Sofistas – Pensamento Político de Aristóteles, Platão e Sócrates

Os mitos gregos eram recolhidos pela tradição e transmitidos oralmente pelos medos e lapsodos, cantores ambulantes que davam forma poética a esses relatos e os recitavam de cor em praça pública.

A grande aventura intelectual não começa propriamente na Grécia Continental, mas nas colônias gregas: na Jônia e na Magna, foi lá que se originou o pensar filosófico. Neste trabalho mostraremos quem eram os sofistas, o pensamento político de Platão (suas obras e legado para a Filosofia), mostraremos também que foi Aristóteles e suas formas de governo.

É um tanto difícil discorrer sobre tudo, mas tentaremos expor através de pesquisas (em livros didáticos e também livros de autoria de Platão e Aristóteles) o pensamento político grego e sua política normativa.

Os Sofistas

Os sofistas sempre foram mal interpretados devido às críticas que deles faziam Sócrates e Platão. A história da filosofia nos dá nem faz referência a eles. A palavra sofista, etimologicamente, vem de sophos, que significa “sábio”, ou melhor, “professor de sabedoria”. Mas no sentido pejorativo, significa “homem que emprega sofismas”, ou seja, alguém que usa de raciocínio capcioso, de má fé, com intenção de enganar.

Eles vão também elaborar teoricamente e legitimar o ideal democrático da nova classe em ascensão, a dos comerciantes enriquecidos. a virtude de uma aristocracia guerreira se opõe agora à virtude do cidadão, a maior das virtudes é a justiça e todos, desde que cidadãos da pólis, devem ter direito ao exercício do poder.

Através da paidea elabora uma nova educação capaz de satisfazer os ideais do homem da pólis e não mais do aristocrata, superando assim, os privilégios da antiga educação, para a qual a araté só era acessível aos que pertenciam a uma linhagem de origem divina.

É bem verdade que este momento não se dirige ao povo em geral, mas a uma elite, àqueles bons oradores que poderiam, nas assembléias públicas, fazer uso da [palavra livre e pronunciar discursos convincentes e oportunos. A retórica será o instrumento desse processo e os sofistas, os mestres, da nova areté política.

Os mais famosos sofistas foram: Protágoras, Górgias, Híppias, Trasímaco, Pródico , Hipódamos, etc. vindos de todas as partes do mundo grego desenvolvem um ensino itinerante pelos locais em que passam, mas não se fixam em lugar nenhum. Para escândalo dos seus contemporâneos costumam cobrar pelas aulas. Por esse motivo, Sócrates os acusava de prostituição.

Outra obra importante foi a sistematização do ensino. Formam um currículo de estudos: gramática – da qual foram os iniciadores – retórica e dialética.

Com o brilhantismo da participação no debate público, deslumbram os jovens do seu tempo. Desenvolvem um espírito crítico e a facilidade de expressão, mas são com freqüência acusados de superficialidade e logomaquia, ou seja, de pronunciar um discurso vazio, um palavreado oco.

Não deixaram obra escrita, apenas citações de outras filósofos, e como já vimos sempre tendenciosas.

O Pensamento Político de Platão

Platão nasceu em Atenas no ano 428 ou 427 a.C. Seus pais pertenciam a uma antiga e nobre descendência. teve um temperamento de artista e filósofo ao mesmo tempo, manifestação característica e elevado do gênio grego.

Aos 20 anos, Platão travou relações com Sócrates, cujo ensino e amizade gozou durante oito anos. Após a morte do mestre começou a viajar, dando um vasto giro para se instruir, através do Egito, da Itália meridional e da Sicília. Na Sicília tentou inutilmente realizar a sua utopia política junto à côrte de Siracusa.

Pelo ano de 368 fundava em Atenas a sua famosa escola, que tomou o nome de academia, dedicando-se inteiramente à especulação metafísica, ao ensino filosófico e à redação de suas obras até à morte (347 ou 348 a.C.).

A atividade literária de Platão abrange mais de cinqüenta anos; escreveu treze cartas e trinta e seis diálogos, que representam a obra prima de sua atividade artística e filosófica.

Platão sistematiza seu pensamento na simples idealização de uma cidade que não existe, mas que deveria ser o modelo da cidade ideal. Guiado pela reflexão filosófica, afirma que o bom governo depende da virtude dos bons governantes.

