Fílon de Alexandria (10 a.C – 50 d.C)

Fílon foi um dos mais renomados filósofos do judaísmo helênico, interpretou a bíblia utilizando elementos da filosofia de Platão, para ele o Demiurgo de Platão é o Deus criador dos hebreus. Estuda os textos bíblicos exegeticamente e vê neles muito mais do que os significados textuais. Busca nas palavras a autenticidade da mensagem divina. Através dessa interpretação ele vê na Bíblia a doutrina da existência de Deus. As palavras são somente um instrumento para se tentar conhecer Deus que por princípio não pode ser expresso por palavras.

Através da exegese Fílon revela um significado nas palavras bíblicas que vão além do significado imediato e literal. Este modo de interpretação vai ser muito utilizado pela Patrística. Ele tenta conciliar a filosofia grega e o judaísmo, mas nem os gregos nem os judeus aceitaram muito bem a sua obra, que somente foi reconhecida e aprovada pelos primeiros cristãos.

Fílon estava convencido de que a fé judaica e a filosofia grega coincidiam em diversos pontos, em especial na busca da verdade. Para ele existe um Deus único, incorpóreo e que não tem princípio. Deus criou o Logos, que é a atividade intelectiva de Deus, e ao Logos devemos a criação do mundo. O Logos é o que está entre Deus e os homens, é o intermediário da relação entre os dois. O Logos é o ser mais antigo, o primeiro a ser criado por Deus e é também a sua imagem.

Deus transcende a tudo o que é conhecido pelo homem, ele vai além dos limites da experiência material. O homem tem por fim voltar a se unir a Deus que é perfeito e do qual nós não temos a capacidade de compreensão. Para se unir a Deus o homem tem que se libertar da sua ligação com o corpo.

O homem é constituído por corpo, intelecto e espírito originário de Deus. A inteligência humana pode ser corrompida, e quando é corrompida ela se torna terrena, mas se ela se ligar ao espírito divino ela vai descobrir a verdadeira vida. Segundo Fílon o homem pode levar sua vida de três formas, a primeira é ligada ao corpo como extensão física, essa é a forma mais básica e inferior. A segunda é a dimensão da razão, que é a nossa alma ligada ao intelecto, o homem nessa dimensão utiliza a razão para direcionar sua vida. E a última e superior forma é a ligada ao divino, nessa dimensão a alma e o intelecto tornam-se eternos à medida que estão ligados ao espírito divino.

O ecletismo e o sincretismo em Filon de Alexandria
O ecletismo seria o procedimento no qual a filosofia se utiliza para tentar unir duas ou mais formas de pensamento sem modificar a sua estrutura original, respeitando assim a idéia de cada um e, sem produzir um novo estilo de pensamento.

…consiste em escolher, dentre as doutrinas de diferentes filósofos, as teses mais apreciadas, sem se preocupar em demasia com a coerência dessas teses entre si e com sua conexão aos sistemas de origem. (Nicola, Abbagnano; Dicionário de Filosofia, 2007)

Esse estilo de pensamento foi muito utilizado no período helenístico para reunir os principais pensamentos filosóficos de Platão, Aristóteles, Epicuro e Zenão.

Destarte, o sincretismo é totalmente diferente do ecletismo. Enquanto o ecletismo tenta unir os pensamentos filosóficos sem mudar a estrutura, o sincretismo tenta absorver as partes mais importantes de dois ou mais pensamento para formar um terceiro pensamento, ou seja, é a fusão de elementos diferentes no intuito de formar um novo elemento.

…designa-se freqüentemente com essa palavra qualquer conciliação que se considere mal feita ou mesmo os pontos de vista que auspiciem uma conciliação indesejável. Esse termo também foi empregado na história das religiões, para indicar os fenômenos de sobreposição e fusão de crenças de origens diversas. (Nicola, Abbagnano; Dicionário de Filosofia, 2007)

Podemos ver essas duas vertentes bem claras no pensamento de Filon. Ele que era um dos maiores filósofos judeus helenista que existiu na idade média, tentou interpretar as sagradas escrituras utilizando-se de elementos da filosofia grega, principalmente de Platão da qual foi influenciado. Para Platão no mundo das ideias existe um Ser supremo, criador e ordenador do universo do qual ele o chama Demiurgo que para Filon seria o Deus dos Judeus.

