Introspecção – Continuação

Introspecção é o ato pelo qual o sujeito observa os conteúdos de seus próprios estados mentais, tomando consciência deles. Dentre os possíveis conteúdos mentais passíveis de introspecção, destacam-se as crenças, as imagens mentais, memórias (sejam visuais, auditivas, olfativas, sonoras, tácteis), as intenções, as emoções e o conteúdo do pensamento em geral (conceitos, raciocínios, associações de idéias).

Há um debate contemporâneo nos campos da Epistemologia e da Filosofia da Mente acerca da natureza, das características e da validade do conhecimento gerado pela introspecção (autoconhecimento). Um exemplo de questão levantada neste âmbito é a seguinte: Na introspecção, o sujeito tem acesso direto (não mediado, não inferencial) ao objeto?

Muitos filósofos usaram esse método de investigação que é estimulado a partir de um dos sete apotegmas mais famosos da filosofia de Sócrates ao propor: “Conhece-te a ti mesmo”. Após muitos anos em declínio Descartes para chegar a suas conclusões, como “Penso, logo existo!”.

Psicologia

É o método original da psicologia, usado desde a sua fundação por Wundt e William James em seus respectivos laboratórios para verificar o funcionamento da mente. Foi usada por exemplo por Jean Piaget, Sigmund Freud, Titchener e Aaron Beck.

É geralmente muito estimulada na psicoterapia, como na psicanálise e na terapia cognitivo-comportamental, onde o sujeito pode ser levado a refletir sobre a consequência de suas ações, seu modo de pensar e sobre formas de pensar mais eficazes e que levem a diminuir seu sofrimento.

O behaviorismo se opõe ao uso da introspecção por considerá-la pouco confiável do ponto de vista científico, pois este exige fatos observáveis e evidências analisáveis. Para Watson defende que é possível fazer uma psicologia sem nenhuma introspecção pois os processos internos são analisáveis nos comportamentos expressados.

O Papel da Introspecção

A aceitação das experiências conscientes fez os psicólogos cognitivos reconsiderarem a primeira abordagem de pesquisa da psicologia científica, o método introspectivo traduzido por Wundt há mais de um século. Em uma declaração que podia ser de Wundt ou Titchener, um psicólogo fez uma afirmação óbvia, no final do século XX, de que “… se vamos estudar a consciência, devemos adotar a introspecção juntamente com os relatos introspectivos” (Farthing, 1992, p. 61). Os psicólogos tentaram quantificar os relatos introspectivos a fim de permitir análises estatísticas mais objetivas e manipuláveis. Uma das abordagens, a avaliação fenomenológica retrospectiva, consiste em pedir ao indivíduo que avalie a intensidade das experiências subjetivas durante a resposta a uma situação de estímulo anterior. Em outras palavras, o indivíduo avalia retrospectivamente as experiências objetivas ocorridas durante um período anterior, quando lhe pediram para responder a um dado estímulo.

Apesar dessa readmissão da introspecção, alguns psicólogos questionavam se o indivíduo seria realmente capaz de acessar os próprios processos mentais, principalmente os que envolvem tomadas de decisão e julgamentos. Em um artigo intitulado, “Telling more than we can know”, os psicólogos Richard Nisbtt e Timothy Wilson concluíram que não somos dotados desse livre acesso aos nossos processos de pensamento. Portanto, a introspecção e o auto- relato seriam inválidos (Nisbett e Wilson, 1977), Eles descreveram diversos estudos elaborados para determinar se o ser humano seria capaz de relatar as causas do próprio comportamento e chegaram a conclusão de que não. O indivíduo não é capaz de especificar que estímulo teria provocado a resposta ou de que modo teriam ocorrido os efeitos. Os psicólogos descobriram, ainda, que as respostas (os efeitos relatados do estímulo) não seriam baseadas na introspecção, mas nas crenças pras relações prévias sobre as relações causais entre estímulos e respostas.

Por exemplo: se ao indivíduo foi ensinado que o fato A sempre provoca o fato B, então, a tendência será de ele explicar o fato B (a resposta) do fato A (o estímulo) em termos daquela crença consolidada, e não realizando alguma introspecção real dos processos de pensamento. “Deduzimos que nosso comportamento foi determinado por um estímulo específico, não por meio da introspecção dos verdadeiros processos de pensamento.”Deduzimos que nosso comportamento foi determinado por um estímulo específico, não por meio da introspecção dos verdadeiros processos mentais, mas avaliando se o estímulo é representante da categoria de estímulos que normalmente provocam esse tipo de comportamento”(Farthing, 1992,p.156).

A comprovação experimental de Nisbett e Wilson de que a pessoa pode não ter imediato acesso introspectivo às causas do próprio comportamento convenceu alguns psicólogos de que a introspecção não seria uma técnica válida. Outros psicólogos foram mais otimistas acerca da validade da introspecção (veja Farthing, 1992; Pekala,1991). A solução dessa questão é crucial para o futuro da psicologia cognitiva, pois grande parte da pesquisa dessa área depende do relato introspectivo.

Introspecção Significado

Introspecção é o ato pelo qual o sujeito observa os conteúdos de seus próprios estados mentais, tomando consciência deles. Dentre os possíveis conteúdos mentais passíveis de introspecção, destacam-se as crenças, as imagens mentais, memórias (sejam visuais, auditivas, olfativas, sonoras, tácteis), as intenções, as emoções e o conteúdo do pensamento em geral (conceitos, raciocínios, associações de ide)

Há um debate contemporâneo nos campos da Epistemologia e da Filosofia da Mente acerca da natureza, das características e da validade do conhecimento gerado pela introspecção (autoconhecimento). Um exemplo de questão levantada neste âmbito é a seguinte: Na introspecção, o sujeito tem acesso direto (não mediado, não inferencial) ao objeto?

Muitos filósofos usaram esse método de investigação que é estimulado a partir de um dos sete apotegmas mais famosos da filosofia de Sócrates ao propor: “Conhece-te a ti mesmo”. Após muitos anos em declínio Descartes para chegar a suas conclusões, como “Penso, logo existo!”.

Ou seja Introspecção é a Observação que a pessoa faz do seu interior, dos seus conceitos, valores e sentimentos.