Devido às grandes convulsões sociais e as injustiças, como a derrota de Atenas na guerra contra Esparta e a condenação de Sócratres, levam Platão a ter um descrédito pela democracia, apesar dele ser de origem aristocrática concebe uma “sofocracia” ( etimologicamente, “poder de sabedoria” ), onde os homens que são vítimas do conhecimento imperfeito devem ser dirigidos por homens que se distinguem pelo saber supremo, conceituando o governo como a arte; chefiando apenas aquele que conhece a ciência política.

E para explicar como diferenciamos os verdadeiros conhecimentos, ele cita o mito da caverna. No qual ele imagina uma caverna onde os homens estão acorrentados desde a infância, de tal forma que, não podendo se voltar para a entrada apenas enxergam o fundo da caverna.

Aí são projetadas as sombras das coisas que passam às suas costas, onde há uma fogueira. Se um desses homens conseguissem se soltar das correntes para contemplar à luz do dia os “verdadeiros objetos”, quando regressasse os seus antigos companheiros o tomariam por louco, não acreditando em suas palavras .

Então ele faz a seguinte análise separando por dois pontos de vista: o epistemológico (relativo ao conhecimento) e o poético.

Na dimensão epistemológica, o conhecimento humano é por meio da teoria das idéias, que se divide em outros dois mundos: o sensível (dos fenômenos relativos aos sentidos, da multiplicidade, do movimento ilusório, pura sombra do verdadeiro mundo ) e o inteligível ( das idéias gerais da verdadeira realidade, das essências imutáveis que o homem atinge pela contemplação e pela depuração dos enganos dos sentidos ), e essas idéias estão hierarquizadas, no topo está a idéia do bem, a mais alta perfeição e a mais geral de todas: os seres e as coisas não existem senão na medida em que participam do bem.

E para chegar a esse conhecimento é preciso que o espírito desperte, e lembrem através dos sentidos tudo que já teria vivido quando contemplaram o mundo das idéias.

A dimensão política, surge quando o filósofo liberta-se das correntes, contempla a verdadeira realidade e retorna ao meio dos homens para orientá-los, ensiná-los e dirigi-los.

A Utopia Platônica

Que as pessoas devem ocupar funções diversas na sociedade. E para isso o Estado deve criar as crianças até os vinte anos, com a mesma educação. então aí ocorre o primeiro corte, separando os de alma de bronze, que tem sensibilidade grosseira, aptos à agricultura, ao artesenato, e ao comércio.

Os outros estudam mais dez anos, para então ocorrer o segundo corte, os de alma de prata, com a virtude da coragem essencial para os guerreiros, e os que sobrarem, continuam estudando e serão considerados os almas de ouro, terão a arte de dialogar, conhecerão a filosofia.

Aos cinquenta anos, aqueles que passarem com sucesso por essa série de provas estarão aptos a serem admitidos no corpo dos magistrados, pois apenas eles têm a ciência da política, serão os mais justos. Sua função é manter a cidade coesa.

A proposta de Platão leva a um modelo aristocrático de poder. Mas, como vimos, não se trata de uma aristocracia da riqueza, mas da inteligência, em que poder é confiado aos melhores.

Esse estado de coisa pode degenerar, e de sua decadência aparecem outras formas de governo: a timocracia, quando o culto da virtude é substituído pela norma guerreira; a oligarquia, quando prevalece o gosto pelas riquezas, e o senso é a medida de capacidade para o exercício do poder; a democracia, quando o poder pertence ao povo, que, sendo incapaz de conhecer a ciência política, facilita, através da demagogia, o aparecimento da tirania, esta é a pior forma de governo, exercido por um homem só através da força.

Como Fazer Durar Uma Sufocracia?

Para isso estabele-se uma forma de comunismo em que é eliminada a propriedade e a família, a fim de evitar, por um lado, a cobiça e, por outro, não só os interesses decorrentes dos laços afetivos, como também a degenerência das ligações inadequadas.

O Pensamento Político de Aristóteles

Filósofo grego, Aristóteles nasceu em Estagira, Macedônia, em 384 a.C. e morreu em Cálcide, Eubéia, em 322 a.C. Em Atenas desde 367, foi durante 20 anos discípulo de Platão. Depois da morte do mestre, instalou-se em Asso, na Eóluda, e depois em Lesbos, até ser chamado em 346 à côrte de Felipe da Macedônia para encarregar-se da educação de seu filho Alexandre.

