Argumento

 

Na lógica, um argumento é um conjunto de uma ou mais sentenças declarativas, também conhecidas como proposições, ou ainda, premissas, acompanhadas de uma outra frase declarativa conhecida como conclusão.

Um argumento dedutivo afirma que a verdade de uma conclusão é uma consequência lógica das premissas que a antecedem.

Um argumento indutivo afirma que a verdade da conclusão é apenas apoiada pelas premissas.

Toda premissa, assim como toda conclusão, pode ser apenas verdadeira ou falsa; nunca pode ser ambígua.

Em função disso, as frases que apresentam um argumento são referidas como sendo verdadeiras ou falsas, e em conseqüência, são válidas ou são inválidas.

Alguns autores referem-se à conclusão das premissas usando os termos declaração, frase, afirmação ou proposição.

A razão para a preocupação com a verdade é ontológica quanto ao significado dos termos (proposições) em particular. Seja qual termo for utilizado, toda premissa, bem como a conclusão, deve ser capaz de ser apenas verdadeira ou falsa e nada mais: elas devem ser truthbearers (“portadores de verdade”, em português).

Argumentos formais e argumentos informais

Argumentos informais são estudados na lógica informal. São apresentados em linguagem comum e se destinam a ser o nosso discurso diário. Argumentos Formais são estudados na lógica formal (historicamente chamada lógica simbólica, mais comumente referida como lógica matemática) e são expressos em uma linguagem formal. Lógica informal pode chamar a atenção para o estudo da argumentação, que enfatiza implicação, lógica formal e de inferência.

Argumentos dedutivos

O argumento dedutivo é uma forma de raciocínio que geralmente parte de uma verdade universal e chega a uma verdade menos universal ou singular. Esta forma de raciocínio é válida quando suas premissas, sendo verdadeiras, fornecem provas evidentes para sua conclusão. Sua característica principal é a necessidade, uma vez que nós admitimos como verdadeira as premissas teremos que admitir a conclusão como verdadeira, pois a conclusão decorre necessariamente das premissas. Dessa forma, o argumento deve ser considerado válido. “Um raciocínio dedutivo é válido quando suas premissas, se verdadeiras, fornecem provas convincentes para sua conclusão, isto é, quando as premissas e a conclusão estão de tal modo relacionados que é absolutamente impossível as premissas serem verdadeiras se a conclusão tampouco for verdadeira” (COPI, 1978, p.35). Geralmente os argumentos dedutivos são estéreis, uma vez que eles não apresentam nenhum conhecimento novo. Como dissemos, a conclusão já está contida nas premissas. A conclusão nunca vai além das premissas. Mesmo que a ciência não faça tanto uso da dedução em suas descobertas, exceto a matemática, ela continua sendo o modelo de rigor dentro da lógica. Note que em todos os argumentos dedutivos a conclusão já está contida nas premissas.

1) Só há movimento no carro se houver combustível.

O carro está em movimento.

Logo, há combustível no carro.

2) Tudo que respira é um ser vivo.

A planta respira.

Logo, a planta é um ser vivo.

3) O som não se propaga no vácuo.

Na lua tem vácuo.

Logo, não há som na lua.

4) Só há fogo se houver oxigênio

Na lua não há oxigênio.

Logo, na lua não pode haver fogo

5)  P=Q

Q=R

Logo, P=R

Validade

Argumentos tanto podem ser válidos ou inválidos. Se um argumento é válido, e a sua premissa é verdadeira, a conclusão deve ser verdadeira: um argumento válido não pode ter premissa verdadeira e uma conclusão falsa.

A validade de um argumento depende, porém, da real veracidade ou falsidade das suas premissas e de sua conclusões. No entanto, apenas o argumento possui uma forma lógica. A validade de um argumento não é uma garantia da verdade da sua conclusão. Um argumento válido pode ter premissas falsas e uma conclusão falsa.

A Lógica visa descobrir as formas válidas, ou seja, as formas que fazer argumentos válidos. Uma Forma de Argumento é válida se e somente se todos os seus argumentos são válidos. Uma vez que a validade de um argumento depende da sua forma, um argumento pode ser demonstrado como inválido, mostrando que a sua forma é inválida, e isso pode ser feito, dando um outro argumento da mesma forma que tenha premissas verdadeiras mas uma falsa conclusão. Na lógica informal este argumento é chamado de contador.

A forma de argumento pode ser demonstrada através da utilização de símbolos. Para cada forma de argumento, existe um forma de declaração correspondente, chamado de Correspondente Condicional. Uma forma de argumento é válida Se e somente se o seu correspondente condicional é uma verdade lógica. A declaração é uma forma lógica de verdade, se é verdade sob todas as interpretações. Uma forma de declaração pode ser mostrada como sendo uma lógica de verdade por um ou outro argumento, que mostra se tratar de uma tautologia por meio de uma prova.

O correspondente condicional de um argumento válido é necessariamente uma verdade (verdadeiro em todos os mundos possíveis) e, por isso, se poderia dizer que a conclusão decorre necessariamente das premissas, ou resulta de uma necessidade lógica. A conclusão de um argumento válido não precisa ser verdadeira, pois depende de saber se suas premissas são verdadeiras.Tal conclusão não precisa ser uma verdade: se fosse assim, seria independente das premissas. Exemplo: Todos os gregos são humanos e todos os seres humanos são mortais, portanto, todos os gregos são mortais. Argumento válido, pois se as premissas são verdadeiras a conclusão deve ser verdadeira.