Personalidade introvertida

Carl Gustav Jung (conhecido como um dos maiores psicólogos do século XX e dos que mais estudou a personalidade humana no contexto das relações do homem com o mundo externo e com a comunicação entre as pessoas) distinguiu duas formas de atitudes/disposição das pessoas em relação ao objeto: a pessoa que prefere focar a sua atenção no mundo externo de fatos e pessoas (extroversão), e/ou no mundo interno de representações e impressões psíquicas (introversão). Cada tipo de disposição representa tão somente uma preferência natural do indivíduo no seu modo de se relacionar com o mundo, semelhante à preferência pelo uso da mão direita ou da mão esquerda. Assim, em relação ao tipo introvertido e extrovertido ele revelou: “um encarrega-se da reflexão (introvertido); o outro, da ação (extrovertido).”

Segundo Jung, na extroversão, a energia da pessoa flui de maneira natural para o mundo externo de objetos, fatos e pessoas, em que se observa: atenção para a ação, impulsividade (ação antes de pensar), comunicabilidade, sociabilidade e facilidade de expressão oral. Extroversão significa “o fluir da libido de dentro para fora.”. O indivíduo extrovertido vai confiante ao encontro do objeto. Esse aspecto favorece a sua adaptação às condições externas, normalmente de forma mas fácil do que para o indivíduo introvertido.

Na introversão, o indivíduo direciona a atenção para o seu mundo interno de impressões, emoções e pensamentos. Assim, observa-se uma ação voltada do exterior para o interior, hesitabilidade, o pensar antes de agir; postura reservada, retraimento social, retenção das emoções, discrição e facilidade de expressão no campo da escrita. O introvertido ocupa-se dos seus processos internos suscitados pelos fatos externos. Dessa forma o tipo introvertido diferencia-se do extrovertido por sua orientação por fatores subjetivos e não pelo aspecto objetivamente dado.

Para Jung, “a extroversão e a introversão são duas atitudes naturais, antagônicas entre si, ou movimentos dirigidos, que já foram definidos por Goethe como diástole. Em sucessão harmônica, deveriam formar o ritmo da vida. Alcançar esse ritmo harmônico supõe uma suprema arte de viver.”

Definição

O termo introvertido refere-se a todo o indivíduo com tendência a pensar mais que agir (raciocínio em detrimento da ação) – a introversão literalmente significa o “EU sobre os próprios problemas”.

Pessoas introvertidas direcionam-se comumentemente para o seu interior de onde retiram a sua energia, enquanto que pessoas extrovertidas voltam-se predominalmente para o meio. Para o extrovertido o pensamento não tem vitalidade, é irreal. Para o introvertido a ação sem análise é inadequada e sem valor.

O introvertido privilegia os aspectos internos do seu psiquismo: ele pensa e repensa, absorve-se nas suas ações e reações e é auto critico. As suas emoções são em regra contidas e os seus desejos e impulsos refreados. Esta postura leva-o a hesitar quando tem de tomar decisões pois necessitam que a ação seja bem estruturada, medida e analisada antes da sua realização. Esta atenção critica e super analista torna-o por vezes, muito pouco atrativo á primeira impressão. Suscitam-lhe atenção quase mórbida os pequenos detalhes e pormenores que para os extrovertidos não têm importância, e essa característica não os aproxima, antes os repele.

Os introvertidos são pessoas sensíveis, reservadas, observadoras. Preferem os arredores conhecidos do lar e as horas íntimas com poucos amigos mais chegados. Optam por fazer tudo com os seus próprios recursos, por sua própria iniciativa e a seu próprio modo. Com isso, tendem a ser classificados como egoístas e individualistas, o que pode não ser verdade.

É na reflexão, no silêncio, na tranqüilidade que ele encontra harmonia. Ao invés dos contatos constantes, dos grandes grupos, o introvertido prefere companhias mais selecionadas, apreciar boa música e ler um bom livro. O verdadeiro introvertido não procura popularidade, ele gosta de ser mais sozinho.

Teórico, por sua insociabilidade e jeito alheio, parece ver mais claramente os problemas e soluções que os extrovertidos raramente verão. Os introvertidos são na maioria das vezes, os inventores, os sonhadores, muitas das grandes descobertas se devem a eles: o presente pertence ao extrovertido; o futuro ao introvertido.

A autora de “Introvert Advantage”, Marti Olsen Laney, revela que ser introvertido é bem normal. “Nós todos crescemos em uma sociedade extrovertida”, disse Olsen Laney. “Existe mesmo um conceito negativo em relação aos introvertidos”.

Muitas pessoas preferem passar o seu tempo sozinhas, trabalham melhor independentes do que em grupo, e gostam de celebrar seus aniversários com os amigos mais próximos do que com grandes grupos. Esta personalidade introvertida é frequentemente estereotipada como sendo instável, solitária, e anti-social, porém Olsen Laney diz que existem muitas vantagens em ser introvertido.

Ela diz que os introvertidos tendem a ser joviais, determinados, bons ouvintes, pensadores criativos e com muito conhecimento sobre si mesmos. “Os introvertidos têm a mente aberta. Eles também se expressam melhor pela escrita do que falando”, diz Olsen.

Comportamento freqüentemente confundido com indiferença

A introversão pode afetar a vida familiar quando se tem uma oposição entre pais extrovertidos e filhos introvertidos. Isto pode também ter impacto na carreira se o chefe achar que o empregado introvertido não contribui o suficiente, pois os introvertidos tendem a guardar a informação para si mesmos. Este tipo de comportamento costuma ser confundido com indiferença.

“Se você perguntar a eles, vai ficar maravilhado com as idéias que eles irão te contar”, diz ela.

Mesmo assim, Olsen Laney diz que existem maneiras para os introvertidos enfrentarem as funções sociais desconfortáveis sem perder a cabeça. Ela diz que eles podem ser sociáveis em eventos em que há conversas interessantes, mas não quando é uma festa ou outro evento, debate e assunto que eles acham insignificante.

“Pessoas introvertidas não gostam de ser interrompidas porque é difícil recuperar a linha de raciocínio de novo, podendo a perder por completo”, diz ela. “Boa parte das razões que fazem os introvertidos serem vistos desse jeito é porque consideram o ‘jogar conversa fora’ pouco compensador para o seu modo de pensar”.

Personalidade Tipo Introvertida, Particularismos

Como o nome diz, Introvertida é a pessoa que se orienta predominantemente para dentro, para a introspecção, se orienta mais para o subjetivo que para o objetivo. A pessoa introvertida sempre elabora uma opinião subjetiva a partir da percepção do objeto (do mundo), de forma que este tenha, além daquilo que é oferecido pelos órgãos dos sentidos, também e principalmente um caráter subjetivo.