Em 333 voltou a Atenas onde fundou o Liceu. Durante treze anos dedicou-se ao ensino e à elaboração da maior parte de suas obras. Com a morte de Alexandre ( 323 ), teve que fugir a perseguição dos democratas atenienses refugiando-se em Cálcide onde morreu.

Na evolução do pensamento filosófico, Platão e Aristóteles constituem ao mesmo tempo, pontos de confluência de várias vertentes, anteriores ou contemporâneos e principais fontes de todo o pensamento posterior. Representam, antes de tudo, dois modos de pensar: a busca da realidade pela experiência em Aristóteles, e em Platão, a dialética do espírito processando-se além da experiência. Como nenhum filosófico antes dele, Aristóteles compreendeu a necessidade de integrar pensamento anterior à sua própria pesquisa filosófica.

Aristóteles é o primeiro filósofo a distinguir a ética da política, centrada a primeira na ação voluntária e moral do indivíduo enquanto tal, e a segunda, nas vinculações deste com a comunidade, desde a comunidade familiar até a pólis, a cidade ( como sociedade política ). A política é a culminância da ética, já que o bem comum é ” mais belo e mais divino” que o do indivíduo.

Dotada de lógos, “palavra”, isto é, de comunicação, o homem é inclinado a fazer parte de uma pólis. Assim, o Estado precede a família e até o indivíduo porque responde a um impulso natural. Nos círculos em que o homem se move, a família, a tribo, a pólis, só esta última constitui uma sociedade perfeita.

A felicidade suprema consiste na contemplação da realização de nossa forma essencial. A política aparece como um prolongamento da moral, a virtude não se confunde com o heroísmo, mas é uma atividade racional por excelência. O equilíbrio da conduta só se realiza na vida social, a verdadeira humanidade só é adquirida na sociabilidade isso ocorrerá através da educação proporcionada pelo Estado.

“As leis mais úteis, sancionadas com a aprovação unânime de todos os cidadãos, tornam-se ilusórias se a educação e os costumes não se aos princípios políticos, sendo democráticas na democracia e oligárquicos na oligarquia, porque é preciso entender que se um só cidadão vive na indisciplina, o próprio Estado participa dessa desordem”.

Faz crítica ao autoritarismo de Platão, considerando desumano. Recusa a sofocracia platônica, porém não deixa de admitir que para se ser justo é preciso conhecer as leis.

Exclui da cidadania as classes dos artesãos, comerciantes e trabalhadores braçais por não ter tempo para participar do governo e por considerar que esse tipo de atividade torna o indivíduo incapaz da prática de uma virtude esclarecida.

Aristóteles viveu em dois períodos da Grécia Antiga que foram: período clássico e helenístico, caracterizados por uma sociedade escravista. Diante disso fez uma grande declaração a respeito dos escravos, considerando-os como meros instrumentos que servem para facilitar o uso das coisas pelo seu senhor e ainda declara para o “escravo a escravidão é tão útil como justa”. Todas essas declarações a respeito dos escravos estão contidas em uma de suas obras: “A política”.

Formas de Governo

Aristóteles além de descrever as diversas constituições, estabeleceu três formas de governo: monarquia, aristocracia e politéia. Estabeleceu também que para essas três formas boas existem três formas degeneradas que são a tirania, a oligarquia, e democracia.

As três formas só são consideradas boas quando visam o interesse comum e são degeneradas quando possuem interesse particular, embora considere a monarquia, a aristocracia e a politéia formas corretas para exercer uma boa administração, Aristóteles prefere a última devido a que a tensão política sempre deriva da luta entre classes principalmente entre ricos e pobres.

Ele retoma o critério já visto na ética de que a virtude sempre está em meio termo.

Aplicando o critério da medicina, descobre-se nas classes médias, condições de virtudes necessárias para que se tenha uma política justa e estável.

“Onde a classe média é numerosa raramente ocorre conspirações e revoltas entre os cidadãos.

Conclusão

Constatamos nesse trabalho os principais períodos da história grega. Aprendemos que a filosofia grega está centralizada em uma só pessoa: Sócrates, que nada deixou escrito. sabe-se de seus pensamentos através de seus seguidores.

