Socialismo e Liberalismo

Socialismo

Teoria Socialista, comunismo, Karl Marx e Engels, a experiência socialista na URSS, Cuba, China e  países da Europa Oriental, a queda da União Soviética, Glasnost e Perestroika, marxismo, países socialistas

Introdução 

Do ponto de vista político e econômico, o comunismo seria a etapa final de um sistema que visa a igualdade social e a passagem do poder político e econômico para as mãos da classe trabalhadora. Para atingir este estágio, dever-se-ia passar pelo socialismo, uma fase de transição onde o poder estaria nas mãos de uma burocracia, que organizaria a sociedade rumo à igualdade plena, onde os trabalhadores seriam os dirigentes e o Estado não existiria.

Características do socialismo 

Diferentemente do que ocorre no capitalismo, onde as desigualdades sociais são imensas, o socialismo é um modo de organização social no qual existe uma distribuição equilibrada de riquezas e propriedades, com a finalidade de proporcionar a todos um modo de vida mais justo.

Sabe-se que as desigualdades sociais já faziam com que os filósofos pensassem num meio de vida onde as pessoas tivessem situações de igualdade, tanto em seus direitos como em seus deveres; porém, não é possível fixarmos uma data certa para o início do comunismo ou do socialismo na história da humanidade. Podemos, contudo, afirmar que ele adquiriu maior evidência na Europa, mais precisamente em algumas sociedades de Paris, após o ano de 1840 (Comuna de Paris).

Na visão do pensador e idealizador do socialismo, Karl Marx, este sistema visa a queda da classe burguesa que lucra com o proletariado desde o momento em que o contrata para trabalhar em suas empresas até a hora de receber o retorno do dinheiro que lhe pagou por seu trabalho. Segundo ele, somente com a queda da burguesia é que seria possível  a ascensão dos trabalhadores.

A sociedade visada aqui é aquela sem classes, ou seja, onde todas as pessoas tenham as mesmas condições de vida e de desenvolvimento, com os mesmos ganhos e despesas. Alguns países, como, por exemplo, União Soviética (atual Rússia), China, Cuba e Alemanha Oriental adotaram estas idéias no século XX. A mais significativa experiência socialista ocorreu após a Revolução Russa de 1917, onde os bolcheviques liderados por Lênin, implantaram o socialismo na Rússia.

Porém, após algum tempo, e por serem a minoria num mundo voltado ao para o lucro e acúmulo de riquezas, passaram por dificuldades e viram seus sistemas entrarem em colapso. Foi a União Soviética que iniciou este processo, durante o governo de Mikail Gorbachov (final de década de 1980), que implantou um sistema de abertura econômica e política (Glasnost e Perestroika) em seu país. Na mesma onda, o socialismo foi deixando de existir nos países da Europa Oriental.

Atualmente, somente Cuba, governada por Fidel Castro, mantém plenamente o sistema socialista em vigor. Mesmo enfrentando um forte bloqueio econômico dos Estados Unidos, o líder cubano consegue sustentar o regime, utilizando, muitas vezes, a repressão e a ausência de democracia.

Correntes

Existem várias correntes do socialismo, entre elas as principais são: socialismo democrático, socialismo árabe, socialismo africano, comunismo, eco-socialismo, social anarquismo, social democracia, socialismo utópico, socialismo de mercado e socialismo revolucionário.

Países atuais que seguem o socialismo e são unipartidários:

– República Popular da China, República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), República de Cuba, República Socialista do Vietnã e República Democrática Popular do Laos.

Pierre Leroux – O Pai do Socialismo

O termo ‘socialismo é geralmente atribuído a Pierre Leroux em 1834, que chamou de socialismo “a doutrina que não desistiria dos princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade”

Pierre Leroux (Bercy, 7 de abril de 1798 – abril de 1871), foi um filósofo e político francês. Era filho de artesãos.

Ele fundou o jornal Le Globe em 1824 que se converteu no órgão do sansimonismo. Posteriormente lançou a Encyclopédie Nouvelle (1836-1843) e a Revue Indépendente (1841-1848), na qual expôs sua teoria de um deísmo nacional para substituir as religiões cristãs. Defensor da classe operária e partidário de um socialismo místico e do feminismo, foi deputado na assembléia constituinte e na assembléia legislativa (1849). Fundou o termo “socialismo” em 1831, mesmo ano em que rompeu com a igreja são-simoniana. Entre suas principais obras está “Da plutocracia” de 1843.

