A Ética de Aristóteles: virtude, felicidade, moral

Cabeça de pedra

Todos os homens que procuram investigar algo o fazem com um fim, e esse fim é sempre um bem. Como estamos sempre investigando e aprendendo coisas, podemos dizer que o bem é a finalidade de todas as coisas, aquilo a que todas as coisas tendem.

Esse bem que é um fim pode tanto ser o produto final de ações, como as próprias ações. Às vezes o produto final é completamente distinto das ações, mas tanto um quanto outro podem ser considerados bens, ou somente um deles, mas geralmente quando os resultados das ações são completamente diferentes dessas, esses resultados são por natureza melhores, mais excelentes do que as próprias ações que o originaram.

Os homens se ocupam de diversas ações, e cada ação tem um fim diferente, ou bens diferentes. Por exemplo, cada arte tem uma finalidade diferente, a medicina tem como finalidade a saúde, etc. Há muitos casos em que uma arte fica subordinada a outra, por exemplo, quando a equitação é importante para as ações militares.

Quando há subordinação, ou quando uma arte inclui outros bens que não o fim dela mesma, devemos valorizar o fim primeiro, das artes fundamentais, pois as finalidades terceiras devem sempre visar o bem das finalidades primeiras. Portanto, não importa se o fim é a própria ação (equitação) ou algo diferente (ações militares), o que importa é que ambos visam bens.

Como sempre há fins terceiros, para todas as coisas que fazemos, deve haver um fim último para todas as coisas, algo onde tudo o que fazemos seja para atender ao interesse desse fim. Mesmo que pratiquemos nossas ações sem nos apercebermos desse fim último, gerador de todas as ações, ainda o faríamos por ele. Esse fim deve ser o bem supremo, e conhecer o que vem a ser o bem supremo certamente tornaria mais fácil a tarefa de o alcançarmos.

Precisamos primeiramente determinar como e por quais vias podemos chegar a compreender o que é o bem supremo, ainda que não o compreendamos em sua plenitude, pois assim fazemos com todas as ciências, determinamos os instrumentos pelos quais serão possíveis determinadas investigações.

Para Aristóteles, a ciência capaz de determinar qual é o bem supremo ao qual dedicamos inconscientemente nossas ações certamente será a maior dentre todas as artes, e essa arte mestra é a Política, pois todas as ações dos cidadãos e do Estado estão subordinadas às decisões políticas, assim como todas as outras artes também ficam subordinadas a ela.

A política também se utiliza das demais artes, e pode-se afirmar que a política visa o bem de todas elas, e como as artes e ações são praticadas por seres humanos, a política visa o bem humano, que é o bem supremo. Esse bem supremo é importante tanto para o indivíduo quanto para o Estado, mas devemos ter uma preocupação maior no que se refere às questões do Estado, pois abrange a coletividade.

Devemos tratar da política com clareza, mas não podemos raciocinar sobre ela da mesma maneira que raciocinamos nas demais ciências, como a matemática, por exemplo. A ciência política trata de opiniões, e não há estabilidade nas opiniões.

Ao falarmos de ações que são belas e justas, “no mais das vezes” indicamos como verdadeiras aquelas que geralmente têm mais resultados. Mas não podemos afirmar a veracidade da bondade de certas ações, então podemos nos basear no que acontece a maioria das vezes ou “no mais das vezes”.

Os homens cultos tendem a buscar as certezas absolutas, mas a ética não deve ser vista dessa maneira, pois cada indivíduo é capaz de fazer um juízo próprio sobre as coisas, e não se deve impor um único juízo de valor a todos.

Os homens instruídos em muitas coisas têm melhor capacidade de julgar, e por essa razão os jovens não são bons para a política, pois dificilmente são instruídos em muitas coisas, e não têm capacidade de bem julgar, além de deixarem-se guiar facilmente pelas paixões, e o estudo da política deve ficar restrito somente àqueles que buscam o conhecimento. E assim como os jovens, os homens que se deixarem guiar pelas paixões não serão bons, nem tirarão bom proveito do estudo da política.

Podemos agora tentar determinar qual é a finalidade última de todas as ações, o bem supremo, que segundo Aristóteles, é a felicidade. Todas as ações estão voltadas para esse bem, para esse fim, e todos os homens concordarão com isso, mas infelizmente não há concordância quando falamos sobre o quê é a felicidade.

Os mais sábios concebem a felicidade de maneira diferente do vulgo, por exemplo. O vulgo acredita que a felicidade seja algo relacionado ao prazer, às riquezas e honras. Mas há aqueles que acreditam que acima desses bens está um bem maior, responsável por todos os outros bens, e que esse bem maior é auto-suficiente. Existe uma enorme diferença entre partir de um princípio para alcançar um fim, e a busca para alcançar esse princípio.

É importante compreender que existem princípios que fazem parte de nós, e outros que são objetos de conhecimento. Devemos, portanto, partir dos princípios que estão enraizados em nós, e por essa razão é tão importante ter sido bem educado, pois ao raciocinar sobre o que é nobre e justo e sobre os temas da ciência política, aquele que tiver uma boa educação compreenderá e julgará melhor e com menor dificuldade.

Podemos identificar três tipos de vida: a vida de prazeres, a vida política e a vida contemplativa. E independentemente da posição social ou educação, a maioria dos homens prefere a vida de prazeres, e terminam por tornarem-se escravos desses prazeres os quais acreditam serem o bem maior.

Já os homens que se voltam para a vida política, em geral, identificam a felicidade com a honra, o que é superficial, pois carece de opinião alheia, enquanto um bem verdadeiro é próprio de um homem e não lhe pode ser tirado por meio de opiniões, pois é auto-suficiente.

Os homens não devem, portanto, buscar a honra para provarem ser bons, os homens sábios procuram praticar sempre suas virtudes. Portanto, não basta que um homem seja educado e tenha virtudes as quais não pratique. O homem verdadeiramente virtuoso é aquele que sempre pratica suas virtudes, e quanto maior for o número de virtudes que o homem pratica, mais virtuoso ele será, e a virtude está diretamente ligada com a felicidade, pois aquele que pratica muitas virtudes tanto mais feliz será.

A felicidade é então o maior dos bens, e o maior dos bens, sendo auto-suficiente, é um bem em si. Mas o quê é o bem em si? Ele não é o mesmo nas distintas ações e artes. Para cada arte há um bem. Por exemplo, para a medicina o bem é a saúde. Para todas as artes e ações a finalidade é um bem.