Na época dos sofistas surgiu Platão, um discípulo de Sócrates que era interessado pela política. ele achava que só os sábios poderiam governar e parte do princípio que as pessoas são diferentes e portanto deveriam ocupar lugares e funções diversas na sociedade.

Aristóteles, discípulo de Platão, logo se torna crítica do mestre, elaborando uma filosofia original. Ele critica o autoritarismo de Platão, considerando sua utopia implacável.

Estudou três formas de governo que corrompidas se tornariam maléficas à sociedade e pudemos entender, preferiu a politéia. Este trabalho foi de grande importância para nosso aprendizado, pois a filosofia nos ensina a pensar e refletir mais nos dias de hoje.

Paralelo entre Platão e Aristóteles

VISÃO GLOBAL       PLATÃO ARISTÓTELES
Perfil  

Vocação matemática

Vocação naturalista, observação do concreto
Objetivos  

Movido por motivos políticos, éticos, estéticos e místicos

Recolhido unicamente na elaboração de seu sistema filosófico, indene a motivos práticos e sentimentais.
Obras Todas chegaram até nós Muitos escritos se perderam
Escola Academia: num jardim junto do santuário do herói Academo  

Liceu perto do templo de Apolo Lício

Projeção doutrinária

Platonismo: fecundo dentro e fora do pensamento grego

Aristotelismo: idem, mas com mais extensão e vigor
Influências Sem Sócrates não teria havido o Platão que conhecemos Sem Platão não teria havido o Aristóteles que  conhecemos
Caminhos traçados  

Mais brilhantes, sugestivos e aparentemente mais prometedores

Mais humildes, menos espetaculares, mas mais eficazes e fecundos,porque estão baseados na realidade mesma das coisas
DOUTRINA    
Gnosiologia

Intenta resolver o problema da vida

Intenta resolver o problema do ser

Idéias universais Realidade objetiva: Mundo das Idéias Não existem modelos reais das coisas sensíveis
O universal

Não se contrapõe ao particular, mas é lhe é anterior

Não se contrapõe ao particular, mas lhe é posterior

  As idéias não entram na composição dos seres do mundo sensível, senão de uma maneira puramente extrínseca, enquanto servem de modelos para a formação do Universo.  

Pela abstração a inteligência atinge a essência das coisas. Não há o Mundo das Idéias.

Realidade

Antecipa-se ao método de Descartes
e Spinoza e incorre no mesmo defeito de querer partir de uma intuição fundamental
para deduzir depois a realidade

Realismo moderado, ratificado por Tomás de Aquino: não há intuição, mas abstração das idéias, nas quais e pelas quais se conhece a coisa em si.
Doutrina Platão Aristóteles
O Ser Mundo transcendente, hiperurânio, onde estão as idéias nas quais se concentra toda a realidade. Aí residem as substâncias imutáveis que são o objeto da ciência. Nega a realidade ontológica do mundo platônico das Idéias. Existem somente as substâncias individuais particulares e concretas.
  Recebe o seu sentido primitivo de cima,
da Idéia
Recebe o seu sentido primitivo de baixo,
do concreto
Sentidos  

Desconfia dos sentidos

Os conceitos são tirados da experiência mediante a evidência

  Recusa a passagem da sensação ao conceito “Nada está na mente que não tenha passado pelos sentidos”.
Natureza  

Não faz a apologia do estudo da natureza

Faz a apologia do estudo da natureza: “Em cada parcela da natureza há sempre alguma maravilha”.
Ciência A construção do platonismo é de cima para baixo A construção do aristotelismo é de baixo para cima
 

Desvia-se do método traçado por Sócrates.
Representante do matematicismo exagerado seguido por Descartes, Malebranche, Spinoza e Leibniz, quer lograr em todos os ramos da ciência o mesmo grau de necessidade e de certeza que nas matemáticas. Seu idealismo frustra radicalmente seu desejo de chegar à verdadeira realidade

Retorna ao método socrático no seu verdadeiro sentido ascendente, partindo da realidade dos indivíduos substanciais, concretos, múltiplos, móveis e contingentes do mundo físico, para construir sobre eles as ciências na ordem lógica e também para chegar eficazmente à única realidade transcendente na ordem ontológica que é Deus

Lógica Dedutiva, demonstrativa Ensina o mesmo
Conhecimento Os conceitos  são a priori. Os conceitos são abstraídos das coisas.
  Inatismo Vem da experiência
  Depende das idéias inatas

Depende da percepção sensível

  Scire est reminisci Nihil est in mente quod prius non fuerit in sensu
Matéria Puro não-ser, princípio de decadência Condição indispensável para concretizar a forma.
 