Liberalismo

Definição

Liberalismo pode ser definido como um conjunto de princípios e teorias políticas, que apresenta como ponto principal a defesa da liberdade política e econômica. Neste sentido, os liberais são contrários ao forte controle do Estado na economia e na vida das pessoas.

O pensamento liberal teve sua origem no século XVII, através dos trabalhos sobre política publicados pelo filósofo inglês John Locke. Já no século XVIII, o liberalismo econômico ganhou força com as idéias defendidas pelo filósofo e economista escocês Adam Smith.

Podemos citar como princípios básicos do liberalismo:

– Defesa da propriedade privada;
– Liberdade econômica (livre mercado);
– Mínima participação do Estado nos assuntos econômicos da nação (governo limitado);
– Igualdade perante a lei (estado de direito);

Na década de 1970 surgiu o neoliberalismo, que é a aplicação dos princípios liberais numa realidade econômica pautada pela globalização e por novos paradigmas do capitalismo.

Adam Smith: o pai do liberalismo econômico

Quem foi

Adam Smith foi um importante filósofo e economista escocês do século XVIII. Nasceu na cidade escocesa de Kirkcaldy, em 5 de junho de 1723, e faleceu em Edimburgo no dia 17 de julho de 1790.

Teoria

Em plena época do Iluminismo, Adam Smith tornou-se um dos principais teóricos do liberalismo econômico. Sua principal teoria baseava-se na ideia de que deveria haver total liberdade econômica para que a iniciativa privada pudesse se desenvolver, sem a intervenção do Estado. A livre concorrência entre os empresários regularia o mercado, provocando a queda de preços e as inovações tecnológicas necessárias para melhorar a qualidade dos produtos e aumentar o ritmo de produção.

As idéias de Adam Smith tiveram uma grande influência na burguesia européia do século XVIII, pois atacavam a política econômica mercantilista promovida pelos reis absolutistas, além de contestar o regime de direitos feudais que ainda persistia em muitas regiões rurais da Europa.

A teoria de Adam Smith foi de fundamental importância para o desenvolvimento do capitalismo nos séculos XIX e XX.

A Riqueza das Nações 

Sua principal obra foi A Riqueza das Nações escrita em 1776. Nesta obra Adam Smith buscou diferenciar a economia política da ciência política, a ética e a jurisprudência. Fez também duras críticas a política mercantilista e sua intervenção irrestrita na economia. Porém, a teoria principal defendida por Adam Smith nesta obra é a de que o desenvolvimento e o bem estar de uma nação advém do crescimento econômico e da divisão do trabalho. Esta última, garante a redução dos custos de produção e a queda dos preços das mercadorias. Defende também a livre concorrência econômica e a acumulação de capital como fonte para o desenvolvimento econômico.

Biografia (principais momentos da vida de Adam Smith)

– Com 16 anos de idade, foi estudar filosofia moral na Universidade de Glasgow.
– Em 1740, entrou na Universidade de Oxford.
– Em 1748, começou a lecionar em Edimburgo.
– Em 1750, conheceu David Hume, importante filósofo do período que se tornou seu grande amigo.
– Em 1751, tornou-se professor de Lógica e Filosofia Moral na Universidade de Glasgow.
– Em 1759, publicou sua obra Teoria dos Sentimentos Morais.
– Em 1763, Adam Smith deixou de ser professor para assumir o cargo de tutor do duque de Buccleuch.
– Entre 1764 e 1766, viajou pela França onde conheceu grandes intelectuais da época, entre eles d’Alembert, Turgot e Helvetius.
– Em 1776, publicou sua grande obra: A Riqueza das Nações.
– Em 1778, recebeu o cargo de comissários da alfândega da Escócia.

Obras principais:

– Teoria dos sentimentos morais (1759)
– A Riqueza das Nações (1776)

Frases de Adam Smith

– “A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes.”

– “Impostos que visem a prevenir, ou mesmo reduzir a importação, são evidentemente tão destrutivos das rendas alfandegárias quanto a liberdade de comércio.”

