A personalidade de Hitler

Os primeiros anos

O pai de Hitler (cujo nome original, até o ter alterado já no final da vida, era Schicklgruber) era um funcionário menor de alfândega ao serviço da Áustria. Hitler foi o único filho da sua terceira mulher. O pai de Hitler faleceu quando ele tinha 14 anos, não deixando quaisquer recursos que lhe permitissem continuar a estudar. Foi para Viena com a sua mãe, na esperança de poder vir a ser arquiteto, mas vendo-se forçado a trabalhar para ganhar a vida como assistente de pintor e efetuado pequenas vendas. Depois de passar alguns anos em Viena, decidiu instalar-se em Munique (1912). Estes anos de penúria foram fundamentais na formação tanto da sua filosofia de vida quanto da sua personalidade; aliás, foi provavelmente nessa altura que pela primeira vez assimilou as teorias anti-semitas e pan-germânicas típicas dos nacionalistas extremistas da época.

Hitler teve pouco rendimento na escola e não recebeu o certificado, interrompendo os estudos aos 16 anos, em 1905. Por dois anos viveu ocioso em Linz. Após a morte da mãe, Klara Hitler, em 1908, ainda vivia de pequeno rendimento, com o qual se manteve em Viena. Desejava ser estudante de arte, mas falhou duas vezes que tentou entra para a Academia de Artes. Por alguns anos viveu só e isolado, conseguindo uma pequena renda com a pintura de cartões postais e anúncios, e vagando de um abrigo municipal para outro.

Em 1913 Hitler mudou para Munique. Foi chamado temporariamente à Áustria para ser examinado para o exército (1914) e foi rejeitado como inapto, mas quando começou a guerra de 1914, apresentou-se como voluntário do exército alemão. Serviu durante a guerra, foi ferido em 1916 e envenenado por gás dois anos depois. Por bravura em ação foi duas vezes condecorado com a cruz de ferro, uma condecoração rara para um cabo. Com alta do hospital após a derrota alemã, ficou alistado no seu regimento e designado como agente político, juntou-se ao pequeno Partido dos Trabalhadores Alemães em Munique (fundado por Drexler, Feder e Eckart em 1919). O partido era pequeno, comprometido com um programa de princípios socialistas, de liderança dividida, e tinha apenas 53 membros quando Hitler juntou-se a ele.

De trato difícil, Hitler não foi logo bem aceito. Porém, conscientes de que o futuro do partido dependia do seu poder de organizar a publicidade para conseguir fundos, os dirigentes deram-lhe a presidência com poderes ilimitados em julho de 1921. Desde logo ele decidiu criar um movimento de massas.

Munique havia se tornado o lugar de encontro de antigos e insatisfeitos soldados do exercito alemão, relutantes de retornar a vida civil, e por agitadores políticos empenhados no tradicional separatismo ou em protestos contra o governo republicado de Berlim. Visando esse público, Hitler engajou-se em uma incansável propaganda através do jornal do partido o Volkischer Beobachter (“Observador popular”) e por meio de uma sucessão de comícios desenvolveu seu talento único para magnetizar e liderar massas, rapidamente crescendo de uma audiência de uns poucos interessados para milhares de seguidores.

Uma figura importante era Ernest Röhm que, além de membro do novo Partido, fazia parte do comando distrital do exercito, e era responsável por garantir a proteção do governo da Baviera, o qual, porque dependia do exército local para a manutenção da ordem, tacitamente aceitava suas violações da lei e sua política de intimidação. Röhm foi de grande ajuda. Foi ele quem recrutou as esquadras, o chamado “braço forte”, utilizadas por Hitler para proteger os comícios do partido, atacar os socialistas e os comunistas. Em 1921 estas foram formalmente organizadas sob as ordens de Röhm em um exército privado do partido, o SA (Surmabteilung).

Hitler reuniu ao seu lado vários dos lideres nazistas que mais tarde seriam julgados ou acusados de crimes de guerra: Alfred Rosenberg, Rudolf Hess, Hermann Göring, e Julius Streicher.

O clímax desse rápido crescimento do partido nazista na Bavária veio com a tentativa de golpe para tomada do poder, o atentado de Munique (Hall da Cerveja) em novembro de 1923, quando Hitler e o general Erich Luderndorff tentaram forçar o comando do exército a proclamar uma revolução nacional. Quando levado a julgamento Hitler tirou vantagem da imensa publicidade que o acontecimento lhe deu. Ele também tirou uma lição do golpe – que o movimento precisava chegar ao poder por meios legais. Foi sentenciado a prisão por cinco anos, mas ficou preso somente nove meses, e isto com suficiente conforto para preparar o primeiro volume do seu Mein Kampf.

Ele considerava a desigualdade entre as raças e os indivíduos como parte de uma imutável ordem natural e exaltava a raça ariana como o único elemento criativo da humanidade.

Toda moralidade e verdade era julgada por este critério: se era de acordo com o interesse e preservação do povo. A unidade do povo encontrava sua encarnação no Führer, dotado de autoridade absoluta. Abaixo do Führer o Partido formado dos melhores elementos do povo e também seu guardião. O maior inimigo do Nazismo era o rival Marxismo. Além do Marxismo ele via o maior inimigo de todos, os Judeus, que era para Hitler a própria incarnação do mal.

A Alemanha não poderia encontrar seu destino sem o Lebensraum (“espaço vital”), terras para abrir e alimentar a crescente população alemã. O espaço vital deveria ser encontrado na Ucrânia e nas terras do leste Europeu, terras a serem tomadas ao povo eslavo, que ele classifica de untermenschen (subumanos), e diz ser governado por uma conspiração judeu-comunista com sede em Moscou.

Hitler percebia mais rapidamente que qualquer um como podia tirar vantagem de uma situação. Após sua saída da prisão suas rendas derivavam ao azar do provimento pelos fundos do partido e de escrever em jornais nacionalistas. A crise de 1929 abriu um período de instabilidade econômica e política. Hitler pode pela primeira vez alcançar uma audiência nacional quando teve a ajuda das organizações e jornais do partido Nacionalista, associado aos nazistas. Recebia doações dos industriais, ansiosos por usá-lo para estabelecer uma forte ala direita, anti-trabalhista, recursos que colocaram o partido em base financeira sólida, permitindo que ele fizesse seu apelo emocional para a classe média baixa e os desempregados, baseada na proclamação de sua fé de que a Alemanha acordaria de seus sofrimentos para retomar sua grandeza natural.