Embora a pessoa com predisposição introvertida também observe as condições exteriores e objetivas (como os extrovertidos), ela elege as determinações subjetivas como os elementos decisivos do existir, portanto, apesar de ser uma pessoa que também se orienta pelos elementos da percepção e do conhecimento, como todo mundo, ela supervaloriza o componente subjetivo que ultrapassa a excitação fisiológica dos sentidos.

Quando, por exemplo, duas pessoas se deparam com um mesmo objeto, nunca se poderá afirmar que elas o percebem de maneira idêntica. Mesmo deixando de lado as diferenças sensoriais e fisiológicas que existem entre nós (uns enxergam melhor, ouvem melhor, etc), sempre existirão muitas e profundas diferenças na natureza, no significado e na representação psíquica percebida e assimilada. Enquanto a personalidade extrovertida se prende predominantemente àquilo que recebe sensorialmente do mundo (objeto), o introvertido se prende, sobretudo, à impressão subjetiva que o objeto é capaz de produzir nele.

A forma de se relacionar com a realidade da pessoa introvertida mostra que suas percepções e seu conhecimento se encontram não só condicionados pelos órgãos dos sentidos (objetivamente) mas, também, subjetivamente condicionados pelo seu perfil. Para se entender melhor o “subjetivo”, digamos que seria o acontecimento, a ação ou a reação psicológica causada pela influência do objeto no psiquismo de cada um, seria uma mudança íntima, a partir de nossa experiência com o objeto, capaz de produzir um novo estado psíquico. Isso é o “subjetivo”. Por causa do elemento subjetivo é que um mesmo quadro, paisagem ou objeto despertará diferentes impressões nas diferentes pessoas que os apreende.

Devido à supervalorização do conhecimento objetivo preconizado pelo mundo moderno, os dotes sentimentais e afetivos das pessoas, qualidades estas capazes de atribuir peculiaridades pessoais a todo tipo de conhecimento, acabam sendo desvalorizados. Hoje em dia é comum valorizar-se exageradamente o contacto objetivo (extrovertido) com as coisas, com as formas, com as cores, com os preços, os tamanhos, etc, etc, de tal forma que a palavra “subjetivo” representa, às vezes, uma espécie de censura à racionalidade pretensamente desejável às pessoas ditas normais.

A disposição subjetiva dos introvertidos atém-se a uma estrutura psicológica pessoal (temperamento) que, em princípio, nos é dada por herança e constitui uma característica inerente à pessoa. Na realidade, trata-se de uma sensibilidade psicológica do sujeito que se apresenta antes mesmo do desenvolvimento completo de sua personalidade. Por isso se diz inata.

Nos introvertidos o objeto, os fatos e a realidade concreta provocam manifestações emocionais subjetivas mais fortes que as concepções objetivas que se pode ter deles. Portanto, as concepções subjetivas dos introvertidos são mais poderosas que a influência do próprio objeto e o valor psíquico dessas concepções subjetivas sobrepõem-se a toda e qualquer impressão sensorial ou objetiva que se tem do próprio objeto.

Da mesma forma que para os extrovertidos possa parecer inconcebível que um conceito subjetivo se sobreponha à situação objetiva dos fatos, aos introvertidos também parecerá inconcebível que os valores objetivos dos fatos (objetos) tenha de ser um fator decisivo. Essas posições antagônicas dependem da sensibilidade de cada tipo de personalidade.

Por causa dessa discrepância no contacto com a realidade o extrovertido acabará acreditando que o introvertido é egoísta, vaidoso ou arrogante ideológico. Parecerá ao extrovertido que o introvertido age sob a influencia de idéias, conceitos, valores éticos, morais, culturais ou mesmo poéticos. O introvertido, devido a sua maneira determinada, normatizadora, francamente generalizadora e, tendo opiniões bem definidas sobre as coisas, será capaz de despertar ainda mais o preconceito dos extrovertidos. A determinação e rigidez do juízo, comuns ao introvertido em relação a tudo que for objetivamente dado, costumam dar a impressão de um forte egocentrismo.

Um exemplo tosco da diferença introvertido-extrovertido seria a sensibilidade necessária ao introvertido para compor uma música e a facilidade do extrovertido em dançar essa música. O arranjo de notas seria o objeto, além do qual exerce sua sensibilidade e subjetivismo o introvertido. A apreensão rítmica (captação do objeto) e coordenação motora é habilidade própria do extrovertido.

O Pensamento

O pensamento introvertido se orienta, como dissemos, pelo fator subjetivo. Este pensamento se encontra representado por um sentimento subjetivo que, em última análise, é determinado pelo juízo crítico da pessoa. As coisas objetivas com que mantém contacto e as experiências concretas podem enriquecer seu conteúdo subjetivo, mas nem sempre favorecem a prática objetiva (pragmatismo). Nos introvertidos os eventos exteriores, ao contrário dos extrovertidos, não são a causa e o fim do pensamento, seu raciocínio começa e termina sempre no sujeito e não no objeto.

O pensamento introvertido também pode tratar das grandezas concretas ou abstratas, mas, nos momentos decisivos, orienta-se sempre pelo subjetivamente experimentado. O conhecimento novos fatos tem valor indireto para o introvertido. Esses fatos novos facilitam-lhe novos pontos de vista, e estes novos pontos de vista são mais importantes do que os fatos propriamente ditos. A pessoa introvertida costuma equacionar problemas e teorias, costuma fornecer visões e sugestões, mas conserva sempre uma atitude prudente e reservada ante os fatos novos. Aceita-os como ilustração e exemplo, mas não lhes concede preponderância sobre o subjetivamente conhecido.

Com esta maneira de pensar, os fatos objetivos e concretos são de importância secundária para o introvertido. Neles sempre predomina o valor da idéia subjetiva, da imagem simbólica, das entrelinhas e da visão íntima das coisas. Esse tipo de pensamento é capaz de produzir idéias bastante abstratas e que não residem exclusivamente nos fatos, são idéias que expressam sua abstração mais íntima. O experimentado pelo introvertido não é apenas objetivo e concreto, como tende a ser aos extrovertidos, mas também simbólico e subjetivo.