Existem diversos fins, e dentre eles escolhemos alguns como riqueza, etc. Porém nem todos são bens subsistentes e absolutos, e o bem em si é absoluto. E se existe mais de um bem absoluto, devemos investigar para avaliar aquele que é o mais absoluto de todos. Se considerarmos absoluto aquilo que é buscado por si mesmo, então esse bem não é buscado com interesse em outro fim.

Essa definição de absoluto se aplica ao conceito de felicidade, pois geralmente busca-se a felicidade por ela mesma, enquanto a honra, o prazer e até mesmo a razão também os buscamos pensando serem eles fins em si mesmos, mas eles visam a felicidade, e se visam um outro bem que não eles mesmos, não são bens em si. E se não são bens em si mesmos, não poderão nos trazer felicidade, nem tornar os homens felizes.

Se avaliarmos, ninguém busca a felicidade tendo em vista alguma outra coisa. O bem absoluto é considerado um bem em si mesmo, e a felicidade aparece como bem em si mesma, auto-suficiente. Auto-suficiente não é somente aquilo que é bom e permanente para um só homem, mas bom e permanente universalmente e para todos os homens, onde o homem nasceu para viver socialmente e coletivamente, deve-se pensar na coletividade também.

Percebe-se que auto-suficiente para Aristóteles é aquilo que “torna a vida desejável e carente de nada”. Podemos entender que a felicidade é a mais desejável de todas as coisas, e que aquele que é feliz não carece de nada, pois se àquele que é feliz é acrescentado mais alguma coisa, isso seria um excesso de bens, e a felicidade é dentre todos os bens o mais desejável.

Mas para determinar com mais exatidão o que é a felicidade, devemos examinar com atenção qual é a função do homem. Assim como para um pintor ou um músico o “bem feito” é a finalidade, se o homem tivesse uma função determinada, o bem seria essa função “bem feita”.

Não é digno afirmar que o homem não tem uma função. Basta observar a biologia, onde tudo tem sua função. No próprio corpo humano, os pés, as mãos, os rins, cada parte tem a sua função. Não é possível que o homem, que é o conjunto dessas partes, também não tenha uma função.

Se excluirmos as formas de vida vegetativas e puramente sensitivas, teremos a vida racional, que diz respeito unicamente ao homem, que possui a faculdade de pensar e é capaz de exercê-la. Se a função do homem é a atividade racional e se distinguimos aqueles que são capazes de executá-la e aqueles que são capazes de bem executá-la, podemos dizer que os homens são capazes de viver racionalmente, mas há ainda aqueles que são capazes de bem viver racionalmente.

A função de um bom homem é, portanto, realizar muito bem todas as atividades que implicam sua função, ou seja, realizar muito bem todas as suas capacidades.

Mas não basta realizar bem e praticar as virtudes de que é capaz um homem. É preciso manter as ações que levam a isso, pois de nada adianta ser “virtuoso” por um breve espaço de tempo, já que a inconstância não é própria de um homem feliz. Além disso, a constância nas ações implica na melhora dessas ações, e o homem virtuoso sempre se aprimora nelas. Portanto, cada função deve ser estudada e aplicada de modo a tornar melhor a sua finalidade, deve ser estudada e executada de acordo com suas particularidades.

Os homens têm primeiros princípios que também os induzem a certas particularidades, e cada um deve mergulhar dentro de si para descobrir aquilo que é melhor capaz de fazer, de acordo com a educação recebida.

Os bens são divididos em bens da alma e bens do corpo, sendo os principais deles aqueles que se relacionam com a alma. E dentre os bens da alma estão as atividades psíquicas e as ações. Os fins da alma geram ações, e por isso são importantes.

Definimos a felicidade como boa vida e boa ação. Há inúmeras definições de felicidade, e é incerto se são verdadeiras. Mais próxima da definição aristotélica de felicidade é aquela que a identifica com as virtudes, com o exercício das virtudes. Àquele que é virtuoso não só é necessário agir, mas agir bem, pois as “coisas boas e nobres da vida só são alcançadas por aqueles que agem retamente”.

A vida do homem virtuoso é prazerosa por si mesma, pois o virtuoso é amante dos atos virtuosos que comete. Enquanto a maioria dos prazeres apresenta conflitos, o prazer de agir virtuosamente não, pois é bom em si mesmo.

Os homens que não sentem prazer em agir virtuosamente não podem ser considerados virtuosos, pois as ações virtuosas são boas e nobres por si mesmas, e como constatamos, a felicidade é em grau mais elevado a melhor e mais nobre de todas as coisas. Existem coisas boas e nobres, mas a felicidade é a melhor dentre elas.

Mas a felicidade também necessita de bens exteriores, pois as ações virtuosas também dependem de bens exteriores. Por exemplo, em muitas ações utilizamos os amigos, ou então ao nascer feia, uma pessoa encontrará dificuldade em se tornar feliz, pois o homem feio ou mal nascido, aquele que é solitário e sem filhos dificilmente será feliz. O homem feliz necessita de prosperidade, por isso muitos confundem a felicidade com a boa fortuna, e não com a virtude.

Assim sendo, podemos questionar se a felicidade deve ser adquirida ou se nos é dada aleatoriamente, ou por providência divina.

Se os deuses são capazes de proporcionar dádivas aos homens, a felicidade certamente seria uma delas.

Mas supondo que a felicidade não venha da dádiva divina, mas da conseqüência de ações virtuosas, se essa conseqüência for mesmo a felicidade, então as ações também podem ser consideradas divinas, pois produzem o que é nobre e bom. Seria mais sensato decidir por esta forma de encontrar a felicidade, do que esperar dos deuses suas dádivas.

A felicidade é a atividade virtuosa da alma, porém requer “alguns bens como condições prévias, naturalmente cooperantes e úteis” para esse fim.

Observando a felicidade como atividade virtuosa da alma, as ações provenientes dela, podemos dizer que a ciência política é a que melhor se encaixa aqui, pois o esforço da ciência política consiste em fazer com que os cidadãos sejam bons e capazes de ações nobres.

O homem verdadeiramente virtuoso continua agindo virtuosamente mesmo diante das vicissitudes da vida, e a esse homem podemos verdadeiramente chamar de feliz.

O homem não pode contar com a vida para que seja feliz, pois somente com a morte teremos certeza de não precisar mais enfrentar males e infortúnios, o homem nunca está certo sobre o que o espera, então é preciso bem agir sempre, independentemente do futuro que o espera. O homem feliz será sempre apreciado, pois agirá sempre virtuosamente, mesmo diante de infortúnios, ele aceita a dor com resignação, não por insensibilidade, mas por grandeza de alma.