Colocado em posição forte pelo grande apoio popular, em novembro de 1932 Hitler propalou, por todos os artifícios de sedução de massas e com a habilidade de um ator, que a chancelaria era o único cargo que aceitaria, e isto por meio constitucional, não revolucionário. Em janeiro de 1933 o presidente Hindenburg, do partido nacionalista, convidou-o para primeiro ministro da Alemanha e ele assumiu o cargo.

Ele era indiferente a roupas e comida, nunca fumando ou bebendo chá, ou álcool, porém não tinha inclinação pelo trabalho regular. Ele continuou, mesmo mais tarde, como Führer, a rebelar-se contra a rotina, uma característica que ele atribuía ao seu temperamento artístico. Sua meia irmã Ângela Raubal e suas duas filhas passaram a viver com ele. Hitler apaixonou-se por uma das sobrinhas, Geli, mas mostrou-se tão obsessivamente ciumento que isto levou a moça ao suicídio em 1931. Hitler ficou inconsolável. Depois interessou-se por Eva Braum, que se tornou sua amante. Ele raramente permitia que ela aparecesse em público e disse não casar-se porque prejudicaria sua carreira.

Uma vez no poder, Hitler tratou de estabelecer uma ditadura absoluta. O incêndio no palácio (Reichstag), uma noite de 1933, aparentemente provocado por um comunista holandês, Marius van der Lubbe, deu-lhe a desculpa para um decreto suspendendo todas as garantias de liberdade e para uma intensificada campanha de violência. Ele nunca pensou em desapropriar os líderes da indústria alemã, uma vez que servissem os interesses do estado nazista. Nestas condições, o partido chegou a uma votação expressiva nas eleições daquele ano.

O velho amigo Ernst Röhm, como cabeça da SA, era visto com grande desconfiança pelo exército. Göring e Heinrich Himler estavam ansiosos por remover Röhm, mas Hitler hesitava. Finalmente, em 1934, ele chegou a uma decisão e Röhm e outros foram executados sem julgamento. Satisfeitos por verem a SA aniquilada, os chefes militares apoiaram as ações de Hitler. Quando o presidente Paul von Hindenburg morreu eles consentiram na fusão do cargo de primeiro ministro ou chanceler com o da presidência da república o que colocava todos os poderes nas mãos de Hitler, inclusive o comando das forças armadas. Os militares, oficiais e soldados, passaram a fazer juramento pessoalmente a Hitler. No plebiscito Hitler teve 90 por cento de apoio. Por desinteresse em assuntos de rotina e por interessar-se mais pelos grandes lances de política que havia delineado no seu livro Mein Kampf, Hitler deixou a administração inteiramente aos cuidados de seus subalternos, que agiam arbitrariamente em todas as questões internas de sua esfera de mando. A reunião em um único país de todas as regiões onde viviam alemães era sua principal diretriz de conquista.

Antes que suas planejadas campanhas se tornassem possíveis, era necessário remover as restrições que o Tratado de Versalhes impunha à Alemanha. Hitler usou toda a arte da propaganda para que a Europa o visse como o campeão contra o odiado comunismo soviético e insistiu que ele era um homem de paz que apenas desejava remover as injustiças do Tratado de Versalhes. Retirou a Alemanha da Liga das Nações no mesmo ano de sua confirmação como Führer, ao final de 1933, despertando um novo ânimo nos alemães, que impulsionaria o desenvolvimento do país nos cinco anos seguintes.

A aliança com a Itália, já prevista no Mein Kampf, rapidamente tornou-se realidade como resultado do ressentimento dos italianos contra a Inglaterra e a França pela oposição feita à ocupação italiana da Etiópia. Em outubro de 1936 estava formado o “eixo” Roma-Berlim e pouco depois o pacto contra a Rússia assinado com o Japão, e um ano mais tarde esses dois pactos referendados em um pacto único, o Eixo Tóquio-Roma-Berlim.

Em novembro de 1937 Hitler delineou seus planos de conquista em um encontro secreto com seus líderes militares, a começar pela Áustria e a Checoslováquia. Três anos antes, em meados de 1934, ele havia estimulado uma revolta entre os nazistas da Áustria, que reivindicavam a anexação à Alemanha. Com o apoio da embaixada alemã, organizaram um golpe e assassinaram o chanceler Engelbert Dollfuss. Porém Mussolini, o ditador italiano, havia mobilizado tropas para intervir contra o golpe, que fracassou. Hitler voltou à carga no início de 1938, assegurando-se primeiro do apoio da Itália. Quando o chanceler Kurt von Schuschnigg decidiu efetuar um plebiscito sobre a reclamada anexação, Hitler imediatamente ordenou a invasão da Áustria pelas tropas alemãs. Entrou gloriosamente em Viena, e proclamou então uma gratidão imorredoura a Mussolini por este não haver, desta vez, interferido.

Seguiu-se a anexação da Checoslováquia, onde o nazismo também tinha seus adeptos e agitadores entre a minoria alemã. A questão pareceu solucionada com a interferência da França e Inglaterra, e do amigo Mussolini, que propuseram a integração à Alemanha da parte do país cujos habitantes eram de origem alemã.

Com esta solução, Hitler adiou apenas temporariamente seu plano de anexação, apenas até a desordem popular estimulada pelos nazistas lhe fornecer motivo para invadir o país proclamando sua anexação em março de 1939. Imediatamente após, suas ameaças fizeram que o governo Lituano cedessem parte de seu território na fronteira com a Prússia Oriental, um enclave alemão no norte da Polônia.

A resistência. Concluídas as anexações, Hitler procedeu às conquistas necessárias a criar o “espaço vital” que desejava para a Alemanha. Seu primeiro objetivo era a Polônia. Assegurou-se do apoio italiano, que inclusive lhe forneceria tropas, com um novo acordo em maio de 1939, e celebrou em agosto outro pacto de conveniência, com a Rússia, para que esta não interferisse no seu projeto. A invasão da Polônia foi efetuada antes do inverno daquele ano.

