O conservadorismo

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A este termo comumente se tem atribuído, em tempos recentes, um sentido fortemente depreciativo – como se conservar tivesse por força de significar estagnação completa, ou até retrocedimento, e como se, em contrapartida, toda a renovação possuísse um sentido positivo e se traduzisse por necessidade intrínseca em melhoramento! Tal uso depreciativo poderá dever-se a muitos e variados fatores, dos quais nos cumpre aqui destacar dois, por serem de alcance genêrico.

O primeiro tem a ver com a imagem biológica e mesmo vitalista do mundo da sociedade que, grosso modo, tem prevalecido nos últimos cento e cinquenta anos na cultura ocidental e que, de resto, nela ainda persiste dominantemente.

Precisemos aqui que mesmo essa imagem é amiúde explorada seletivamente pois, por exemplo, das duas vertentes que a imagem da vida suscita, só a fase do renascimento é retida, e é posta de lado a outra, a da decadência, que naturalmente culmina na morte. Seja como for, incluímos dentro do enquadramento deste fator, como subespécie das Weltanschauungen, por assim dizer, progressistas, aquelas concepções (ou a sua maioria) que se exprimem politicamente, segundo a contraposição saída dos tempos da Revolução Francesa, como de esquerda, em quaisquer dos seus graus (por vezes de subtil diferenciação). Deve-se notar que o prestígio e o predomínio das concepções de teor progressista foram ao longo da segunda metade do século XX tão grandes que, mesmo nos setores habitualmente

encarados como conservadores, ou ditos tais, viu-se serem adotadas muitas das suas posições. Embora se possam ver nas últimas décadas sinais de revitalização da atitude conservadora, tal não se passou sem uma profunda reformulação, quer do estilo que a marcava, quer mesmo por vezes de princípios e teses por ela defendidas.

O segundo fator relaciona-se com a conotação da tendência conservadora. Em política à obediência a interesses privados, normalmente ocultos ou semi-ocultos, sendo ela encarada como procurando a simples manutenção de um status quo (ou a sua perpetuação, o que implica a ampliação das bases que o permitam), independentemente de qualquer consideração axiológica ou simplesmente valorativa de tal estado que não remeta, em última análise, para os referidos interesses do foro privado. Nesta perspectiva, pode-se ler a tendência conservadora como uma espécie de busca de auto-preservação de grupos de indivíduos que exerçam algum tipo de predomínio político, social ou econômico. Mas entender assim a conservação significa reduzi-la a uma dimensão subsidiária e necessariamente circunstancial, a um aspecto de mera auto-conservação, seja de classes privilegiadas, de qualquer outro tipo de elites, ou mesmo de famílias oligárquicas, quando não de privilegiados grupos econômicos. Foi assim que se assistiu, nas décadas de oitenta e noventa do século XX, aos meios de comunicação e muitos comentadores políticos a chamarem conservadores aos membros das nomenclaturas da ex-União Soviética e dos países sob a sua influência, indefectíveis defensores de situações políticas assentes em pressupostos revolucionários.

O fenômeno do aparecimento das teorias e práticas ditas neo-conservadoras, hoje tão em voga, bem como a reformulação e revigoramento dessa corrente, explicitam bem o esgotamento e o desprestígio que, em muitos setores (em especial os intelectuais do Ocidente), a atitude conservadora conheceu no período posterior à Iª Guerra Mundial – atitude que, para simplificarmos, podemos classificar de clássica, ou de paleo-conservadora (a qual, na realidade, compreende diversas variantes).

