Mensagem Subliminar

Mensagem subliminar

Mensagem subliminar é a definição usada para o tipo de mensagem que não pode ser captada diretamente pela porção do processamento dos sentidos humanos que está em estado de alerta. Subliminar é tudo aquilo que está abaixo do limiar, a menor sensação detectável conscientemente. Importante destacar que existem mensagens que estão abaixo da capacidade de detecção humana – essas mensagens são imperceptíveis, não devendo ser consideradas como subliminares. Toda mensagem subliminar pode ser dividida em duas características básicas, o seu grau de percepção e de persuasão.

A percepção subliminar é a capacidade do ser humano de captar de forma inconsciente mensagens ou estímulos fracos demais para provocar uma resposta consciente. Segundo a hipótese, o subconsciente é capaz de perceber, interpretar e guardar uma quantidade muito maior de dados que o consciente. Como exemplo, imagens que possuem um tempo de exposição pequeno demais para serem percebidas conscientemente, ou sons baixos demais para serem claramente identificados. Dados que passariam despercebidos pela mente consciente seriam na verdade interpretados e guardados.

A persuasão subliminar seria a capacidade que uma mensagem teria de influenciar o receptor. Segundo a hipótese, toda mensagem subliminar tem um determinado grau de persuasão, e pode vir a influenciar tanto as vontades de uma forma imediata (fazendo por exemplo, uma pessoa sentir vontade de beber ou comer algo), como até mesmo a personalidade ou gostos pessoais de alguém a longo prazo (mudando o seu comportamento, transformando uma pessoa tímida em extrovertida). Esse grau de persuasão deveria variar de acordo com o tempo de exposição à mensagem, e a personalidade do receptor.

A percepção subliminar é de fato comprovada cientificamente, com inúmeros experimentos que apresentaram fortes evidências. No entanto, até hoje, a persuasão subliminar não conseguiu ser comprovada, ainda que alguns pesquisadores independentes aleguem terem experimentos que de fato comprovariam a existência da persuasão. Infelizmente até hoje ainda não existe nenhum trabalho publicado em periódicos científicos que confirme essa afirmação, desde a época em que o conceito de mensagem subliminar foi definido.

Efeitos conhecidos no subconsciente neurológico

É unânime entre os neurocientistas e psicólogos que o inconsciente não é facilmente manipulado, como acredita o senso popular. Segundo Henrique Schützer Del Nero, Especialista em Psiquiatria pelo H.C da Faculdade de Medicina da USP, o inconsciente não pode levar o consciente a fazer algo que ele julgue errado ou que realmente não queira: “O inconsciente como um depósito de complexas decisões, desejos, preferências etc., é, sem dúvida, o principal alicerce ‘para a crença nas ‘mensagens subliminares’. No entanto, esse inconsciente ‘esperto’, contido na visão popular da psicologia, tem sido rejeitado pelas modernas pesquisas cognitivas”, afirmam os psicólogos Birgit Mayer e Harald Merckelbach, através do artigo “Unconscious Processes, Subliminal Stimulation, and Anxiety”, publicado pela Clinical Psychology Review.

Mas, então, é preciso entender como é o funcionamento da parte não-consciente do cérebro. Subconsciente é um termo utilizado em psicologia para designar aquilo que está situado abaixo do nível da consciência ou que é inacessível à mesma. São todas as lembranças que não podem ser imediatamente recordadas, como também as diversas características de nossa personalidade. O subconsciente não é uma consciência paralela, ele é a “engrenagem” que sustenta a mente consciente, o reservatório de informações e sensações. Portanto o subconsciente não é capaz de tomar decisões, embora como parte do processamento, seja capaz de responder a estímulos – seja enviados do consciente como também estímulos dos cinco sentidos. ‘O conceito de subconsciente como uma mente paralela só aparece na psicanálise, mas não é apoiado pela psicologia moderna’.