Isto precipitou uma reação que Hitler não desejava para tão cedo: a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha. Obrigado a voltar sua atenção imediatamente para o oeste europeu, tentou negociar a paz com os novos inimigos, sem resultado. Iniciou então sua ofensiva contra a França e a Inglaterra indiretamente, invadindo primeiro a Dinamarca e a Noruega, em abril de 1940, países antes não envolvidos e apanhados de surpresa pelas forças alemãs. Pelo norte apanhou de surpresa também a França, cujas linhas de defesa fortificadas no leste ficaram sem efeito. Entusiasmado, Mussoline também entrou na guerra em apoio aos alemães.

A resistência a Hitler na França foi comandada por De Gaulle, de Londres. Inicialmente, para resistir ao ataque alemão iniciado em maio de 1940, o presidente da França, Paul Reynaud, apelou para um herói francês da primeira guerra mundial, o marechal Petain, que foi nomeado primeiro ministro. O marechal concluiu porém que o exército francês não tinha chances contra a moderna máquina de guerra alemã, e pediu o armistício.

Hitler assinou um armistício com a França vingando as arrogantes exigências dos franceses colocadas no tratado de Versalhes, na capitulação da Alemanha em 1918.

Como preço pelo armistício, Hitler exigiu o pagamento em matérias primas e alimentos para o esforço de guerra alemão. O Armistício incluía uma cláusula de trabalhos forçados dos jovens franceses nas fábricas alemãs, o que levou a juventude francesa a refugiar-se nos campos. Alguns deles se arriscaram e vários perderam a vida como heróis da resistência ao invasor, principalmente em atos de sabotagem contra o transporte de trabalhadores franceses e produtos para a Alemanha. O General Charles De Gaulle fugiu para a Inglaterra, de onde exortou os compatriotas a resistirem aos nazistas. De Gaulle voltaria, após a guerra, para governar a França.

Petain instalou seu governo em Vichy, na parte sul que restou à autonomia francesa, abaixo de uma linha imaginária entre a fronteira com a Suíça, na altura de Genebra, a um ponto a 19 km a leste de Tours e dali para sudoeste até a fronteira com a Espanha, seguindo por 48 quilômetros até o a costa mediterrânea..

Auge do conflito. No verão de 1940 Hitler iniciou uma preparação a longo prazo para a invasão da Rússia. mas alguns contratempos para esse projeto surgiram. Primeiro, Mussolini, sem saber das intenções de Hitler, adiantou-se na captura da Grécia. Como resultado desta e de outras aventuras, precisou do socorro dos alemães tanto nos Balcãs, como também no Norte da África. Outro imprevisto foi o golpe de Estado na Iugoslávia em março de 1941, depondo um governo que havia feito um tratado com os alemães. Considerando isto um insulto à Alemanha e a ele próprio, Hitler ordenou imediatamente a invasão da Iugoslávia. Tudo isto representou um desfalque no seu ataque contra a Rússia, que lançou em junho do mesmo ano. Apesar de tudo, estava tão confiado no sucesso que não providenciou roupas de inverno para as tropas, prometendo aos soldados que estariam de volta ao lar antes do inverno. A campanha porém, não teve o mesmo êxito de todas as invasões anteriores, prolongando-se até o inverno para o qual as forças alemãs não estavam nem um pouco preparadas. No auge do frio, em dezembro do mesmo ano, os russos, apesar de inferiores em armamento e técnica de combate, começaram a contra atacar com êxito. Ao mesmo tempo, ocorreu o até hoje incompreensível ataque Japonês a Pearl Harbor. Sem querer por em risco o tratado que tinha com o Japão e que era uma esperança de conduzir os russos a lutar no leste e no oeste, Hitler declarou prontamente guerra aos Estados Unidos, ao lado do Japão. Acreditando piamente na superioridade racial germânica, Hitler não levou em conta a força que uma mobilização total dos Estados Unidos poderia significar, mesmo pressionado em duas frentes pelo Eixo, pela ameaça que vinha tanto pelo Atlântico, da Europa nazificada, quanto pelo Pacífico, do leste fanatizado. As batalhas se multiplicaram em várias frentes na Europa, no Atlântico, na África, na Ásia e no Pacífico.

Apesar de ocupado com uma conflagração mundial, Hitler estava confiado em que imporia uma nova ordem mundial e Himmler foi encarregado de preparar a nova Europa. Os campos de concentração foram ampliados e a eles acrescentados campos de extermínio como os de Auschwitz e Mauthausen, assim como criadas unidades móveis de extermínio. Os judeus da Alemanha e dos países ocupados foram aprisionados e executados, fuzilados ou mortos em câmaras de gás.

A conta geralmente apresentada é de 5 a 6 milhões de pessoas sacrificadas, no que Hitler chamou de solução final para o problema judeu. Milhares morreram também em experiências médicas alucinadas, e nas execuções indiscriminadas de reféns, de adversários políticos e de membros da resistência nos países ocupados. A propaganda utilizava o rádio e o cinema. A atriz sueca Kristina Süderbaum tornou-se uma estrela dos filmes de propaganda do partido; sua figura nórdica loura encarnou a ideologia racial Nazista. Casada com Veit Harlan, um dos principais diretores de filme da era nazista, Süderbaum estrelou em vários de seus trabalhos, incluindo o profundamente anti-semítico Jud Süss, de 1940.

Declínio do poder. Ao final de 1942 as derrotas na África – em el-Alemein – e na Rússia – em Stalingrado – e mais o bombardeio dos aliados, Inglaterra e Estados Unidos, sobre o território da própria Alemanha, indicavam uma reviravolta na guerra desfavorável aos nazistas. Hitler porém recusava-se a visitar as cidades bombardeadas e a ler ou acreditar nos relatórios de seus generais. Quando Mussolini foi preso, tentou uma operação para resgatá-lo, e enviou tropas para ocupar as posições das tropas italianas que haviam se rendido. Continuou a resistir ao avanço russo às custas de grandes perdas para o exército alemão, tanto em número de mortos quanto em unidades aprisionadas. A batalha naval também perdeu fôlego, na medida que o inimigo aprendeu a combater com êxito e destruir os submarinos alemães.