O pensamento neo-conservador marca, afinal, em tantos aspectos fundamentais, uma ruptura tão forte com o seu predecessor (cuja herança, não sem uma certa distância e ironia, anuncia reclamar) que, mais do que uma relação de filiação estabelecida com as correntes conservadoras anteriores, deveremos na realidade encarar que a relação que com estas ele tem acaba por ser a de uma espécie de substituição destruidora. A própria designação já se mostra reveladora: em rigor, o neo-conservadorismo apresenta-se como uma contradição nos termos, porquanto ao conservadorismo é essencial uma dimensão misoneísta, mais ou menos forte. Em praticamente todos os conservadores clássicos se encontra, explícito ou implícito, o argumento de que se devem evitar grandes mudanças, por haver receio de com elas se perder mais do que o que se poderá eventualmente ganhar, trocando-se um status quo possuidor de alguns defeitos, mas conhecido e melhorável através de pequenas reformas, por um estado de coisas incógnito, que, tendo em conta a experiência passada e muitos exemplos históricos, tem fortíssimas probabilidades de se revelar bem pior do que o anterior. Entretanto algo se teria perdido irreversivelmente, que mais não poderia existir.

Afigura-se fulcral ao pensamento conservador este receio do futuro como portador de destruição. Aquilo a que podemos chamar base negativa da defesa da atitude conservadora confunde-se, assim, de certo modo, com a posição misoneísta e consiste precisamente na rejeição da mudança pela mudança, na recusa de uma aceitação superficial de novidades, na aversão às alterações brutais e, enfim, num certo tipo de receio generalizado do imprevisto.

Esta base é contrabalançada, na clássica atitude conservadora, por um outro elemento, o da moderação, que evita radicalizações e extremos. Aliás, um dos sentidos principais do termo “conservar” na língua de origem da adoção da designação de conservador aplicada a uma posição política, o inglês, é precisamente o de moderar.

Um tradicional conservador econômico, caracterizando-se por uma atitude geral de cautela, não aderirá facilmente a novos métodos de gestão que comportem riscos consideráveis, nem a empreendimentos que se afastem demasiado daqueles que se apresentam suficientemente estabelecidos. O neo-conservador, em contrapartida, apreciando processos radicais e soluções extremas, olhará com boa vontade e até promoverá o risco na prática econômica.

Convirá aqui observar que a clara subordinação da política e de tudo o mais aos imperativos econômicos é uma outra característica do neo-conservadorismo, em contraste explícito com o conservadorismo de recorte clássico, no qual, em menor ou maior grau, a economia não deixa de ser encarada como um mero meio, de que a política se mantém o mais possível afastada, sendo que, quando não é possível evitar a aproximação, ela procura manter uma posição de supremacia sobre a ordem econômica.

A este economicismo neo-conservador não será alheia a origem de muitas das figuras principais desta corrente nos meios marxistas. Trata-se de uma característica com efeito marcante. O pensamento dos neo-conservadores denuncia, pois, uma origem claramente anti-conservadora, a partir da qual evoluiu, em alguns casos mesmo da esquerda para a direita, sem curiosamente perder, no entanto, o seu forte antagonismo ao conservantismo clássico.

Outra característica dos neo-conservadores liga-se à sua origem precisa em certos setores universitários e administrativos dos Estados Unidos da América, nos anos 70 e 80 do século XX. A sua defesa do status quo estende-se sobretudo aos valores americanos e à preponderância americana no mundo, e a adoção de novos (e por vezes revolucionários) meios, métodos e estratégias é o que dá o tom ao estilo neo-conservador, que não hesita em lançar mão da irreverência e da agressividade.

Mas voltemos à gênese da aplicação política do termo. Surgiu ele em meados da década de 1830 (mais precisamente em 1836), atribuído à posição de um novo partido chefiado por Robert Peel e saído do antigo partido Tory, em Inglaterra, posição essa que se caracterizava, precisamente, por sustentar uma atitude de adaptação a profundas reformas políticas e eleitorais, sem que tal implicasse uma completa descontinuidade com a tradição: “Eles são conservadores não por quererem pôr um freio ao movimento da sociedade mas, pelo contrário, por aderirem à crença num movimento social progressivo inelutável, que eles acompanham, sem o apressar” (Brahami, 2004, 19).

Tendo em conta esta perspectiva, que encara a génese do termo “conservador” como designação de tendência política, teremos de operar a distinção entre a conservação adaptativa – aquela que, dentro de um enquadramento de estabilidade e de prolongamento com o passado, não enjeita subscrever e até mesmo empreender grandes alterações, nem tão-pouco recusa a supremacia do progresso – e a conservação tradicionalista, a qual, apegando-se mais às tradições, considera que as grandes rupturas principiam frequentemente como pequenas reformas e que a superação mais ou menos voluntária de situações e instituições resultantes de longos processos de sedimentação mais cedo ou mais tarde implica o seu desmoronamento.

