HERÁCLITO NO PASSADO E NO PRESENTE DA FILOSOFIA

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Há vinte e cinco séculos as palavras de Heráclito vêm provocando contínuas reflexões. Dele falaram gregos e romanos, árabes e cristãos, modernos e contemporâneos. Sua obra se perdeu, mas muitas de suas sentenças, citadas por diversos autores, foram conservadas e, mais tarde, reunidas em coletâneas.

Estes famosos fragmentos de Heráclito são cento e vinte e seis frases, fulgurantes como relâmpagos, cortantes como uma navalha. Não são pedaços retirados de um texto contínuo, linear. Nasceram – sobre isto a crítica hoje concorda – sob a forma de aforismas. São frases densas, concisas, que lhe valeram, desde cedo, a fama de “obscuro”.

Heráclito aceita ser considerado enigmático, sibilino, oracular. Tendo seguido a inscrição do Oráculo de Delfos (“Conhece-te a ti mesmo”) e sabendo porque o deus délfico envia seus enigmas, que atravessam milênios, através da sibila de boca delirante, Heráclito, ao escrever em estilo enigmático, não oculta nem revela seu pensar, mas indica-o, por sinais. Seus aforismas são ofuscantes sinais (para uns obscuros, para outros luminosos) em busca de olhos de ver e de ouvidos de ouvir… (conforme os fragmentos de número 92 e 93).

Incompreendido pela maioria de seus contemporâneos, seu pensamento vem provocando um eco insistente. Embora o mais das vezes distorcido, ele foi continuamente citado, desde Platão, Aristóteles e Teofrasto. Por sua vez, os estóicos o escolheram para fundamentar certos pontos de sua doutrina. E na Idade Média alguns autores citaram o logos de Heráclito, que tomam pelo mesmo Logos que aparece na Evangelho de São João. Mas é no século XIX que o pensamento de Heráclito reaparece com esplendor, principalmente nas interpretações de Hegel e de Nietzsche.

O PERÍODO INAUGURAL DA FILOSOFIA

Durante o século VI A.C. uma nova onda de pensamentos invade e ilumina o mundo grego. Há certamente uma rede de relações entre os acontecimentos que propiciaram a emergência da polis como cidade autônoma e os eventos culturais que marcaram este momento como sendo o do início das ciências e a filosofia.

Os pensadores do período inaugural perscrutam a gênese do cosmos, a forma da Terra, o movimento dos astros, os ciclos meteorológicos, a origem da vida, o alcance do pensamento. Não aceitam as respostas prontas, tradicionais, e, sim, olhando em torno – com um olhar penetrante, capaz de atravessar todas as distâncias – proferem suas conjecturas de longo alcance. Contra as superstições e crenças estabelecidas, contra um antigo saber já consagrado, preferiram o enfrentamento direto com o mistério envolvente, tentando – numa luta de luz e sobra – decifrar os enigmas do nascimento e da morte, dos céus e da Terra. Aos pensadores deste período inaugural o Ser se revelou como physis , palavra grega cuja força se perdeu nas traduções. Os romanos traduziram-na por natura. Mas a palavra Natureza, proveniente do Latim, só se aproxima do sentido de physis se não mantivermos a oposição usual entre natural e artificial, entre natural e cultural, pois os gregos viam a physis como o domínio de todos os domínios. Fonte e origem, é dela que nascem, crescem e vivem todas as coisas, num emergir constante. Ela é o vigor originário do qual surgem os homens e os deuses, as plantas e os animais, os templos, os navios e as artes. Eterna e sempre jovem, divina, a physis é o Poder mais alto.

Foi nesta aurora do pensamento grego que veio à luz a obra de Heráclito, o mais impressionante pensador deste extraordinário momento. Nos manuais didáticos de Filosofia ele é apresentado como o filósofo do devir, do vir-a-ser, do contínuo fluir de todos os entes; e são menos consideradas suas frases sobre a luta (polemos) como o pai e rei de todas as coisas; sobre a preeminência da harmonia oculta sobre a aparente; e menos citadas suas teses sobre a interrelação cósmica de todos os entes, sobre a articulação e polaridade dos opostos. Entretanto, a ênfase sempre posta, pela maioria dos comentaristas, no mobilismo de Heráclito, esquece que para ele estas mudanças não são um fluir caótico incaptável, e sim que existem ritmos e fases, e que são cíclicas as transformações. Entretanto, o que é preciso ressaltar é que a tese do mobilismo está em conexão com a doutrina do logos , capaz de captar os fluxos e detê-los nos poderosos diques da linguagem, pois suas palavras de sabedoria tiveram esse insólito poder.