– “No estágio adiantado da sociedade, portanto, são paupérrimas as pessoas que fazem comércio daquilo que os outros procuram como passatempo.”

– “Nenhuma nação pode florescer e ser feliz enquanto grande parte de seus membros for formada de pobres e miseráveis.”

– “Mas, mesmo que o trabalho seja a medida real do valor de troca de todas as mercadorias, não é por ele que seu valor é avaliado.”

Socialismo e Liberalismo

Os dois pólos extremos, o socialismo e o seu oposto, o liberalismo, representam, no entendimento comum das pessoas, uma posição em que a iniciativa individual é limitada (socialismo) e outra posição em que a iniciativa individual é o fundamento do progresso social (liberalismo). No socialismo o governante recebeu da sociedade toda a responsabilidade pela sobrevivência e desenvolvimento social, e todos os indivíduos devem disponibilizar os seus bens e participar da montagem de um programa de governo que todos estarão obrigados, mediante força, a respeitar e cumprir depois de aprovado: a iniciativa individual não vai alem das propostas programáticas. No liberalismo predomina amplamente a iniciativa individual; ao governante cabe fundamentalmente apenas organizar a justiça e a defesa, inclusive velar pelo direito de propriedade de cada membro da sociedade.

Essa concepção popular espelha bem o que é essencial nas duas doutrinas filosóficas, e nos permite distinguir duas fórmulas de organização político religiosa a elas correspondentes: uma a fórmula totalitária do Estado religioso, como nas monarquias medievais e hoje, em alguns estados islâmicos; e outra, a fórmula do Estado liberal que declara uma crença em Deus, como em algumas democracias ocidentais. As alternativas seriam o Estado religioso, no qual o governo estará incumbido de utilizar a força para aplicação dos preceitos da religião, cabendo aos cidadãos a obediência incondicional, ou o Estado liberal com uma vocação ou ética religiosa simplesmente professada pela maioria dos seus cidadãos, e no qual a iniciativa individual prevalecerá.

Fundamento social cristão.

Os partidos e os movimentos cristãos teriam, portanto, esses dois possíveis caminhos para o objetivo de organizar política e economicamente o Estado: um governo totalitário, com uma religião oficial, ou um Estado liberal com o rearmamento moral dos indivíduos segundo os preceitos do cristianismo, dentro de uma sociedade livre e democrática. Esses partidos, ou movimentos, existem, e se não estão claramente definidos como tais, revelam-se nas posições confrontantes, principalmente nos debates sobre a chamada “Teologia da libertação”. O primeiro, que seria o chamado Socialismo Cristão, seria a moral cristã imposta por lei. Como o rearmamento moral é trabalhoso e cada vez mais difícil e depende da fé, podemos compreender a inclinação cristã pelo socialismo como solução para os males sociais, não importa o que aconteça com a fé. O segundo, que seria o Movimento Social Cristão o qual, ao contrário do socialismo, baseia-se na ação individual voluntária e cooperativa para alcançar o bem comum segundo os preceitos da fé cristã.

Socialismo Cristão.

Esta corrente teve em Campanella sua primeira manifestação conhecida. Note-se que, embora as monarquias fossem cristãs, os preceitos religiosos que interessavam eram apenas os da obediência ao Estado e ao monarca, como representantes da ordem e do poder de Deus, e que a estrita obediência aos dogmas era questão de segurança do Estado. No século XVII o dominicano Thomaso Campanella propôs uma ordem social cristã da qual seria força guardiã e coerciva o poder da monarquia católica da Espanha. Repetiu sua proposta nomeando, em versões posteriores da sua obra, o poderio militar francês e depois a união das forças das monarquias católicas sob a chefia do Papa. A idéia no cerne da sua utopia era a da justiça social.