Apesar de escapar a vários atentados contra a sua vida, o mais perigoso dos quais por explosão de uma bomba colocada sob a sua mesa de reunião com seus generais no quartel de comando na Prússia Oriental (parte da atual Polônia), Hitler não esmoreceu. Em lugar de tentar uma paz que permitiria salvar ainda boa parte da Alemanha, retirou-se para uma fortaleza subterrânea em Berlim, cidade que pretendia defender com os últimos recursos de seu exército, ao qual negou permissão para que se rendesse.

Quando as tropas soviéticas entraram na Capital a luta nas ruas e os bombardeios aéreos reduziram a cidade a ruínas.

Só então Hitler entendeu que era o fim e tomou duas providências: casar-se oficialmente com Eva Braum e ditar o seu testamento aos seus auxiliares.

Em seu testamento político conclamou o povo a continuar a luta contra os judeus e apontou Karl Dönitz como chefe do estado e Josef Goebbels como primeiro ministro.

Recolheu-se com a mulher aos seus aposentos e esta tomou veneno, e ele ou tomou veneno ou atirou em si mesmo. Seus corpos foram em seguida incinerados.

Na França, após a libertação de Paris pelas tropas aliadas, De Gaule declarou nulo o governo de Vichy. O marechal Petain, que fora levado pelos alemães para um abrigo na Alemanha, retornou à França voluntariamente para ser julgado; faleceu na prisão em 1951, aos 95 anos de idade. Na Itália, libertada pelas tropas americanas junto às quais um contingente brasileiro teve presença marcante, Mussoline foi executado. O Japão assinou a rendição após os ataques atômicos realizados pelos americanos contra Hiroshima e Nagasaki, em 1945

NAZISMO

Comunismo, Nazismo, Fascismo, Integralismo e Positivismo são ideologias semelhantes quanto a pedirem um Estado forte, terem uma receita racional ou científica para o desenvolvimento, dependerem ou esperarem por uma guerra ou revolução para domínio mundial, e terem origem em minorias fanáticas extremamente ativas. Essas ideologias (pessoalmente e para meu uso, eu defino “ideologia” como uma tese sociopolítica em adequação a um conceito peculiar de natureza humana), na ordem em que estão citadas, decrescem em sua virulência, embora, sob objetos diferentes, a agressividade do comunismo e do nazismo se eqüivalham.

Um movimento forte pede outro igualmente forte ou que lhe seja superior, para que seja contido; resulta que ditaduras podem nascer como antíteses umas às outras. O nazismo surgiu em oposição ao comunismo e a ditadura de Vargas, no Brasil, e também o governo militar na década de sessenta e setenta surgiram em oposição aos progressivamente fortalecidos integralismo e comunismo.

O comunismo difere das outras ideologias citadas porque pressupõe uma terra arrasada sobre a qual edificará um novo regime e um novo Estado, enquanto as que a ele se opõem, ao contrário e obviamente, adotam valores como tradição, família, propriedade e, no caso do nazismo, a raça.

Quanto ao mais, todas têm em comum alguns aspectos principais como:

1. Um corpo oficial de doutrinas que abarca todos os aspectos da vida individual e social na pretensão de criar um estágio final e perfeito da humanidade; bem como na conquista do mundo tendo em vista uma sociedade nova.

2. Um partido político conduzido por um líder autoritário, que supostamente reúne a elite social e os intelectuais (jornalistas, escritores, cineastas, compositores musicais), os quais sistematizam em planos a ação política e se encarregam da formulação e divulgação do apelo passional ideológico.

3. Um sistema repressivo secreto baseado no terror, montado para identificar e eliminar indivíduos e movimentos dissidentes.

4. Envolvimento político das forças armadas mediante infiltração de agentes, doutrinação do partido, concessão de privilégios e centralização absoluta do comando. Monopólio quase total de todos os instrumentos de luta armada.

5. Controle de todas as formas de expressão e comunicação, desde as artísticas e públicas até os simples contatos particulares interpessoais.

6. Controle centralizado do trabalho e da produção pela politização das entidades corporativas; planejamento rigidamente centralizado da economia através de planos de produção e destinação de bens.

Origem e características do nazismo

A ameaça de internacionalização do comunismo após a revolução russa de 1917 foi responsável pelo surgimento de governos fortes, ditatoriais ou não, em praticamente todos os países mais adiantados. Enquanto em alguns ocorreu apenas um endurecimento quanto a grupos ativistas socialistas, em outros instalaram-se ditaduras cujas ideologias ou se opunham frontalmente às propostas comunistas, ou buscavam neutralizá-las com medidas de segurança nacional no bojo de um projeto político com forte apelo às massas (o fascismo de Mussolini, o justicialismo de Peron, o sindicalismo de Vargas). O nazismo foi uma proposta de oposição frontal.

O Nacional Socialismo, em alemão Nationalsozialismus, ou Nazismus, foi um movimento totalitário triunfante na Alemanha, em muitos aspectos parecido com o Fascismo italiano, porém mais extremado tanto como ideologia quanto na ação política.

Filosoficamente foi um movimento dentro da tradição de romantismo político, hostil ao racionalismo e aos princípios humanistas que fundamentam a democracia.

Com ênfase no instinto e no passado histórico, afirmava a desigualdade dos homens e das raças, os direitos de indivíduos excepcionais acima das normas e das leis universais, o direito dos fortes governarem os fracos, invocando as leis da natureza e da ciência que pareciam operar independentemente de todos os conceitos do bem e do mal. Demandava a obediência cega e incondicional dos subordinados aos seus líderes. Apesar de ter sido um movimento profundamente revolucionário, buscou conciliar a ideologia nacionalista conservadora com sua doutrina social radical.

O partido nasceu na Alemanha em 1919 e foi liderado por Adolf Hitler a partir de 1920. Seu principal objetivo era unir o povo de ascendência alemã à sua pátria histórica, mediante sublevações sob a fachada falsa de “autodeterminação”. Uma vez reunida, a raça alemã superior, ou Herrenvolk, governaria os povos subjugados, com eficiência e a dureza requerida conforme seu grau de civilização.

Figuras intelectuais como o conde de Gobineau, o compositor Richard Wagner, e o escritor Houston Stewart Chamberlain influenciaram profundamente a formulação das bases do Nacional Socialismo com seus postulados de superioridade racial e cultural dos povos “Nórdicos” (Germânicos) sobre todas as outras raças Européias.