Esse homem jamais será considerado desgraçado, pois o desgraçado é aquele que pratica ações odiosas e vis. Sendo as ações o caráter da vida, o homem virtuoso que age sempre bem será considerado feliz.

Se o homem virtuoso é aquele que consegue sempre manter ações virtuosas mesmo diante de infortúnios, esse mesmo homem encontrará dificuldade de manter essas ações quando se encontrar diante de riquezas. O homem rico deixará desviar seu estado de virtude para ações frívolas, já para um homem sem grandes fortunas será mais fácil recuperar seu estado virtuoso diante de infortúnios.

É difícil então não chamar de feliz ao homem que age virtuosamente e é provido de bens exteriores durante e a vida inteira. Pois não sabemos qual é o futuro, mas sendo a felicidade um fim, poderemos agir de acordo para alcançá-la.

E se os amigos ou parentes de um homem feliz sofrerem algum tipo de infortúnio, este deverá manter-se na sua condição de feliz, avaliando a importância desses infortúnios, e independentemente da influência que isso possa ter sobre este homem, esta influência será muito fraca e quase insignificante.

Os homens precisam ter clara a idéia de felicidade, e para isso também é necessário avaliar se ela é louvada ou estimada. “Tudo o que é louvado parece merecer louvores por ser de certa espécie e relacionado de um modo qualquer com alguma outra coisa”, um homem justo é louvado por causa de suas ações, e não pelo justo em si mesmo. Até mesmo os louvores aos deuses são proferidos em função de outras coisas.

Mas às coisas verdadeiramente boas aplicamos não apenas louvores, mas algo maior. Aos deuses e aos homens virtuosos chamamos de felizes e bem aventurados, e não louvados. Por exemplo, a felicidade não é louvada, é considerada bem-aventurança, enquanto a justiça é louvada pelos efeitos que pode produzir. Quanto ao prazer, é considerado um bem não louvá-lo.

O louvor incita o homem a praticar ações nobres, mas o louvor é às ações nobres, e não aos homens que as praticam.

Portanto, a felicidade pertence às coisas que são “estimadas e perfeitas”. Também por ser a felicidade um princípio único, pois a estimamos em função dela mesma.

Já que a felicidade é o conjunto da boa prática das ações virtuosas, é importante conhecer a natureza das virtudes.

O homem político estuda a virtude, pois representa o desejo de agir para que os cidadãos sejam bons e felizes, enquanto obedientes às leis.

A virtude humana diz respeito à virtude da alma, e consideramos a felicidade uma atividade da alma que faz com que se pratique ações virtuosas.

O político deve conhecer a alma, assim como um médico deve conhecer o corpo humano, mas ao político daremos maior crédito, porque trabalha com algo mais grandioso, que é a alma humana.

O político deve estudar a alma visando a felicidade (as virtudes humanas).

Diz-se da alma que ela possui duas partes, que uma é racional e outra é irracional (privada de razão), e que essas partes são completamente diferentes, mas que é impossível repará-las.

Quanto à parte irracional, podemos dizer que grande parte dela é vegetativa, e a característica vegetativa não pertence unicamente aos homens, mas a diversos meios de vida.

Essa parte vegetativa nos homens se dá principalmente durante o sono, e durante o sono é difícil a manifestação de ações boas ou más. Por isso dizem que os infortunados só podem ser considerados assim durante metade da vida, pois metade da vida passa-se durante o sono, que é “inatividade da alma em relação àquilo que nos leva a chamá-la de boa ou má”.

Há na alma dos homens um elemento irracional que participa da razão. Porém é a razão que deve fazer com que esse elemento irracional perca força.

Nos incontinentes, esse elemento irracional que poderia ser enfraquecido pela razão prevalece. Os incontinentes têm almas “que se desviam da direção certa, mas que infelizmente não podemos ver”.

Mas não somente nos incontinentes encontramos esse elemento irracional, mas em todas as almas. A diferença é que no homem continente esse elemento irracional obedece à racionalidade, perdendo força, enquanto as ações são guiadas pela razão.

O elemento irracional possui essa parte que pode ser enfraquecida pela razão, a parte que contém elementos apetitivos e desiderativos. Mas também possui uma outra parte, que contém o elemento vegetativo, de nutrição e crescimento.

Podemos dizer também que o elemento irracional que contém as partes apetitivas e desiderativas pode ser persuadido pela razão, e que, portanto, possui um princípio racional.

Devido a essas distinções das partes da alma, podemos dividir a virtude em virtudes intelectuais (guiadas pela razão pura e simplesmente) e virtudes morais (quando os elementos apetitivos e desiderativos obedecem à razão).

Por isso devemos raciocinar sobre qual tipo de vida o homem é capaz de se realizar mais enquanto homem.

Aristóteles não despreza a riqueza, o divertimento, mas diz que o homem não se realiza plenamente assim, pois o homem que coloca a diversão como fim último age como uma criança.

Segundo ele, há dois tipos de vida onde o homem pode se realizar plenamente: a vida ativa e a vida contemplativa.

A vida artística não entra na vida contemplativa, pois o fim último da vida artística é a obra, e a obra de arte é externa ao ser.

Quanto à esses dois tipos de vida:

Vida ativa: constitui as atividades das virtudes morais.

Vida contemplativa: a maior dentre todas as virtudes, atividade das virtudes intelectuais, busca a apreensão da verdade, é a vida do filósofo, teorias.

Aristóteles diz que a vida contemplativa traz uma realização maior para o ser humano do que a vida das atividades das virtudes morais. A melhor virtude vem da melhor parte do ser humano, e a melhor parte do ser humano é a razão. A parte racional do ser humano tem várias atividades, onde uma das partes é a prudência, que leva à boa ação.

Os objetos da razão são os melhores cognoscíveis. Deve existir uma causa primeira através da atividade da razão, onde essa causa primeira é melhor e mais perfeita do que as coisas apreendidas pelos sentidos. Se o objeto para conhecimento da causa primeira é a razão, então a razão é melhor.

A contemplação da razão é a melhor das virtudes, a contemplação pela razão da causa primeira.

Para atingir a causa primeira a razão é o melhor objeto. A atividade da razão é mais contínua, menos sujeita a interrupções, ela é a mais prazerosa de todas as atividades virtuosas, e o filósofo sente prazer buscando a verdade.

