.

Os seres racionais devem ser sempre considerados como fins e não como meios; já os irracionais não são considerados como fins, mas sim como meios e portanto são considerados coisas,  ao passo que os racionais se chamam pessoas e são objetos de respeito.   Desta forma quando um homem sempre deve agir para considerar o outro com respeito, ou seja uma ação que o considere como fim e não como meio. O imperativo prático será pois o seguinte: “age de tal maneira  que uses a humanidade, tanto na tua pessoa, como na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim e nunca simplesmente como meio”.  Para Kant, isto seria aplicado da seguinte maneira: suponha-se que um homem pensa em se suicidar para terminar com suas aflições; mas o homem não é uma coisa, não é algo que possa ser utilizado simplesmente como um meio, mas pelo contrário deve ser considerado em todas as suas ações como um fim; logo suicidar-se é tratar-se como meio, porque o interesse é aliviar o martírio, mas não como fim que é preser4var a própria vida.  Fazer uma promessa mentirosa, é enganar o próximo, porque o utiliza como meio e não como fim; quando alguém viola a propriedade de outro homem, também está lhe utilizando como meio, pois ao roubar-lhe a propriedade vai também lhe retirar a própria dignidade; antes deve pois analisar que o dominado, assim como ele é um ser racional e que portanto deve ser respeitado.

Kant conclui que respeitar o próximo é tratá-lo como  fim e não como meio, e isto não aprendemos da experiência, mas sim da razão, porque se transforma em uma lei universal , que se deriva apenas da razão pura. A razão pura é a responsável  por dar origem às leis práticas, que é a regra que forma toda a universalidade que reside em seu fim; neste caso o ser racional é o seu fim em si mesmo.

 Outro ponto que Kant destaca, é que como os homens possuem a vontade e ela é responsável por quebrar as regras as quais tudo segue uma lei, esta mesma vontade pode querer impor seu querer tanto para os homens, quanto para os animais e assim este querer vem a se tornar uma Lei Universal, porque passa a abranger o Todo; logo é uma lei Universal hipotética, completamente diferente da categórica e isto se dá porque é uma lei falha, e que se for levada ao domínio da moralidade também formará uma moralidade falha. Kant chamou esta vontade de se autogovernar, como principio da autonomia da moral,  que é uma liberdade moral de se governar por si próprio em oposição a  hetoronomia, que é submeter-se à uma lei de principio exterior.

 Do reino dos Fins

Kant apresenta este reino, que é um conjunto de leis, elaboradas pelos homens para se autogovernar; uma legislação de vários seres racionais por meio de leis comuns; uma máxima baseada na vontade de um único ser deste grupo não pode prevalecer, quer este individuo seja um membro deste reino ou chefe deste mesmo reino.

No reino dos fins tudo tem um preço, ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço pode-se por em vez dela qualquer outra como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o preço e portanto não permite equivalente, então tem ele dignidade. Ora a moralidade é a única condição que pode fazer de um ser racional um fim em si mesmo, pois só por ela lhe é possível ser membro legislador no reino dos fins. Portanto a  moralidade e a humanidade são as únicas que tem moralidade.

E o que é então, que autoriza a intenção moralmente boa ou a virtude a fazer tão altas exigências? É a possibilidade de participação do ser racional na legislação universal como um integrante deste reino dos fins.  A autonomia é pois o fundamento da dignidade da natureza humana  e de toda a natureza racional. As três maneiras de apresentar o principio da moralidade são:

1.    uma forma que consiste na universalidade, cujas máximas tem de ser escolhidas como se devessem valer como leis universais da natureza;

2.    os seres racionais só podem ser considerados como fins e excluir qualquer ação arbitrária;

3.    que todas as máximas por legislação própria devem concordar com a idéia de um reino possível dos fins como um reino da natureza; ou se basear no seguinte imperativo categórico: “Age segundo a Máxima que possa simultaneamente fazer-se a si mesmo uma lei universal”

com isto Kant quis dizer, que os meios que constituem a fórmula de uma vontade boa é quando tem analogia com uma ligação universal. Veja outro exemplo, por ele próprio apresentado:

        “ Age sempre, segundo aquela máxima cuja universalidade como lei, possas querer ao mesmo tempo.”

        “Age, conforme máximas que possam simultaneamente ter-se a si mesma por objetos como leis universais da natureza”

 Em suma, o que Kant quis propor é que qualquer ser racional deve estar submetido às leis e ao mesmo tempo ser legislador Universal e ao mesmo tempo propor suas máximas e aceitar as máximas dos demais; ora desta maneira  é possível um mundo de seres racionais como reino dos fins e isto graças a própria legislação de todas as pessoas como membros dela. Este é um caminho para guiar um Reino dos Fins, porém  ele só se tornaria completo se se realizasse por máximas cuja regra o imperativo categórico prescreve a todos os seres racionais, se elas fossem universalmente seguidas.