Como Philip M. Merikle, membro do departamento de psicologia da Universidade de Waterloo afirma, testes empíricos demonstram que existe certo nível de percepção inconsciente. No entanto, ele afirma: “Um tema comum que ligue todas as reivindicações extraordinárias a respeito da percepção subliminar é que a percepção na ausência de uma consciência é de algum modo mais poderosa ou influente do que a percepção que é acompanhada por uma consciência. Esta idéia não é suportada pelos resultados de investigações controladas do laboratório da percepção subliminar. Ao contrário, os resultados dos estudos controlados indicam essa percepção subliminar, quando ocorre, refletem, no máximo, interpretações habituais de uma pessoa a esse estímulo.” Esse é também o posicionamento de diversos outros teóricos, como Daneman.

Estudos a favor

Existe pouca literatura confiável que apóie a teoria sobre a existência deste tipo de publicidade. Um dos poucos investigadores a favor é Wilson Bryan Key, quem diz haver descoberto um grande número de mensagens ocultas em vários anúncios publicitários, principalmente associados com sexo e morte. Um dos seus estudos mais citados é de um anúncio de whisky em que Key encontrou várias figuras ocultas nos cubos de gelo do anúncio. Sem embargo, para outros investigadores, Key é alguém com uma fixação sexual muito grande e “alguém que encontraria mensagens sexuais em um som de discar de telefone”.

Experientes como Lluís Bassat indicam que o objetivo atual da publicidade é conseguir que o consumidor tenha em conta a marca quando toma a decisão, tendência oposta ao sentido que supostamente segue a publicidade subliminar. Por sua parte Fernando Ocaña crê que o essencial no campo da planificação dos meios é obter a maior lembrança possível, o que leva implícito uma percepção consciente e não inconsciente como deveria ser o caso.

Existem na atualidade também alguns experimentos sendo levados a efeito por brasileiros na temática subliminar. O tema, não muito abordado até poucos anos atrás, hoje começa a ser discutido em alguns cursos relacionados à mídia. Dentre alguns brasileiros com estudos na área, podemos citar Flávio Calazans.

O subliminar

Subliminar é aquilo que está abaixo do limiar (a menor sensação detectável).

Qualquer coisa que estivesse abaixo do nível das sensações detectáveis não poderia, por definição, ser percebida. No entanto, o subliminar é geralmente considerado o limiar da percepção consciente. Há uma crença amplamente difundida, sem o forte respaldo das pesquisas empíricas, de que o comportamento de uma pessoa possa ser significativamente afetado por mensagens subliminares, sem que ela tenha consciência de sua presença ou conteúdo. Assim, acredita-se que se possa influenciar o comportamento apelando sub-repticiamente para a mente subconsciente com palavras e imagens. O fato de não haver quase nenhum respaldo empírico para a utilidade de mensagens subliminares não impediu que numerosas indústrias produzissem e comercializassem fitas que supostamente se comunicariam diretamente com a mente inconsciente, incentivando o “ouvinte” a não roubar, ou treinando o “ouvinte” para ter coragem ou acreditar em seu poder de realizar grandes conquistas. Um site chamado Hipnose Holística oferece um amplo conjunto dessas fitas, desenvolvidas por James H. Schmelter, hipnoterapeuta com mestrado em administração e auto-proclamado expert em Ciência Cinergística. Se o material de Schmelter não for do seu agrado, experimente Inspiração Subliminar da Success Cassettes, Inc.

A crença no poder das mensagens subliminares para a manipulação do comportamento parece ter se originado em 1957 com James Vicary, um promotor de anúncios que afirmou ter aumentado a venda de pipocas em cerca de 58%, e a venda de Coca-Cola em cerca de 18% num cinema de Nova Jersey, simplesmente mostrando lampejos de mensagens “Beba Coca-Cola” e “Faminto – Coma Pipoca” no nível subliminar. Essa história e várias outras foram recontadas por Vance Packard em The Hidden Persuaders ‘Os Persuasores Ocultos’ (1957), livro que tornou-se leitura obrigatória para uma geração de estudantes universitários.