A atividade da razão é auto-suficiente, precisa-se menos das coisas exteriores quanto mais sábio um homem é, apesar de precisar das outras pessoas para aprender e se tornar mais sábio, quanto mais aprende, menos precisa das outras pessoas.

A atividade intelectual é um fim em si mesma, não é útil para nada, e as atividades morais são úteis sempre para alguma outra coisa. E se a felicidade é um fim em si mesma, ela está ligada à atividade intelectual, pois são da mesma natureza.

Pelas atividades políticas (virtudes morais) não se consegue a felicidade plena, pois elas não têm o mesmo caráter da felicidade, que é um fim em si mesma. O que nos resta é a atividade intelectual. Se politicamente uma cidade já é satisfatória, as pessoas se dedicarão à atividade intelectual. Por isso a atividade intelectual é um fim em si mesma.

O homem se realiza mais como ser humano através das atividades intelectuais,  gradualmente, como em uma escala.

Não é possível viver uma vida inteiramente dedicada à atividade intelectual, pois isso é próprio dos deuses, e querer se comparar aos deuses é sempre passível de punições, nesse caso como a loucura ou a depressão. Por isso é necessária a justa medida das coisas.

Devemos nos dedicar às atividades intelectuais, apesar de elas serem divinas, porque as capacidades intelectuais fazem parte do ser humano, apesar das limitações. Mesmo que o ser humano se dedique a outras coisas, por menor que seja a dedicação à atividade intelectual, ela ainda será a maior de todas. A razão é algo próprio do homem, não dos deuses.

O fim de qualquer coisa é o próprio ser daquela coisa. O fim do homem é o ser do homem. E faz parte do nosso ser a atividade racional. Não fazer uso dessa parte é limitar o próprio ser. Portanto:

Exercício correto das potencialidades humanas < Vida racional < Vida feliz < Realização.

A realização gera um tipo de prazer que somente a pessoa que teve a atividade racional plenamente realizada poderá descobrir como é esse tipo de prazer, ligado diretamente à plena prática de ações virtuosas e de todas as potencialidades, assim como a plena vida intelectual.

Aristóteles organizou uma biblioteca. De fato, era um homem que passava grande parte do tempo estudando, e Platão chegou a critica-lo por estar sempre em companhia dos livros, enquanto Aristóteles critica Platão por mitificar a realidade. Sua obra aborda vários ramos do saber: política, zoologia, botânica, física, metafísica, filosofia e outros.  Depois da morte de Platão, Aristóteles dirigiu-se à Ásia Menor. Junto com o colega de Academia Xenócrates,   estabeleceu-se em Assos, onde permaneceu por três anos. Depois foi para Mitilene, na ilha de Lesbos. É provável  que em Mitilene tenha feito grandes pesquisas sobre ciências naturais, em conjunto com aquele que depois viria a sucedê-lo, Teofrasto. Em 343/342 Aristóteles é chamado por Felipe, o Macedônio (aquele mesmo que era filho do rei Amintas que tinha como médico Nicômaco, pai de Aristóteles) para ser  preceptor do jovem  Alexandre, o Grande. É provável que Aristóteles tenha conhecido Felipe quando criança, na corte macedônica. Começou a ensinar Alexandre quando este tinha treze anos, e era um irrequieto jovem. Aos quinze anos este abandonou a filosofia e começou sua ascensão. Existes duas datas prováveis para a saída de Aristóteles da Macedônia e de seu cargo de preceptor: 336 a.C ou 340 a.C.

Aristóteles voltou a Atenas em 334 a.C. e seus últimos doze anos a os mais fecundos literariamente. Fundou sua própria escola, o Liceu quando tinha cerca de cinqüenta e um anos de idade. Para começar com essa escola que seria a rival da  já meio decadente Academia, Aristóteles alugou alguns edifícios próximos ao templo em honra a Apolo Lício. Por causa disso, a escola de Aristóteles ficou sendo conhecida como Liceu. Os estudantes receberam o nome de Peripatéticos, pois aprendiam passeando com o seu mestre nos jardins do Liceu. A pesquisa realizada por Aristóteles e seus discípulos foi um projeto monumental. Conta-se que Alexandre, já homem feito e com o trono imperial assumido, teria dado indicações aos seus súditos para ajudar Aristóteles a colher material botânico em um enorme espaço geográfico. Devido a essa ligação com o Império Macedônico, Aristóteles sofreu com a reação que houve em Atenas depois da morte de Alexandre, sob a alegação de ter sido o mestre daquele que conquistara a Grécia. Para fugir dos inimigos, foi para Calcídia, onde sua mãe tinha alguns bens. Morreu em 322 a. C, poucos meses depois de ter se exilado.

Aristóteles escreveu cerca de cento e vinte obras, das quais quarenta chegaram até hoje. Seus livros fundamentais são: Retórica, Ética a Nicômaco, Ética a Eudemo, Orgânon, Primeiros Analíticos, Segundos Analíticos, Física, Metafísica, Sobre o Céu, Crescimento e Decadência, Sobre a Alma, As partes dos animais, Política, entre outros. Essas obras pertencem ao conjunto do chamado corpo esotérico das obras de Aristóteles. É sabido que a obra de Aristóteles é dividida em dois grandes grupos: os escritos exotéricos e os escritos esotéricos. Os escritos exotéricos seriam aqueles de fácil leitura, dirigidos ao grande público. Desse grupo restaram apenas alguns fragmentos e títulos, como por exemplo O Grilo ou da Retórica, aonde Platão defendia a posição platônica contra Isócrates. Infelizmente, os escritos esotéricos estão quase que totalmente perdidos. Por outro lado, muitos dos escritos esotéricos chegaram até os dias de hoje. Esses escritos eram feitos para os iniciados do Liceu, alunos e mestres, muitos ministrados em aulas, sendo patrimônio exclusivo do Liceu.