A diferença entre o pensamento introvertido e extrovertido seria o mesmo que existe entre o filósofo Kant e o biólogo Darwin. Um lidando com o subjetivo e outro investigando profundamente o objetivo. Como se vê, o mundo precisa dos dois tipos.

A despeito da plena capacidade de abstração dos introvertidos, muitas vezes seu pensamento pode revelar uma perigosa tendência para forçar os fatos a submeterem-se e se conformarem à imagem subjetivamente pré-formada, ou a ignorá-los para que possa expor a imagem subjetivamente criada em sua fantasia subjetiva.

A possibilidade de distanciar-se da realidade dos fatos é ameaçada nessas pessoas, tanto quanto é ameaçada, em sentido oposto, nos extrovertidos. Estes últimos são capazes de negar a essência dos fatos por insensibilidade ao além-objeto, à abstração irreal e existente. Assim sendo, do mesmo modo que o pensamento extrovertido nem sempre consegue obter um conceito reflexivo e eficaz da experiência, também o pensamento introvertido pode não conseguir aproximar-se da objetividade da realidade real.

As opiniões dos introvertidos tendem a ser mais contundentes que dos extrovertidos, uma vez que a força das convicções, por serem subjetivas, costuma ser tanto maior quanto menos estiver em contato direto com os fatos objetivos. Mas essas opiniões introvertidas podem perder-se com facilidade na imensidão das idéias e dos fatores subjetivos. O introvertido cria teorias pela simples vontade e afinidade de criar teorias, e aí surge uma acentuada tendência para saltar facilmente do ideal para o meramente imaginário.

Nesses extremos, o pensamento introvertido que se distancia dos objetos, pode se tornar tão estéril quanto o pensamento extrovertido, que não consegue ir além dos fatos objetivamente dados.

O Sentimento

O sentimento introvertido é, como tudo nele, principalmente determinado pelo fato subjetivo. Na questão do sentimento existe uma diferença tão essencial, em relação ao sentimento extrovertido, quanto a que existe entre a introversão e a extroversão do pensamento.

Como o sentimento introvertido está subordinado às condições subjetivas, prendendo-se secundariamente ao objetivo, é normal que ele se manifeste menos e mais dificilmente e, quando se manifesta, costuma ser sempre incompreendido pelas pessoas não introvertidas.

O sentimento introvertido parece desvalorizar os objetos e o mundo objetual, portanto, pode fazer-se sentir mais negativamente que de maneira positiva. Dessa forma, a existência de um sentimento positivo nas pessoas introvertidas terá de ser suspeitado ou percebido indiretamente.

Esse tipo de sentimento pode tornar o introvertido uma pessoa taciturna, de difícil acesso sentimental ou portador de uma notável indiferença. Se o pensamento subjetivo do introvertido determina dificuldades de compreensão adequada às pessoas extrovertidas, o mesmo se poderá dizer de seu sentimento subjetivo.

A Percepção

Também a percepção, que em essência tem de estar fortemente atrelada ao objeto e à excitação objetiva, sofre uma transformação notável na pessoa introvertida. Na percepção do introvertido há um fator subjetivo, portanto, além do objeto a ser percebido existirá um sujeito que percebe e que fornece sua disposição pessoal subjetiva para a excitação neurofisiológica. Na disposição introvertida, o ato perceptivo se baseia, sobretudo, na participação subjetiva da percepção.

Essas questões subjetivas e perceptuais podem ser explicadas, da maneira mais clara, pelas obras de arte que reproduzem subjetivamente os objetos exteriores. Se, por exemplo, vários pintores se esforçassem em reproduzir fielmente a mesma paisagem, os quadros seriam, apesar da paisagem ser a mesma, muito diferentes entre si. Essa diferença não será só devida à capacidade artística maior ou menor mas, principalmente, por causa das diferentes visões subjetivas do mesmo objeto.

Inclusive, algumas pinturas denunciarão uma nítida diferenciação psíquica, quer seja no estado de ânimo, na sensibilidade para o movimento, para a cor e formas, e assim por diante. Essas qualidades apontam uma intervenção mais ou menos intensa do fator subjetivo.

O fator subjetivo da percepção no introvertido vem a ser o mesmo que nas outras funções psíquicas. Trata-se de uma disposição de personalidade capaz de alterar a percepção sensorial, remetendo-a além do caráter puramente objetivo. Neste caso, a percepção se refere, sobretudo, ao sujeito e não exclusivamente ao objeto.

Embora no introvertido exista, sem dúvida alguma, uma autêntica percepção sensorial, os objetos são vistos de modo completamente distinto dos extrovertidos. Na realidade, o sujeito introvertido percebe as coisas que todo mundo percebe, mas não se detém na pura influência do objeto, preferindo ater-se à percepção subjetiva suscitada pelo objeto. Portanto, a percepção subjetiva é acentuadamente distinta da objetiva.

Para o introvertido, o fator subjetivo de alguma coisa diz muito mais do que a simples imagem do objeto. A percepção subjetiva do introvertido apreende, pois, muito mais o fundo do que a superfície do mundo físico objetual. Ele não percebe a realidade do objeto como fator decisivo em seu destino, mas sim, a realidade do fator subjetivo das coisas, tal como seria apreendido por uma consciência muito amadurecida. Dessa forma, o fator significativo das coisas diz mais respeito à percepção subjetiva que objetiva. A percepção introvertida veria o nascer e morrer das coisas, sua origem e conseqüência, sua finalidade e destinação, muito mais que sua cor, sua forma, seu preço, seu valor prático.

Assim, a percepção introvertida capta uma imagem além da reprodução fotográfica do objeto, ela é vinculada à experiência, ao sentimento e à suposição da experiência futura. A mera impressão sensorial desenvolve-se, pois, nas profundezas desse pressentimento, ao passo que a percepção extrovertida tende a apreender o objeto momentâneo e claramente manifesto das coisas.

A Intuição Na Introversão

Na pessoa introvertida a intuição se prende aos objetos interiores, ou seja, aos elementos do inconsciente. Os objetos interiores se comportam, em relação à consciência, de modo análogo aos objetos exteriores, apesar da sua realidade não ser física, mas sim psicológica.