Embora estas orientações partilhem de um mesmo apego à estabilidade e de uma idêntica rejeição da atitude revolucionária e de tudo quanto esta implica (podendo assim ambas, em certo sentido, ser apelidadas de contra-revolucionárias, embora não se deva identificá-las como posições indistintas, tal como alguns comentadores o fazem – por exemplo, Bénéton, 1996, 115), elas distinguem-se não apenas quantitativamente mas também de um ponto de vista qualitativo, pois a primeira atitude não deixa de desposar o que é pressentido como o fluxo progressivo do movimento da história, ao passo que a segunda valoriza a tradição, em vez do progresso. A conservação tradicionalista tenderá, assim, para uma certa radicalização, tal como, noutro sentido, de certo modo oposto a este, vem a tender o neo-conservadorismo.

Um dos autores que melhor emblematiza a pura atitude conservadora em filosofia política é, curiosamente, anterior ao período de que acabámos de falar. Também britânico, estava ligado ao partido adversário do Tory – o partido Whig – que, no século XIX, engendrou o partido liberal. Trata-se de Edmund Burke, autor das célebres Reflections upon the French Revolution (1790), a quem Russell Kirk chama “o maior dos modernos pensadores conservadores” (Kirk, 1985, 3). Nesta obra, em que uma das tarefas primordiais consiste na nada fácil justificação teórica de uma perspectiva de marcado cariz anti-revolucionário – da Revolução Gloriosa de 1688 (pela qual o Parlamento inglês depôs o monarca reinante e instaurou a ordem reinante no tempo de Burke) – e dos textos jurídicos que a consagraram, bem se exprime uma posição tipicamente conservadora, pretendendo-se equilibrar duas necessidades – a de manutenção e a de renovação – ou, na linguagem de Burke, dois princípios, o da conservação e o da correção: “Um Estado sem meios de alguma alteração é um Estado desprovido de meios de conservação” (Burke, 1993, 21).

Repare-se como nesta frase o termo “conservação” indica, apesar de tudo, uma permanência, mas uma permanência tal que se torna inconcebível sem algum tipo de mudança. No entanto, há que reter que esta, aliás restringida, para se efetivar só poderá operar em momentos convulsivos e de perturbação, como força regeneradora que funcione a favor da estabilidade e sob a impulsão do respeito aos invioláveis princípios orientadores. A preservação do essencial, cuja determinação é variável de acordo com circunstâncias, constituirá, afinal, um dos motores da atitude conservadora; mas esta, de um ponto de vistfilosófico, não se pode preocupar com o atinente à ordem do circunstancial.

Dez Princípios Conservadores Por Russel Kirk:

Primeiro, um conservador crê que existe uma ordem moral duradoura.

Segundo, o conservador adere ao costume, à convenção e à continuidade.

Terceiro, os conservadores acreditam no que se poderia chamar de princípio do preestabelecimento.

Quarto, os conservadores são guiados pelo princípio da prudência.

Quinto, os conservadores prestam atenção no princípio da variedade.

Sexto, os conservadores são refreados pelo princípio da imperfectibilidade.

Sétimo, conservadores estão convencidos que liberdade e propriedade estão intimamente ligadas.

Oitavo, os conservadores promovem comunidades voluntárias, assim como se opõem ao coletivismo involuntário.

Nono, o conservador percebe a necessidade de uma prudente contenção do poder e das paixões humanas.

Décimo, o pensador conservador compreende que a estabilidade e a mudança devem ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade robusta.

Pequena Biografia de Edmund Burke

Famoso político inglês do século XVIII, Burke já era bem conhecido quando escreveu as suas Reflexões sobre a Revolução em França, publicadas em Novembro de 1790.