O estilo do estagirita é predominantemente científico. Muitos livros seus se perderam, especialmente na época da Renascença, por causa do Index (índice de livros proibidos) da Igreja católica. Realizou importante trabalho de revisão, elaboração da história dos pré-socráticos. A Grande Obra Aristotélica não teria chegado até os dias de hoje se não fosse as edições árabes, a organização de alguns aristotélicos, como Avicena e Averróis, e o imenso trabalho de filósofos e padres, que copiavam e traduziam os fragmentos à mão.  O organizador da Biblioteca de Alexandria. Andronico de Rodes-  que também foi o décimo sucessor de Aristóteles no Liceu- conseguiu organizar uma edição das obras de Aristóteles, em meados do século I.  A palavra metafísica, que tem várias acepções em diversos autores, teve o sentido primeiro batizado por Andronico. De fato, ao organizar sua coleção da obra aristotélica, Andronico chamou de ta meta ta physica (depois da física) o conjunto de livros que era colocado na estante depois da obra intitulada Física. Essa obra, chamada então de Metafísica, versava sobre a causa primeira, o Motor Imóvel do mundo. Assim, o sentido dado à palavra metafísica por Andronico se transformou para algo como “além da física”, ou seja, o supra-sensível, que não se apresenta aos sentidos. Mas a palavra una Metaphysica não se encontra antes da Idade Média, particularmente em Averróis, segundo Eucken.

Aristóteles, para  Diógenes Laércio, foi o mais genuíno discípulo de Platão. Essa colocação parece ir contra a opinião corrente, visto que Aristóteles contraria em muito a doutrina platônica, em especial a Teoria das Idéias.  Ele reconhece no mestre uma alma indisciplinada e irregular, que passava mais tempo em contemplação, buscando encontrar a verdade das idéias, do que em contato com a realidade simples, que mitificava. Aristóteles achava que a Idéia não constituía realidade separada. A realidade para ele é de indivíduos concretos, e só neles existe a idéia, a quem chama de forma. Argumenta que é a razão que controla nossos atos e nela há o raciocínio a partir dos dados dos sentidos. A forma seria aquilo que a matéria faz. O mundo é dividido entre orgânico e inorgânico, sendo o orgânico o que encerra em si uma capacidade de transformação, como veremos mais adiante. Mas essa interpretação de que Aristóteles se desvia completamente do mestre é equivocada, como observa Giovanni Reale, pois um discípulo genuíno não apenas repete o mestre, conservando intocável sua teoria, mas sim quem busca saídas novas para as aporias quer não foram resolvidas, busca superar e atentar para os pontos em que pode ter havido erro. De fato, em uma obra madura, Ética a Nicômaco, temos um exemplo do impasse que se dava na alma do Estagirita, entre defender suas próprias idéias e respeitar a amizade a Platão e aos platônicos. Diz Aristóteles em I, 6, 15:

“Seria melhor, talvez, considerar o bem universal e discutir a fundo o que se entende por isso, embora tal investigação nos seja dificultada pela amizade que nos une àqueles que introduziram as Idéias. No entanto, os mais ajuizados dirão que é preferível e que é mesmo nosso dever destruir o que mais de perto nos toca a fim de salvaguardar a verdade, especialmente por sermos filósofos ou amantes da sabedoria; porque embora ambos nos sejam caros, a piedade exige que honremos a verdade acima de nossos amigos”.
Ele prossegue observando não ser possível uma Idéia comum por cima de todos os bens, como queria Platão, porque bem é usado tanto na categoria de substância quanto na de qualidade e  relação. E nas Idéias eternas não há prioridade e posterioridade. Por causa disso, Platão não estabeleceu uma Idéia que abrange todos os números. A palavra bem é predicada na categoria de substância, quantidade, qualidade, relação, espaço. Então bem não pode ser único e igualmente presente.    Embora haja desavença em questões como essa, de ser possível ou não um “bem em si”, há concordância em muitos outros pontos. Nessa mesma obra Aristóteles concorda com a opinião platônica que punha a essência do homem na alma.  Assim como o carpinteiro, o olho o pé e outras coisas têm uma função própria, o homem precisa ter uma função que lhe seja peculiar. A função do homem, observa o Estagirita, não pode ser a vida -pois essa é comum até às plantas-, nem a percepção – pois essa é comum aos animais-, mas sim a atividade do elemento racional. A função do homem é, pois, uma atividade da alma que “segue ou implica um princípio racional”. Daí o fato de ele fazer a famosa afirmação: “o homem é um animal racional”.

Outro ponto em que Aristóteles concorda com o mestre é em sua crítica aos sofistas. Contrariou  a opinião arbitrária destes sofistas, e o seu estilo literário é predominantemente científico.

Aristóteles criou a lógica, com o seu silogismo.  O silogismo de Aristóteles pode ser definido assim: é um trio de termos, no qual o último, que é a conclusão, contém uma verdade que se chega através das outras duas. A é B, C é A, portanto C é B. O exemplo clássico de silogismo pode ser dado pelo trio de frases a seguir:

A. Todos os homens são mortais
B. Sócrates é homem.
C. Logo, Sócrates é mortal.

A lógica não faz parte do esquema que Aristóteles dividiu e sistematizou as ciências. A lógica considera a forma que deve ter qualquer tipo de discurso que pretenda demonstrar algo, e em geral queira ser probatório. A lógica pretende mostrar como o pensamento procede quando pensa, qual é a estrutura do raciocínio, como são feitas demonstrações. A lógica é  preliminar às ciências, necessária para o modo como estas são desenvolvidas. Mas não tem em vista a produção de algo, nem a ação moral e não tem um conteúdo determinado, nem teorético. Ela é mais um instrumento necessário à produção mental que origina as ciências. A parte da obra de Aristóteles que trata da lógica, é, principalmente, os Analíticos. Vale observar que o termo lógica não foi usado por Aristóteles do modo como hoje o entendemos, mas é de formação tardia, da época de Cícero.

A verdadeira demonstração é feita pelo silogismo, como escreve Aristóteles nos Segundos Analíticos:
“Chamo demonstração o silogismo científico, chamo científico aquele silogismo com base no qual, pelo fato de possuí-lo, temos ciência”.

Contrapondo-se ao silogismo científico temos o silogismo dialético, que parte de premissas baseadas na opinião. O resultado desses silogismos é apenas provável.

As categorias oferecem os sentidos do ser.  Os significados de ser são os quatro seguintes:
a) ser segundo as diferentes figuras de categorias;
b) ser segundo o ato e a potência;
c) ser como verdadeiro e falso
d) ser como acidente ou ser fortuito.
Por outro lado, temos a tábua das categorias:
1) Substância ou essência
2) Qualidade
3) Quantidade
4) Relação
5) Ação ou agir
6) Paixão ou padecer
7) Onde ou lugar
8) Quando ou tempo
9) Ter
10) Jazer

Podemos dizer que a ciência ocidental efetivamente começou com Aristóteles. Na sua astronomia, por exemplo, o mundo é cíclico, e ele convenceu-se de que a infinita variedade da vida podia ser disposta numa série contínua, no qual um elo é indistinguível do segundo. Assim existe a escada da natureza, que evolui dos organismos mais simples para os mais elevados.