Duas escolas de filosofia, de estilos divergentes, precederam o surgimento da obra de Heráclito: a dos milésios e a dos pitagóricos. Em Mileto, cidade comercial e cosmopolita, situada na Ásia Menor, floresce uma escola aberta e franca, onde o espírito crítico se manifesta e se desenvolve nas respostas diferentes que se sucedem. Tales vê a physis como hydor, líquido primordial e fecundo de que surge a vida e que em tudo pode se transformar. Anaximandro, menos de duas décadas depois, propõe o apeiron (Indeterminado, Ilimitado) como princípio (arché) de que surgem e a que retornam todos os entes. E Anaximenes afirma ser o Ar (pneuma) a physis geradora de tudo que vem à existência, pois assim como a nossa alma que é Ar nos mantém unidos, o pneuma envolve e constitui os mundos, rarefazendo-se ou condensando-se. A escola fundada por Pitágoras é muito diferente: assemelha-se a uma seita religiosa. Sabe-se de sua ligação com o Orfismo. Pitágoras centraliza toda a autoridade. Imperam a disciplina, os preceitos e as proibições. A par disso, os pitagóricos desenvolvem o pensamento matemático; pensam os números, as proporções, as relações quantitativas e suas conseqüências cósmicas. Percebem a relação entre o comprimento das cordas dos instrumentos musicais e a produção de sons harmônicos, e dirigindo o olhar para a imensidão do céu, com seus astros dispostos a distâncias constantes, imaginam a existência de uma sinfonia das esferas celestes, que giram em torno do Fogo Central (primeira hipótese não geocêntrica).

Foi nesse momento inicial, em que floresceram tantas idéias novas, que surgiu a palavra “filósofo” – um neologismo capaz de designar essa nova estirpe de pensadores, que refletiram sobre números, que fizeram o primeiro mapa da Terra (Anaximandro) e previram um eclipse (Tales), que questionaram as crenças, os mitos, os poetas consagrados, a educação e as leis da cidade.

É um preconceito julgar que os princípios sejam apenas um engatinhar infantil a que se sucedem progressivos enriquecimentos. Inicial, o período em que viveram Heráclito e Parmênides, nada tem de primitivo. É um momento grandioso que estes dois gigantes do pensamento escalam, por vertentes diversas, o mesmo cume: o que é a verdade, a que os gregos chamavam de aletheia.

Outros períodos virão, outros séculos, outras eras. O trabalho filosófico tornar-se-á mais disciplinado; serão organizados quadros de gêneros, espécies e classes de conceitos em cada vez mais rígida articulação. A filosofia será dividida em várias disciplinas; seu vocabulário técnico vai crescer tanto que serão necessários dicionários de filosofia. Os sistemas vão proliferar; estudiosos se dedicarão a escrever histórias da filosofia. E nestes manuais didáticos, muito pouco históricos, às vezes nada filosóficos e quase sempre parciais, os pensadores originários vão aparecer sob a denominação absurda, mas infelizmente consagrada, de “pré-socráticos”. Traduções e interpretações provenientes de outras perspectivas e interesses vão mascarar o sentido dos aforismas de Heráclito, do Poema de Parmênides e dos demais pensadores do período inaugural. Terá sido perdido, então, o prístino sentido das palavras fundamentais com que irrompeu a filosofia grega: physis, logos, aletheia … Vão nascer as lógicas, as ciências vão desenvolver um tipo de Razão intemporal que mede, calcula, investe e explora a natureza. O conhecimento vai ser visto como uma força que contrapõe à realidade (Sujeito X Objeto); o intelecto humano, julgando-se um poder separável, tecerá redes de conceitos para aprisionar o Ser, conhecê-lo e dominá-lo, atingindo certezas absolutas. E tudo isto parecerá um desejável progresso. Uma grande névoa terá, então, obnublado os sinais de Heráclito. A clareira aberta com o pensar poetante, criador, dos primeiros pensadores, e logo obscurecida por um auto-suficiente racionalismo, só será de novo entrevista no século XIX, quando um grande pensador, armado de amplo saber filosófico, perceber e denunciar as traições sofridas pelos escritos dos primeiros filósofos gregos (que a tradição embrulhou sob a depreciativa denominação de pré-socráticos). Este famoso filólogo, este grande escritor (só cem anos depois reconhecido como filósofo), é Nietzsche.

PREDOMÍNIO SECULAR DA RACIONALIDADE PLATÔNICO-ARISTOTÉLICA

Enquanto as obras do período inaugural se perderam todas, restando apenas fragmentos, as de Platão e Aristóteles foram conservadas em grande parte. Provavelmente devido ao fato de terem ambos fundado escolas importantes que durante séculos transmitiram seus ensinamentos: a Academia e o Liceu. Estas designações, hoje sinônimos de escola, de estabelecimento de ensino, só ganharam esse uso devido à fama crescente dos dois filósofos, pois originariamente não tinham tal significado: a Academia platônica deve seu nome ao fato de funcionar nos jardins do herói ateniense Academos; e a palavra Liceu vem do grego lukeion , bosque dos lobos, e era o nome de um terreno próximo ao templo de Apolo Lyceo, onde Aristóteles lecionava passeando com seus discípulos. Que o mundo ocidental esteja povoado de liceus e academias é um dos indícios do predomínio do tipo de racionalidade fundada por estes dois gênios gregos.