Exemplos

Alguns gregos são lógicos e alguns lógicos são chatos, por isso, alguns gregos são chatos. Este argumento é inválido porque todos os chatos lógicos poderiam ser romanos!

Ou estamos todos condenados ou todos nós somos salvos, não somos todos salvos por isso estamos todos condenados. Argumento válido,pois as premissas implicam a conclusão. (Lembre-se que não significa que a conclusão tem de ser verdadeira, apenas se as premissas são verdadeiras e, talvez, eles não são, talvez algumas pessoas são salvas e algumas pessoas são condenadas, e talvez alguns nem salvos nem condenados!)

Argumentos podem ser invalidados por uma variedade de razões. Existem padrões bem estabelecidos de raciocínio que tornam argumentos que os seguem inválidos; esses padrões são conhecidos como falácias lógicas.

Solidez de um argumento

Um argumento sólido é um argumento válido com as premissas verdadeiras. Um argumento sólido pode ser válido e, tendo ambas as premissas verdadeiras, deve seguir uma conclusão verdadeira.

Argumentos indutivos

Lógica indutiva é o processo de raciocínio em que as premissas de um argumento se baseiam na conclusão, mas não implicam nela. Indução é uma forma de raciocínio que faz generalizações baseadas em casos individuais.

Indução matemática não deve ser incorretamente interpretada como uma forma de raciocínio indutivo, que é considerado não-rigoroso em matemática. Apesar do nome, a indução matemática é uma forma de raciocínio dedutivo e é totalmente rigorosa.

Nos argumentos indutivos as premissas dão alguma evidência para a conclusão. Um bom argumento indutivo terá uma conclusão altamente provável. Neste caso, é bem provável que a conclusão realizar-se-á ou será válida. Diz-se então que as premissas poderão ser falsas ou verdadeiras e as conclusões poderão ser válidas ou não válidas. Segundo John Stuart Mill, existem algumas regras que se aplicam aos argumentos indutivos, que são: O método da concordância, o método da diferença, e o método das variações concomitantes.

Argumentação convincente

Um argumento é convincente se e somente se a veracidade das premissas tornar verdade a provável conclusão (isto é, o argumento é forte), e as premissas do argumento são, de fato, verdadeiras. Exemplo:

Nada Saberei se nada tentar.

Falácias e não argumentos

Uma falácia é um argumento inválido que parece válido, ou um argumento válido com premissas “disfarçadas”. Em primeiro Lugar, as conclusões devem ser declarações, capazes de serem verdadeiras ou falsas. Em segundo lugar não é necessário afirmar que a conclusão resulta das premissas. As palavras, “por isso”, “porque”, “normalmente” e “consequentemente” separam as premissas a partir da conclusão de um argumento, mas isto não é necessariamente assim. Exemplo: “Sócrates é um homem e todos os homens são mortais, logo, Sócrates é mortal”. Isso é claramente um argumento, já que é evidente que a afirmação de que Sócrates é mortal decorre das declarações anteriores. No entanto: “eu estava com sede e, por isso, eu bebi” não é um argumento, apesar de sua aparência. Ele não está reivindicando que eu bebi por causa da sede, eu poderia ter bebido por algum outro motivo.

Argumentos elípticos

Muitas vezes um argumento não é válido, porque existe uma premissa que necessita de algo mais para torná-lo válido. Alguns escritores, muitas vezes, deixam de fora uma premissa estritamente necessária no seu conjunto de premissas se ela é amplamente aceita e o escritor não pretende indicar o óbvio. Exemplo: Ferro é um metal, por isso, ele irá expandir quando aquecido. (premissa descartada: todos os metais se expandem quando aquecidos). Por outro lado, um argumento aparentemente válido pode ser encontrado pela falta de uma premissa – um “pressuposto oculto” – o que se descartou pode mostrar uma falha no raciocínio. Exemplo: Uma testemunha fundamentada diz “Ninguém saiu pela porta da frente, exceto o pastor, por isso, o assassino deve ter saído pela porta dos fundos”. (hipótese que o pastor não era o assassino).

Retórica, dialética e diálogos argumentativos

Considerando que os argumentos são formais (como se encontram em um livro ou em um artigo de investigação), os diálogos argumentativos são dinâmicos. Servem como um registro publicado de justificação para uma afirmação. Argumentos podem também ser interativos tendo como interlocutor a relação simétrica. As premissas são discutidas, bem como a validade das inferências intermediárias.

A retórica é a técnica de convencer o interlocutor através da oratória, ou outros meios de comunicação. Classicamente, o discurso no qual se aplica a retórica é verbal, mas há também — e com muita relevância — o discurso escrito e o discurso visual.

Dialética significa controvérsia, ou seja, a troca de argumentos e contra-argumentos defendendo proposições. O resultado do exercício poderá não ser pura e simplesmente a refutação de um dos tópicos relevantes do ponto de vista, mas uma síntese ou combinação das afirmações opostas ou, pelo menos, uma transformação qualitativa na direção do diálogo.