Aristóteles acha que o homem usou as mãos para a manipulação porque se tornou inteligente, e não o contrário. Sua fisiologia é precária, pois acredita em coisas como: o cérebro é um órgão para resfriar sangue, o corpo do homem é mais completo que o da mulher. Aliás, sua visão da mulher não era das melhores. Na reprodução, a mulher é passiva e recebe, enquanto o homem é ativo e semeia. Dessa forma as características seriam predominantemente do pai. Apesar disso a visão de Aristóteles a respeito das mulheres envolve vários aspectos positivos.

A biologia evoluiu muito com as conclusões que Aristóteles chegou observando a natureza. O macaco é o intermediário entre o homem e o quadrúpede, quanto mais altamente desenvolvida for uma espécie, menor será sua prole. Criou a embriologia. Em sua metafísica, que evoluiu da biologia, tudo é movido por uma força para se tornar algo maior, para evoluir. Esta força é o Motor Primeiro, imóvel. Tudo no mundo se move para preencher uma necessidade, entre as várias causas que determinam um acontecimento, a final é a mais importante. Por exemplo, a causa final da chuva não é física, chove porque os seres vivos precisam de água. A divina providência coincide com a ação de causas naturais.

Aristóteles diz que a matéria é potência, ou seja, tem a capacidade de assumir ou receber a forma. O bronze é a potência para a estátua de bronze, ou a estátua de bronze existe em potência no bronze. A matéria é potência para uma cadeira de madeira e mais diversos objetos de madeira, e assim por diante. Todas as coisas materiais têm potência. Os seres imateriais são puro Ato. O  ato, ou enteléquia é a realização, perfeição atuante a atuada. A alma é a enteléquia do corpo. As substâncias sensíveis e Deus são enteléquia.

A metafísica aristotélica (que ele chamava de filosofia primeira) tem as seguintes funções: investigar as causas e princípios primeiros ou supremos, investigar o ser enquanto ser, investigar a substância, investigar Deus e o supra sensível. Quem investiga as causas primeiras, costuma chegar num impasse que só pode ser entendido pela existência de um Ser Divino, supra-sensível, que não é causado por nada, que é a causa de si mesmo. Para Aristóteles existe um Deus, não humano. Era contrário, portanto, ao antropomorfismo. O Deus seria responsável pelos primeiros movimentos, a sua fonte. Ele é pura energia, incorpórea, indivisível, sem sexo, sem alteração, eterno e perfeito. É autoconsciente, então não faz coisa alguma, sua única ocupação e contemplar a essência das coisas, pois ele próprio é essência. Ou seja, ele pensa e contempla a si mesmo. Ele não pensa os mortais, pois o conhecimento das vicissitudes mortais, seria, (se existisse) aos olhos de Aristóteles uma limitação de Deus.  Esse Deus pensa o mais divino e o mais digno de honra. A existência da metafísica é justificada pela admiração que o homem sente diante das coisas, ela nasce de um amor puro ao saber, da necessidade humana de perguntar por um porquê último. Esta afirmação está no início da Metafísica de Aristóteles. Para Aristóteles, a metafísica é a ciência mais elevada, porque não tem finalidades práticas e não está ligada a nenhum bem material. A própria filosofia é uma atividade que depende do ócio intelectual para poder existir.

A metafísica busca as causas primeiras. Aristóteles definiu as causas como quatro:
1) causa formal – tanto essa como a segunda são a constituição das coisas. A forma ou essência das coisas. A alma para os animais, as  relações formais determinadas para diferentes figuras geométricas.
2) causa material – A matéria de que é feita uma coisa. Nos animais, por exemplo, seria a carne e os ossos. Numa taça de ouro, o ouro, etc.
3) causa eficiente – ou motora. As coisas foram geradas a partir de uma causa, a eficiente. Dela provém a mudança e o movimento das coisas. Os pais são a causa eficiente dos filhos, por exemplo.  Esta causa seria a que veio sobreviver na Filosofia Moderna, graças, sobretudo, a Descartes.
4) causa final – para onde tende o devir do homem. O que é perfeito (Deus) não muda, pois não necessita de mais nada para ser completo. As coisas mudam com aspiração à perfeição.

Na definição aristotélica, a alma é todo princípio vital de qualquer organismo. No homem é também a força da Razão. É imortal, puro pensamento, inviolado pela realidade. É independente da memória. A alma é, portanto, enteléquia primeira de um corpo natural e orgânico. A alma intelectiva, diz Aristóteles, parece  parece ser uma espécie diferente de alma. Para melhor definir a alma, ele a dividiu em três tipos:   alma vegetativa, alma sensitiva e a alma racional. A alma racional seria exclusiva do homem, a sensitiva, pertenceria também aos animais, e a vegetativa, comum a todos os seres vivos.

A criação nasce do impulso criativo e da ânsia pela expressão emocional. A arte imita a vida. O prazer intelectual é o bem maior que podemos alcançar.

Em sua Ética, Aristóteles pergunta: como o homem deve viver, do que precisa para uma boa vida? Qual é o seu bem supremo? A resposta é: a felicidade (eudaimonia). Ele cita três formas em que se crê no alcance da felicidade:   uma vida de prazeres ou gozos, uma vida com honra, ou política, e uma vida como filósofo. Aristóteles descarta a honra como felicidade, pois esta não é uma coisa interior, mas sim uma coisa que é conferida à pessoa por terceiros.  Toda ação tende para um fim. Temos virtude porque agimos corretamente. Nada deve ser em falta ou em excesso, tudo no meio termo, ou moderadamente. A amizade é um auxílio à felicidade, que só encontramos pura em nós e do conhecimento da nossa alma. Aristóteles fala do homem ideal, que não se preocupa em demasiado, mas dá a vida nas grandes crises. Não tem maldade, não gosta de falar, enfim é pouco vaidoso. Na Ética a Nicômaco, Aristóteles fornece a seguinte relação de vicio e de virtude:
1) a mansidão é o ponto médio entre a iracúndia e a impassibilidade;
2) a coragem é o ponto médio entre a temeridade e a covardia;
3) a verecúndia é o ponto médio entre a imprudência e a timidez;
4) a temperança é o ponto médio entre a intemperança e a insensibilidade;
5) a indignação é o ponto médio entre a inveja e o excesso oposto que não tem nome;
6) a justiça é o ponto médio entre o ganho e a perda;
7) a liberalidade é o ponto médio entre a prodigalidade e a avareza;
8) a veracidade é o ponto médio entre a pretensão e o autodesprezo;
9) a amabilidade é o ponto médio entre a hostilidade e a adulação;
10) a seriedade é o ponto médio entre a complacência e a soberba;
11) a magnanimidade é o ponto médio entre a vaidade e a estreiteza da alma;
12) a magnificência é o ponto médio entre a suntuosidade  e a mesquinharia.