Nas escolas de Platão e de Aristóteles foi realizado um importante trabalho de levantamento do que haviam pensado os mais antigos sobre os temas filosóficos que eles debatiam. Nas obras de Platão, que escreveu em forma de diálogos, as doutrinas dos antigos aparecem nos testemunhos e comentários de diversos personagens. Na obra de Aristóteles, as posições dos primeiros pensadores são apresentadas, principalmente, no Primeiro livro de metafísica. O discípulo e imediato sucessor de Aristóteles na direção do Liceu, Teofrasto, escreveu uma obra chamada As Opiniões dos Físicos, onde reúne as doutrinas antigas sobre os problemas da filosofia, tomando por base as indicações aristotélicas. Esses três autores são as principais fontes a que se remontam, direta ou indiretamente, todas as citações dos filósofos posteriores sobre os pensadores iniciais. E são, portanto, os principais responsáveis por uma primeira distorção do pensamento originário, surgido cerca de dois séculos antes. O título mesmo da obra do discípulo de Aristóteles indica um dos principais motivos de incompreensão: reúne os primeiros pensadores sobre a denominação “físicos” ou “fisiólogos”, já que todos escreveram acerca da physis … Acontece que, já no tempo de Platão e Aristóteles, a palavra physis, fundamental para aqueles pensadores, já não guardava seu sentido primordial de domínio de todos os domínios, de poder mais alto, do qual os próprios deuses se originavam.

Ao tempo de Platão, já a Filosofia começava a dividir-se em vários campos: physis, nomos, logos, ethos. É a Platão que se deve a divisão entre os mundos sensível e inteligível, sendo afirmada a preeminência do Mundo das Idéias. Aristóteles, por sua vez, dividiu os entes em dois tipos: entes físicos (a terra, os astros, os vegetais, os animais e, em certo sentido, o homem) e entes técnicos (produzidos pela arte, pela perícia humana). Quando, pois, Aristóteles chama os primeiros pensadores de físicos ou fisiólogos, já obscurece suas posições, já os enquadra em parâmetros que impedem sua compreensão autêntica. A designação de “fisiólogos” no vocabulário aristotélico, em que physis tem menor abrangência, reduz indevidamente o âmbito do questionamento originário.

Ao selecionar as doutrinas e interpretá-las, umas foram mais que outras valorizadas. É notória a admiração de Platão pelos pitagóricos, Parmênides e Sócrates; e sua aversão aos atomistas e aos sofistas. Tudo isso vai ter uma influência enorme, pois Platão e Aristóteles foram, sem dúvida, grandes filósofos, continuamente estudados, adquirindo grande ascendência sobre os autores árabes, judeus e cristãos.

Acresce que foi na obra destes dois gênios pagãos que as ortodoxias cristãs foram buscar apoio teórico: a de Agostinho (350-430) baseando-se em Platão e no neo-platonismo; a de Tomas de Aquino (1225-1274) estudando os textos aristotélicos (já antes escolhido pelos árabes para interpretar o Corão). Considerando que a Igreja foi o centro cultural que por mais de um milênio educou os bárbaros que formaram a Europa, é fácil perceber o predomínio exercido pela racionalidade platônico-aristotélica. E na medida em que os europeus dominaram os outros povos, essa filosofia européia constituiu-se na linha mestra da cultura ocidental.

Tendo sido escolhidos pelo clero cristão como os filósofos em que se baseou a Teologia, estes gênios pagãos foram, de certa forma, divinizados. A tradição escolástica nos fala do “divino Platão” e Aristóteles não era chamado por seu nome: dizia-se apenas “o Filósofo”. Por isso mesmo as teses por eles defendidas ganharam enorme autoridade.

Qual a conseqüência disso com relação a Heráclito e aos demais pensadores do período inaugural? As teses dos antigos que receberam aprovação de Platão e de Aristóteles, sendo em seguida consagradas pela Igreja, tiveram uma duração secular: o geocentrismo, o movimento circular dos astros, o cosmo esférico e fechado, a divisão do espaço inferior (da Terra à Lua) e superior ou etéreo (da Lua às estrelas fixas). Estas posições só foram depostas, e a muito custo, ao tempo de Copérnico, Kepler e Galileu. Giordano Bruno, que ousou afirmar que só um espaço infinito seria compatível com a infinitude de Deus, foi queimado vivo.

Ao contrário, as teses dos primeiros pensadores que não foram aceitas por Platão ou foram descartadas por Aristóteles, caíram no esquecimento ou sofreram contínuas perseguições. Os atomistas, desprezados por Platão, que contra eles move uma campanha de silêncio, só foram resgatados no Renascimento. Os sofistas, contra os quais Platão moveu cerrada luta, passaram à posteridade – mesmo os de estatura de Górgias e Protágoras – como mestres falaciosos, criadores de raciocínios falsos com aparência de verdadeiros (sofismas). Desta má fama só o século XX começa a livrá-los.