Tudo anela pela idéia

A matéria anela pela forma
Doutrina Platão

Aristóteles

Forma Separada da matéria

Imanente e operante na matéria

Sensação Distinta do pensamento / Inatismo Distinta do pensamento, sem idéias inatas
 

Olhos: suprema afinidade com o espírito

O ouvido é o órgão espiritual por excelência
Razão

Aniquila e destrói as paixões

Governa e domina as paixões

Psicologia Carece de todo valor científico.
Baseada no mito da preexistência das almas. A alma está presa ao corpo com uma união acidental, violenta e antinatural. O corpo é o túmulo da alma, decaída de uma vida anterior feliz.

Investiga sobre a alma fixando-se em seus atos, dos quais deduz sua natureza e suas propriedades.
Não considera a alma como coisa estranha ao corpo, senão que é seu princípio vital, unida a ele naturalmente como forma à sua matéria, de maneira substancial, constituindo um composto único e natural, que é a pessoa humana.

Ética Não salva o Direito Privado, a Propriedade Particular e a Família  

Salva tudo isto

Tem em vista homens superiores e não homens comuns

Idem

Baseada em sentimentalismos lamentáveis  Sistematização aristotélica da ética  muito acima dos sentimentalismos platônicos e marca um avanço muito mais positivo para a verdadeira solução.
  Insiste que se torna impossível saber sem querer, ou seja, é impossível a quem deixou de captar pela lógica da racionalidade agir contra a dinâmica que conduz ao Bem Supremo. Quem age imoralmente é porque não sabe, não entrou nos caminhos da razão.  

 

É possível termos certezas teóricas e errarmos no campo da práxis.
Existe neste setor complexidade muito maior.

  Cada pessoa tem o direito de ser o árbitro de seus valores, de sua vida ética. Não reconhece a cada um o direito de constituir seus valores. .
Doutrina Platão Aristóteles
Antropomorfismo

Excluído

Idem

Politeísmo

Não excluído de todo

Idem

Monismo e pluralismo Entre os extremos do monismo absoluto e do pluralismo radical mais perto do monismo Mais perto do Pluralismo
Escravidão

Admite

Idem

Teologia Ciência de Deus

Idem

 

Deus é espírito, acentuando o espírito objetivo, sendo a Idéia do Bem e do Belo a origem de tudo.

Deus é espírito, acentuando o espírito vivo, sendo que o Primeiro Motor imóvel move tudo sem se imiscuir no processo cósmico

  Sobre a natureza de Deus afeta um certo temor em aventurar uma atribuição indireta à natureza do seu supremo princípio

Declara-se firme e sem rebuços pelo real ser de Deus, como espírito pensante e vivendo uma vida feliz.

Heraclatismo

Superado com sua doutrina da unidade e da    multiplicidade

 

Superado com sua doutrina do ato e da potência

Alma

Um ser que se move por si mesmo

Idem

  Dotada de partes reais Dotada de unidade
  Admite sua imortalidade Imortalidade parcial
Mundo Começo temporal

Eternidade da matéria e da forma, particularmente nos astros eternos, bem como ensina a eternidade do movimento

Educação militar Elimina tudo que é puramente técnico  

Maior modernidade

 

Preocupa-se sobretudo com a estrutura espiritual da pessoa

Acentua a importância da maquinaria e da habilidade no manejo das armas
Humanidade Não tinha idéia universal de humanidade

Idem

 

Gregos, parentes e amigos; bárbaros, inimigos

Idem

Estado Tem por finalidade prover o bem coletivo Seu papel essencial é a educação dos cidadãos
  Comunismo dos bens, das mulheres e dos filhos Comunismo, como resolução total dos indivíduos e dos valores no Estado  é fantástico e irrealizável
 

Filósofos governam a República

Monarquia, aristocracia ou democracia

Doutrina

Platão

Aristóteles
Religião

Oferece uma garantia aos valores morais do homem, os quais regulam a ordem da vida social.

Necessária para a moralização do povo
Arte

Sua doutrina estética oscila entre a valorização e a desvalorização da arte e da beleza

É a imitação direta da forma imanente à matéria
 

Resulta da cópia de uma cópia do mundo empírico que é já uma cópia do mundo ideal. Cópia não de essências, mas de fenômenos.