Argumentos em várias disciplinas

As declarações são apresentadas como argumentos em todas as disciplinas e em todas as esferas da vida. A Lógica está preocupada com o que consititui um argumento e quais são as formas de argumentos válidos em todas as interpretações e, portanto, em todas as disciplinas. Não existem diferentes formas válidas de argumento, em disciplinas diferentes.

Argumentos matemáticos

A base de verdade matemática tem sido objeto de um longo debate. Frege procurou demonstrar, em particular, que as verdades aritméticas podem ser obtidas a partir de lógicas puramente axiomáticas e, por conseguinte, são, no final, lógicas de verdades. Se um argumento pode ser expresso sob a forma de frases em Lógica Simbólica, então ele pode ser testado através da aplicação de provas. Este tem sido realizado usando Axioma de Peano. Seja como for, um argumento em Matemática, como em qualquer outra disciplina, pode ser considerado válido apenas no caso de poder ser demonstrado que é de uma forma tal que não possa ter verdadeiras premissas e uma falsa conclusão.

Argumentos políticos

Um argumento político é um exemplo de uma argumentação lógica aplicada a política. Argumentos Políticos são utilizados por acadêmicos, meios de comunicação social, candidatos a cargos políticos e funcionários públicos. Argumentos políticos também são utilizados por cidadãos comuns em interações de comentar e compreender sobre os acontecimentos políticos

Implicação

Na lógica e na matemática, a implicação, ou condicional é a indicação do tipo “SE…ENTÃO”, indicando que uma condição deve ser satisfeita necessariamente para que a outra seja verdadeira. Por exemplo, a expressão: “Se João esquia, Maria nada” é uma implicação.

Na lógica booleana, as implicações retornam FALSO se, e somente se, o antecedente é VERDADEIRO e o conseqüente é FALSO.

Tabela Verdade SE…ENTÃO / SI…TUNC / IF…THEN
Entrada1 Entrada2 Saída
VERDADEIRO VERDADEIRO VERDADEIRO
VERDADEIRO FALSO FALSO
FALSO VERDADEIRO VERDADEIRO
FALSO FALSO VERDADEIRO

 

Inferência

Inferência, em Lógica, é o ato ou processo de derivar conclusões lógicas de premissas conhecida ou decididamente verdadeiras. A conclusão também é chamada de idiomática.

Definição

O processo pelo qual uma conclusão é inferida a partir de múltiplas observações é chamado processo indutivo. A conclusão pode ser correta , incorreta, correta dentro de um certo grau de precisão, ou correta em certas situações. Conclusões inferidas a partir de observações múltiplas podem ser testadas por observações adicionais.

Exemplos de Inferência

Filósofos gregos definiram uma série de silogismos, corrigir três inferências de peças, que podem ser usados ​​como blocos de construção para o raciocínio mais complexo. Começamos com o mais famoso de todos eles:

Todos os homens são mortais Sócrates é um homem Portanto, Sócrates é mortal.

O leitor pode verificar que as premissas e a conclusão são verdadeiras, mas a lógica segue junto com inferência: a verdade da conclusão segue da verdade das premissas? A validade de uma inferência depende da forma da inferência. Isto é, a palavra “válido” não se refere à verdade das premissas ou a conclusão, mas sim a forma da inferência. Uma inferência pode ser válida, mesmo se as partes são falsos, e pode ser nulo, mesmo se as peças são verdadeiras. Mas uma forma válida e com premissas verdadeiras sempre terá uma conclusão verdadeira.

Considere o seguinte exemplo:

Todos os frutos são doces.

A banana é uma fruta.

Portanto, a banana é doce.

Para a conclusão ser necessariamente verdadeira, as premissas precisam ser verdadeiras.

Agora nos voltamos para um forma inválida.

Todo A é B.

C é um B.

Portanto, C é um A.

Para mostrar que esta forma é inválida, buscamos demonstrar como ela pode levar a partir de premissas verdadeiras para uma conclusão falsa.

Todas as maçãs são frutas. (Correto)

Bananas são frutas. (Correto)

Portanto, as bananas são maçãs. (Errado)

Um argumento válido com premissas falsas podem levar a uma falsa conclusão:

Todas as pessoas gordas são gregas.

John Lennon era gordo.

Portanto, John Lennon era grego.

Quando um argumento válido é usado para derivar uma conclusão falsa de premissas falsas, a inferência é válida, pois segue a forma de uma inferência correta. Um argumento válido pode também ser usado para derivar uma conclusão verdadeira a partir de premissas falsas:

Todas as pessoas gordas são músicos

John Lennon era gordo

Portanto, John Lennon era um músico

Neste caso, temos duas falsas premissas que implicam uma conclusão verdadeira.

Inferência incorreta

Uma inferência incorreta é conhecida como uma falácia. Os filósofos que estudam lógica informal compilaram grandes listas deles, e os psicólogos cognitivos têm documentado muitas vieses de raciocínio humano que favorecem o raciocínio incorreto.

Inferência lógica automática

Os sistemas de IA primeiro providenciaram “inferência lógica automática”. Uma vez que estes já foram temas de investigação extremamente popular, levaram a aplicações industriais sob a forma de sistemas especialistas e depois “business rule engines”.