 A moralidade é pois portanto uma relação de integração com a lei universal proposta pelas máximas dos indivíduos; se a ação concorda com a máxima é pois permitida e moral, se não concorda é proibida e imoral. A necessidade de se submeter a uma ação chama-se  dever,  que é uma sujeição à lei, e a pessoa que a cumpre tem pois dignidade, a submissão não é por medo, mas sim o respeito por esta mesma lei, que constitui seu valor moral.

É pois por este motivo que as nossas vontades não podem se tornar como leis universais, porque fazemos parte deste grupo do Reino dos Fins, cujas vontades são todas apresentadas e escolhida aquela que pode ser comum, ou que melhor guie os homens, porque todos os membros são legisladores universais

A autonomia da vontade como principio supremo da moralidade

             O principio da autonomia é portanto: não escolher senão de modo a que as máximas da escolha estejam incluídas simultaneamente, no querer mesmo como lei universal.

O principio da autonomia é o único principio da moral, cujo principio tem que ser um Imperativo Categórico, e que este imperativo não manda nem mais nem menos do que precisamente esta autonomia.

A HETERONOMIA DA VONTADE, COMO FONTE DE TODOS OS PRINCIPIOS ILEGITIMOS DA MORALIDADE.

         Não é vontade que dá a lei a si mesma, mas é sim o objeto que dá a lei á vontade pela sua relação com ela. Esta relação quer assente na inclinação quer em representações da razão, só pode tornar possíveis imperativos hipotéticos: devo fazer alguma coisa porque quero qualquer outra coisa. Ao contrário o imperativo moral, e portanto categórico diz devo desta ou daquela maneira, mesmo que não quisesse outra coisa. Em suma nenhuma influencia pode  agir sobre a verdade, para que a razão prática vontade não seja uma mera administradora de interesses alheios, mas que demonstre a sua própria autoridade imperativa como legislação suprema.

CLASSIFICAÇÃO DE TODOS OS PRINCIPIOS POSSIVEIS DA MORALIDADE SEGUNDO O ADOTADO CONCEITO FUNDAMENTAL DA HETERONOMIA.

A razão humana, os principios ou são empiricos, derivados do principio da felicidade, ou racionais, derivados do principio da perfeição.

 Os  princípios empíricos  nunca servem para sobre eles fundar leis  morais.  O principio mais condenável porém é o principio da felicidade própria, não só porque é falso e porque a experiência contradiz a suposição de que o bem estar se rege sempre pelo bem-obrar; não só ainda porque não contribui em nada para o fundamento da moralidade, uma vez que é totalmente diferente um homem feliz ou faze-lo bom; ao mesmo tempo este conceito de felicidade, junta na mesma classe  os motivos que levam à virtude e os que levam ao vicio.

Entre todos os princípios racionais da moralidade, o preferível é o conceito ontológico da perfeição, que também é melhor do que o conceito teológico que faz derivar uma moralidade divina;  não podemos intuir a perfeição da vontade divina, mas podemos deriva-la de nosso conceito entre os quais o da própria moralidade, que é o mais nobre, porque se isto não fizéssemos entraríamos num choque com conceitos de ambição, de honra e domínio, ligados às imagens terríveis do poderio e da vingança, que se tornaria oposto à moralidade.

Segundo Kant, o conceito de  moralidade e perfeição , não lesam em si a moralidade e alem do mais servem como bases sólidas, mas se tivesse que escolher um deles, escolheria o conceito da perfeição,  porque afastado pelo menos da sensibilidade  e levado ao tribunal da razão pura, todas as decisões das questões.

Em linhas gerais a heteronomia da vontade é falha, porque é uma vontade alheia, não baseada nem na inclinação, nem na felicidade ou na perfeição; ela é um impulso extranho que lhe dá uma lei, por meio de uma disposição natural do sujeito acomodado à receptividade deste mesmo impulso.

A vontade boa, quer se tornar um imperativo categórico, conterá “o querer” E isto é uma autonomia, porque é uma máxima de querer transformar a si mesma como lei universal ; é a única lei que a si mesma se impõe a vontade de todo ser racional, sem ser movida por qualquer impulso ou interesse como fundamento.

Para estabelecer que a moral não é uma fábula, basta examinar o imperativo categórico e com ele a autonomia da vontade , ambos sendo verdadeiros e absolutamente necessários como princípios a priori, é possível admitir um possível uso sintético da razão pura prática, o que não podemos arriscar sem o fazer preceder de uma critica desta faculdade da razão.

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