A crença na transmissão subliminar de mensagens atingiu o ápice do surrealismo em 1980, com a publicação de The Clam-Plate Orgy and Other Subliminals the Media Use to Manipulate Your Behavior ‘A Orgia no Prato de Moluscos e Outros Subliminares que a Mídia Usa para Manipular Seu Comportamento’ de Wilson Bryan Key. O livro foi relançado sob o título mais sexy: Subliminal Adventures in Erotic Art Aventuras Subliminares na Arte Erótica. Key afirma que os anunciantes usam transmissões subliminares de mensagens de natureza fortemente sexual a fim de manipular o comportamento. Ao examinar cuidadosamente um cardápio do Howard Johnson, Key viu que o prato de moluscos ilustrado ali era na verdade a representação de uma orgia sexual que incluía várias pessoas e um jumento. Entre as muitas alegações de Key há a de que a mente inconsciente processa as mensagens subliminares à velocidade da luz. Na verdade, o processo cerebral mais rápido resfolega a uns 64 km/h (Hines).

A despeito do fato de não haver nenhum respaldo empírico à idéia de que a publicidade subliminar seja eficaz, em 1974 a Comissão Federal de Comunicações (FCC) emitiu uma ordem dizendo que transmissões que propositalmente carregassem tais anúncios estariam operando “de forma contrária ao interesse público.” Em setembro de 2000, os senadores Ron Wyden do Oregon e John Breaux da Louisiana queixaram-se à FCC de um anúncio republicano que mostrava lampejos da palavra “RATS” [ratos] ao longo da tela por 1/30 de segundo. “Temos razões para acreditar que as emissoras estejam transmitindo anúncios de televisão que contêm mensagens subliminares, numa violação do interesse público” dizem, aparentemente esquecendo-se do fato de que algo que não pode ser registrado pelo cérebro tem pouca probabilidade de ter qualquer efeito sobre os espectadores.


leitura adicional

A indústria da publicidade encara como ficção os anúncios com mensagens ocultas

O medo da publicidade subliminar é irracional

Os Pânicos Subliminares de John Elliston (Parascope)

Mensagens Subliminares no Windows 95?

Bibliografia Sobre Publicidade Subliminar da Escola de Publicidade da Universdade do Texas

Pesquisas de Layne Wallace

Já Estaremos Aprendendo de Uma Forma Subliminar? de Melvin D. Saunders (Repete a farsa de Vicary como se fosse um fato, entre outras coisas irresponsáveis.)

A CIA Subliminar

Os filmes da Disney possuem conteúdo erótico subliminar?

A Web está enviando anúncios subliminares a você?

Hines, Terence. Pseudoscience and the Paranormal [A Pseudociência e o Paranormal] (Buffalo, NY: Prometheus Books, 1990).

Volkey, J. and J. Read. “Subliminal Messages: Between the Devil and the Media [Mensagens Subliminares: Entre o Diabo e a Mídia],” American Psychologist (1985), pp. 1231-1239.

Mais sobre o assunto

Material prof. Valéria – Perigos da publicidade subliminar (2)

Perigos da publicidade subliminar

Técnicas disfarçadas podem influenciar o público, tanto na venda de produtos como na arte. Da Tribuna da Imprensa, 27 de dezembro, 2004

Por quê, às vezes, sentimos uma necessidade urgente de consumir determinado produto? Por quê, na hora de comprar, escolhemos uma marca desconhecida? Fique atento para a publicidade subliminar. Ela existe, embora poucos especialistas falem dela em voz alta.

Quatrocentos anos antes de Cristo, o grego Demócrito nos advertia que “há mais coisas perceptíveis do que nós observamos” conscientemente. Muitos outros filósofos falaram disso, e uma legião os artistas de distintas épocas, especialmente do Renascimento, mascararam mensagens de todos os tipos usando-as em suas obras.

Em 1917, o doutor O. Poetzl, discípulo de Freud, cifrou em cerca de 100.000 o total de estímulos diários que o olho humano recebe. Somos conscientes de muito poucos deles. Lúcia Sutil, doutora em Psicologia pela Universidade Complutense de Madri, e uma das maiores especialistas do mundo hispânico na publicidade, graças a sua tese “As mensagens subliminares na publicidade”, adverte que a propaganda subliminar está mais difundida que nunca atualmente.