Os objetos interiores apresentam-se à percepção intuitiva como imagens subjetivas de coisas que não podem ser observadas na experiência exterior, pois constituem o conteúdo do abstrato do inconsciente. Naturalmente, o conteúdo do inconsciente, por sua própria essência, é inacessível a toda e qualquer experiência concreta e objetiva. Tal como a percepção, a intuição também tem um forte fator subjetivo, o qual se converte numa grandeza decisiva ao introvertido. Por outro lado, na intuição extrovertida, esse fator subjetivo da intuição costuma estar reprimido ao máximo, devido à dificuldade que tem esse tipo de personalidade em representar o subjetivo.

Na prática, um introvertido ao sentir-se atacado de uma tontura, normalmente de natureza psicológica, sua percepção se detém nas características particulares dessa perturbação, percebendo todas suas qualidades, sua intensidade, seu processo temporal, seu modo de se apresentar, com todos os seus pormenores.

Sua intuição receberá da percepção o impulso necessário para ultrapassá-la, percebendo rapidamente uma imagem subjacente que a tontura, provocou. Ele terá a visão de um homem cambaleante, com uma flecha cravada no coração, com uma ameaça de derrame cerebral, de uma morte iminente. Essa imagem fascina a atividade intuitiva, a qual nela se detém e procura explorar todos os seus pormenores.

A intuição introvertida percebe os processos do fundo da consciência ou do inconsciente, com a mesma nitidez em que a percepção extrovertida apreende os objetos exteriores. Para a intuição introvertida, portanto, as imagens inconscientes estão revestidas da importância das coisas ou objetos da realidade interna, ética, moral e sentimental. Por outro lado, a intuição do extrovertido espreita constantemente novas possibilidades, não se detém demasiadamente com possibilidade de mal ou de bem, próprio ou alheio, de certa forma atropelando considerações de ordem humana em favor de seu ímpeto de mudança.

CONSCIÊNCIA E A INTROSPECÇÃO PRINCÍPIO DE UNIÃO

Há muitos séculos acredita-se que Consciência não é, ou não consiste em um estado mental normal ou processo próprio, mas consiste no conhecimento de tais estados e processos. Locke (1689/1959) resumiu desta forma na sua célebre frase: “Consciência é a percepção do que se passa na própria mente do Homem”(p. 138) . Várias versões desta máxima têm aparecido em escritos de filósofos e psicólogos desde William James (1890/1950) até Franz Brentano (1924/1973) e mais recentemente confirmado por David Armstrong (1980), Paul Churchland (1984), David Rosenthal (1986, 1990), Peter Carruthers (1989) e William Lycan (1996), como também (pensamento um tanto indireto) por Daniel Dennett (1991). Armstrong chama esta forma de consciência de “Percepção da Mente” ou “Consciência Introspectiva” e define como “consciência no sentido mais interessante da palavra”.

“Consciência introspectiva” é o conhecimento dos estados e atividades normais na nossa própria mente. Estas atividades incluem a percepção dos sentidos, o qual é a consciência do nosso corpo e do meio ambiente. (p.61)

Churchland corrobora a convicção de Armstrong, chamando de “Consciência Introspectiva” tão somente os tipos de percepção própria”(p. 74). De acordo com Rosenthal (1990) o conhecimento dos estados mentais e atividades da consciência surgem de forma cognitiva em vez de perceptiva. Um estado mental torna-se consciente e se manifesta, apenas quando é acompanhado por uma Ordem superior e por um pensamento enérgico” (pg. 7) E Lycan afirma que “Consciência é o funcionamento dos mecanismos internos da atenção, impulsionados por ordens inferiores dos estados e eventos psicológicos”

Estas afirmativas constituem hoje o cerne da questão nas teorias filosóficas da Consciência. O que todas estas teorias têm em comum é a afirmativa de que a “Consciência é ou consiste em algum tipo de mente com um nível superior, representando um nível mental inferior de estados e processos mentais” Esta representação pode ser entendida como percepção (como Armstrong, Churchland e Lycan afirmam após Locke) ou como pensamento (como Rosenthal e até certo ponto Carruthers e Dennett).

A convicção psicológica e o mérito filosófico de tais relatos dependem de quão bem os detalhes e mecanismos de tais representações são colocadas: se é a percepção ou pensamento o que “passa na nossa própria mente”. Tentarei expor estes detalhes neste ensaio. Desta forma espero mostrar em particular que a teoria da “Ordem superior da percepção da consciência” de Lockean enfrenta um sério dilema. Cometeu-se um “erro intencional”, transformando uma espécie em outra, confundindo assim as diversas teorias.

A primeira dificuldade do dilema surge da confusão entre as propriedades do que é representado e propriedades o qual representa o que é representado, no seu relato de segunda ordem, “consciência introspectiva”. Evitar este erro será possível somente se for tomado por base uma interpretação particular de que “a percepção ocorre na própria mente” , o que por sua vez força a “Teoria da Ordem Superior da Percepção ” a se transformar em uma espécie de “Teoria da Ordem Superior do Pensamento”. Esta é a dificuldade do dilema.

DOIS SENTIDOS DE CONSCIÊNCIA E A RELAÇÃO COM INTROSPECÇÃO

Deixe-me começar com um conjunto de distinções com respeito à Consciência (traçada por James – 1890/1950), Brentano (1874/1973) e mais recentemente em Rosenthal (1990). Entre as coisas que caracterizam o termo “consciente” os dois tipos mais importantes são os seres individuais e os estados mentais que pertencem a eles ou ocorrem nestes indivíduos. Há uma diferença entre um ser consciente (o oposto é dizer que está em sonolência) e um estado mental o qual é consciente (o oposto é dizer subconsciente). Um pode estar consciente no sentido de estar acordado e atento, e além disso, a consciência pode estar dirigida para alguma coisa, como por exemplo para uma melodia vinda do rádio ou um persistente pensamento sobre uma conversa passada. Este é o sentido individual da consciência. Por outro lado tem sentido dizer se um estado mental em particular é consciente ou não. Isto não é o mesmo que alguém estar consciente. O sentido individual de consciência indica estado total de consciência; o outro classifica um estado mental como um tipo ou outro. Seguindo Rosenthal (1990) chamarei este sentido da consciência , o qual funciona como um tipo identificador nos estados mentais, de “estado de consciência”.