O trabalho de um sistema de inferência é a de estender uma base de conhecimento automaticamente. A base de conhecimento (KB) é um conjunto de proposições que representam o que o sistema sabe sobre o mundo. Várias técnicas podem ser utilizadas pelo sistema para estender KB por meio de inferências válidas.

Escada da inferência

Essa teoria foi desenvolvida com maior profundidade por Chris Argyris, através de uma pesquisa científica em 1990, com o título de Escada da Inferência (Ladder of Inference), e define que adotamos crenças baseadas em conclusões inferidas a partir do que observamos e nem sempre comprovadas, acrescidas por experiências passadas, de conformidade com o que distingue também, segundo alguns matemáticos, como “Efeito borboleta”, na interpretação do chamado “Caos’, que em chinês antigo, tinha como interpretação uma letra, que era o “reinício”… ”

A partir dessas pesquisas baseadas em anteriores pensamentos, Argyris descobriu que toda pessoa tem a tendência de subir a Escada da Inferência rápido demais, no sentido também enpregado na Estatística, ou seja, na chamada “Matemática – aplicada (sentido Puro – Filosófico)” -; Portanto, “- Quase instantaneamente após ver ou ouvir alguem falar ou agir”; as pessoas absorvem “e somam as novas observações/informações com seu conjunto de suposições já existentes “, – algumas vezes incitando ações que têm apenas… -… … -… “uma relação distante em relação ao que foi originalmente observado ou ouvido…” – E…

… Quando à “dinâmica – da – escalada” acontece dentro de um contexto – social e/ou organizacional… – É, por assim dizer,… criado um ambiente “de conflitos”,- podendo ser facilmente agravados pelas suposições assumidas. Princípio da Inferência Matemática (chamada Pura) pois na antiga Grécia a Matemática Pura foi considerada religião e política de Estado, vide obras nessa área de pensamento filosófico, Livro “Inferência” do Econometrista e Matemático Mário Henrique Simonsen, na obra editoriada pela FGV, Rio de Janeiro, 1960.

A escada teria o formato abaixo – lembrando que, como subir uma escada, a leitura deve ser feita de baixo para cima:

Eu ajo de acordo com minhas crenças.

Eu adoto crenças sobre o mundo.

Eu tiro conclusões.

Eu faço suposições baseadas nos significados que absorvi.

Eu absorvo significados (culturais e pessoais).

Eu seleciono dados a partir do que observo.

Todas as informações do mundo – dados e experiências observáveis

NB. Minhas crenças influenciam os dados que seleciono.

Bi-implicação

Existe um caso especial de implicação em que as duas condições precisam ser mutuamente satisfeitas para serem verdadeiras, como por exemplo a expressão: “João esquia, se, e somente se, Maria nada”.

Tabela Verdade SE E SOMENTE SE / SI ET SOLITER SI / IF AND ONLY IF
Entrada1 Entrada2 Saída
VERDADEIRO VERDADEIRO VERDADEIRO
VERDADEIRO FALSO FALSO
FALSO VERDADEIRO FALSO
FALSO FALSO VERDADEIRO

 

Forma de um argumento

Os argumentos lógicos, em geral, possuem uma certa forma (estrutura). Uma estrutura pode ser criada a partir da substituição de palavras diferentes ou sentenças, que geram uma substituição de letras (variáveis lógicas) ao logo das linhas da álgebra.

Um exemplo de um argumento:

(1) Todos os humanos são mentirosos. João é humano. Logo, João é mentiroso.

Podemos reescrever o argumento separando cada sentença em sua determinada linha:

(2) Todo humano é mentiroso.

(3) João é humano.

(4) Logo, João é mentiroso.

Substituimos os termos similares de (2-4) por letras, para mostrar a importância da noção de forma de argumento a seguir:

(5) Todo H é M.

(6) J é H.

(7) Logo, J é M.

O que fizemos em C foi substituir “humano” por “H”, “João” por “J” e “mentiroso” por “M”, como resultado dessas alterações temos que (5-7) é uma forma do argumento original (1), ou seja (5-7) é a forma de argumento de (1). Além disso, cada sentença individual de (5-7) é a forma de sentença de uma respectiva sentença em (1).

Vale enfatizar que quando dois ou mais argumentos têm a mesma forma, se um deles é válido, todos os outros também são, e se um deles é inválido, todos os outros também são.

Falácia

Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso.

Reconhecer as falácias é por vezes difícil. Os argumentos falaciosos podem ter validade emocional, íntima, psicológica, mas não validade lógica. É importante conhecer os tipos de falácia para evitar armadilhas lógicas na própria argumentação e para analisar a argumentação alheia.

É importante observar que o simples fato de alguém cometer uma falácia não invalida toda a sua argumentação. Ninguém pode dizer: “Li um livro de Rousseau, mas ele cometeu uma falácia, então todo o seu pensamento deve estar errado”. A falácia invalida imediatamente o argumento no qual ela ocorre, o que significa que só esse argumento específico será descartado da argumentação, mas pode haver outros argumentos que tenham sucesso. Por exemplo, se alguém diz:

“O fogo é quente e sei disso por dois motivos: 1. ele é vermelho; e 2. medi sua temperatura com um termômetro”.

Nesse exemplo, foi de fato comprovado que o fogo é quente por meio da premissa 2. A premissa 1 deve ser descartada como falaciosa, mas a argumentação não está de todo destruída.

