Hei de Vencer

 

Se olharmos um pouco para a história dos homens vencedores, encontramos ali um presidente Roosevelt, atacado de paralisia infantil, vivendo anos e anos quase sem saúde e dirigindo os Estados Unidos da América do Norte. Vemos Epicteto que foi escravo; Byron, que era coxo; Camões, cego e desterrado; Beethoven, surdo, cego e asmático; Walter Scott, coxo; Edison, surdo; Galileu, tendo consumido a vida em seus estudos de astronomia, de filosofia experimental, e sofrendo das infâmias da Inquisição, santo humilhado aos setenta e quatro anos de idade por nunca ter mentido; sábio que sentiu, dia a dia, sua vista apagar-se, ao compor suas “Tábuas dos Satélites de Júpiter”. Terminou cego, mas trabalhou. Vemos Gustavo Coelho cego, e depois de cego conseguir descobrir a bússola mecânica. Goodrick foi surdo e mudo de nascença, mas pela História morreu aos 22 anos, abençoando sua desventura por ter visto as estrelas, contemplado a amplidão e revolucionado astronomia. Beethoven, surdo, escutava a harmonia das esferas, o hino dos astros! Sejamos assim! Abençoemos a dor, porque vivemos, porque amamos. Fechemos os olhos para contemplar a altura. O ideal seria vermos dentro de nós mesmos, como vemos, no espaço, astros, mundos, miragens, esplendores, condensando o infinito no coração. O sonho é o azul; a poesia é a asa.
Nós criamos em torno de nós um problema, e cada um de nós tem um problema em sua vida. Fica dentro de si como o peru dentro do círculo de giz; não atina como sair dele. Cada pessoa que me procura — acho interessante — tem um caso complicado como nunca em sua vida. Para cada um o seu é o mais complicado. Cada um tem, em torno de si, a idéia de que não pode resolver seus próprios problemas.
É preciso criar uma atitude mental forte, uma atitude mental capaz de vencer. Aconselho essa frase “Hei de vencer”, mas não queiram usá-la na hora da angústia, na hora da dificuldade; não queiram usá-la para determinado fim, porque eu sei de uma mocinha que pegou o “Hei de vencer” na hora de fazer um exame e o pôs dentro do caderno. Pode ser que vença, não sei; mas não é isso o que aconselho. “Hei de vencer” é obrigatório diante de tudo, diante de todos os conflitos da vida. Eu venci, de qualquer forma, e não me digam que o meu caso é diferente, porque sei que em qualquer aspecto podemos vencer. Em toda a história da força de vontade, a página mais brilhante que conheço é a do “Abre-te, Sésamo”, de Hellen Keller.
“Deslumbramo-nos. Abre-te, Sésamo! Desvendemos o enigma. Desnuda-te, Ísis! Para mim, Hellen Keller representa o esforço da humanidade no seu surto perpétuo para a luz! Hellen Keller é uma cega, surda-muda americana, autora de duas obras admiráveis, “The story of my life” e “The world I live in”, livros cuja leitura produziu sobre meu espírito de filósofo profunda impressão poética. Essa mulher lê, no original, Shakespeare, Goethe, Molière, freqüenta museus, exposições, fábricas, vendo com os dedos tão bem como nós; dança perfeitamente, orientada pela vibração trepidante dos instrumentos musicais no ar e no chão, pedala em bicicleta, sabe profundamente matemática, grego, latim, história, geografia, astronomia; desenha, redige artigos para a imprensa; costura, borda, monta a cavalo; é doutora em ciências jurídicas e sociais, tendo também feito com distinção o curso universitário; cantou num concerto uma ária popular; joga xadrez e todos os jogos possíveis; toca vários instrumentos; possui, pelas suas lucubrações filosóficas, idéias originais, do mais puro brilho, da mais clara elevação. Esta mulher assombrosa é uma nova Helena, tão bela, moralmente, quanto o foi pelo físico a inspiradora eterna. É para o cientista, empolgado por múltiplas cogitações, sequioso de adivinhar, oscilando continuamente entre a dúvida e a esperança, a chave mágica do enigma, da sabedoria hermética, do mistério da vida. Ela revela ser infinita a perfectibilidade, mas que o homem pode ter a coragem de sempre, e cada vez mais, corrigir a cegueira da natureza”. (Ana Sullivan.)
Se ela, surda, muda, cega, pôde vencer, por que não o poderemos nós? Há um ditado que diz “que o pior cego é o que não quer ver”.
Nós somos cegos conduzindo outros cegos; somos cegos porque nos falta otimismo, nos falta coragem para vencer. Eu já lhes demonstrei minha defesa; espero que de hoje em diante, os que me ouvem, nunca, em ocasião alguma, se dêem por vencidos em qualquer luta, em qualquer conflito da vida.

Texto Extraído do livro: Hei de Vencer, de Arthur Riedel

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