Feita esta distinção, o próximo passo natural é investigar a relação entre estes dois tipos de sentidos de consciência : um caminho para fazer isto é estabelecer uma relação mais estreita entre o estado de consciência de um estado mental em particular e a consciência individual daquele estado. Entretanto não especifiquei no campo dos objetivos sobre qual consciência individual pode ser direcionada. Para os propósitos deste trabalho adotarei justamente uma posição não detalhada: uma pode ser consciência individual de coisas físicas (xícaras, telefones,etc) , coisas abstratas (relações, teoremas,etc), fatos, estados emocionais e acontecimentos. Todos estes são fatos “externos”, no sentido de que podem ser objetos da consciência de outras pessoas também; a outra pode ser consciência dos estados da percepção do próprio corpo (a posição de uma perna embaixo da carteira) ou, como é geralmente aceito, do próprio estado mental (um desejo por uma barra de chocolate). Generalizando, ambos são “internos”: somente cada qual tem acesso aos seus estados perceptivos ou desejos, pelo menos da forma que cada um faz. (Ver Lyons 1986).

Esta classificação dificilmente corresponde ao sentido comum entendido como percepção (vendo uma xícara sobre o balcão, vendo que a xícara está sobre o balcão), proprioception (sentindo um pé ficando dormente) e introspecção ( pensamentos, desejos e motivos). Isto significa dizer que quero externar a consciência individual em termos de fenômenos mentais conhecidos, e permanecer neutro sobre detalhes novos neste estágio. Isto não quer dizer entretanto que este uso não seja problemático. Em particular, a afirmativa de que os estados mentais podem ser objeto de uma consciência individual, o qual em si mesmo é um estado mental, é ambígua e necessita nova análise.

O que significa “ser consciente da própria crença”? É ser consciente do conteúdo daquela crença, é ser consciente de ter aquela crença com o conteúdo ou ser consciente do estado mental daquela crença ? (isto é, a representação própria e não o que ela representa?) As discussões destas questões constituirão o cerne da minha avaliação da “Teoria da Ordem Superior da Percepção” na seção 4 deste capítulo.

A Representação de Ordem Superior (HOR – Higher Order Representation) nas Teorias da Consciência

Deixe-me agora formular a relação entre o estado e os sentidos individuais da consciência. Esta formulação significa tomar como base a tese que aborda ambos: a percepção e o pensamento como Teorias da Ordem Superior da Consciência.

O Princípio da Relação Introspectiva

Um estado mental M em um sujeito S é um estado de consciência se, e apenas se S for consciência individual de M.

Gostaria de dar aos relatos de consciência que são construídos em torno deste princípio básico de ligação, um nome comum: Teorias das Representações Mentais de Ordem Superior ou resumidamente HOR ( theories of Higher-Order (Mental) Representation). Implícito no princípio da relação introspectiva, e portanto em todos as teorias de HOR, está o emprego do estado mental metalevel, o qual é responsável pela consciência dos estados de níveis inferiores . A consciência individual do S de M é em si mesmo um estado mental. M’ em S, supõe-se direcionado sobre M. M’, então, dota M com um estado consciente, em virtude de ser ele mesmo um estado mental em S, direcionado sobre M.. Em outras palavras, M’ é um estado de segunda ordem que representa M , um estado mental comum de primeira ordem. M pode por exemplo, ser apenas um estado visual perceptivo, cujo conteúdo é uma cena S que está olhando, ou um pensamento S que está programando planos para o jantar.

HOR vem em duas principais formas, dependendo da natureza da representação da ordens superiores requeridas. Isto somente é natural desde que a representação mental seja possível através de ambos, estados perceptivos e cognitivos, e há certamente um grande número de filósofos tomando outro caminho ao excluir o “R” de HOR. Se M é considerado um estado de percepção, onde a relação do M para o seu objeto M é alguma coisa como a relação entre o estado perceptivo e seu objeto, eu chamo esta versão de HOR de Tese da Percepção de Ordem Superior (Higher-Order Perception) ou HOP.

Como disse antes, Armstrong, Churchland e Lycan, seguindo Locke, defendem este ponto de vista.

Alternativamente, M pode ser considerado como um tipo de representação mental cognitiva, um estado mais elevado do pensamento, o conteúdo o qual também é conteúdo de M, ou ( toscamente falando) um fato envolvendo M; por exemplo que S está tendo M. Esta é a tese do Pensamento de Ordem Superior (Higher-Order Thought) , ou HOT. Rosenthal e Carruthers subscrevem a tese HOT , e Dennett se aproxima do pensamento deles, embora todos defendam diferentes variações dela.

Em ambos casos, algum tipo de estrutura da hierarquia mental e da Representação de Ordem Superior é a idéia chave para a explicação de Consciência” nestes relatos. Por esta razão chamo-as de “double-tiered” Teoria”. Nos dias de hoje os relatos de HOR constituem a linha ortodoxa no que diz respeito às teorias da “Consciência Introspectiva” na filosofia analítica. O único relato que contem críticas explícitas desses relatos e faz alusões superficiais em uma tese contrária é Dretske (1993).

O QUE HÁ DE ERRADO COM A PERCEPÇÃO DE ORDEM SUPERIOR: EXCLUINDO O “P” NO “HOP”

Locke, Armstrong, Churchland, e Lycan todos falam sobre consciência como conhecimento, percepção, ou monitoração ou varredura dos estados mentais. .Há uma ambiguidade em todas estas afirmações que dizem respeito a natureza do próprio objeto interno, como percepção, conhecimento. O que exatamente está sendo percebido na “percepção que passa na nossa própria mente?” – O conteúdo do estado mental que está passando através da mente de alguém no momento, ou o estado mental ele mesmo? Ou o conteúdo de outro pensamento para o efeito que alguém está tendo como um estado mental?

Surpreendentemente dá-se pouca atenção para a resposta desta questão em qualquer detalhe. Talvez isto ocorra porque a resposta parece óbvia ou evidente para todos. Ou quem sabe o pensamento não dependa muito disso. Eu argumento que na realidade não há nada completamente óbvio ou evidente sobre a resposta, especialmente quando as hipóteses ontológicas implícitas são feitas de forma explícita. Não é verdade que não despertem para tais detalhes, o que está em jogo é simplesmente o convencimento de toda classe da teoria do tipo HOP.

TRÊS OPÇÕES PARA O TEÓRICO DO HOP

Por enquanto uma das distinções predominantes no qual a discussão tem se amparado tem sido percepção versus estado mental cognitivo; por exemplo, alguém está vendo uma xícara sobre a mesa versus alguém está acreditando que a xícara está na mesa (vendo que a xícara está sobre a mesa). Esta visão é paradigma de percepção, e crenças são paradigmas de estados cognitivos; deixem- me prosseguir como tal, me comprometendo não perder a generalidade.