Escolhido em 1765 para secretário privado de um dos dirigentes do partido Whig no Parlamento britânico, escreveu em 1770 um panfleto – Pensamentos sobre a Causa do Atual Descontentamento (Thoughts on the Cause of the Present Discontents) – em que defendia que a intervenção cada vez mais ativa do rei Jorge III nos assuntos governativos, sendo legal ia contra o espírito da constituição britânica. Mais tarde, em 1774 e em 1775, discursou no Parlamento sobre a Guerra de Independência da América britânica, em que defendia que, se as decisões do Parlamento de Londres eram de fato pautadas pela legalidade, não podiam deixar de ter em conta que as «circunstâncias, a utilidade e os princípios morais, deviam ser considerados, assim como os precedentes», na sua relação com as colónias. Isto é, o legalismo estrito do Parlamento devia ter mais respeito e preocupação pela opinião dos colonos, apelando por isso à «moderação legislativa».

Burke nunca sistematizou o seu pensamento político, que só pode ser conhecido pela leitura dos seus textos e discursos. Opondo-se desde cedo à doutrina dos direitos naturais, aceitava contudo o conceito de contrato social a que lhe juntava a ideia da sanção divina.

A sua principal obra, as Reflexões sobre a Revolução em França foram lidas por toda a Europa, incentivando os seus dirigentes a resistir à Revolução Francesa. Mas a sua posição custou-lhe o apoio dos seus amigos Whigs, sobretudo o de Charles James Fox.

É que, para Burke, a Revolução em França era um fenômeno de um tipo completamente novo, e por isso não podia ser associado à Revolução Inglesa de 1688 – que tinha provocado uma mudança dinástica e constitucional ponderada e limitada – como alguns pensadores ingleses, sobretudo Whigs, vinham defendendo. Para Burke, a Revolução francesa baseava-se numa teoria, a teoria dos Direitos Humanos, com preposições simples, universais e dogmáticas, que fazia apelo às leis da razão, claras e indiscutíveis, que se justificavam a si próprias, e que levavam a pôr de parte tradições e costumes sociais de séculos, para remodelar a sociedade de acordo com um plano inteligível e racionalmente justificado. Ora, para Burke, este racionalismo militante estava totalmente fora de lugar na atividade política; a sociedade humana era demasiadamente complexa para ser suscetível de uma compreensão racional simplista, e muito menos de uma alteração completa, ou mesmo de uma interferência contínua.

Para Burke, a sociedade humana desenvolve-se não tanto por intermédio da atividade racional do homem, mas sobretudo por meio de sentimentos, hábitos, emoções, convenções e tradições, sem as quais ela desaparece, coisas que o olhar racional é incapaz de vislumbrar. Um racionalismo impaciente e agressivo, virando-se para a ordem social só pode ser subversivo, atacando tanto as más como as boas instituições. Burke defende assim a ideia da limitação da Razão em face da complexidade das coisas, propondo que, perante a fragilidade da razão humana, a humanidade deve proceder com respeito para com a obra dos seus antecessores, só assim conseguindo trabalhar em conjunto em prol do desenvolvimento social. Mas a ideia de que a «Luz» apareceu de repente, após séculos de «Escuridão», é para Burke de um egoísmo suicida. Mas o mais importante, é que de fato é um tipo de racionalismo incompleto, já que a vida desorganizada da sociedade, com o seu padrão de comportamento incompreensível, não só deve ser considerado como a parte mais importante da existência de uma sociedade, como também é, à sua maneira, racional. Assim, para Burke, numa posição que está hoje muito na ordem do dia, com os estudos de António Damásio, os instintos e sentimentos humanos podem levar o homem a atuar corretamente, quando a razão o engana ou abandona. Do ponto de vista da sociedade, as tradições, tendo-se desenvolvido paulatinamente, sendo permanentemente testadas e amplamente divulgadas, são um tipo de bom senso que está acessível a toda a gente, e que pode servir a sociedade melhor do que uma elaborada intelectualização, sendo que os sentimentos são o acompanhamento emocional necessário a uma opinião sólida e amadurecida. Burke chama-lhes, provocadoramente, preconceitos.