Com relação a Heráclito, o problema é mais grave. Platão julga conhecê-lo, e dota mesmo parte de suas teses. Pois teve, desde muito jovem, um mestre chamado Crátilo, que se julgava heracliteano. Esse maus discípulo passou para Platão um Heráclito distorcido e amputado de seu centro: as sentenças sobre o logos , que falam sobre o pensamento, a palavra, o conhecimento, a sabedoria, a linguagem. Crátilo ensinou a Platão que para Heráclito todos os objetos sensíveis estão em constante fluxo, transformando-se continuamente (o que está certo) e que não é possível haver conhecimento de tais entes (o que está errado). Crátilo aceita de Heráclito o mobilismo, mas diante da sentença “Não tomarás banho duas vezes no mesmo rio”, com que Heráclito aponta o constante fluir de todos os entes, pensa poder corrigi-lo afirmando não ser possível entrar no mesmo rio nem mesmo uma vez. E acrescentava que, devido à rapidez com que tudo muda, nada se pode saber, nada se pode afirmar. Se Crátilo fosse mais coerente teria permanecido calado, o que teria sido um bem para o futuro da Filosofia, pois Platão adotou a visão heracliteana do devir de todas as coisas como sendo o caráter do mundo sensível, que por isso mesmo é objeto impróprio do conhecimento; daí a necessidade da existência de um objeto próprio de conhecimento: o mundo inteligível, o Mundo das Idéias. A divisão platônica entre os mundo sensível e inteligível se instala.

Durante o predomínio secular da racionalidade platônico-aristotélica, consagrada pelas duas grandes ortodoxias cristãs de Agostinho e Tomas de Aquino, a visão heracliteana permaneceu em eclipse, pois a tese central de Heráclito não é o mobilismo levando a um completo ceticismo, e, sim, como pode o Logos gerir e captar, ver e dizer os modos e os ciclos das transformações.

Outra conseqüência grave do predomínio do pensamento platônico-aristotélico foi a maneira cristalizada de dividir os períodos da História da Filosofia, colocando estes grandes mestres como constituindo o clímax, o apogeu da Filosofia grega, e chamando de Pré-Socrático o período de dois séculos que os antecede. Parece uma denominação puramente cronológica, mas contém toda uma interpretação valorativa. Chamar Heráclito de pré-socrático é como dizer: ele faz parte daquele grupo dos que vieram antes, daqueles a quem só cabe a glória de terem sido os precursores, que devem se contentar com a honra de terem construído os degraus que permitiram que Platão e Aristóteles ascendessem à culminâncias meditativas da verdadeira Filosofia. Não é uma designação inocente. Agrupar expoentes das mais diversas áreas, da estatura de Parmênides, Empédocles, Anaxágoras, reunir neste grupo até mesmo aqueles como Demócrito e os Sofistas – contemporâneos de Sócrates – não podiam ser considerados pré-socráticos é, ao contrário, uma estratégia para obscurecer a importância e originalidade daquele momento ímpar.

Assim caíram no esquecimento o sentido de fundamentais palavras do período inaugural, poético-pensante: physis, logos, aletheia … Perdeu-se a postura mesma dos questionamentos dos pensadores originários, e os caminhos por eles abertos, se fecharam.

Resgatá-los é um trabalho atual, um esforço arqueológico de desconstrução; o trabalho de retirar capas e mais capas de preconceitos arraigados que conformaram a visão ocidental.

RETORNO DE HERÁCLITO NO PENSAMENTO CONTEMPORÂNEO

o eclipse sofrido pelos pensadores do período originário, devido ao predomínio da aceitação escolástica das obras de Platão e de Aristóteles, durou até o início da era moderna. Os humanistas da época renascentista que descobriram, traduziram e reinterpretaram textos clássicos, foram os primeiros a ter uma visão crítica com relação a cristalizada cultura ortodoxa greco-cristã. Este notável trabalho filológico, que no Renascimento provocou o retorno das teses dos atomistas e dos pitagóricos (que tanta influência exerceu sobre as hipóteses astronômicas de Copérnico, Kepler e Galileu), continuou vivo no âmbito das diversas academias e universidades, com um papel importante na formação de novos valores educacionais.

Mas foi o desenvolvimento da filologia no século XIX que trouxe de volta, com vigor extraordinário, a palavra de Heráclito. Voltado para o estudo dos grandes poetas trágicos, Friedrich Nietzsche reencontra, em seus estudos clássicos, os “pré-socráticos”. Compreendeu – à luz de um saber lingüístico incomparável – o quanto as traduções traíram o pensamento de Heráclito e de outros pensadores inaugurais, e quão impossível era continuar aceitando a visão tradicional. Filólogo e filósofo, ele reunia as raras condições que lhe permitiram repensar a cultura ocidental e denunciar o indevido predomínio da racionalidade platônico-aristotélica inserida no racionalismo da Igreja.

