Caracterologia

Caracterologia significa literalmente estudo do caráter, e designava, originalmente, toda pesquisa ligada à personalidade. Atualmente a expressão só costuma ser usada em referência à teoria da personalidade de René Le Senne e Gaston Berger, segundo a qual há 8 caracteres (i.e., tipos psicológicos), definidos a partir de três características básicas (“propriedades”) – “emotividade”, “atividade” e “ressonância”

Esta teoria foi desenvolvida a partir dos estudos dos psicólogos holandeses Gerardus Heymans e Enno Dirk Wiersma, que, procurando estudar a hereditariedade de vários traços psicológicos, elaboraram estatísticas desses traços para várias pessoas e, depois, através da análise fatorial, concluíram que estes poderiam ser agrupados em três grandes características.

Conceitos básicos

Para Le Senne, caráter designa o conjunto de disposições congênitas, ou seja, que o indivíduo possui desde seu nascimento e compõe, assim, o esqueleto mental do indivíduo; já personalidade, é definida por ele como o conjunto de disposições mais “externas”, como que a “musculatura mental” – todos os elementos constitutivos do ser humano que foram adquiridos no correr da vida, incluindo todos os tipos de processo mental.

As propriedades constitutivas

Le Senne define três propriedades constitutivas do caráter:

Emotividade – a propensão de vivenciar os acontecimentos de maneira mais ou menos emotiva, podendo as pessoas ser “emotivas” ou “não-emotivas”;

Atividade – a inclinação e o gosto pela ação, havendo os “ativos” e os “não-ativos”. A atividade, neste sentido, refere-se ao gosto pela ação em sim mesma; não deve ser confundida com situações em que a ação é apenas uma conseqüência da emotividade do indivíduo (ex. uma pessoa perseguida por uma fera é ativa, mas não pelo gosto da ação, mas pela emotividade (medo) da situação);

Ressonância das representações mentais – toda experiência (ou melhor, a representação dessa experiência na mente da pessoa) provoca no indivíduo uma “ressonância”, ou seja, efeitos mentais (pensamentos, emoções, etc.). Efeitos que se referem a evento que se estão realizando (i.e. presentes) fazem parte da função primária da representação; já efeitos ligados a fenômenos já passados fazem parte da função secundária. Ressonância indica, assim, a tendência do indivíduo de viver mais no presente ou, pelo contrário, no passado ou no futuro; assim, os indivíduos serão “primários” (se vivem para o presente) ou “secundários” (se vivem para o passado ou para o futuro).

Além dessas três propriedades constitutivas dos tipos caracterológicos, Le Senne diferencia cinco propriedades complementares, que produzem diferenças entre as pessoas pertencentes a um mesmo tipo:

Amplidão do campo de consciência – a tendência inata de poder expandir mais ou menos a percepção e a atenção;

Inteligência analítica – sobretudo a capacidade de reflexão analítica, ainda em estádio nascente, a possibilidade de desenvolver a inteligência adulta;

Egocentrismo ou alocentrismo – ou seja, a capacidade maior ou menor de o indivíduo ver o mundo e os acontecimentos do ponto de vista das outras pessoas;

Outras tendências predominantes – preferências pessoais inatas;

O modo de estrutura mental.

Os tipos caracterológicos

A partir da combinação das três propriedades constitutivas definem-se 8 tipos caracterológicos ou caracteres, que produzem assim diferentes personalidades:

Emotivo – Ativo – Primário: o “colérico”. Indivíduos ativos, impulsivos, generosos, sempre cheios de projetos, mas instáveis, saltando freqüentemente de uma atividade para outra que lhes pareça mais entusiasmante e desafiadora (ex. Danton, Léon Gambetta, Jean Jaurès)

Emotivo – Ativo – Secundário: o “apaixonado”. Indivíduos que têm um objetivo, sobretudo a longo prazo, e concentram todas as suas energias para esse fim (ex. Napoleão).

Emotivo – não Ativo – Primário: o “nervoso”. Indivíduos imaginativos, com algum fascínio pelo “bizarro” e por tudo o que saia da monotonia; freqüentemente com aptidão artística (ex. Edgar Allan Poe, Shelley, Byron)

Emotivo – não Ativo – Secundário: o “sentimental”. Indivíduos introvertidos e tímidos, freqüentemente com grandes sonhos e projetos, mas que pouco fazem para os realizar (ex. Kierkgaard, Robespierre, Rousseau, Thoreau)

não Emotivo – Ativo – Primário: o “sanguíneo”. Indivíduos pragmáticos e “terra-a-terra” , que se adaptam facilmente a qualquer situação e com grande facilidade no relacionamento com outros, (ex. Metternich, Montesquieu, Talleyrand, Voltaire).

não Emotivo – Ativo – Secundário: o “fleumático”. Indivíduos trabalhadores, regulares, calmos e pontuais (ex. Kant, James Mill, John Stuart Mill)

não Emotivo – não Ativo – Primário: o “amorfo”. Indivíduos pouco ativos, que se acomodam às situações, de bom humor (ex. Luís XV)

não Emotivo – não Ativo – Secundário: o “apático”. Indivíduos tranqüilos, pouco ativos, gostando de uma vida rotineira (ex. Luís XVI)

Os 2 últimos tipos caracterológicos (os “não Emotivos – não Ativos”) são, segundo o autor, muito raros.

Bibliografia

Gauquelin, Michel. Conhecer os Outros. [S.l.]: Verbo, 1984. p. 146-155.

Gauquelin, Michel (1984). “Os temperamentos e os caracteres”. Dicionário de Psicologia. Verbo. 498-536.

Le Senne, René. Traité de caractérologie (em Francês). 7ª ed. Paris: Presses universitaires de France, 1945;1963. 660 p.

Pequena Biografia de

Filósofo e psicólogo francês, cuja filosofia é nomeado ideo-existencial. Voltando ao pensamento de Hamelin, filosofia, considerada como a metafísica, como idealismo. Em uma tentativa de formular uma síntese entre a mente e o pensamento, coração e realidade, a unidade atingiu “ideo-existencial” com que o filósofo toma uma posição contra a experiência lúcida, sem tentar sistematizar definitivamente. Sua filosofia é essencialmente inspiração ética, e destina-se principalmente a experiência humana entendida como experiência contraditório, obstáculos e conflitos, em suma, a experiência determinações que limitam o assunto, mas que a melhoria contínua demanda e, portanto, uma contínua tensão para o que está além da própria determinação, ao valor. O valor é absoluto, único, infinito, e o homem não pode alcançá-lo imediatamente, mas somente através de valores particulares. Na psicologia da Le Senne também apresenta a dialética de determinação e liberdade. Le Senne fórmula, também uma série de caracteres com base nas propriedades fundamentais que determinam a eles.

Baixe o Livro

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s