No começo do século 19, o filósofo francês Henri de Saint-Simon propôs “um cristianismo novo” preocupado primeiramente com as reivindicações dos pobres. Os saint-simonianos acreditavam que a chave do desenvolvimento social seria um espírito da associação, – com a Igreja instituída em Estado como a força dominante -, o qual suplantaria gradualmente o espírito de egoísmo e antagonismo prevalecente na sociedade. Advogavam (entre outras coisas) que o direito de herança fosse abolido de modo que o capital pudesse sair das mãos dos capitalistas ávidos e ser colocado à disposição de todos. Saint-Simon propôs uma ditadura benevolente dos industriais e dos cientistas para eliminar as iniquidades do sistema liberal inteiramente livre. Desejava um Estado industrializado dirigido pela ciência moderna, no qual a sociedade seria organizada para o trabalho produtivo pelos homens mais capazes. Os saint-simonianos imaginaram que isto e outras ações relacionadas terminariam efetivamente com a exploração dos pobres

Falta aos adeptos do Socialismo Cristão, no entanto, uma fórmula de conciliação entre os alvos fundamentais do socialismo, ou seja, a ampla setorialização da autoridade e da ação do governo – com a conseqüente restrição da iniciativa individual -, e as convicções religiosas e éticas do cristianismo as quais, ao contrário, demandam a livre escolha individual do bem. Essa contradição cria a dúvida quanto à legitimidade da expressão “Socialismo Cristão”, uma vez que, se a Ética Política do movimento respeita o livre arbítrio, então é liberalismo cristão, e se introduz a coerção, é puro socialismo que nega o princípio da liberdade individual que é fundamental ao cristianismo.

O termo socialismo cristão foi apropriado primeiramente ao redor de 1830 por um grupo de teólogos britânicos incluindo Frederick Denison Maurice, o novelista Charles Kingsley, e outros, que fundaram um movimento que ganhou forma na Inglaterra imediatamente depois do fracasso da agitação Cartista de 1848. A finalidade geral desse movimento era reivindicar para “o reino de Cristo” sua autoridade verdadeira sobre os “domínios da indústria e do comércio”, e “para o socialismo seu caráter verdadeiro como a grande revolução cristã do século 19.” Quatro anos depois que Karl Marx caracterizara a religião como “ópio do povo”, Kingsley (possivelmente desconhecendo a frase de Marx) afirmou que a Bíblia havia sido erradamente usada como “uma dose de ópio para manter bestas de carga pacientes enquanto estavam sendo sobrecarregadas” e como um “mero livro para manter o pobre dentro da ordem” (em Politics for the People, 1848).

Tudo isto faz parecer que os fundadores do Socialismo Cristão nessa época pretendiam, de modo confuso, o uso da força e o banimento da religião. Porém verifica-se, examinando a atitude individual de seus fundadores, que pretendiam o soerguimento da classe pobre, e não uma revolução ou um estado forte que a socorresse em oposição aos ricos. Ao que pretendiam aplicar-se-ia melhor a expressão Movimento Social Cristão, que hoje deseja um governo segundo os preceitos cristãos, porém apenas naquele mínimo de responsabilidade que possa ser conferido ao governo na democracia liberal

Movimento Social Cristão. Maurice e Kingsley, embora fossem radicalmente por uma reforma social que diminuísse a pobreza, pensavam que existia um caminho através da fé, e procuravam converter os ricos, e paralelamente convencê-los de que essa reforma reverteria em benefício de todos, enquanto promoviam as classes pobres através do melhoramento da instrução e da habilitação profissional.

Outro exemplo de movimento social cristão atual em franco contraste com o socialismo marxista é o movimento criado por Chiara Lubich, destinado a contribuir para uma nova ordem mundial segundo os preceitos cristãos de fraternidade e bens em comum. Uma líder católica-ecumênica e filósofa cristã, em 1960 ela deu uma dimensão político-filosófica e religiosa, ampla e original, à sua proposta, pregando que Deus pede o amor recíproco entre Estados, assim como pede o amor recíproco entre os irmãos, e que era chegado o momento no qual a pátria alheia devia ser amada como a própria.

O forte tom ecumênico do movimento, indispensável à sua ética política de união dos povos, foi uma antecipação ao movimento ecumênico que seria deflagrado na Igreja Católica pelo papa João XXIII. Criou mais tarde o que chamou Economia de Comunhão na Liberdade um setor do Movimento destinado a criar uma rede de indústrias e agentes comerciais preocupados com a união e o compartilhamento, o respeito às leis, salários justos, e mútuo apoio, com capital e tecnologia partilhadas também entre as nações e os continentes.

Ouça o Sumario:

O Capital  Karl Marx Vol I

O Capital  Karl Marx Vol II

Adam Smith A Riqueza das Nações Vol I

Livro de Adam Smith A Riqueza das Nações Vol II

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