No começo do século XX, um outro helenista, Hermann Diels, através de um grande esforço de pesquisa filológica, reuniu extensa documentação e publicou uma obra de peso: Os Fragmentos Pré-Socráticos. Um clássico indispensável que provocou uma quantidade de estudos sobre os primeiros pensadores. Podemos dizer que hoje temos mais elementos para estudar aqueles autores antigos do que as épocas anteriores à nossa, em que inúmeras citações, notícias e comentários estavam dispersos.

O retorno de Heráclito à Filosofia Contemporânea teve, porém, seu momento inicial, antes mesmo de Nietzsche, quando Hegel, em suas Preleções Sobre A História Da Filosofia, afirmou, em meio aos mais altos elogios: ” Não existe frase de Heráclito que eu não tenha integrado à minha Lógica”.

Hegel interpreta Heráclito à luz de sua própria Filosofia. Criador de uma Lógica dialética que pensa o Absoluto como um processo, que assimila o Tempo e a História, ele se debruça sobre os fragmentos de Heráclito em contínua admiração pelo pensador que nos primórdios pode ver a concretude do devir, que não separou o mundo em sensível e inteligível, como Platão, nem fez do tempo a “imagem móvel da eternidade”.

O fato de Hegel ter enaltecido Heráclito confirma que Crátilo errou ao pensar que Heráclito considerava impossível o conhecimento.

Se Heráclito tivesse dito que não há conhecimento de um mundo que constantemente se transforma, se não tivesse, pelo contrário, afirmado que as transformações se dão segundo medidas e que está ao alcance do homem captar os modos das transformações, não teria despertado o interesse de Hegel. Conceder à razão a possibilidade de conhecer o que se transforma é conceber uma racionalidade também dinâmica. O que Hegel mais admirou em Heráclito foi ter pensado, antes dele, essa possibilidade.

Nietzsche, porém, recusa-se a ver em Heráclito um precursor da dialética hegeliana. Impossível traçar uma curva do tempo, o esquema dialético do tempo futuro. Vê em Heráclito a “suprema força da representação intuitiva”. Não o considera obscuro, e sim, luminoso. Faz de Heráclito um esteta que exclui toda moral e toda a teleologia, vendo o mundo com total inocência, um jogo, como do artista e da criança – o jogo da grande criança do mundo, Zeus. Um jogo do fogo consigo mesmo, mas onde impera o múltiplo, pois “O Um é feito de muitos” e “repousa, transformando-se”. O de Heráclito é, para Nietzsche, “um mundo de pluralidades eternas e essenciais”. Isso não impede que o conflito da pluralidade possa trazer consigo lei e direito, pois o que Heráclito viu, o segredo que vislumbrou, foi a “doutrina da lei no vir-a-ser e do jogo na necessidade”.

Estes são pensamentos de Nietzsche sobre Heráclito, expostos na obra A Filosofia na Época da Tragédia Grega, na segunda metade do século passado. Em nosso século, muitos estudiosos continuam repensando seus fragmentos, tentando traduções mais autênticas; entre eles ressalta o nome de Martin Heidegger. Em suas obras ele vem mostrando, em meio a uma poderosa meditação sobre a cultura ocidental, sua ciência e tecnologia, a importância do momento originário da Filosofia grega. Sobre Heráclito, é imprescindível citar sua conferência intitulada Logos, que lança novas luzes sobre termos que a tradição tem traduzido de forma encobridora.

Tendo denunciado o encobrimento do logos de Heráclito sob o predomínio platônico-aristotélico e apontando o seu retorno na atualidade, vamos tentar um encontro com seus aforismas, sem a menor pretensão de apresentar o verdadeiro Heráclito e sim, apenas, tentar que seus ofuscantes sinais atravessem os vinte e cinco séculos que dele nos distanciam e possam, ainda, nos tocar…

Heráclito viveu na segunda metade do século VI A.C., em Éfeso, na Jônia, Ásia Menor. Escreveu em prosa, em dialeto jônico. Consta que por ser descendente dos fundadores da cidade, poderia ter sido rei de Éfeso, mas cedeu este direito a um irmão. Descontente com seus concidadãos, afirma, no fragmento 121, que os adultos deveriam enforcar-se todos e entregar o governo aos jovens; pois os efésios haviam expulsado da cidade, Hermodoro, seu melhor homem, porque não queriam entre eles alguém tão valoroso! Heráclito deixou de intervir nas questões políticas, passando a viver solitário. Mas com as crianças gostava de lidar. Foi visto, muitas vezes, jogando com meninos. O que aprendeu com eles deixou nestes dizeres que vêm ressoando através das eras: “O Tempo é uma criança brincando; o poder real é o de um menino” (fragmento 32).