Supondo que nosso sujeito S está sentado na sua mesa e olhando para a sua xícara, justo em frente a ela, em “circunstâncias normais” – luz perfeita, experiência verídica, sem truques, mágicas, brincadeiras ou pregando peças no S, etc. Apesar da imensa complexidade e da natureza dinâmica da percepção, vamos supor que possamos captar o momento singular do processo perceptivo de S, como ela continua de olho na xícara , congelando o tempo e assim obtendo um estado momentâneo das suas condições físico / mentais – ou seja teremos “uma foto polaroid instantânea da mente de S”. Chamo o estado visual de S que está naquele momento, o estado o qual está nela (como também está para ela) uma representação da xícara, V. Em outras palavras, V é o estado em virtude do qual S vê a xícara do seu jeito. Deixe-me com toda simplicidade expor o conteúdo do estado visual de S como: ( a xícara em frente.)

Agora, de acordo com os teóricos do HOP, a consciência do S consiste na “percepção de V”. Chamo esta segunda ordem do S de “percepção do conhecimento” do V, explorando ou controlando estado mental da primeira ordem. Podemos chamar isto (e permita-me de agora em diante usar o termo conhecimento para explicar tudo isto) é a união na visão conceitual, onde alguns esclarecimentos são necessários.

Posso apresentar pelo menos três diferentes leituras se o “S “é consciente do seu estado visual “V”, o qual possui o conteúdo: (xícara em frente). Deixe-me enumerar:

S está simplesmente consciente da xícara em frente.

S está consciente de ter um estado visual “V”, o qual tem o conteúdo: (xícara em frente)

S está consciente do estado visual de “V”, ela mesma. Isto é, ela está consciente do (representação da xícara) estado interno no seu qua estado interno (como meio de representação, não o que ele representa)

Qual destas três leituras verdadeiramente refletem o que os teóricos HOP tem em mente?

Opção 1 – Desmoronando a estrutura de Double-tiered

Opção 1 não fará: uma consciência ( introspectiva) de estado mental não é de acordo com a definição dos teóricos do HOP, nada, mas apenas possuir aquele estado mental. Esta opção não deixaria espaço para a “Representação de Ordem Superior” e portanto não permite a teoria do double-tiered, desmoronando o ( primeiro) nível de um estado mental normal e o (segundo) nível de um estado mental introspectivo.

Tal opção pode estar disponível para aqueles ( teóricos single-tiered da consciência) que gostariam de afirmar que a introspecção é como uma ilusão cada vez que alguém tenta se tornar introspectivamente ciente do seu estado mental. Mas isto significaria afastar-se totalmente da Segunda Ordem de Representação , algo fundamental para a teoria HOP. A opção 1 realmente não é uma opção para a teoria do HOP.

Opção 2 – HOP como HOT

A opção dois tem mais aceitação. Em circunstâncias normais, geralmente somos conscientes de ter uma variedade de estados mentais, e podemos facilmente relatar a presença de “o que está acontecendo em nossas mentes”.

Pelo menos, parece ser normal estar apto a fazer julgamentos do tipo : “Estou agora olhando para uma xícara de café com motivos de pássaro que está colocado frente a mim sobre minha mesa “. Porém informo que este meio de construir “conhecimento introspectivo “, na verdade destrói a capacidade de pensar ou. considerar a crença sobre o estado mental que alguém está tendo no momento . E como isto acontece, é precisamente a tese da Ordem Superior do Pensamento ( HOT ) e não Ordem superior da Percepção (HOP).

Os teóricos de HOP não podem optar por este caminho, enquanto defendendo um relato à parte e independente do relato de HOT. Então, na realidade a opção 2 também não é uma opção para os relatos de HOP.

Opção 3: observando a representação em si mesma.

Finalmente, o que existe acerca da opção 3?

A idéia de que a consciência introspectiva possa ser a consciência direta dos estados mentais, ou seja estados (como condutores de conteúdo) no lugar do que aqueles estados representam (seu conteúdo) é uma coisa interessante. Ele também pode ser visto em um dos dois caminhos, dependendo do acompanhamento teórico das representações mentais. Explicarei ambos:

As teorias materialistas contemporâneas das Representações Mentais, detalhes à parte, têm muito em comum: as representações mentais são estados do sistema nervoso que representam para o sujeito , para o qual acontecem vários fatos no seu ambiente tanto como nos seus estados corporais .

Então, estas representações, sendo estruturas neuroniais que interagem de várias formas eletroquímicas, tem elas mesmas como propriedades pontas de freqüências e cargas elétricas. Por sua vez representam o mundo para o sujeito como sendo um caminho certo, (ao menos, similarmente) por meio de diferentes propriedades – aquelas propriedades são familiares com nossa fenomenologia: cores, textura, temperatura e assim por diante. Por- tanto, ao menos frente a isso, parece que as propriedades dos representantes e aquelas do representados nem sempre coincidem – de fato, frequentemente parecem radicalmente diferentes.

Por outro lado, houve um tempo em que era comum a relação entre as ” idéias” na mente e objetos no mundo externo sendo para a mente considerados semelhantes.

Partes deste conceito, se bem que não exatamente desta forma, podem ser encontrados em Aristóteles, e mais recentemente na concepção de representações mentais de Berkeley como tipos de imagens (Cummins 1991). Embora ninguém que eu conheça defenda explicitamente a “teoria da semelhança das representações mentais” ., penso que ela mantenha-se vigorando, ainda que implicitamente , em muitas discussões referente a filosofia de percepção. De fato, argumentarei que os teóricos de HOP, também, estão próximos a aceitar tais relatos de semelhanças referente às representações mentais.

Permitam-me começar com posição anterior: esta pode ser a posição

que Churchland (1984, 1985) tem em mente, embora eu não pense que outros autores que eu tenha discutido subscrevam-na. A posição materialista de Churchland oscila entre uma eliminatória e uma reducionista. Em um e outro caso, ele declara que o relato “da consciência subjetiva humana” pode ser dado em uma linguagem de uma neurociência avançada, com a garantia de que isto pode ser possível quando aplicada em nosso próprio caso, ” a introspeção direta dos estados cerebrais”. Intercalado com a declaração de Churchland, está a afirmação de que não existem somente estados mentais idênticos aos estados cerebrais, mas também as propriedades do anterior se transformarão nas propriedades do posterior. Isto é dizer, Churchland afirma que um dia seremos capazes de encontrar a nós mesmos pela “introspecção direta dos nossos estados cerebrais”, através das propriedades como pontos de frequências das estruturas neuroniais, das secreções da serotonina e do gosto.

