Por onde começar a conhecer e estudar Filosofia.

Metafisica

ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA

A relevância e a pertinência do discurso filosófico sobre o Homem considerado em suas relações dialéticas com a realidade: o discurso filosófico sobre o Homem quer tirá-lo da inércia, da comodidade no pensar, da estagnação na mudança da realidade.

Tal discurso abre a mente do homem para ver além de suas próprias fronteiras. Vem desafiá-lo em toda sua realidade e abre questionamentos quanto ao seu modo de pensar e de agir.

Nisto está a sua relevância e pertinência. Enquanto leva o homem a pensar, a refletir, a tomar consciência do seu papel de transformador da realidade, o discurso filosófico assume sua razão de ser. Ele deve libertar o homem de toda e qualquer manipulação ou escravidão do pensar humano.

Se o homem não se questionar, não refletir sobre o seu papel como criador de história, não se inquietar com a manipulação de seu próprio pensamento frente a um discurso filosófico, ou tal homem não se abriu para uma atitude de pensador inquieto ou o discurso está nada conscientizador.

As ideologias dos poderosos tentam manipular e adulterar as histórias de cada pessoa. O homem deve ser o criador de sua própria história, mas isto só se dará mediante a conscientização de seu papel de transformador, articulador e até de criador de sua própria realidade. Por mais que tais ideologias tentem influenciar o homem não pode se entregar ao conformismo no pensar e na estagnação do fazer. É o discurso filosófico que abrirá caminhos de reflexão para que o homem se encontre e assuma sua realidade cognitiva transformadora diante do mundo em que vive e de sua própria história.

Quem é o homem?

É o protagonista de sua própria história por mais que a sociedade não o queira. É aquele que por procurar autoconhecer-se vive à espreita de interrogar-se a si mesmo. É, ao mesmo tempo, sujeito e objeto. É sujeito enquanto assume a consciência de que ninguém construirá sua história de maneira real, verdadeira e autêntuca a não ser ele mesmo. O mundo precisa ser transformado, muitas ideologias precisam ser destronadas, há muito ainda para se criar. Neste sentido, o homem assume também o papel de criador apesar de ser criatura. Enquanto criador identifica-se co o Transcendente, com o Metafísico.

Além disso, o homem também é objeto. Aqui, não como instrumento para a ratificação de ideologias dominantes. O homem é o objeto de sua própria reflexão. Somente a partir daí, vai começar a se autoconhecer. O Autoconhecimento é a fonte de equilíbrio em todos os sentidos: o homem é um ser intuitivo, cognitivo, racional, sonhador, utópico, sentimental, emotivo e prático. É a partir daí que começa todo um crescimento nas matureidades de sua vida e nos valores que vai viver.

Qual é a diferença entre o homem e os animais? Entre o animal homem e o homem animal?

Cientificamente, o cérebro humano é privilegiado, prova-se.

Podemos dizer também que o homem é o único animal ereto que existe.

Quanto ao comportamente, o homem se autodomina, autocontrola-se por ser um sujeito inteligente. É um ser comunicativo por excelência, é social. Podemos dizer, que sua capacidade cognitiva o leva a se tornar o senhor de todos os outros animais.

A essência do homem é sua inteligência prática e reflexiva, e sua capacidade de escolha. Aí está a diferença fundamental entre o homem e os outros animais. O homem é um ser de razão.

Scheler mostra que o homem possui espírito e é um ser pessoal. O que determina o espírito é a liberdade frente à vida e ao mundo. O homem vai criando, relacionando-se consigo mesmo, com os outros, com o mundo e até mesmo com o Transcendente, uma autoconsciência. Apesar disto, o homem é livre para não crer no Transcendente ou na própria vida. Daí podemos levar em consideração o que Santo Tomás de Aquino afirmava ao dizer que o homem é uma união entre corpo e alma.

Há, no entanto, uma diferença entre o animal homem e o homem animal: o animal homem é aquele que assume a razão como essência de sua vida. É, por isso, um ser pensante, reflexivo. Ora a reflexão não tem sentido se não levar a uma ação. Com isto, há a transformação da realidade vivida pelo homem de tempo em tempo. O animal homem é aquele que assume sua vida de ser pensante, criando formas de pensar, de fazer, procurando ajudar o outro numa relação cara a cara, e auto-afirmando-se como homem a cada vez que se relaciona consigo mesmo, com o outro e com Deus.

O homem animal é aquele que possui um cérebro privilegiado, mas em potência. Está parado. Precisa de um líder, de alguém que o comande. É alienado. Vive estagnado. Aceita a manipulação. Está robotizado.