Tipologia das falácias

Acidente:

Quando se considera essencial o que é apenas acidental.

Ex.: A maior parte dos políticos é corrupta. Então a política é corrupta.

Inversão do acidente:

Tomar uma exceção como regra.

Ex.: Se deixarmos os doentes terminais usarem heroína, devemos deixar todos usá-la.

Afirmação do consequente:

Essa falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do modus ponens (afirmação do antecedente) nem do modus tollens (negação do consequente). A sua forma categórica é:

Se A, então B.

B

Então A.

Ex.: Se há carros, então há poluição. Há poluição. Logo, há carros.

Carros são uma causa para poluição, não a única causa.

Negação do antecedente:

Essa falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do modus ponens (afirmação do antecedente) nem do modus tollens (negação do consequente). A sua forma categórica é:

Se A, então B.

Não A

Então não B.

Ex.: Se há carros, então há poluição. Não há carros. Logo, não há poluição.

Carros são uma causa suficiente para poluição, não a única causa.

Anfibologia ou ambiguidade:

Ocorre quando as premissas usadas no argumento são ambíguas devido à má elaboração sintática.

Ex.:

Venceu o Brasil a Argentina.

Ele levou o pai ao médico em seu carro.

Quem venceu? Que carro?

Apelo à autoridade anônima:

Fazer afirmações recorrendo a autoridades sem citar a fonte.

Ex.: Os peritos dizem que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear é estar preparado para ela.

Que peritos?

Apelo à emoção:

Recorrer à emoção para validar o argumento.

Ex.: Apelo ao júri para que contemple a condição do réu. Um homem sofrido que agora passa pelo transtorno de ser julgado em tribunal.

Apelo à novidade:

Argumentar que o novo é sempre melhor.

Ex.: Na filosofia, Sócrates já está ultrapassado. É melhor Sartre, pois é mais recente.

Apelo à antiguidade ou tradição:

Afirmar que algo é verdadeiro ou bom porque é antigo ou “sempre foi assim”.

Ex.: Se o meu avô diz que Garrincha foi melhor que Pelé, deve ser verdade.

Apelo à vaidade:

Provocar a vaidade do oponente para vencê-lo.

Ex.: Não acredito que uma pessoa culta como você acredita nesta teoria.

Apelo ao preconceito:

Associar valores morais a uma pessoa ou coisa para convencer o adversário.

Ex.: Uma pessoa religiosa como você não é capaz de argumentar racionalmente comigo.

A pessoa é estigmatizada.

Apelo ao ridículo:

Ridicularizar um argumento como forma de derrubá-lo.

Ex.: Se a teoria da evolução fosse verdadeira, significaria que o seu tataravô seria um gorila

Apelo à força:

Utilização de algum tipo de privilégio, força, poder ou ameaça para impor a conclusão.

Ex.: Acredite no que eu digo, não se esqueça de quem é que paga o seu salário.

Apelo à consequência:

Considerar uma premissa verdadeira ou falsa conforme sua consequência desejada.

Ex.:

Se Deus existe, então temos direito à vida eterna. Cobiçamos a vida eterna. Então Deus existe.

Se Deus não existe, não precisamos temer punições no pós-vida. Não cobiçamos penas no pós-vida. Então, Deus não existe.

A premissa é válida porque a conclusão nos agrada.

Apelo à riqueza:

Essa falácia é a de acreditar que dinheiro é fator de estar correto. Aqueles mais ricos são os que provavelmente estão certos.

Ex.: O Barão é um homem vivido e conhece como as coisas funcionam. Se ele diz que é bom, há de ser.

Apelo ao Lucro:

Considerar uma premissa verdadeira ou falsa conforme sua consequência financeira.

Ex.:

Se o aquecimento global for verdade, então muitos cientistas vão ganhar dinheiro para pesquisas e muitas empresas vão lucrar milhões, para produzir energia de fontes que não emitem dióxido de carbono: Portanto o aquecimento global não é verdade.

Se o aquecimento global for verdade, então países pobres, ou em desenvolvimento vão ter prejuízo por não explorar suas jazidas de petróleo e carvão: Portanto o aquecimento global não é verdade.

A premissa é válida ou invalida porque a conclusão vai trazer lucro, ou vai trazer prejuizo financeiro.

Ataque ao argumentador:

Em vez de o argumentador provar a falsidade do enunciado, ele ataca a pessoa que fez o enunciado.

Ex.: Se foi um burguês quem disse isso, certamente é engodo.

Apelo à ignorância:

Tentar provar algo a partir da ignorância quanto à sua validade.

Ex.: Ninguém conseguiu provar que Deus existe, logo ele não existe.

Ou o contrário,

Ex.: Ninguém conseguiu provar que Deus não existe, logo ele existe.

Argumentum ad lapidem:

Desqualificar uma afirmação como absurda, mas sem provas.

Ex.: João, ministro da educação, é acusado de corrupção e defende-se dizendo: ‘Esta acusação é um disparate’.

Baseado em quê?

Apelo à pobreza:

Oposto ao ad Crumenam. Essa é a falácia de assumir que, apenas porque alguém é mais pobre, então é mais virtuoso e verdadeiro.

Ex.: Joãozinho é pobre e deve ter sofrido muito na vida. Se ele diz que isso é uma cilada, eu acredito.