Atual diretora do Centro de Estudo e Gestão da Inteligência e professora da madrilena Universidade Carlos III, Lúcia Sutil, que há 20 anos estuda o uso de técnicas subliminares, adverte que técnicas subliminates são hoje muito utilizadas para orientar tendências do púlblico, em escala bem maior do que se acreditava. Como exemplo prático e impactante sugere a contemplação do quadro de Picasso “O sonho”, que retrata uma mulher de expressão feliz aparentemente dormindo em um sofá. “Esta pintura não é inocente”, diz ela.

Apelo ao erotismo é disfarçado

“Para saber com o que a mulher está sonhando observemos a cabeça e as mãos”, indica Sutil. “A cabeça está divida em dois e se nos fixamos na parte superior veremos um pênis dissimulado”. Quanto às mãos, ela aponta que a direita se apóia sobre o baixo ventre e “tem seis dedos em lugar de cinco. Obviamente, é um efeito de movimento”. A mão esquerda está junto à direita mas se insinua também em movimento sobre seu seio direito. “Conclusão: a pintura de Picasso nos mostra uma mulher satisfeita porque está se masturbando”.

Segundo Sutil, quando os publicistas descobriram que esconder a realidade poderia ser uma técnica aplicada a seus produtos para melhorar as vendas, começaram a fazê-lo. De fato, algo parecido ao quadro de Picasso aparecia em um velho anúncio de um jornal britânico, popular entre os estudiosos do mundo subliminar. Nele, aparece uma mulher com um copo em uma mão e com a outra mão sobre o ombro. Se a imagem for invertida, o efeito é parecido ao quadro do pintor malaguenho.

Experiências de Vicary e Packard

O experimento mais conhecido sobre a influência da publicidade subliminar foi feito em um cinema de New Jersey, EUA, em 1957, quando o psicólogo americano James Vicary utilizou um aparelho denominado taquitoscópio sincronizado com o projetor que emitia o filme “Picnic”. Vicary inseriu em dias alternados duas mensagens: “Drink Coke” (Beba Coca-Cola) e “Are you hungry? Eat popcorn” (Está com fome? Coma pipoca) a uma velocidade de 1/3.000 segundos e encontrou a chave.

Isto porquê o olho humano é lento e uma imagem projetada com semelhante rapidez não é captada em nível consciente mas sim subconsciente. Os dias nos quais incluiu publicidade subliminar, a venda de pipocas cresceu quase 60% e a de refresco 20%. A análise final concluía que o mau tempo climatológico reduziu o consumo de bebidas e afirmava que se sua frase tivesse incluído um “faz calor” ou “tenho sede”, a venda teria aumentado de maneira equivalente à da pipoca.

Na mesma época, outro americano, Vance Packard, começou a sensibilizar a opinião pública com seu livro “Os persuasores ocultos”, onde reunia testemunhos reais de publicistas como o de Mikwaukee que lhe disse textualmente: “As mulheres pagam dois dólares e meio por um creme para a cútis mas somente 25 centavos por um sabonete. Por quê? Porque o sabão só promete limpá-las e o creme promete deixá-las formosas. Resultado: os sabões começaram a prometer beleza além de limpeza.”

A tônica propagandista subliminar é então a venda de uma promessa. O consumidor não compra um refresco, mas juventude e beleza; não compra suco de frutas, mas saúde; não compra um carro, mas prestígio, potência e aventura.

Uso do medo subliminar traz fama a filme

Em seu livro “Subliminar, escrito em nosso cérebro”, o jornalista da Rádio Televisão Espanhola (RTVE), Eduardo García Matilla, conta como descobriu que Alfred Hitchcock utilizou esta técnica em um de seus filmes mais famosos, “Psicose”.

