Como gerenciar crises pessoais

Crise

O tempo todo estamos passando por quebras de realidade, internas e externas, seja conquistando o que queríamos ou perdendo algo importante. Alguém que consegue o cargo dos sonhos precisa gerenciar essa subida para não se perder em autoimagens enganosas de poder sem limites, do mesmo jeito que uma morte inesperada também remete a muitas quebras de paradigmas.

Cada decisão é uma manobra delicada que muitos negligenciam ou subestimam e, como consequência na hora de uma eventual ruptura na rotina, acabam usando mecanismos que adiam, retardam e/ou prejudicam ainda mais seu ecossistema de relações pessoais.

Apresento agora alguns métodos favoritos destas crianças emocionais e algumas alternativas para lidar melhor com elas.

Como reforçar a crise

Estes são comportamentos que reforçam crises e dificultam a comunicação e a resolução de conflitos. Linkei outras referências para aprofundamento, caso surja interesse.

Reclamar: modus operandi preferido de quem se acha vítima das circunstâncias e superior à todos sem ter feito nenhum prodígio especial.

Brigar: a raiva é um sentimento que causa distração, pois parece que dá força e nos coloca por cima. No entanto, a tristeza subjacente permanecerá lá, carente de atenção enquanto você passa meses quebrando o pau com alguém que queria ter real intimidade.

Fugir: não responder com honestidade quando questionado, desaparecer sem explicações, cair na bebedeira sem fim, devastar a vida de alguém com sua ausência ou silêncio e adiar interminavelmente uma tarefa são formas que algumas pessoas usam para “resolver” o problema.

Acusar: esse é o método favorito daqueles que mal analisam um assunto e disparam pedradas em forma de contra-ataques sem sentido e réplicas ressentidas.

Justificar: na tentativa de manter uma imagem cheia de pose em que no final saiam por cima, acabam distorcendo e falseando a realidade, aproveitando para fazer o interlocutor se sentir culpado. Ele sempre tem uma explicação ou teoria que explique sua mediocridade.

Fechar: fazer birra, cara feia, gelar o outro, não dialogar, deprimir e coisas do gênero são suas ferramentas para impedir que o outro traga a notícia dolorosa. Prato cheio para permanecer isolado para sempre.

Negar: se você fechar os olhos, a dívida não vai ser paga, o trabalho não andará sozinho e as pessoas não o amarão por inércia. Nada será mudado se você evitar olhar a conta bancária, perguntar como o amigo distante está ou questionar quais as razões da própria infelicidade. Método preferido de quem espera milagres.

Para sair do casulo do menino birrento

Agora sugiro caminhos que podem efetivamente nos levar mais longe apesar de serem mais trabalhosos e desgastantes. Recomendado para maiores de 18 anos.

Pensar no problema seriamente: tenha claro qual é o problema, a maior parte das decisões equivocadas parte de uma definição imprecisa ou enganosa do ponto central.

Analise onde é sua área de influência e o que está fora do seu alcance: não adianta você tentar resolver o problema da fome na África sozinho, pense realmente onde você pode agir e onde é área de influência real e onde independente sua ação. Você pode mudar só o que você quer e sente e não as outras pessoas (ou situações além do seu alcance). Sempre lembre disso: se você pode fazer algo com aquilo faça, se não pode não se ocupe disso e se concentre no que pode fazer.

Criar um plano coerente: não adianta sair como um louco na hora de resolver um problema sério, você precisa seguir uma linha mestra que irá orientá-lo do começo ao fim. Um plano que terá muitas etapas que não terão solução imediata, mas que serão chaves para atingir a grande meta.

Produzir algo criativo: se ficar passivo nada muda, o que muda é algo que você produza de novo, inesperado, seja uma ideia, um produto, ou uma inspiração. Mão na massa.

Perguntar para especialista leigo: alguém que já enfrentou um problema como o seu pode facilitar os caminhos. Nesse caso, perguntar é o essencial para sair do atoleiro, pois se suas certezas e convicções fossem adequadas, você não teria criado o problema que supõe ter a resposta. Na vida real o McGyver não existe.

Veja onde você próprio alimenta esse problema: em grande parte dos casos a pessoa que perpetua um problema é o próprio problemático. Pense onde você é a própria pedra no seu sapato e onde seu orgulho ou egoísmo podem estar atravancando a solução dos problemas.

Criar uma força tarefa: você provavelmente não conseguirá fazer tudo sozinho, então peça ajuda. Uma mente coletiva é melhor do que uma.

Ajudar alguém até encontrar uma solução: muitas vezes quando não sabemos por onde começar é interessante colocar a cabeça fora do problema sem ignorar o próprio. Ponha a cabeça para funcionar em outra área e ajude alguém que precisa de um socorro parecido. A generosidade instiga o cérebro criativo e indiretamente você pode ficar mais estimulado quando tiver que olhar para o seu drama pessoal.

Procurar profissional: nunca vi o Google resolver questões que sejam mais sérias que uma espinha. Quando nos deparamos com questões maiores é necessário procurar ajuda. Um advogado para problemas jurídicos, um psicólogo para questões amorosas e emocionais, nutricionistas para dramas com a balança e, nas finanças, um consultor financeiro. Ter um guia imparcial economiza tempo.

Enfim, se você só tem um martelo nas mãos, todo problema é um prego. Se tentar desenvolver ferramentas internas com recursos emocionais mais sofisticados, então poderá dizer que está amadurecendo. Caso contrário, só estará reencenando a mesma trama com personagens diferentes.

Crises são oportunidades para redescoberta e novos caminhos, não deixe que ela passe como se nada tivesse acontecido, pegue a crise nas mãos como um mestre que traz uma sabedoria oculta que desafia sua imaturidade. Só assim ela efetivamente poderá cumprir o seu papel.

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