Tem como conteúdo o universal, inteligível do qual depende sua eficácia espiritual, isto é, pedagógica e purificadora

Diferença entre Platão e Aristóteles

Platão

Platão (428/427-348/347 a.C.) afirmava que existem dois mundos: o sensível que é aquele em que nos encontramos e o inteligível que só pode ser alcançado pela razão e pela lógica. Para Platão, só o mundo inteligível é real enquanto que o sensível é transitório e ilusório. Ele explicou isso no famoso Mito da Caverna:

“Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.

Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder locomover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vem de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.

Imagine que um dos prisioneiros consiga se libertar e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.”

Aristóteles

Aristóteles (384-322 a.C.) foi discípulo de Platão, mas nunca aceitou essa idéia de dois mundos distintos. Para Aristóteles só havia um mundo: este em que nos encontramos. Se o homem não consegue conhecer algo mais do que os seus sentidos lhe mostram, então é porque esse algo não existe ou, na melhor das hipóteses, não vale a pena ser conhecido e por isso não é nada para nós.

O pensamento aristotélico baseia-se portanto no mundo sensível. A partir daí, Aristóteles tentou compreender e conhecer o máximo que pôde do mundo sensível, o único que existe na sua opinião.

A Política de Aristoteles

A política aristotélica é essencialmente unida à moral, porque o fim último do estado é a virtude, isto é, a formação moral dos cidadãos e o conjunto dos meios necessários para isso. O estado é um organismo moral, condição e complemento da atividade moral individual, e fundamento primeiro da suprema atividade contemplativa. A política, contudo, é distinta da moral, porquanto esta tem como objetivo o indivíduo, aquela a coletividade. A ética é a doutrina moral individual, a política é a doutrina moral social. Desta ciência trata Aristóteles precisamente na Política, de que acima se falou.

O estado, então, é superior ao indivíduo, porquanto a coletividade é superior ao indivíduo, o bem comum superior ao bem particular. Unicamente no estado efetua-se a satisfação de todas as necessidades, pois o homem, sendo naturalmente animal social, político, não pode realizar a sua perfeição sem a sociedade do estado.

Visto que o estado se compõe de uma comunidade de famílias, assim como estas se compõem de muitos indivíduos, antes de tratar propriamente do estado será mister falar da família, que precede cronologicamente o estado, como as partes precedem o todo. Segundo Aristóteles, a família compõe-se de quatro elementos: os filhos, a mulher, os bens, os escravos; além, naturalmente, do chefe a que pertence a direção da família. Deve ele guiar os filhos e as mulheres, em razão da imperfeição destes. Deve fazer frutificar seus bens, porquanto a família, além de um fim educativo, tem também um fim econômico. E, como ao estado, é-lhe essencial a propriedade, pois os homens têm necessidades materiais. No entanto, para que a propriedade seja produtora, são necessários instrumentos inanimados e animados; estes últimos seriam os escravos.

Aristóteles não nega a natureza humana ao escravo; mas constata que na sociedade são necessários também os trabalhos materiais, que exigem indivíduos particulares, a que fica assim tirada fatalmente a possibilidade de providenciar a cultura da alma, visto ser necessário, para tanto, tempo e liberdade, bem como aptas qualidades espirituais, excluídas pelas próprias características qualidades materiais de tais indivíduos. Daí a escravidão.
Vejamos, agora, o estado em particular. O estado surge, pelo fato de ser o homem um animal naturalmente social, político. O estado provê, inicialmente, a satisfação daquelas necessidades materiais, negativas e positivas, defesa e segurança, conservação e engrandecimento, de outro modo irrealizáveis. Mas o seu fim essencial é espiritual, isto é, deve promover a virtude e, conseqüentemente, a felicidade dos súditos mediante a ciência.

Compreende-se, então, como seja tarefa essencial do estado a educação, que deve desenvolver harmônica e hierarquicamente todas as faculdades: antes de tudo as espirituais, intelectuais e, subordinadamente, as materiais, físicas. O fim da educação é formar homens mediante as artes liberais, importantíssimas a poesia e a música, e não máquinas, mediante um treinamento profissional. Eis porque Aristóteles, como Platão, condena o estado que, ao invés de se preocupar com uma pacífica educação científica e moral, visa a conquista e a guerra. E critica, dessa forma, a educação militar de Esparta, que faz da guerra a tarefa precípua do estado, e põe a conquista acima da virtude, enquanto a guerra, como o trabalho, são apenas meios para a paz e o lazer sapiente.