Ele sobrepôs a caveira da mãe do personagem, Norman Bates, ao rosto do ator Anthony Perkins. As partes vazias e os dentes descarnados do cadáver dissecado coincidiam sobre a boca e olhos vivos, o que lhe permitiu conseguir um efeito inadvertido para milhões de espectadores, que simplesmente sentiram o medo produzido pelo impacto da combinação de imagens.

“Os publicistas negam a existência de mensagens subliminares, entre outras razões porque esta prática é ilegal”, denuncia Sutil, ao acrescentar que estas mensagens não obrigam diretamente “mas sim, geram a necessidade inconsciente de que a pessoa compre ou faça uma coisa. Se for aplicada com tempo e intensidade suficientes, acaba atuando como se realmente fosse sua vontade.”

Para demonstrar a existência e mensurabilidade do estímulo subliminar foram utilizados dois aparelhos: o que registra a RPG ou Resposta Psicogalvônica, que mede as emoções, e o EEG ou Eletro Encefalograma, que registra a atividade do córtex cerebral. Quando um sujeito é conectado a ambas as máquinas e vê lâminas sem truque, as respostas são normais. Quando há truques, a normalidade se mantém no EEG mas não na RPG, que revela o impacto emocional.

Apesar de tudo, há esperança. “O efeito subliminar pode ser controlado”, afirma a doutora, “ao descobrir sua existência e portanto estarmos conscientes dela. Então, a mensagem abandona o subconsciente e seu efeito fica cancelado”.
1 Analise do Problema – Mensagem Subliminar

O problema da percepção subliminar é bastante antigo. Foi mencionado por Demócrito (400 a.C.), Platão (em sua obra Timeo), Aristóteles (em sua obra Perva Naturalia) e até por Montaigne (1580) e Leibniz (em 1698).

Poetzle, psicólogo discípulo de Freud, desenvolveu em 1919 uma teoria complexa sobre o conteúdo dos sonhos. Segundo ele, os sonhos são feitos de material subliminar captado durante a vigília, e a este processo Poetzle deu o nome de Lei de Exclusão. Ou seja, todo material não selecionado pela mente consciente iria servir de material para os sonhos.

Pela psicologia da Gestalt, o que a percepção humana seleciona como mais importante é chamado de figura, enquanto o que fica em segundo ou terceiro plano é o fundo.

Aplicando estes termos à teoria de Poetzle, temos: o material consciente, captado pela mente humana no estado de vigília, seria a figura, e o material rejeitado, inconsciente, usado nos sonhos, seria o fundo.

Para o psicólogo Jung, assim como há vários limites de percepção nos órgãos dos sentidos e na mente do homem, também há vários subliminares. Jung ainda faz uma comparação interessante: diz que a consciência é como um holofote; o que não está iluminado pela luz da consciência e da razão seria o fundo, fora de foco, inconsciente e subliminar.

Todo nosso Inconsciente Pessoal, que guarda nossas experiências pessoais na memória inconsciente, é composto de percepções subliminares não-conscientes, que são a base de toda espécie de intuição e consiste no que Jung chama de Sombra.

A percepção subliminar está profundamente ligada à questão da liberdade de escolha do indivíduo. Pois todas as coisas que escolhemos como nosso foco principal de interesse, por livre-arbítrio, não se torna subliminar, mas consciente.

Por exemplo: quando assistimos a uma partida de futebol, nosso foco de interesse, nossa figura é o jogo. Caso alguém ao longe esteja tocando um disco de música clássica, a música acaba sendo o fundo, pois não está no foco de interesse do indivíduo. Neste caso, a música é captada subliminarmente.

Poderia ser o contrário: quem está tocando o disco de música clássica tem a música como sua figura, e o jogo acaba ficando de fundo. Aqui, portanto, subliminar seria a narração do futebol.

2 – A primeira experiência subliminar

No dia 10 de junho de 1956, o jornal Sunday Times de Londres publicou um artigo dizendo que a primeira aplicação da tecnologia subliminar no Marketing foi feita pelo publicitário Jim Vicary.