Alguns comentaristas descrevem-no como misantropo, aristocrata, elitista. De fato, afirmou (fragmento 104) que a maioria dos homens é ignorante, e diz (fragmento 49): “Um para mim vale mil se for o melhor”. Mas, por outro lado, insiste em que todos os homens podem, sem iniciação, nem ritual, atingir a sabedoria. Basta buscar conhecer-se e manter-se atento, acordado. Mas, a maioria vive como se estivesse dormindo, e, no sono, cada qual se volta para um mundo particular (conforme os fragmentos 1, 2, 72, 73, 89). De todos estes que se esquecem de atender ao logos , afirma Heráclito: “Ouvindo, descompassados, assemelham-se a surdos; o ditado lhes concerne: presentes estão ausentes” (fragmento 34). E também: “Há o que os melhores homens prefiram a tudo: a glória perene às coisas perecedouras. A grande maioria porém farta-se à maneira do gado” (fragmento 29).

Dono de um saber luminoso que se empenha em transmitir a todos e confiante em que “comum é a todos o pensar” (fragmento 113), em que “a todos é compartilhado o conhecer-se a si mesmo e pensar sensatamente” (fragmento 116), não hesita em ferir os que não enxergam o caminho próprio do homem, sua verdadeira vocação: assim como o gado é levado à força para pastar (que é a felicidade do gado), aqui Heráclito fere os humanos com sua ironia, comparando-os aos animais; e tangendo-os em direção ao prazer próprio do homem: “Pensar sensatamente é a mais elevada perfeição, e é sabedoria dizer a verdade e agir de acordo com a physis, ouvindo-a” (fragmento 112). Entretanto, “asnos preferem palha ao ouro” (fragmento 9).

Propondo uma sabedoria que cada qual deve buscar por si mesmo, usando o poder de pensar de que dispõem os humanos, ele critica as superstições, as crenças tradicionais, os rituais de sacrifícios; considera que são raros os sacrifícios puros, e tolas, em sua maioria, as práticas religiosas populares: “Purificam-se manchando-se com outro sangue … E à estátuas dirigem suas preces, como alguém que falasse com casas, ignorando o que são deuses e heróis” (fragmento 5).

Heráclito é hostil com os eruditos, pois se para atingir a sabedoria é preciso inquirir muitas coisas (conforme o fragmento 35), o saber muitas coisas não é suficiente para tornar sábio ao homem: “A erudição não confere sabedoria; do contrário seriam sábios Hesíodo, Pitágoras, Xenófanes e Hecateu” (fragmento 40).

Nega a sabedoria a estes homens famosos e considera sábios Hermodoro (que os efésios expulsaram da cidade por saber demais) e Bias: “Em Priene viveu Bias, filho de Teutames, cujo logos é maior que o dos outros” (fragmento 39).

Alguns tradutores preferem não traduzir as palavras fundamentais, e deixam permanecer em grego logos, physis, polemos, etc. Já mostramos, no início, a ampla abrangência da palavra physis, perdida já ao tempo de Aristóteles e muitas vezes traduzida por natureza. Polemos é normalmente traduzida por luta, combate; desta palavra sai polêmica, que é também combate, mas num nível diverso. Polemos é o embate primordial de que os próprios contendores emergem. Logos ultrapassa a todas as palavras em dificuldade. Em cada sentença, uma tradução seria mais que outra pertinente. Traduzem-na por razão. pensamento, percepção, sabedoria, palavra … Tem sempre uma ligação com a possibilidade de conhecer, com o modo autêntico de acontecer sabedoria, com a aparição do saber na palavra.

Voltemos a algumas frases do pensador, sobre os sentidos, a percepção, a psique: “As coisas de que [há] visão, audição, aprendizagem, só estas prefiro” (fragmento 55); “Os olhos são testemunhos mais exatos que os ouvido” (fragmento 101a). E, certamente, contra os que não confiam nos sentidos e se dedicam a mostrar os erros dos sentidos: “Maus testemunhos são para os homens olhos e ouvidos se almas bárbaras eles têm” (fragmento 107). Pois como poderíamos denunciar e corrigir os erros dos sentidos senão aprendendo seus testemunhos com uma psique capaz de ampla consideração? Ainda sobre a alma afirma: “Limites da alma não encontrarias, nem todo o caminho percorrendo; tão profundo logos ela tem” (fragmento 45), e: “De alma é [um] logos que a si próprio se acrescenta” (fragmento 115), e ainda: “Para as almas é morte tornar-se água, e para a água é morte tornar-se terra, e de terra nasce água, e de água alma” (fragmento 36). Este último fragmento é para acordarmos da ilusão de que Heráclito fala como um de nós, que nada tem de obscuro, que pode ser perfeitamente entendido; ele mesmo aceitava ser chamado de enigmático; pois enigmáticas são as coisas mesmas que tentava clarificar, e que nunca se aclararam totalmente, pois: “Physis Kriptesthai Philei” (fragmento 123): a natureza (o perene emergir) e o velamento, mutuamente se atraem. Ou seja: o desvelar-se ama o velar-se; ou ainda, na tradução usual: a natureza ama ocultar-se. É como um jogo de luz e sombras que não cabe em uma linguagem simplória, exigindo de Heráclito os atritos verbais com que tentou dar testemunho das contradições das coisas mesmas, sua conjuntura, seu equilíbrio imanente, feito de tensões, que é luta e harmonia ao mesmo tempo.