Não obstante a sua concepção ética do estado, Aristóteles, diversamente de Platão, salva o direito privado, a propriedade particular e a família. O comunismo como resolução total dos indivíduos e dos valores no estado é fantástico e irrealizável. O estado não é uma unidade substancial, e sim uma síntese de indivíduos substancialmente distintos. Se se quiser a unidade absoluta, será mister reduzir o estado à família e a família ao indivíduo; só este último possui aquela unidade substancial que falta aos dois precedentes. Reconhece Aristóteles a divisão platônica das castas, e, precisamente, duas classes reconhece: a dos homens livres, possuidores, isto é, a dos cidadãos e a dos escravos, dos trabalhadores, sem direitos políticos.

Quanto à forma exterior do estado, Aristóteles distingue três principais: a monarquia, que é o governo de um só, cujo caráter e valor estão na unidade, e cuja degeneração é a tirania; a aristocracia, que é o governo de poucos, cujo caráter e valor estão na qualidade, e cuja degeneração é a oligarquia; a democracia, que é o governo de muitos, cujo caráter e valor estão na liberdade, e cuja degeneração é a demagogia. As preferências de Aristóteles vão para uma forma de república democrático-intelectual, a forma de governo clássica da Grécia, particularmente de Atenas. No entanto, com o seu profundo realismo, reconhece Aristóteles que a melhor forma de governo não é abstrata, e sim concreta: deve ser relativa, acomodada às situações históricas, às circunstâncias de um determinado povo. De qualquer maneira a condição indispensável para uma boa constituição, é que o fim da atividade estatal deve ser o bem comum e não a vantagem de quem governa despoticamente.

FAMILIA E EDUCAÇÃO

O Estado deve promover a família e a educação, legislando sobre as mesmas.

“Convém fixar o casamento das mulheres nos dezoito anos, e o dos homens nos trinta e sete, ou pouco menos. Assim a união será feita no momento do máximo vigor e os dois esposos terão um tempo pouco mais ou menos igual para educar a família, até que cessem a ser próprios à procriação” (Política, 4,c.14, § 6).

Com vistas à depuração social defende ainda:

“Quanto a saber quais os filhos que se devem abandonar ou educar, deve haver uma lei que proíba alimentar toda a criança disforme. Sobre o número dos filhos (porque o número dos nascimentos deve sempre ser limitado), se os costumes não permitem que os abandonem e se alguns casamentos são tão fecundos que ultrapassem o limite fixado de nascimentos, é preciso provocar o aborto, antes que o feto receba animação e a vida; com efeito, só pela animação e vida se poderá determinar se existe crime” (Política, 4,c.14, § 10).
Só modernamente se veio a saber melhor sobre a vida. Enquanto isto demorou, até moralistas cristãos admitiram o aborto antes da referida animação de que fala Aristóteles, como acontecida apenas em um estágio adiantado da gestação.

O grande Aristóteles, apesar de sua vida relativamente curta (62 anos) e da perda de seus livros mais literários e brilhantes, continua sempre grande.

Não se sabendo dizer se foi mesmo o maior filósofo dentre os até agora nascidos, certamente é Aristóteles ainda uma das cordilheiras mestras do pensamento humano.

A Política de Platão

Os escritos em que Platão trata especificamente do problema da política, são a República, o Político e as Leis. Na República, a obra fundamental de Platão sobre o assunto, traça o seu estado ideal, o reino do espírito, da razão, dos filósofos, em chocante contraste com os estados e a política deste mundo.

Qual é, pois, a justificação da sociedade e do estado? Platão acha-a na própria natureza humana, porquanto cada homem precisa do auxílio material e moral dos outros. Desta variedade de necessidades humanas origina-se a divisão do trabalho e, por conseqüência, a distinção em classes, em castas, que representam um desenvolvimento social e uma sistematização estável da divisão do trabalho no âmbito de um estado. A essência do estado seria então, não uma sociedade de indivíduos semelhantes e iguais, mas dessemelhantes e desiguais. Tal especificação e concretização da divisão do trabalho seria representada pela instituição da escravidão; tal instituição, consoante Platão, é necessária porquanto os trabalhos materiais, servis, são incompatíveis com a condição de um homem livre em geral.