Os judeus deviam ser discriminados não por sua religião mas pela “raça”. O Nacional Socialismo declarou os judeus, não importava sua educação ou desenvolvimento social, fundamentalmente diferentes e para sempre inimigos do povo alemão.

Propaganda

As dificuldades econômicas da Alemanha e o a ameaça do comunismo que a classe média e os industriais temiam, foi o que os líderes do partido tiveram em mente na fase de sua implantação e de sua luta por um lugar no cenário político alemão. Para explorar esses fatores Adolf Hitler, o primeiro lider expressivo do nazismo (em 1926 ele suplantou Gregor Strasser, que havia criado um movimento nazista rival no norte da Alemanha) juntou a fé na missão da raça alemã aos mandamentos de um catecismo revolucionário em seu livro Mein Kampf (1925-27), o evangelho da nova ideologia. No livro Hitler enfatiza quais deveriam ser os objetivos práticos do partido e delineia as diretrizes para sua propaganda. Ele salienta a importância da propaganda adequar-se ao nível intelectual dos indivíduos menos inteligentes da massa que pretende atingir, e que ela é deve ser avaliada não pelo seu grau de verdade mas pelo sucesso em convencer. Os veículos da propaganda seriam os mais diversos, incluindo todos os meios de informação, eventos culturais, grupos uniformizados, insígnia do partido, tudo que pudesse criar uma áurea de poder. Hitler escolheu a cruz suástica como emblema do nazismo, acreditam alguns de seus biógrafos que devido ao fato de ter visto esse símbolo talhado nos quatro cantos da abadia dos beneditinos em Lambach-am-Traum, na Áustria superior, onde ele havia estudado quando criança.

Repressão

Simultaneamente com a propaganda, o partido desenvolveu instrumentos de repressão e controle dos oponentes. Na fase vitoriosa do partido, esses instrumentos foram o comando centralizado de todas as forças policiais e militares, a polícia secreta e os campos de concentração. Todos os oponentes ao regime eram declarados inimigos do povo e do Estado. Membros da família e amigos deviam ajudar na espionagem para não serem punidos como cúmplices, o que espalhou um temor geral e coibia qualquer crítica ao regime ou aos membros do governo. Por intimidação, a Justiça tornou-se completamente subordinada aos interesses do partido sob a alegação de que aqueles eram interesses do povo.

Brutalidade

Um espírito de disciplina militar traduzido em um automatismo de obediência assinalado pelo característico bater dos calcanhares impedia, entre militares e civis, a reação às ordens mais absurdas recebidas de qualquer superior hierárquico, o que permitiu à repressão atingir um grau de brutalidade metódica e eficiente nunca vistos. Foi decretada a eliminação não apenas dos judeus, mas de todos que não se conformavam aos padrões de cidadania estabelecidos na doutrina, quer por inconformismo político, quer por defeito eugênico ou falhas morais. Gabriel Marcel, em “Os homens contra o homem”, ressalta a elaborada técnica utilizada para voltar contra si mesmos os judeus, levando-os a aviltar-se e a se odiarem, instigando entre eles disputas por alimento, em que perdiam sua dignidade.

Trajetória do nazismo

O partido nazista chegou ao poder na Alemanha em 1933 e constituiu um governo totalitário chefiado pelo seu único líder Adolf Hitler. Nos anos entre 1938 e 1945 o partido expandiu-se com a implantação do regime fora da Alemanha, inicialmente nos enclaves de população alemã nos países vizinhos, depois nos países não germânicos conquistados. Como movimento de massa o Nacional Socialismo terminou em abril de 1945, quando Hitler cometeu suicídio para evitar cair nas mãos dos soldados soviéticos que ocuparam Berlim.
Primeira Grande Guerra

Hitler entrou para um regimento de reserva bávaro no início da Primeira Grande Guerra, servindo nas trincheiras como mensageiro. Atingiu o posto de Gefreiter (aspirante), foi ferido na batalha do Somme (1916) e gaseado em 1918. Convenceu-se de que a Alemanha tinha sido traída pelas influências judaicas e marxistas e regressou da guerra amargurado com a sua derrota. De regresso à Bavária assistiu, e mais tarde ensinou, a cursos destinados a fazer com que os ex-combatentes se mantivessem afastados do bolchevismo; foi nessa altura que cedeu à influência de Gottfried Feder, o pai intelectual do movimento nazi.

Hitler assume a liderança dos nazis

Seguidamente tornou-se o sétimo membro de um insignificante grupo político de Munique, o Partido dos Trabalhadores Alemães, distinguindo-se muito rapidamente graças à sua quase hipnótica oratória popular. Através dos seus amigos, Erich Röhm, um oficial de Munique, e von Epp, manteve-se em constante contacto com o exército alemão, o Reichswehr. Substituiu o fundador e líder do partido Anton Drexler, em 1921. Nessa altura, já o partido se chamava Partido Operário Nacional-Socialista Alemão e adotará as máximas nacionalistas e anti-marxistas de Hitler. Depois de uma discussão com Röhm sobre o papel das recém-criadas forças SA (Sturmabteilung) (os camisas castanhas), Hitler organizou um destacamento especial formado pelos seus próprios soldados políticos disciplinados em vez dos arruaceiros de rua sempre envolvidos em zaragatas – os camisas castanhas de Röhm. Estas tropas foram estabelecidas formalmente em 1926 com o nome de SS (Schutzstaffel), à semelhança dos fasci di combattimento de Mussolini.

Prisão e Mein Kampf

Considerando que a república de Weimar estava à beira do colapso, Hitler desencadeou um golpe em Munique, em Novembro de 1923, em associação com Röhm, o herói de guerra Ludendorff e Goering, numa tentativa de impor Ludendorff como ditador. O golpe falhou e Hitler foi preso e julgado por traição. Foi condenado a cinco anos de prisão e durante o tempo em que esteve preso no forte de Landsberg trabalhou com Rudolf Hess na versão definitiva do livro Mein Kampf.