Apelo ao medo:

Apelar ao medo para validar o argumento.

Ex.: Vote no candidato tal, pois o candidato adversário vai trazer a ditadura de volta.

Apelo à misericória:

Consiste no recurso à piedade ou a sentimentos relacionados, tais como solidariedade e compaixão, para que a conclusão seja aceita, embora a piedade não esteja relacionada com o assunto ou com a conclusão do argumento. Do argumento ad misericordiam deriva o argumentum ad infantium – “Faça isso pelas crianças”. A emoção é usada para persuadir as pessoas a apoiar (ou intimidá-las a rejeitar) um argumento com base na emoção, mais do que em evidências ou razões.

Repetição nauseante:

É a aplicação da repetição constante e a crença incorreta de que, quanto mais se diz algo, mais correto está.

Ex.: Se Joãozinho diz tanto que sua ex-namorada é uma mentirosa, então ela é.

Apelo ao povo ou à maioria:

É a tentativa de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas.

Ex.: Inúmeras pessoas acreditam em Deus, portanto Deus existe.

Apelo à temperança:

Recorrer ao meio-termo sem razão.

Ex.: Não temos relógio, mas alguns estão dizendo que são dez horas e outros dizem que são seis horas, então é mais acertado supor que são oito horas.

Apelo à autoridade ou Magister dixit (Meu mestre disse):

Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa.

Ex.: Se Aristóteles disse isto, então é verdade.

Argumentum verbosium (prova por verbosidade):

Tentativa de esmagar os envolvidos pelo discurso prolixo, apresentando um enorme volume de material. Superficialmente, o argumento parece plausível e bem pesquisado, mas é tão trabalhoso desembaraçar e verificar cada fato comprobatório que pode acabar por ser aceite sem ser contestado.

Bola de neve:

Elaborar uma sucessão de premissas e conclusões que conduzem ao absurdo.

Ex.: Se aprovarmos leis contra as armas automáticas, não demorará muito até aprovarmos leis contra todas as armas e então começaremos a restringir todos os nossos direitos. Acabaremos por viver num estado totalitário. Portanto não devemos banir as armas automáticas.

Bulverismo:

Argumentar partindo do pressuposto de que o oponente já está comprovadamente errado.

Ex.:

Você está dizendo que a Bíblia é correta? Nem vou discutir com você, parei. Sabemos que a ciência comprovadamente explica tudo corretamente.

Se você não acredita que a Bíblia é infalível, já perdeu o argumento, pois é óbvio que ela é.

É egocentrismo ideológico.

Causa complexa:

Supervalorizar uma causa quando há várias, ou um sistema de causas.

Ex.: O acidente não teria ocorrido se não fosse a má localização do arbusto.

Houve muitas outras causas.

Causa diminuta:

Apontar uma causa irrelevante.

Ex.: Fumar causa a poluição do ar em Edmonton.

A causa maior é a poluição industrial e dos automóveis.

Círculo vicioso:

É a tentativa de provar uma conclusão com base em um ponto de partida não demonstrado.

Ex.: A inflação diminui o poder dos salários, temos que aumentar os salários, mas fazendo-o, teremos que aumentar os preços para pagá-los, o que aumentará a inflação.

Ex.: A polícia me passou uma multa porque não gosta de mim. E a prova de que eles não gostam de mim é terem me passado uma multa.

Complexo do pombo enxadrista:

Proclamar vitória, dando a entender que venceu a discussão, sem ter conseguido realmente apresentar bons argumentos.

Conclusão irrelevante:

Obter uma conclusão com que nem todos concordam.

Ex.: A lei deve estipular um sistema de cotas nas eleições para que as mulheres possam ocupar mais cargos políticos. Os cargos são dominados por homens e não fazer algo para mudar essa situação é inaceitável. Necessitamos de uma sociedade mais igualitária.

Definição circular:

Definir um termo usando o próprio termo que está sendo definido.

Ex.: A Bíblia é a Palavra de Deus porque ela diz que é.

Definição contraditória:

Definir algo com termos que se contradizem.

Ex.: Para serem livres, submetam-se a mim.

Definição muito ampla:

Ex.: Uma maçã é um objeto vermelho e redondo.

Mas o planeta Marte também é vermelho e redondo.

Definição muito restrita:

Ex.: Uma maçã é um objeto vermelho e redondo.

Mas há maçãs que não são vermelhas.

Definição obscura:

Definir algo em termos imprecisos ou incompreensíveis.

Ex.: Vida é a borboleta sublime que bate suas asas dentro de nós.

Deus das lacunas:

Responder a questões sem solução com explicações sobrenaturais e/ou que não podem ser comprovadas.

Ex.: Os passageiros do avião sobreviveram porque Deus interveio no acidente.

Dicto simpliciter (regra geral):

Ocorre quando uma regra geral é aplicada a um caso particular onde a regra não deveria ser aplicada.

Ex.: Se você matou alguém, deve ir para a cadeia.

Não se aplica a certos casos.

Generalização apressada (falsa indução):

É o oposto do Dicto simpliciter. Ocorre quando uma regra específica é atribuída ao caso genérico.

Ex.: Minha namorada me traiu. Logo, as mulheres tendem à traição.

Distorção de fatos:

Mascarar os verdadeiros fatos.