Para penetrar um pouco mais no mundo de Heráclito, apresentamos um grupo de fragmentos, alertando que são frases cuja disposição no texto original se perdeu Podemos dispô-las diversamente, construindo outros mosaicos de pensamento:

“Não de mim, mas do logos tendo é sábio homologar. Tudo é Um” (50);

“Articulações: inteiro-não-inteiro, concorde-discorde, consonante-dissonante, e de tudo um e de um tudo” (10);

“Este mundo, o mesmo para todos, não o fez nenhum dos deuses nem dos homens, mas sempre foi, é e será, um fogo sempre vivo, acendendo-se e apagando-se segundo medidas” (30);

“Transmudando-se, repousa” (84a);

“Para o deus são belas, boas e justas, todas as coisas, foram os homens que tiveram umas coisas por justas e outras por injustas” (112).

“O deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, saciedade-fome; varia como o fogo que ateado a especiarias é chamado conforme o perfume destas” (67);

“Para os homens não seria melhor se lhes sucedesse tudo quanto querem” (110);

“A doença torna agradável a saúde; a fome, a saciedade; a fadiga, o repouso” (111);

“Permuta recíproca, do fogo por todas as coisas e destas pelo fogo; tal como por ouro mercadorias e por mercadorias ouro” (90);

“O combate é de todas as coisas pai, de todas rei, a uns manifestou como deuses, a outros como homens; de uns fez escravos, de outros livres” (53);

“Devemos saber que o combate é comum a tudo e que a luta é justiça; as coisas nascem e morrem pela luta” (80);

“Harmonia invisível, à visível superior” (54);

“Não compreendem como o divergente consigo mesmo concorda; harmonia reciprocamente tensa, como a do arco e da lira” (51);

“De quantos ouvi a doutrina ninguém chega ao ponto de reconhecer que a [coisa] sábia é separada de tudo” (108);

“Há só uma coisa sábia: compreender o pensamento que, como tal, governa tudo através de tudo” (41).

Os fragmentos de Heráclito são tocantes por sua força e beleza. Ele nos fala do Um, que em si mesmo se diferencia, abrindo-se em um jogo de riqueza plural, um íntimo combate que aos próprios contendores faz surgir: deuses ou homens, livres ou escravos …

As fundamentais palavras de Heráclito, physis, logos, luta, fogo, não funcionam como conceitos abstratos, que tenhamos que primeiro definir. É outra forma de falar, de pôr à luz. Elas se apóiam umas nas outras, como para uma construção. Possuem, todas, poderosa ambivalência. Logos não se contrapõe a physis, como mais tarde o pensamento se oporá à natureza, o sujeito aos objetos, em busca da objetividade do conhecimento.

Se a physis é o domínio de todos os domínios, o logos é também da physis. Sendo ela o perene emergir, como um clarão que nunca se apaga, o logos deve estar no centro mesmo deste brilhar, e o logos humano deve auscultar, receptivo, a sua voz e fazê-la florescer em palavras.

Se a Natureza – no sentido divino e abrangente do momento inaugural – é para os primeiros gregos o Ser dos entes que vêm à existência, se é o permanente emergir, é preciso que os humanos, de olhos acesos e de alma seca e brilhante (pois a alma de brilho seco é a mais sábia …[118]) saibam cantar em obras o clarão da verdade, em templos e estátuas de mármore, e na palavra dos pensadores. Os entes só têm o sentido que apresentam (esse mar, esse sol, nossa polis, os deuses e os heróis) porque um mundo foi instaurado e cada coisa brilhou em seu lugar: o teatro e as tragédias, os navios e as muralhas, as novas leis da cidade…

Heráclito não é, principalmente, o pensador do rio fluindo sem parar. É o pensador do fogo, pois todas as coisas são uma troca pelo fogo. O fogo queima e destrói, mas nunca tudo de uma vez ao mesmo tempo, e sim metra-metra, segundo medidas. Ele garante no fragmento 30: “Este mundo não o fez nenhum deus nem homem. Sempre foi e será como um fogo sempre vivo”. O fogo aquece, constrói e destrói. Mas, sobretudo, ilumina: o fogo etéreo está no relâmpago que tudo dirige, nas almas secas, brilhantes, no brilho dos olhos abertos … Heráclito gostaria de arrancar todas as pálpebras que fecham os olhos humanos para que enxerguem o brilho do logos, para que cor-respondam (como um eco responde) com seu coração, à lei da divina physis, à lei da polis e à lei do logos da psique, que continuamente cresce…

Heráclito se orgulha de ser o artífice daquelas frases de puro fogo etéreo, que se evolaram daquele rio em que não nos podemos banhar duas vezes, cujas águas sempre em fuga paralisam os logos dos crátilos.