Construindo o partido

Durante o tempo que passou na prisão, o Partido Nazi quase se desintegrou por completo, de modo que assim que foi libertado, em 1924, graças a uma anistia, dedicou-se de imediato à reconstrução da organização do partido. Apesar de, durante algum tempo, os irmãos Strasser, criadores do Partido Nazi no norte da Alemanha, terem sido mais influentes entre os membros do partido que Hitler, ele foi recuperando gradualmente o tempo perdido e acabou por conseguir afastar totalmente os Strasser. Em 1930 era já o líder incontestado de um partido que contava com um número considerável de membros. Os fundos doados pelos grandes industriais, que viam o nacional-socialismo como a única forma de se salvaguardarem contra o comunismo, eram cada vez mais significativos. O Nacionalismo acabou por suplantar o Socialismo em termos do programa do partido, apesar de determinados chavões revolucionários continuarem a ser utilizados.

Quando a crise econômica de 1930 fez a sua aparição, Hitler explorou sabiamente o descontentamento das classes trabalhadoras e dos elementos mais sólidos das classes médias, que viam o seu nível de vida ameaçado pela crise. A sua retórica converteu muitas pessoas e, nas eleições seguintes, em Setembro de 1930, os nazis aumentaram a sua representação no Reichstag, o parlamento alemão, de 12 para 107 representantes. Hitler apresentou-se contra Hindenburg nas eleições presidenciais de 1932 e, embora tenha sido vencido na segunda volta, conseguira granjear 13 milhões de votos e tornara-se uma força política de peso. Perante uma situação política que se deteriorava rapidamente, o chanceler Brüning sentiu-se obrigado a governar por lei e, apesar de ser aparentemente um liberal, o seu regime criou as condições que conduziriam à ditadura. Em Junho de 1932 demitiu-se do cargo de chanceler, tendo-lhe sucedido Papen. Hitler via-se a si próprio como o herdeiro ideal para o cargo de chanceler, mas não tinha contado com a oposição do velho regime de direita, que contava com o apoio dos industriais e dos junkers (proprietários rurais pertencentes à aristocracia). Von Papen dissolveu o Reichstag e convocou novas eleições, mas o Partido Nazi dobrou o seu número de representantes para 230 e Hitler viu-se finalmente na posição de líder do maior partido alemão. Por fim, Hitler e von Papen chegaram a um acordo: Hitler renunciaria à secção socialista do seu programa partidário e von Papen libertaria os subsídios dos industriais directamente para os cofres de Hitler e convenceria Hindenburg a aceitá-lo como chanceler (Janeiro de 1933).

O Terceiro Reich

Em 1933, a república de Weimar deu lugar ao Terceiro Reich e, no final do mesmo ano, o sistema de partido único havia-se tornado a forma de governo oficial. Os opositores políticos desapareceram, quer assassinados quer enviados para campos de concentração. Tendo, de um modo geral, eliminado a oposição por toda a Alemanha, Hitler concentrou a sua atenção nos últimos redutos de dissensão dentro do seu próprio partido. Durante a Noite dos Facas Longas, a 30 de Junho de 1934, mais de 100 figuras nazis importantes foram assassinadas, entre os quais Gregor Strasser, Röhm, Kurt von Schleicher e a sua mulher. Todo o poder passava agora pelo executivo nacional-socialista, o que, na prática, significava através do próprio Hitler. Quando em Agosto de 1934 Hindenburg morreu, Hitler foi declarado o seu sucessor, declinando o título de Reichspräsident (Presidente do Reich) a favor dos de Fuhrer (líder) e Kanzler (chanceler).

O Holocausto

A partir do momento em que Hitler chegou ao poder, instituiu um reinado de terror contra judeus, homossexuais, ciganos e oponentes políticos. As medidas anti-semitas foram introduzidas aos poucos, começando com os boicotes aos negócios judeus em Abril de 1933 e culminando nos horrores dos campos de extermínio e na Solução Final (1941). A propaganda oficial era dirigida contra os judeus, alimentando os antigos ódios populares, como na noite de terror organizado da Kristallnacht (Noite de cristal) , durante a qual as lojas e propriedades judaicas foram atacadas e destruídas por populares a soldo do governo (9/10 de Novembro de 1938). Os judeus eram cada vez mais marginalizados, graças a uma combinação de propaganda pejorativa e de leis antijudaicas, tal como a que obrigava todos os judeus a usar uma estrela amarela na roupa, o que os tornava alvos visíveis tanto para a repressão oficial quanto para a hostilidade privada. Assim que a Segunda Grande Guerra começou, estas políticas foram transpostas para os países ocupados pela Alemanha e, por volta de 1941, já existia uma rede de campos de extermínio, em particular na Polônia. O Holocausto alcançou o seu ponto mais alto após a conferência de Wannsee, a 20 de Janeiro de 1942, um encontro durante o qual os mais elevados oficiais nazis desenvolveram uma política sistemática de extermínio eficiente. Não existem estatísticas precisas para o número de vítimas dos nazis, mas crê-se que por volta do final da guerra cerca de 6 milhões de judeus e perto de um milhão de pessoas de outros grupos, tais como eslavos e ciganos, designados como Unsermensch (sub-humanos), já tinham perecido.

Reconstruindo o poder alemão

Tendo assegurado a sua posição na Alemanha, Hitler deu início à sua longa campanha para restaurar o poder alemão na Europa, recorrendo para tal a um cada vez maior número de graves quebras dos acordos e ignorando abertamente a opinião dos outros países europeus. Iniciou um intenso programa de rearmamento, organizado secretamente, a princípio, e depois de forma cada vez mais flagrante. Por exemplo, a Alemanha não estava autorizada a possuir uma força aérea mas, sob a desculpa de se tratar de uma linha aérea civil, Hermann Goering construiu absolutamente do nada a Luftwaffe, anunciando oficialmente a sua existência em Abril de 1935.

Hitler voltou depois a sua atenção para as cláusulas territoriais dos diversos tratados que a Alemanha se tinha comprometido a respeitar, começando pelo plebiscito da região do Saar, em Janeiro de 1935. O resultado, influenciado em parte pelo terrorismo, foi uma esmagadora maioria a favor do regresso à Alemanha, tendo Hitler usado estes resultados como um incentivo para denunciar as cláusulas militares do tratado de Versalhes (Março de 1935) e para introduzir o serviço militar obrigatório na Alemanha. Um ano mais tarde arriscou o envio das suas tropas até à zona desmilitarizada do Reno, desafiando abertamente o acordo de Locarno de 1925, o qual, segundo ele, havia sido ultrapassado pela aliança franco-soviética. A remilitarização da margem direita do Reno foi seguida por dois anos de ativas preparações militares alemãs, combinadas com uma reformulação total da economia, de modo a tornar a Alemanha auto-suficiente.