Nessas ações, a virtude ética é a justa medida que a razão impõe a sentimentos, ações ou atitudes, que sem o devido controle, tendem para o excesso. A justiça é considerada por Aristóteles como a virtude ética mais importante.

Para a política, Aristóteles cita diversas boas formas de estado: democracia, monarquia, citando suas vantagens e defeitos, mas a melhor seria a aristocracia. Valoriza a liberdade individual e a privacidade, que devem estar acima do poder social (ao contrário de Platão). Não acredita numa Utopia, porque a maldade é inerente à alma humana. Alguns são destinados a comandar, outros a obedecer. Despreza o trabalho manual, rebaixado aos escravos, como era comum na Grécia antiga. A educação deve ficar por conta do Estado. O controle social é necessário, acredita, porque leva à virtude.

Essas obras de Aristóteles foram as mais  lidas, discutidas e comentadas da Antiguidade, deixando um legado inestimável para a história da cultura, e alterando de forma definitiva o curso da história da filosofia.

A física aristotélica

Os corpos são classificados a partir da teoria dos quatro elementos: terra, água, ar e fogo. No universo, todos os corpos estão disposto de modo bem determinado, possuindo um lugar natural conforme sua essência, partindo desta analise, Aristóteles constrói a teoria da queda dos corpos. A terra e a água por serem copos pesados têm seu lugar natural embaixo, o ar e o fogo sendo corpos leves tem seu lugar natural em cima. O movimento natural é aquele em que as coisas retornam ao seu lugar na ordem estática do cosmos.

Todo ser é constituído de matéria e forma, princípios indissociáveis. Enquanto a forma é o princípio inteligível, a essência comum aos indivíduos de uma mesma espécie, a matéria é pura passividade, contendo a forma em potência. Através disto que se explica o devir (o movimento), sendo a passagem da potência para o ato, “é o ato de um ser em potência enquanto tal”, é a potencia se atualizando. O movimento também pode ser compreendido como movimento qualitativo, pelo qual o corpo tem uma qualidade alterada. As causas do movimento variam: a causa material, a causa eficiente, a causa formal, e a causa final.

A concepção aristotélica da natureza é finalista ou teológica. Na metafísica, Aristóteles admite a necessidade de um motor que esteja em ato. Todo movimento supondo um motor faz a física desemborcar numa teologia: de causa em causa, é preciso parar numa primeira causa, num primeiro motor.

Para Aristóteles, a memória não consiste somente em conservar os traços do passado e tomá-los novamente por objetos. O tratado Da memória e da reminiscência examina mais geralmente o papel das imagens no exercício do pensamento. Ele descreve o processo de reminiscência ou rememoração, e trata assim da organização voluntária das representações mentais como de seus encaminhamentos involuntários e patológicos. Correlativamente, ele explica em que sentido o homem pode ser agente de suas próprias representações e o princípio de suas associações. Aristóteles aborda, por conseguinte, a propósito da memória, questões fundamentais para a definição dos estados psíquicos, para a teoria do conhecimento, bem como para a concepção do eu ou da identidade pessoal.

A análise da memória e da reminiscência conduz assim a uma reavaliação da concepção aristotélica do caráter (hÕqoj), fazendo deste último o substrato e o agente de uma história pessoal que não pode ser abstraída de suas condições psicofísicas.

Alguns de seus pensamentos fundamentais:

“Felicidade é ter o que fazer, ter algo que amar, e algo que esperar.”
Aristóteles

“Deus é o pensamento do pensamento”

“A felicidade e a saúde são incompatíveis com a ociosidade.”  Aristóteles

“A amizade é um alma que habita em dois corpos; um coração que habita em duas almas.”  Aristóteles

“Um homem que se curva não endireita os outros.”  Aristóteles

“Se está a nosso alcance fazer, também está não fazer.”  Aristóteles

“A pior forma de desigualdade é tentar fazer duas coisas diferentes iguais.”  Aristóteles

“Um bom começo é a metade.”  Aristóteles

“A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las.”  Aristóteles

“Todo homem, por natureza, quer saber.”  Aristóteles

“Só pode ser feliz um Estado edificado sobre a honestidade.”  Aristóteles

“A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior.”  Aristóteles

“Para nos mantermos bem é necessário comer pouco e trabalhar muito.”  Aristóteles

“Sê dono da tua vontade e escravo da tua consciência.”  Aristóteles

“Quem encontra prazer na solidão, ou é fera selvagem ou é Deus.” Aristóteles

“As pessoas dividem-se entre aquelas que poupam como se vivessem para sempre e aquelas que gastam como se fossem morrer amanhã.” Aristóteles

“O sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz.”  Aristóteles

“A felicidade e a saúde são incompatíveis com a ociosidade.”  Aristóteles

“A esperança é o sonho do homem acordado.”  Aristóteles

“Não há nada que envelheça mais depressa do que um benefício.”  Aristóteles

“A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.”  Aristóteles

“A natureza não faz nada em vão.”  Aristóteles

“Não há só um método para estudar as coisas.”  Aristóteles

“O convidado é melhor juiz de uma refeição que o cozinheiro.”  Aristóteles

“Quanto à virtude, não basta conhecê-la, devemos tentar também possuí-la e colocá-la em prática.”  Aristóteles

“A amizade perfeita apenas pode existir entre os bons.”  Aristóteles

“A alma é a causa eficiente e o princípio organizador do corpo vivente.”  Aristóteles

“Que vantagem têm os mentirosos? A de não serem acreditados quando dizem a verdade.”  Aristóteles

“O menor desvio inicial da verdade multiplica-se ao infinito à medida que avança.”  Aristóteles

“O homem é o princípio das ações.”  Aristóteles

“O tempo consome as coisas, e tudo envelhece com o tempo.” Aristóteles

“A modéstia não pode ser considerada uma virtude, pois assemelha-se mais a um sofrimento do que a uma qualidade.”  Aristóteles