Segundo Platão, o estado ideal deveria ser dividido em classes sociais. Três são, pois, estas classes: a dos filósofos, a dos guerreiros, a dos produtores, as quais, no organismo do estado, corresponderiam respectivamente às almas racional, irascível e concupiscível no organismo humano. À classe dos filósofos cabe dirigir a república. Com efeito, contemplam eles o mundo das idéias, conhecem a realidade das coisas, a ordem ideal do mundo e, por conseguinte, a ordem da sociedade humana, e estão, portanto, à altura de orientar racionalmente o homem e a sociedade para o fim verdadeiro. Tal atividade política constitui um dever para o filósofo, não, porém, o fim supremo, pois este fim supremo é unicamente a contemplação das idéias.

À classe dos guerreiros cabe a defesa interna e externa do estado, de conformidade com a ordem estabelecida pelos filósofos, dos quais e juntamente com os quais, os guerreiros receberam a educação. Os guerreiros representam a força a serviço do direito, representado pelos filósofos.

À classe dos produtores, enfim, – agricultores e artesãos – submetida às duas precedentes, cabe a conservação econômica do estado, e, consequentemente, também das outras duas classes, inteiramente entregues à conservação moral e física do estado. Na hierarquia das classes, a dos trabalhadores ocupa o ínfimo lugar, pelo desprezo com que era considerado por Platão – e pelos gregos em geral – o trabalho material.

Na concepção ideal, espiritual, ética, ascética do estado platônico, pode causar impressão, à primeira vista, o comunismo dos bens, das mulheres e dos filhos, que Platão propugna para as classes superiores. Entretanto, Platão foi levado a esta concepção política – tornada depois sinônimo de imanentismo, materialismo, ateísmo – não certamente por estes motivos, mas pela grande importância e função moral por ele atribuída ao estado, como veículo dos valores transcendentais da Idéia. Tinha ele compreendido bem que os interesses particulares, privados, econômicos e, especialmente, domésticos, estão efetivamente em contraste com os interesses coletivos, sociais, estatais, sendo estes naturalmente superiores àqueles – eticamente considerados. E não hesita em sacrificar totalmente os interesses inferiores aos superiores, a riqueza, a família, o indivíduo ao estado, porquanto representa precisamente – consoante seu pensamento – um altíssimo valor moral terreno, político-religioso, como única e total expressão da eticidade transcendente.

Se a natureza do estado é, essencialmente, a de organismo ético-transcendente, a sua finalidade primordial é pedagógico-espiritual; a educação deve, por isso, estar substancialmente nas mãos do estado. O estado deve, então, promover, antes de tudo, o bem espiritual dos cidadãos, educá-los para a virtude, e ocupar-se com o seu bem estar material apenas secundária e instrumentalmente. Platão tende a desvalorizar a grandeza militar e comercial, a dominação e a riqueza, idolatrando a grandeza moral. O grande, o verdadeiro político não é – diz Platão – o homem prático e empírico, mas o sábio, o pensador; não realiza tanto as obras exteriores, mas, sobretudo, se preocupa com espiritualizar os homens. Desta maneira é concebido o estado educador de homens virtuosos, segundo as virtudes que se referem a cada classe, respectivamente. Esta educação é dispensada essencialmente às classes superiores – especialmente aos filósofos, a quem cabem as virtudes mais elevadas, e, portanto, a direção da república. Ao contrário, o estado em nada se interessa – ao menos positivamente – pelo povo, pelo vulgo, pela plebe, cuja formação é inteiramente material e subordinada, consistindo sua virtude apenas na obediência, visto a alma concupiscível estar sujeita à alma racional.

A educação das classes superiores importa, fundamentalmente, música e ginástica. A música – abrangendo também a poesia, a história, etc., e, em geral, todas as atividades presididas pelas Musas – é, todavia, cultivada apenas para fins práticos e morais. Deveria ela equilibrar, com a sua natureza gentil e civilizadora, a ação oposta, fortificadora, da ginástica. Platão reconhece a importância da ginástica, mas não passa de uma importância instrumental e parcial, pois o prevalecer da cultura física do corpo torna os homens grosseiros e materiais. Daí a sua aversão ao culto idolátrico dos exercícios físicos, que foi um dos indícios da decadência grega.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s