Vicary colocou num cinema de New Jersey um segundo projetor, o taquicoscópio, projetando numa velocidade de 1/3000 de segundo o slide “Drink Coke” (Beba Coca-Cola) sobre os fotogramas do filme Picnic. Tal feito teria aumentado as vendas do refrigerante.

Mais tarde, o professor Vance Packard, de Connecticut/New Canaan, lançou a obra The Hidden Persuaders (Os persuasores ocultos), criticando a tecnologia subliminar desenvolvida por Vicary para o cinema. Packard afirmava em seu livro que essa tecnologia tirava a liberdade de escolha do indivíduo, já que ele era incapaz de ver a mensagem “Beba Coca” durante o filme, devido à alta velocidade em que era mostrada.

A obra de Vance Packard acabou transformando a tecnologia subliminar num mito, num tabu, e desencadeia até hoje grande polêmica sobre o assunto.

Em conseqüência desta obra, ainda, a Comissão Federal de Mercado norte-americana passou a proibir o emprego de tecnologias baseadas na velocidade taquicoscópica de Jim Vicary nos meios de comunicação de massa dos Estados Unidos. Pela lei, ao menos teoricamente, a propaganda subliminar lá é proibida.

3 – As mensagens subliminares e o cérebro humano

Segundo o neurofisiologista McLean, o cérebro humano compõe-se, na verdade, em três cérebros:

A) Cérebro Réptil – sede dos comportamentos instintivos primitivos (procura de abrigo, segurança, agressão, fuga, alimentação, sexo, valorização do próprio território, etc.). Segundo a teoria psicanalítica de Freud, este nível cerebral corresponderia ao Id.

B) Complexo Límbico ou Cérebro Mamífero – sede dos instintos de rebanho, associações em grupo (cuidados com a prole, altruísmo, preocupação com os outros, com os mais fracos, etc.). Para Freud, seria o Superego, o censor, o castrador, o que dá ordens e impõe autoridade.

C) Neocórtex ou Cérebro Humano – sede da linguagem simbólica (letras e números), capacidade de abstração, criatividade, raciocínio lógico. Para Freud, seria o Ego, que sabe avaliar o que é mais conveniente para o indivíduo, pesar os prós e contras, analisar conscientemente através da razão. É chamado de Cérebro Humano pois só os seres humanos o possuem.

Podemos comparar esta teoria de McLean com a teoria da Psicologia Motivacional de Maslow, que classifica as necessidades humanas:

1) Motivos Físicos – necessidades fisiológicas (frio, calor, fome, sede, sexo) e de segurança. Para McLean, corresponderia ao Cérebro Réptil.

2) Motivos de Interação Social – necessidades de status e de afeto, vontade de ser aceito e reconhecido pelo grupo ao qual pertence. Corresponde ao Cérebro Mamífero.

3) Motivos de Self ou de Auto-Realização – necessidade de auto-realização, de não ser mais completamente envolvido pelo grupo e sim crescer como indivíduo autônomo, criativo, que pensa e age por convicções próprias. Corresponde ao Neocórtex, ou Cérebro Humano.

4 – Os vários tipos de subliminares

Existem formas de subliminares capazes de influenciar todos os órgãos sensoriais humanos, assim como seus vários tipos de cérebro.

Existem mensagens subliminares para serem percebidas visualmente, que usam recursos de letras, imagens e cor (pois a cor também é subliminar). Por exemplo, temos todas as mensagens visuais transmitidas pelos meios de comunicação de massa: televisão, cinema, vídeo, computador, além das vitrines de loja (pois as vitrines num shopping, por exemplo, também acabam ficando subliminares), palanques de políticos, palcos de teatro, neons, cartazes de rua, fotografias (os jornais usam bem este recurso), desenhos, pinturas, panfletos, revistas, jornais, livros, histórias em quadrinhos, etc..

Da mesma forma, há subliminares endereçados ao ouvido, que podem ser captados no cinema, através do rádio, televisão/vídeo, teatro, no consultório médico, nos palanques políticos (o ministro da Propaganda de Hitler, Goebbels, foi quem melhor usou esta técnica) e até mesmo quando fazemos compras no supermercado e andamos ou dirigimos pela rua.