Ex.: O segredo da minha força são os cabelos.

É omissão de informação.

Egocentrismo ideológico:

Realizar um argumento de forma parcial e tendenciosa.

Ex.: O comunismo é o ideal, pois Trotsky disse que…

Ênfase:

Acentuar uma palavra para sugerir o contrário.

Ex.: Hoje o capitão estava sóbrio (sugerindo embriaguez).

Equívoco:

Usar uma afirmação com significado diferente do que seria apropriado ao contexto.

Ex.: Os assassinos de crianças são desumanos. Portanto, os humanos não matam crianças.

Joga-se com os significados das palavras.

Esnobismo cronológico:

Ocorre quando o pensamento, arte ou ciência de um período histórico anterior é tido como inevitavelmente inferior, quando comparado com o presente.

Ex: A é um argumento antigo, da época em que as pessoas também acreditavam em B. Se B é claramente falso, A também é falso.

Estilo sem substância:

Validar um argumento por sua beleza estética ou pela elegância do argumentador.

Ex.: Trudeau sabe dirigir as massas. Ele deve ter razão.

Evidência anedótica:

Refere-se a uma evidência informal na forma de anedota (conto, episódio, derivado do grego anékdota, significando ‘coisas não publicadas’), ou de “ouvir falar”. A evidência anedótica é chamada de testemunho.

Ex.: Há provas abundantes de que Deus existe e de que continua produzindo milagres hoje. Na semana passada, li sobre uma menina que estava morrendo de câncer. Sua família inteira foi à igreja e rezou e ela se curou.

Explicação incompleta:

Ex.: As pessoas tornam-se esquizofrênicas porque as diferentes partes dos seus cérebros funcionam separadas.

Explicação superficial:

Usar classificações para tirar conclusões.

Ex.: A minha gata Elisa gosta de atum porque é uma gata.

Expulsão do Grupo (falácia do escocês):

Fazer uma afirmação sobre uma característica de um grupo e, quando confrontado com um exemplo contrário, afirmar que este exemplo não pertence realmente ao grupo.

Ex.:
– Nenhum escocês coloca açúcar em seu mingau.
– Ora, eu tenho um amigo escocês que faz isso.
– Ah, sim, mas nenhum escocês de verdade coloca.

Falácia da divisão (tomar a parte pelo todo):

Oposto da falácia de composição.

Supõe que uma propriedade do todo é aplicada a cada parte.

Ex.: Você deve ser rico, pois estuda em um colégio de ricos.

Falácia de composição (tomar o todo pela parte):

É o fato de concluir que uma propriedade das partes deve ser aplicada ao todo.

Ex.: Todas as peças deste caminhão são leves; logo, o caminhão é leve.

Falácia da pressuposição:

Consiste na inclusão de uma pressuposição que não foi previamente esclarecida como verdadeira, ou seja, na falta de uma premissa.

Ex.: Você já parou de bater na sua esposa?

É uma pergunta maliciosa.

Falácia da probabilidade condicionada:

Ocorre quando expõem estatísticas e probabilidades sem oferecer o contexto necessário para sua interpretação, confundem-se probabilidades condicionais, invertendo-as ou tratando-as como se fossem incondicionais.

Ex.: Os jurados foram expostos à chance de o marido vir a matar a mulher, sendo que ele a espancava (1 em 1.000, de qualquer forma muito mais alta que o risco de uma mulher ser morta por um marido que não a espanca, ou por um estranho qualquer na rua), quando o dado relevante, diante do fato consumado (a esposa já tinha sido assassinada)era “qual a chance de a mulher ter sido morta pelo marido, dado que ele a espancava”.

Falácia de validação pessoal (efeito Forer):

Avaliar algo ou alguém com critérios genéricos, dando a entender que essa avaliação é individual.

Falácia do espantalho:

Consiste em criar idéias reprováveis ou fracas, atribuindo-as à posição oposta.

Ex.:

Deveríamos abolir todas as armas do mundo. Só assim haveria paz verdadeira.

Meu adversário, por ser de um partido de esquerda, é a favor do comunismo radical e quer retirar todas as suas posses, além de ocupar as suas casas com pessoas que você não conhece.

O outro é convertido num monstro, um espantalho.

Falácia genética:

Consiste em aprovar ou desaprovar algo baseando-se unicamente em sua origem.

Ex.: Você gosta de chocolate porque seu antepassado do século XVIII também gostava.

Aponta-se a causa remota como o fator de validade.

Falácia nomotética:

Consiste na crença de que uma questão pode ser resolvida simplesmente dando-lhe um novo nome, quando na realidade, a questão permanece sem solução.

Falacia non causae ut causae (falácia da falsa proclamação de vitória ou tratar como prova o que não é prova):

Consiste na declaração de vitória, servindo-se de respostas fracas ou incompletamente respondidas pelo adversário, quando efetivamente os argumentos próprios não provaram logicamente a posição. É semelhante à do pombo enxadrista.

Falácias tipo “A” baseado em “B” (outro tipo de conclusão sofismática):

Ocorrem dois fatos. São colocados como similares por serem derivados ou similares a um terceiro fato.

Ex.:

O islamismo é baseado na fé.

O cristianismo é baseado na fé.

Logo, o islamismo é similar ao cristianismo.