Origem da Filosofia

A filosofia antiga nasceu de uma necessidade em explicar o mundo com explicações reais, sem buscar explicação no mitológico, no incompreensível; derrubando assim o mito para introduzir uma nova forma de analisar e compreender o mundo e seus fenômenos. O primeiro filósofo foi Tales de Mileto. Originalmente, todas as áreas que hoje denominamos ciências faziam parte da Filosofia: expressão, no mundo grego, de um conjunto de saber nascido em decorrência de uma atitude. E, de fato, tanto Platão, no Fédon, quanto Aristóteles, na Metafísica, puseram na atitude admirativa, no admirar tò thaumázein, e também no páthos (“um tipo de afetação, que pode ser definido como um estranhamento”), a archê da Filosofia. “No Teeteto, Sócrates diz a Teodoro que o filósofo tem um páthos, ou seja, uma paixão ou sensibilidade que lhe é própria: a capacidade de admirar ou de se deixar afetar por coisas ou acontecimentos que se dão à sua volta”. O thaumázein, assim como o páthos, têm a ver com “um bom ânimo ou boa disposição (…) que levou certos indivíduos a deixar ocupações do cotidiano para se dedicar a algo extraordinário, a produção do saber: uma atividade incomum, em geral pouco lucrativa, e que sequer os tornava moralmente melhores que os outros”.

Na arché da Filosofia também se impôs a busca pela arché do Universo.

Outros filósofos importantes desse período foram Sócrates, Platão e Aristóteles.

Período Pré-Socrático

Inicia-se no fim do século VII a.C., pressupostamente com Tales de Mileto e vai até ao fim do século V a.C., quando a filosofia se ocupa fundamentalmente com a essência do mundo e as causas das transformações na natureza. Por isso, este período é também chamado de período cosmológico, e os filósofos deste período são também denominados naturalistas.

A filosofia pré-socrática se diferencia das explicações mitológicas, pois busca explicar os fenômenos naturais com elementos na própria natureza, podendo assim ser facilmente explicada e facilmente aprendida, pois todas as explicações poderiam ser entendidas, pois qualquer um podia contemplá-las observando a natureza. Os pré-socráticos derrubaram os mitos fantasiosos e os permutaram por explicações plausíveis e prováveis.

Os filósofos pré-socráticos, portanto, se preocupavam muito com questões tais como qual seria o princípio (arché) do universo, aquilo a partir do qual tudo o mais teria sido originado – questão essa que hoje não mais comparece nos debates filosóficos, constituindo antes trabalho para os físicos.

Os principais filósofos do período pré-socrático foram Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Pitágoras, Parmênides, Heráclito e Demócrito.

Foi durante o período Pré-Socrático que surgiu o primeiro grande conflito da filosofia, entre as duas maiores correntes filosóficas do momento: Monismo X Mobilismo, representados respectivamente por Parmênides e os Filósofos Eleatas; e Demócrito, com a escola mobilista.

Entre as contribuições deixadas pelos filósofos naturalistas, destacam-se a teoria atômica, a matemática pitagórica e o Teorema de Tales.

Período Socrático

Inicia no fim do século V a.C., com Sócrates e cobre todo século IV a.C., quando a filosofia investiga as questões humanas, isto é, a ética, a política e as técnicas. Em grego, ântropos quer dizer homem, e por isso este período também é conhecido como antropológico.

Além do próprio Sócrates, também se destacaram neste período Platão e Aristóteles.

Os pensamentos desta época estão registrados principalmente nos diálogos de Platão e no conjunto da obra de Aristóteles (o corpus aristotelicum. Sócrates não deixou obra escrita. Entre o vasto legado do período, destacam-se o método socrático (a maiêutica), o mito da caverna, a teoria das formas, a noção da universidade (surgida da Academia de Platão e do Liceu de Aristóteles), a lógica, a metafísica, e importantes estudos de ética, política e retórica.

Período Sistemático

Inicia no fim do século IV a.C., e vai até ao fim do século III a.C., quando a filosofia busca reunir e sistematizar tudo quanto foi pensado sobre a cosmologia e a antropologia, interessando-se sobretudo em mostrar que tudo pode ser objeto do conhecimento filosófico, desde que as leis do pensamento e de suas demonstrações estejam firmemente estabelecidas para oferecer os critérios da verdade e da ciência.

Período Helenístico

O período helenístico, ou ainda greco-romano, inicia no fim do século III a.C. e termina com a queda do Império Romano e início da Idade Média (século VI da era cristã). Nesse longo período, a filosofia se expande da Grécia para outros centros como Roma e Alexandria e alcança o pensamento dos primeiros padres da Igreja. Ocupa-se sobretudo com as questões da ética, do conhecimento humano e das relações entre o homem e a Natureza e de ambos com Deus.

As principais escolas filosóficas helenísticas são:

Estoicismo

Epicurismo

Ceticismo

Cinismo

Em um próximo momento, estudaremos cada uma dessas escolas com mais detalhes.

Por: Cleodon Amaral de Lima, licenciado em Filosofia

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