“A esperança…: um sonho feito de despertares.”  Aristóteles

“Qualquer pessoa pode encolerizar-se. É fácil. Mas encolerizar-se com a pessoa certa, no grau certo, no momento certo, pela razão certa e da forma certa – isso não é fácil. ” Aristóteles

“Quem se dispõe a tornar-se um bom chefe, deve primeiro ter servido a um chefe.”  Aristóteles

“Os inferiores rebelam-se para serem iguais, e os iguais rebelam-se para serem superiores. Esse é o estado de espírito que gera as revoluções.”  Aristóteles

“Sendo assim, as revoluções não concernem a pequenas questões, mas nascem de pequenas questões e põem em jogo grandes questões.” Aristóteles

“O livro é um animal vivo.” Aristóteles

“A mudança em todas as coisas é desejável.”  Aristóteles

“Aquele que nunca aprendeu a obedecer não pode ser um bom comandante.”  Aristóteles

“A alegria que se tem em pensar e aprender faz-nos pensar e aprender ainda mais.”  Aristóteles

“A felicidade não se encontra nos bens exteriores.”  Aristóteles

“Todos os trabalhos pagos absorvem e degradam o espírito.”  Aristóteles

“No fundo de um buraco ou de um poço, acontece descobrir-se as estrelas.”  Aristóteles

“A democracia surgiu quando, devido ao fato de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si.”  Aristóteles

“Em todas as coisas da natureza existe algo de maravilhoso.” Aristóteles

“Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura.”  Aristóteles
“É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer.” Aristóteles

“A lei é ordem; e uma boa lei é uma boa ordem.”  Aristóteles

“A fazer, sem ser comandado, aquilo que os outros fazem apenas por medo da lei.”  Obs.: Quando interrogado sobre o que havia aprendido com a filosofia.  Aristóteles

“Realizando coisas justas, tornamo-nos justos, realizando coisas moderadas, tornamo-nos moderados, fazendo coisas corajosas, tornamo-nos corajosos.”  Aristóteles

“Os olhos são a morada da vergo”O erro acontece de vários modos, enquanto ser correto é possível apenas de um modo.”  Aristóteles

“A gratidão.”  Obs.: Quando interrogado sobre o que envelhece logo, disse.  Aristóteles

“A mesma diferença que existe entre os vivos e os mortos.”
Obs.: Quando interrogado sobre a diferença existente entre os homens cultos e os incultos, disse. Aristóteles

“A cultura é o melhor conforto para a velhice.” Aristóteles

“Todos os homens, por natureza, desejam saber.”  Aristóteles

“O ato de entender é vida.” Aristóteles

“Fazer o pior parece a melhor decisão.”  Aristóteles

“Que ninguém culpe um homem de ser feio.”  Aristóteles

“A beleza é a melhor carta de recomendação.”  Aristóteles

“A beleza é dom de Deus.”  Aristóteles

“A tragédia é a imitação de uma ação séria e concluída em si mesma… que, mediante uma série de casos que suscitam piedade e terror, tem por efeito aliviar e purificar a alma de tais paixões” Aristóteles

“O impossível verosímil é preferível ao possível não acreditável.”  Aristóteles

“Devemos comportar-nos com os nossos amigos do mesmo modo que gostaríamos que eles se comportassem conosco.”  Aristóteles

“Sem amigos ninguém escolheria viver, mesmo que tivesse todos os outros bens.” Aristóteles

“Toda a coisa necessária é por natureza aborrecida.”  Aristóteles

“Nada do que está em potência passa ao ato senão por outra coisa que está já em ato.”  Aristóteles

“O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra.” Aristóteles

“O objetivo principal da política é criar a amizade entre membros da cidade.”  Aristóteles

“Tendo em conta as condições de que dispõe e na medida do possível, é a natureza que faz sempre as coisas mais belas e melhores.”  Aristóteles

“A música é celeste, de natureza divina e de tal beleza que encanta a alma e a eleva acima da sua condição.” Aristóteles

“A base da sociedade é a justiça; o julgamento constitui a ordem da sociedade: ora o julgamento é a aplicação da justiça.” Aristóteles

“Geralmente são os bens que provêm do acaso que provocam inveja.”  Aristóteles

“Não há nada na nossa inteligência que não tenha passado pelos sentidos.”  Aristóteles

“O homem é deus ou fera.” Aristóteles

“O historiador e o poeta não se distinguem um do outro pelo fato de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso. Diferem entre si, porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido.”  Aristóteles

“A felicidade é para quem se basta a si próprio.” Aristóteles

“A felicidade consiste em ações perfeitamente conformes à virtude, e entendemos por virtude não a virtude relativa, mas a virtude absoluta. Entendemos por virtude relativa a que diz respeito às coisas necessárias e por virtude absoluta a que tem por finalidade a beleza e a honestidade. ” Aristóteles

“A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces.” Aristóteles

“Deus é demasiado perfeito para poder pensar noutra coisa senão em si próprio.” Aristóteles
“Só há um princípio motor: a faculdade de desejar.” Aristóteles

“O começo de todas as ciências é o espanto de as coisas serem o que são.”  Aristóteles

“O sábio procura a ausência de dor, e não o prazer.” Aristóteles

“O reconhecimento envelhece depressa.” Aristóteles

” É ótimo não se exercer qualquer profissão, pois um homem livre não deve viver para servir outro.” Aristóteles

“Haverá flagelo mais terrível do que a injustiça de armas na mão?”  Aristóteles

“O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.”  Aristóteles

“O objetivo da guerra é a Paz.” Aristóteles

“A primeira qualidade do estilo é a clareza.” Aristóteles

“O egoísmo não é amor por nós próprios, mas uma desvairada paixão por nós próprios.”  Aristóteles

“A dúvida é o principio da sabedoria.” Aristóteles

“O belo é o esplendor da ordem.” Aristóteles

“Os avarentos amealham como se fossem viver para sempre, os pródigos dissipam, como se fossem morrer.” Aristóteles

“A arte é a idéia da obra, a idéia que existe sem matéria.” Aristóteles

“A amizade é uma alma com dois corpos.”  Aristóteles

“Ter muitos amigos é não ter nenhum.”  Aristóteles

“O homem prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz.” Aristóteles

“Sê senhor da tua vontade e escravo da tua consciência.” Aristóteles

“O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição.”  Aristóteles

“Somos aquilo que fizemos repetidamente.” Aristóteles

“Qualquer um pode zangar-se – isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneria certa – não é fácil.”  Aristóteles

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