O relato de Churchland, por seu valor e pelo tempo mantem-se confiável. Além disso, a afirmação “sobre a introspecção direta dos estado cerebrais como um método que revelará não somente que tipos aqueles estados são, mas também sobre o que eles são (por exemplo, um estado visual da xícara em frente do sujeito) parecer envolver um conflito de propriedades dos representantes e daqueles representados Este dificilmente é o caso, exceto em representação icônica e o gosto que se pode encontrar na natureza do que está sendo representado através das propriedades daquele que está representando. Por então deveríamos nós esperar saber tudo sobre a xícara como o sujeito vê , examinando as propriedades neuronais do estado visual que o sujeito tem, olhando para aquela xícara?

Bem, o que existe acerca do “acesso indireto” para os estados cerebrais de alguém?. Certamente posso ver imagens do meu cérebro em tempo real produzido pela imagem de ressonância magnética ( Magnetic resonance Imaging MRI); e assim não ter somente várias experiências internas de primeira ordem, senão também ter simultaneamente experiências de segunda-ordem provenientes de meu estado cerebral.

Eu duvido que é o que Locke tinha em mente quando falou sobre “a percepção do que passa na nossa própria mente. E também duvido que isto era o que Armstrong e Lycan pensavam.

Insistindo sobre a Opção 3, me parece que poderia originar uma confusão sobre o que é representador e o que é representado. Os estados mentais do cérebro (em uma antologia materialista) são os veículos que representam para nós o mundo ao redor, como também dentro de nós. O que nos torna assim cientes do que aqueles estados representam como sendo de uma determinada maneira, através das propriedades do que está sendo representado. O que esta apreciação da opção 3 tenta outra vez é substituir o que está sendo representado por aqueles fazem a representação. Penso que apreciando os dois, e tentando criar um fato usando as propriedades dos representantes, quando o que é requerido é como os representantes representam o que eles representam, isto é, as propriedades dos representados, isto é cometer um erro digno de um nome: chamarei isto de “erro intencional”.

A última análise da opção 3 também envolve uma variação deste erro, mesmo quando ele já está em um beco sem saída, levando em consideração a falta do convencimento sobre a fundamentação da teoria “das representações mentais”. Tendo em vista os recentes avanços em Neurociênca e Modelagem Computacionais, como também a compreensão filosófica da intencionalidade do “quadro teórico” das representações mentais, é agora considerado defunto inútil.

O único meio de fazer sentido seria adotar o modelo “olho da mente”. Assim seria: pela percepção visual, S forma na sua mente uma representação da xícara em frente a ela – esta representação é o seu estado visual, V. Ao mesmo tempo ela vai perceber esta representação no seu “olho mental” . E como resultado, ela percebe a xícara.

Tal história não faz sentido a menos que nós confiemos literalmente em um “olho da mente” e nas representações mentais que admitam uma aparente relação nisto que eles representam. Se S tem na sua mente, uma pequena réplica do que ela viu frente a ela – uma xícara – e com a ajuda do “terceiro olho” foi capaz de ver essa réplica, e como resultado tem uma experiência visual consciente da xícara real, somente então constituiria um verdadeiro exemplo da quarta leitura do relato deH O P. Tudo isto é conto de fadas, obviamente, e esta teoria da opção 3, com a sua inaceitável bagagem antológica , não é opção para qualquer teórico de H O P.

Finalmente, observo como em ambos casos, a posição de Churchland, como também “A teoria da semelhança das representações mentais”, envolvem um conflito nas propriedades do que representa e do que é representado, de formas ligeiramente diferentes. Em Churchland, as propriedades do representante são tomadas como as propriedades do representado, identificando o que está na cabeça com as propriedades do que é percebido (algo fora da cabeça). Na “teoria das semelhanças”, as propriedades do representado são tomadas pelas propriedades do representante, levando em consideração as propriedades que estão dentro e fora da cabeça do representante. Visto sob ambos aspectos a opção 3 é considerada “um erro intencional”.

CONCLUSÃO

Deixe-me recapitular: os teóricos do HOP estão em uma encruzilhada com nenhuma promessa em qualquer direção. De fato enfrentam um sério dilema: eles mesmos têm que admitir “o erro intencional” ou desistir da teoria do HOP completamente ( acolhendo ambos o unilevel ou a interpretação HOT)

A opção 3 apresenta a primeira dificuldade deste dilema: ambas teorias da opção 3 envolvem um conflito das propriedades das representações e do que está sendo representado. A solução para os teóricos do HOP é apostar em uma programação e não somente nas promessas Churchulandescas ou aceitar uma desatualizada e não tão aceitável “teoria da semelhança das representações mentais”.

Enfrentar a outra parte do problema envolveria optar por pela opção 1 ou 2. Mesmo separadas, significa desistir da versão do HOP completamente em favor da teoria do “single tiered” ou da versão do HOT, respectivamente. Este, naturalmente não é o caminho desejável para qualquer teórico do HOP.

Em outras palavras, não há uma construção singular para a teoria HOP da consciência que não pareça substancialmente problemática. Além disso, não está claro que os quatro maiores proponentes da teoria do HOP optam pela mesma interpretação. Na verdade cada um pode ser induzido a ter uma interpretação diferente de acordo com suas teorias prévias. Se Locke, Armstrong, Churchland e Lycan pactuassem, poderia assim simplesmente desintegrar sob este tipo de pressão argumentativa; seria difícil dizer se havia alguma base teórica genuína no paradigma de HOP.

Concluindo, deixe me registrar que pretendo que esta análise seja exaustiva de todas as formas possíveis, mas naturalmente não posso dizer de minha parte que tipo de caso é. Não obstante espero ter levantado um desafio para os teóricos do HOP, e ter mudado o peso da idéia sobre “percepção do que passa na própria mente”. Dado que a teoria do HOP faz falta em qualquer análise, isto anima os defensores deste ponto de vista a mostrar que sua teoria está viva e bem.

Livro 1 em Português

Livro 2 em Inglês

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