Quando estalou a guerra civil de Espanha, em Julho de 1936, Hitler aproveitou a oportunidade para testar os seus recém-formados exército e força aérea ao lado das forças de Franco. Outros acontecimentos no estrangeiro durante os anos de 1936-1937, tais como a incapacidade da Sociedade das Nações em verificar a aventura abissínia de Mussolini, aumentaram a tensão na Europa e muito contribuíram para o fortalecimento da posição de Hitler. Mussolini era um aliado natural e os dois países tornaram-se aliados com o Eixo Roma-Berlim de Outubro de 1936.

Expansionismo no estrangeiro

A partir do final de 1937, Hitler optou por uma política estrangeira agressivamente expansionista que, durante dois anos, apenas lhe trouxe sucessos espetaculares. Em Março de 1938 anexou a Áustria, manipulando uma súbita crise nas relações austríaco-alemãs, enviando o exército alemão para o outro lado da fronteira e declarando o Anschluss, a incorporação da Áustria no Reich. De seguida começou a implantar a campanha para a libertação dos Sudetas, uma área de etnia alemã dentro da Checoslováquia – tal atitude não passava de um ataque a um estado soberano unido por tratado às potências ocidentais e por laços étnicos à Rússia. Contudo, Hitler compreendia perfeitamente as realidades inerentes à situação política imediata e sabia bem de mais que o ocidente não estava preparado para lutar. O acordo de Munique de Agosto de 1938 entregou-lhe os Sudetas em troca da promessa de que não exigiria mais territórios – a mesma promessa que fizera quando da anexação da Áustria. Logo de seguida, durante o ano de 1939, apoderou-se dos restantes territórios da Checoslováquia e, ao mesmo tempo, anunciou a anexação de Memel, violando diretamente o tratado de Versalhes. Por essa altura, aos olhos do alemão médio, Hitler parecia ser não apenas o conservador da paz mas também um estadista de mão cheia, ultrapassando todos os seus predecessores e alargando-as fronteiras do Reich. Em menos de um ano, acrescentara 10 milhões de alemães ao Terceiro Reich, quebrara o formidável bastião da expansão alemã para sudeste e tornara-se o maior ditador europeu desde a época de Napoleão.

O início da guerra

Em Março de 1939, Hitler renunciou ao pacto de não-agressão com a Polônia, de 1934 e exigiu a devolução de Danzig e do corredor polaco. O Reino Unido e a França garantiram a independência polaca e avisaram Hitler de que estavam dispostos a lutar pela Polônia. Hitler ficou algo abalado com este procedimento, em particular quando as duas potências ocidentais entraram em negociações com Moscou. Contudo, em vez de abandonar os seus desígnios, preferiu esquecer momentaneamente o seu ódio pelo comunismo e propor um pacto de não-agressão à URSS. Estaline concordou e o pacto Molotov-Ribbentrop foi assinado a 23 de Agosto de 1939. Afastado o perigo da interferência soviética, Hitler lançou o seu Blitzkrieg sobre a Polónia a 1 de Setembro de 1939 e, dois dias mais tarde, o Reino Unido e a França declararam guerra.
Blitzkrieg

Depois da invasão da Polônia, a Alemanha avançou rapidamente sobre a Holanda, a Bélgica e a França, tendo lançado, ao mesmo tempo, invasões sobre a Noruega e a Dinamarca. Os espetaculares acontecimentos da Primavera e Verão de 1940 culminaram no armistício com a França, o que apenas confirmou o gênio de Hitler aos olhos do alemão médio. Na Primavera de 1941, as forças alemãs invadiram a Jugoslávia e a Grécia, enquanto a força aérea atacava o Reino Unido com os seus bombardeiros e a marinha os barcos que transportavam as provisões.

Batalha do Reino Unido e plano Barba Ruiva

Hitler decidiu atingir os britânicos atacando o império a oriente. No entanto, este plano dependia da neutralidade da URSS e, não estando absolutamente certo deste fato, Hitler e os seus conselheiros decidiram fazer coincidir um ataque ao Egito com a invasão da própria URSS – a operação Barba Ruiva, de Junho de 1941. Esta foi uma decisão fatal que fez entrar em cena um inimigo poderoso e que abriu uma segunda frente, tendo acabado por revelar as fraquezas essenciais subjacentes a toda a Weltpolitik (política) de Hitler. É bem possível que ele tenha tomado esta decisão contra a opinião dos outros líderes nazis e, de um modo geral, contra a opinião do estado-maior alemão. A partir daí esforçou-se por afastar a URSS dos Aliados ocidentais realçando a cruzada anti bolchevique da Alemanha.

As campanhas alemãs dos balcãs e do Mediterrâneo foram brilhantes em termos de planejamento e execução, mas a intervenção britânica na Grécia e a resistência britânica em Creta e na Líbia atrasaram o planejamento de Hitler em termos de tempo e, à medida que o Verão de 1941 chegava ao fim, tornava-se óbvio que o otimismo alemão tinha sido excessivo. Os revezes na batalha de Inglaterra (Julho de 1941) constituíram um terrível golpe para o moral alemão e, durante algum tempo, Hitler permaneceu silencioso; no entanto, numa reunião, a 4 de Outubro, anunciou uma operação gigantesca que provocaria a derrota da URSS. Depois do esmagamento do exército alemão mesmo antes de chegar a Moscovo, Hitler despediu o comandante-chefe, Brauchitsch, em Dezembro de 1941, e assumiu pessoalmente o controlo de todas as operações militares. Quando os Estados Unidos entraram na guerra, após o ataque a Pearl Harbor (Dezembro de 1941), quatro quintos do mundo passaram a estar em luta contra a Alemanha.

O declínio 1942-1943

A mensagem do Ano Novo de 1942, de Hitler, assinalou um declínio na grandeza das suas afirmações, apesar de os exércitos alemães continuarem a constituir uma força poderosa. Com efeito, no início de 1942, os exércitos alemães posicionados na USSR chegaram ao Volga, em Estalinegrado, enquanto Rommel ameaçava o Cairo e Alexandria, no norte de África. No entanto, antes do Outono chegar ao fim, Rommel tinha sido derrotado em El Alamein e os soviéticos haviam destroçado o 6º exército de von Paulus frente a Estalinegrado. Hitler começou a falar cada vez menos da vitória alemã e mais da incapacidade dos Aliados em derrotarem a Alemanha e não tardou que surgissem novas crises. Mussolini foi deposto em Julho de 1943 e a Itália capitulou perante os Aliados.