A obra de Filon vibra como todos os ecos; ligado à lei judaica, vendo nos estóicos os melhores dos filósofos, intimo dos cultos dos mistérios, conhecedor de Platão e dos pitagoricos, usando, para comentar a bíblia, um método tal que pudesse inserir nela elementos diversos… (BRÉHIER Comentado em Filon de Alexandria e a tradição filosófica)

O ecletismo de Filon de Alexandria seria a utilização das formas de pensamento e dos meios de argumentação da filosofia grega no estudo exegético dos textos das sagradas escrituras, ou seja, uma leitura mais filosófica na interpretação das Leis Mosaicas. Ele tenta conciliar a filosofia grega e o judaísmo, no entanto, nessa conciliação não é bem aceita pelos dois lados.

Um dos desejos de Filon era a universalização do judaísmo, o abri-se as portas para os gentios. O judaísmo, fundamentada na Lei Mosaica, pregava um conceito no qual o povo judeu era o único povo escolhido por Deus e do qual viria a salvação, deste modo, quem não nascesse judeu não teria acesso ao projeto da salvação. Filon afirmava que sim, que os gentios também podiam ingressar-se na Lei Mosaica, ele via no modo de vida dos gentios atitudes condizentes ao que a Lei Mosaica transmitia. Aqui dá pra se notar o sincretismo no pensamento dele. Pois, o intuito de Filon de Alexandria não era homogeneizar os dois pensamentos, mas abri espaço para que os gentios se convertam ao judaísmo.

O parentesco, no tribunal presidido pela Verdade, não se valia somente pelos laços de sangue, mas pela similaridade da conduta e da busca dos mesmos objetivos, o que é dizer que não é necessário, nem mesmo suficiente, nascer judeu para poder ser considerado como tal aos olhos de Deus, mas apenas o reconhecimento desse Deus como único e existente…(FILON, De virtutibus)

Só que o judeu tradicional não aceitou essa abertura a uma universalidade, um sincretismo, do judaísmos com o estilo de vida dos gentios. No entanto, quem soube se utilizar do sincretismo com a filosofia grega e com outras formas de vida religiosa foi o cristianismo, no qual, procurou nesses âmbitos de pensamento formas que condissessem com seu sistema dogmático.

Pensamentos

“Devemos viver para Deus e não para nós mesmos.”

“Para a criatura o melhor momento para encontrar seu criador é quando ela se torna nula.”

“Se dizeres o que queres dizer, ouves o que não queres ouvir.”

Sentenças:

– Para a criatura o melhor momento para encontrar seu criador é quando ela se torna nula.

– Devemos viver para Deus e não para nós mesmos.

Obras de Filon

De Aeternitate Mundi

De Abrahamo

De Migratione Abrahami

De Mutatione Nominum

De Plantatione

De Agricultura

De Confusione Linguarim

De Congressu Eruditiones Gratia

De Decalogo

De Sacrificius Abelis et Cainis

De Posteritate Caini

De Ebrietate

De Escrecationibus

De Fuga et Inventione

De Gigantibus

De Josepho

De Opificio Mundi

De Vita Contemplativa

De Vita Mosis

De Sobrietate

De Somniis

De Specialibus Legibus

De Virtutibus

De Praemiis et Poenis

Legum Allegoriae

Legatio ad Gaium

In Flaccus

Quaestiones in Genesim

Quaestiones in Exodum

Quis Serem Divinarum Heres Sit

Quod Deterius Potiori Insidari Soleat

Quod Deus Sit Immutabilis

Quod Omnis Probus Líber Sit

Livro

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