Ele nos conta, no fragmento 108, que descobriu uma verdade que antes dele ninguém sequer suspeitara: a Sabedoria é uma coisa separada, que detém a torrente, constrói o abrigo, produz permanência. A Sabedoria se ergue, poderosa, sobre o próprio transmudar, dizendo-o, guardando-o na Linguagem, mesmo o mais inaudito: o não-ser, o Ser, o vir-a-ser …

HERÁCLITO DE ÉFESO

Heráclito de Éfeso é um dos filósofos pré-socráticos mais importantes.  Ele leva o discurso filosófico de Tales, Anaximandro e Anaxímenes a posições decididamente mais avançadas e em grande parte novas.  Os três jônicos interessaram-se pelo problema da physis, constatando o dinamismo universal da realidade.  Todavia eles não explicitaram e não tematizaram este aspecto preciso da realidade e nem puderam refletir sobre as múltiplas implicações desse mesmo aspecto.  Foi o que fez Heráclito.

Em primeiro lugar, ele chamou a atenção para a perene mobilidade de todas as coisas.  Segundo ele, nada permanece imóvel e nada permanece em estado de fixidez e estabilidade, mas tudo se move, tudo muda, tudo se transforma, sem cessar e sem exceção (“tudo flui”), recordando a futura e famosa afirmação de Lavoisier.  Para ele, só o devir das coisas é permanente, no sentido de que as coisas não tem realidade senão justamente no perene devir.

Entretanto a filosofia de Heráclito está bem longe de se reduzir a mera proclamação do fluxo universal das coisas: esta é a constatação de partida.  Para Heráclito, o devir é um contínuo conflito dos contrários que se alternam, é uma perene luta de um contra o outro, uma guerra perpétua.  E como as coisas só têm realidade no perene devir, essa guerra se revela como o fundamento da realidade das coisas.

No entanto, essa guerra é ao mesmo tempo paz e harmonia, fazendo com que o fluir perene das coisas e o universal devir se revelem na síntese dos contrários, tornando-se o perene pacificador dos beligerantes.

Segundo Heráclito, a multiplicidade das coisas se recolhe numa unidade dinâmica superior, conforme suas próprias palavras: “De todas as coisas o um e do um todas as coisas”.  É na síntese dos opostos que está o princípio que explica toda a realidade e, por isso mesmo, é exatamente nisso que consiste Deus ou o divino.  Deus é a harmonia dos contrários, a unidade dos opostos.

Mas, enquanto nos jônicos não se atribuía inteligência ao primeiro princípio divino, fica claro que Heráclito a tenha atribuído como podemos ver em suas próprias palavras: “A natureza humana não possui conhecimentos, a natureza divina sim” e em “Só existe uma sabedoria: reconhecer a inteligência que governa todas as coisas através de todas as coisas”.

Heráclito chamou este seu princípio de lógos e, para ele, a verdade não pode consistir senão em captar, entender e exprimir esse lógos comum a todas as coisas.  Por conseqüência desse entendimento, compreende-se a sua desconfiança nos sentidos e nas opiniões comuns dos homens, desprezando o saber dos outros filósofos.

Heráclito expressou também alguns pensamentos sobre a alma, que vão além de seus predecessores.  Assim como os jônicos, ele identificou a natureza da alma com a natureza do princípio, mas adicionou a idéia de que a alma possui propriedades completamente diferentes do corpo como em: “Mesmo percorrendo todos os caminhos, jamais encontrarás os limites da alma, tão profundo é o seu lógos”.  Com isso ele quer dizer que a alma estende-se ao infinito justamente ao contrário do que é físico.

Finalmente para Heráclito, a felicidade não pode consistir nos prazeres do corpo, como ele afirma de forma sublime em “Difícil é a luta contra o desejo, pois o que este quer, compra-o a preço da alma”, adivinhando o núcleo da ética ascética do Fédon de Platão, onde saciar o corpo significa perder a alma.


Este trabalho foi publicado nos “Cadernos do ICHF” nº 07, do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade federal Fluminense, em julho de 1989.

Destas coletâneas, a mais importante é a de Hermann Diels Walther Kranz, intitulada Der Fragmenten der Vorsokratiker, cuja numeração dos fragmentos de Heráclito adotaremos neste trabalho.

Em português pode ser encontrada uma tradução dos fragmentos de Heráclito, seguindo a mesma numeração de Diels Kranz, no volume Pré-Socráticos, da série Os Pensadores, da Editora Abril Cultural.

Um grupo de Helenistas de língua francesa vem estudando meticulosamente estas relações. Cabe lembrar Marcel Detienne, Pierre Vidal-Naquet e Jean-Pierre Vernant. Deste último importa citar a obra (já traduzida para o português pela Difusão Européia do Livro) As Origens do Pensamento Grego, que incide sobre a relação entre Polis e Filosofia.

É o maior discípulo de Platão, Aristóteles, que nos conta o aqui exposto sobre Crátilo, na sua Metafísica: Cap. VI, do Primeiro Livro e Cap. V do Quarto Livro.

Fonte: rubedo.psc.br

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