Homem: Animal Contraditório

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O homem é um animal “fora de série”, estranho e de­sadaptado. Somos isolados, mas vivemos altamente liga­dos uns aos outros. Temos uma parte da mente que pensa, às vezes com alguma lógica, e ao mesmo tempo, uma outra parte da cabeça presa ao organismo – glândulas, órgãos, músculos – reage instintiva e automaticamente aos estí­mulos, portanto, somos irracionais em diversas ocasiões. Às vezes somos bondosos, oferecemos muito de nós mes­mos em benefício de nosso irmão, em outros, o assalta­mos, o estupramos ou o matamos. Oscilamos, passando de um modo de viver cheio de alegria, esperança e fé, para o mais completo desespero e ódio. Buscamos ansiosamente a ajuda médica por pequenos problemas de saúde e, mui­tas vezes, menosprezando a própria vida, nos suicidamos.

Trabalhamos duramente para conseguirmos recur­sos visando obter casa, comida e segurança. Entretanto, ao atingirmos o desejado, passamos a comer exagerada­mente, acumulamos dinheiro desnecessário e arriscamos nossa vida em atividades perigosas como lazer. Fazemos guerras, para conseguirmos a paz. Lutamos contra os po­derosos e quando estamos no poder, quase sempre atu­amos de todas as formas, no sentido de eliminar os de menor poder. Criticamos violentamente os torturadores e, na primeira oportunidade, passamos a agir como eles. Buscamos de todas as formas possíveis uma companhia, e quando a conquistamos, a achamos aborrecida e vamos atrás de outra.

Censuramos a censura, quando ela é extirpada, cada grupo ideológico reclama seu retorno. Como equilibrar-se numa “zorra” dessas? Esses pensamentos me ocorreram ao lembrar-me de Cícero.

Conheço-o há longos anos, acho mesmo que desde criança. O nosso convívio sempre foi muito íntimo e isso permitiu obter muitas informações a seu respeito, como, até mesmo, elaborar algumas teorias acerca de sua vida. Apesar dessa proximidade, na maior parte das vezes eu não o en­tendo e, quando suponho compreendê-lo, vejo que falhei.

Cícero é um pesquisador sério da natureza. Lê muito, presta atenção a tudo e armazenou, ao longo dos anos, vastos conhecimentos científicos e históricos do mundo e do homem. Entretanto seu “radar” é muito abrangente e pouco seletivo. Desse modo ele captou também crenças infundadas, superstições diversas, ideias religiosas emiti­das por qualquer seita moderna e, além disso, aceita inú­meras “verdades” do senso comum. A cabeça do Cícero virou uma verdadeira salada, contendo informações de­sordenadas, contraditórias e pouco plausíveis. Todas elas seguidas e defendidas com o mesmo vigor e entusiasmo. O resultado tem sido drástico. Diante de tantas informações niveladas em termos de valor, algumas sérias, outras nem tanto, ele foi arrastado para uma profissão que lhe é im­própria, escolheu amigos inadequados ou incompetentes, casou-se com uma mulher que não lhe assentava e criou seus filhos na falsa esperança que boas intenções são su­ficientes para conduzir a uma boa educação.

http://www.galenoalvarenga.com.br

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