É uma falsa aplicação do princípio do silogismo.

Falsa causa:

Afirma que, apenas porque dois eventos ocorreram juntos, eles estão relacionados.

Ex: Nota-se uma maior frequência de erros de português em sala de aula desde o início das redes sociais e o uso do internetes. O advento das redes sociais vem degenerando o uso do português correto.

Falta mostar uma pesquisa que o comprove.

Falsa dicotomia (bifurcação):

Também conhecida como falácia do branco e preto ou do falso dilema. Ocorre quando alguém apresenta uma situação com apenas duas alternativas, quando de fato outras alternativas existem ou podem existir.

Ex.: Se você não está a favor de mim, então está contra mim.

Ignoratio elenchi (conclusão sofismática) ou falácia da conclusão irrelevante:

Consiste em utilizar argumentos que podem ser válidos para chegar a uma conclusão que não tem relação alguma com os argumentos utilizados.

Ex.: Os astronautas do Projeto Apollo eram bem preparados, todos eram excelentes aviadores e tinham boa formação acadêmica e intelectual, além de apresentarem boas condições físicas. Logo, foi um processo natural os Estados Unidos ganharem a corrida espacial contra a União Soviética, pois o povo americano é superior ao povo russo.

Só a conclusão é discutível.

Inconsistência:

Construir um raciocínio com premissas contraditórias.

Ex.: John é maior do que Jake e Jake é maior do que Fred, enquanto Fred é maior do que John.

Qual é maior?

Invenção de fatos:

Consiste em mentir ou formular informações imprecisas.

Ex.: A causa da gripe é o consumo de arroz.

Inversão de causa e efeito:

Considerar um efeito como uma causa.

Ex.: A propagação da AIDS foi provocada pela educação sexual.

Inversão do ônus da prova:

Quando o argumentador transfere ao seu opositor a responsabilidade de comprovar o argumento contrário, eximindo-se de provar a base do seu argumento.

Lembrando que o ônus da prova inicial cabe sempre a quem faz a afirmação primária positiva.

Ex.: Dragões existem, porque ninguém conseguiu provar que eles não existem.

No caso acima, o ônus da prova recairá sobre quem fez a afirmação de que dragões existem.

Ex.: Dragões não existem porque ninguém conseguiu provar que eles existem.

Ausência de evidência não significa evidência de ausência, no entanto o ônus da prova permanece subentendido para quem afirma que dragões existem, enquanto não houver a defesa da tese primária positiva, pois não é necessário nem possível provar que algo não existe se não há demonstração positiva de que exista.

Non sequitur (não segue):

Tipo de falácia na qual a conclusão não se sustenta nas premissas. Há uma violação da coerência textual.

Ex.: Que nome complicado tem este futebolista. Deve jogar muita bola.

Pergunta complexa:

Insinuação por meio de pergunta.

Ex.: Apoias a liberdade e o direito de andar armado?

São duas peguntas numa só.

Petitio principii:

Demonstrar uma tese partindo do princípio de que já é válida.

Ex.: É fato que a Bíblia é infalível, portanto todos devem buscar nela a verdade.

A premissa foi tomada como verdadeira sem prova.

Plurium interrogationum:

Ocorre quando se exige uma resposta simples a uma questão complexa.

Ex.: O que faremos com esse criminoso? Matar ou prender?

É um falso dilema.

Depois disso, por causa disso:

Consiste em dizer que, pelo simples fato de um evento ter ocorrido logo após o outro, eles têm uma relação de causa e efeito. Porém, correlação não implica causalidade.

Ex.: O Japão rendeu-se logo após a utilização das bombas atômicas por parte dos Estados Unidos. Portanto, a paz foi alcançada devido à utilização das armas nucleares.

Red Herring:

Falácia cometida quando material irrelevante é introduzido no assunto discutido para desviar a atenção e chegar a uma conclusão diferente.

Ex.: Será que o palhaço é o assassino? No ano passado, um palhaço matou uma criança.

Redução ao absurdo:

Consiste em averiguar uma hipótese, chegando a um resultado absurdo, para depois tentar invalidar essa hipótese.

É um jogo de raciocínios para tentar fazer o primeiro contraditório.

Ex.:
– Você deveria respeitar a crença de C porque todas as crenças são de igual validade e não podem ser negadas.
– Eu recuso que todas as crenças sejam de igual validade. De acordo com sua declaração, essa minha crença é válida, como todas as outras crenças. Contudo, sua afirmação também contradiz e invalida a minha, sendo exatamente o oposto dela.

O outro caiu em contradição.

Redução ao nazismo:

Invalidar um argumento pela comparação com Hitler ou o nazismo.

Ex.: Hitler acreditava em Deus, então os crentes não devem ser boas pessoas.

Reificação:

Ocorre quando um conceito abstrato é tratado como coisa concreta.

Ex.: A tristeza de Joãozinho é a culpada por tudo.

Teoria irrefutável:

Informar um argumento com uma hipótese que não pode ser testada.

Ex.: Ganhei na loteria porque estava escrito no livro do destino.

Terceira causa:

Ignorar a existência de uma terceira causa não levada em conta nas premissas.

Ex.: Estamos vivendo uma fase de elevado desemprego, que é provocado por um baixo consumo.

Há uma causa tanto para o desemprego como para o baixo consumo.

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