Há também subliminares para a pele, o nariz e a língua. Mensagens táteis seriam, por exemplo, o tipo de papel usado em impressos (como mala-direta) e o material das embalagens. Tintas empregadas nos impressos, perfumes aspergidos na platéia do teatro e em palanques políticos são capazes de estimular nosso sentido olfativo subliminarmente. Por outro lado, certas substâncias empregadas em alimentos, pastas de dente e cigarros, para nos dar a ilusão de certos sabores, também são subliminares.

Existem muitos outros tipos de subliminares, e é quase impossível numerá-los. A cada momento são descobertas novas técnicas, que acabam se somando às antigas e provam ser mais eficazes.

No Brasil, exemplo marcante é o merchandising feito nas novelas. Tal técnica consiste em mostrar um produto ou serviço (como perfumes, carros, Bancos) durante as situações dramáticas. Os próprios atores é que fazem o comercial subliminar, falando bem do produto ou mostrando-o em situações convenientes. A Agência Apoio, filial da Rede Globo, foi criada especialmente para tratar do merchandising nas novelas globais.

5 – Comentários Finais

Pelas formas de subliminares apresentadas, percebemos que muita coisa já foi desenvolvida desde que Jim Vicary fez sua primeira experiência em cinema, usando taquicoscópio, em 1956.

Prova-se, assim, que o fenômeno subliminar não é só antigo como absolutamente atual. Muitas técnicas foram desenvolvidas recentemente, embora a propaganda subliminar ainda seja um forte tabu e muita gente ainda diga que não existe.

O melhor caso que podemos citar é o dos Estados Unidos. É de lá que vêm as técnicas mais sofisticadas, principalmente as que fazem uso da imagem visual pelo cinema e pela televisão. Filmes de Steven Spielberg, as lojas McDonald s e os comerciais da Coca-Cola, só para citar três exemplos, são fartos em mensagens subliminares de todos os tipos.

Desta forma, podemos concluir que, embora a propaganda subliminar seja proibida por lei nos Estados Unidos, o fenômeno subliminar continua mais vivo e ativo do que nunca. A prática assim demonstra.

Nossas tão famosas novelas globais também não ficam atrás. O merchandising, que consiste em mostrar certo produto pelos próprios atores no meio da trama, também é subliminar. Mas ainda tem muita gente que defende com veemência que subliminar no Brasil não existe.

É interessante observar como uma coisa tão cheia de tabus e mitos, como é o subliminar, esteja ao alcance fácil de qualquer indivíduo que se ponha a procurá-la. A qualquer hora é possível encontrar um exemplo de mensagem subliminar sendo empregada.

Necessário seria descobrir a quem interessa manter o tabu e os mitos. Por que há tanta gente (e são muitos mesmo!) que insiste em desacreditar da existência da propaganda subliminar, ou até mesmo se recusa a falar sobre ela, quando o que vemos à nossa volta é exatamente o contrário?

Colocando-se a questão do subliminar abertamente, às claras, sem preconceitos, podemos discutí-la e, quem sabe, descobrir novos usos capazes de desenvolver o nível cultural das pessoas (por exemplo, empregando a percepção subliminar na Educação). Não podemos esquecer que o preconceito fecha os olhos de quem vê, impedindo a avaliação coerente das coisas.

O que está em jogo, na verdade, não é o problema da percepção subliminar em si, mas a questão da liberdade de escolha dos indivíduos. Quando as técnicas subliminares tiram nosso livre-arbítrio, é hora de sentarmos para discutí-las.

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BIBLIOGRAFIA

CALAZANS, Flávio Mário de Alcântara. Propaganda Subliminar Multimídia. São Paulo, Summus Editorial, 1a. edição, 1992.

Faça este texte:

Esta é um bela pintura do francês Renoir.  Nela esta uma mensagem subliminar se você descobrir, me escreva!

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