1944

Depois de os exércitos alemães terem sido expulsos da USSR e após o Dia D, em Junho de 1944, dia em que ocorreu a chegada das forças aliadas à Normandia, tornou-se óbvio que ao contrário do que Hitler previra os Aliados não seriam empurrados de volta ao mar. A oposição alemã, liderada por generais, industriais, liberais e até elementos de esquerda, tentou um golpe de estado, a conspiração da bomba de Julho. O sinal de partida deveria ser o assassinato de Hitler, mas a bomba que foi colocada no quartel-general por um oficial da sua guarda, de nome von Stauffenberg, não o matou e o golpe falhou. A única coisa em que este golpe foi bem sucedido foi em ter feito com que Hitler embarcasse numa das mais sangrentas purgações de sempre: milhares de homens e mulheres passíveis de liderar um outro golpe foram executados (a maior parte dos quais sem nada ter a ver com a conspiração) para evitar que, no futuro, se envolvessem num outro levantamento. Himmler tomou a seu cargo o comando do exército na Alemanha, de modo a reforçar ainda mais o controlo nazi sobre ele. Contudo, à medida que o ano decorria, os Aliados iam avançando.

1945, a derrota

Ao mesmo tempo que os Aliados se lançavam sobre a Alemanha, em Abril de 1945, Hitler casava com a sua amante, Eva Braun, a 29 de Abril de 1945, e no dia seguinte ambos cometiam suicídio, no abrigo anti-aéreo por baixo da chancelaria de Berlim. É tido como certo que os corpos foram de seguida queimados no pátio.

Mais quem era esse individuo aos olhos da Psicologia?

Dr. Henry A. Murray
Análise da Personalidade de Adolph Hitler:
Com as previsões de seu comportamento futuro e sugestões
para lidar com ele agora e Após a rendição da Alemanha

INTRODUÇÃO

Em 1943, as forças aliadas queria entender constituição psicológica de Hitler, a fim de prever, na medida do possível, o seu comportamento como os Aliados continuaram a sua condução da guerra e para antecipar a sua resposta à derrota da Alemanha. Os Aliados estavam também buscando entender a psique nacional alemão para adquirir uma compreensão de como convertê-los em uma “nação amante da paz.”Este relatório foi escrito para o OSS pelo Dr. Henry A. Murray, pré-guerra Diretor da Clínica de Psicologia de Harvard. Dr. Murray, obviamente, foi forçado pelas circunstâncias a psicanalisar o assunto a partir de uma distância. Ele reuniu informações de uma variedade de segunda mão fontes, tais como genealogia de Hitler, a escola e registros militares, relatórios públicos dos eventos na imprensa e no cinema, informações OSS; próprios escritos de Hitler; biografias de Hitler, e “Homem de Hitler a – Notas para um histórico do caso, “um artigo escrito por WHD Vernon, sob supervisão do Dr. Murray. A partir desses recursos e sua “teoria das necessidades” da personalidade, o Dr. Murray criou um perfil psicológico que previu corretamente o suicídio do líder nazista em face da derrota da Alemanha.

Com o benefício da retrospectiva e mais de 60 anos de avanços científicos, pode-se apreciar esta análise da personalidade de Hitler e também pegar um vislumbre de uma aplicação inicial de psicologia da personalidade por um dos fundadores da disciplina. Explorações Dr. Murray de personalidade (Nova Iorque: Oxford Press, 1938) estabeleceu psicologia da personalidade como uma ciência comportamental.Murray explorou uma teoria da personalidade em que a interação de 20 necessidades psicogênicas de força variando produzido tipos de personalidade distintos. Murray atrelado a personalidade de Hitler como “narcism counteractive”, um tipo que é estimulado pelo insulto real ou imaginário ou lesão.Segundo o Dr. Murray, as características deste tipo de personalidade são: guardar rancor, baixa tolerância para a crítica, demandas excessivas de atenção, incapacidade de expressar gratidão, uma tendência a depreciar, intimidar e outros culpa, desejo de vingança, de persistência na face da derrota, extrema vontade própria, auto-confiança, incapacidade de tomar uma piada, e da criminalidade compulsivo. Dr. Murray concluiu que Hitler tinha essas características (e outros) para um grau extremo e não tinha as qualidades de compensação que ronda uma personalidade equilibrada.

A linguagem da teoria das necessidades pode parecer pouco familiar aos leitores de hoje já que a teoria da personalidade mudou-se para a nova terminologia e teorias. No entanto, o estilo de escrita do Dr. Murray e linguagem descritiva fazer este relatório como inteligível para o leitor leigo de hoje como para o Mundo psicólogo era a II Guerra.

Cornell Law Library tem o prazer de compartilhar esse relatório, parte da nossa coleção Donovan julgamentos de Nuremberga, em seu formato original.

Fontes: AdolfHitler.ws: Arquivo Histórico, NoBeliefs.com (Freethinkers), e Vida Kimmo Nummela Of Führer Em Pictures.

 

“Hitler é um monstro da maldade, insaciável em seu desejo de sangue e riquezas. Não contente em ter a Europa sob seus calcanhares, agora leva sua carnificina e desolação para as vastas terras da Rússia e da Ásia. Sua máquina de guerra não pode ficar parada, precisa estar em constante movimento, ceifando vidas humanas e eliminando lares e direitos de centenas de milhões de homens. Mais que isso, precisa ser alimentada não só com cadáveres mas também com petróleo. E agora esse patife sanguinário lança seus exércitos mecanizados para novos patamares de massacre, pilhagem e devastação” Winston Churchill 

Link para baixar o Relatório do Dr. Henry A. Murray,Ph.D

http://www.youblisher.com/p/420164-Relatorio-Analise-Psicologica-da-Personalidade-de-Adolf-Hiler-Em-ingles/

Ps. Este relatório esteve sob sigiloso durante 60 anos na Universidade de Cornell.

Assista ao Documentário:

http://www.youtube.com/watch?v=_Q-6H4xOUrs

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