Não quer dizer isto que a continuidade histórica de uma determinada comunidade não imponha mudanças, mas estas mudanças, necessárias, não devem ser resolvidas com base em experiências e invenções, mas sim de acordo com princípios inerentes à própria sociedade. Ora, o que é impossível é regenerar por imposição de uma doutrina utópica, que se torna fanática na aplicação da sua teoria, não olhando a meios para conseguir os seus objetivos. É que uma teoria assim aplicada, cria um imenso fosso entre um que «é» de fato e o que «devia» ser. Não contente com o progresso empírico, acaba por exigir uma felicidade totalmente nova.

Para Burke a Liberdade, o grande ideal revolucionário, é um bem. Mas a justiça, a ordem e a paz, também o são, e são indispensáveis à existência prática da liberdade. Assim, o objetivo não deve ser um fim perfeito e final de uma sociedade, mas o que for mais praticável.

Burke deu origem ao Conservadorismo moderno, que não é um conservadorismo do medo, do pessimismo, do pecado original, mas uma filosofia política que tem uma visão positiva da função do estado e dos objetivos últimos da sociedade humana; afirmando que se baseava, de uma maneira que fará escola nos constitucionalistas românticos, e de acordo com o Espírito das Leis de Montesquieu, na descrição fiel dos princípios tradicionais da vida política britânica.

Observações Gerais:

O conservadorismo foi altamente valorizado como doutrina intelectual nos finais do século XVIII, a partir das críticas à Revolução Francesa e ao racionalismo por parte de Edmund Burke, que questionava a supremacia de certas pessoas sobre a Igreja e o Governo e também a ideia da construção de novas sociedades a partir de uma rutura com o passado. Para Edmund Burke era impossível romper com as estruturas estabelecidas pela tradição ao longo de muitas gerações, sendo o preconceito uma noção positiva do saber e do senso comum.

O pensamento conservador guiou Adam Smith quando este escreveu A Riqueza das Nações, especialmente nos seus argumentos para preservar as liberdades individuais e da sociedade, nomeadamente a não intervenção do Estado e o mercado livre. O liberalismo gera desigualdades que os conservadores consideram necessárias para a existência da liberdade. A igualdade, no sentido da redistribuição dos bens desigualmente distribuídos, é, para o pensamento conservadorismo, um atentado às liberdades individuais de propriedade. Em resumo, para o conservadorismo escolha individual e liberdade são mais importantes do que a igualdade, tendo o Estado que promover a livre concorrência e a competição. A outra face da moeda é que a desigualdade, no que diz respeito aos direitos mais básicos, como a saúde, o trabalho ou a educação, gera conflitos sociais e étnicos muito graves nas sociedades de liberalismo extremo.

Defensores mais recentes do conservadorismo, como Charles Murray, consideraram negativas e perigosas as iniciativas menos liberalistas do Estado em intervir na sociedade através de ajudas às minorias étnicas, argumentando que estas políticas geram cada vez mais pobres ao promoverem a subsidio-dependência. É curioso que nos EUA existem sinais de um caminhar por parte de algumas minorias, como a negra, em direção ao conservadorismo, defendendo a livre iniciativa individual e empresarial e a propriedade privada. No Reino Unido, o Partido Conservador teve ocasiões em que nomeou quase tantas candidaturas de deputados de minorias étnicas como o Partido Trabalhista, defendendo e promovendo a livre iniciativa empresarial junto das minorias étnicas.

Bibliografia

- Brahami, F., “Montaigne et la Politique”, Bulletin de la Société des Amis de Montaigne, VIIIª

Série, Nº 33-34, 2004, pp.15-37.

- Bénéton, P., “Conservatisme”, in P. Raynaud e S. Rials (dir.), Dictionnaire de Philosophie

Politique, PUF, Paris, (1996), pp.115-117.

- Burke, E. (1790), Reflections on the Revolution in France, Oxford University Press,

Oxford/New York (1993).

- Kirk, R. (1954), The Conservative Mind. From Burke to Eliot, Regnery Publishing Inc.,

Washington (1985).

Instituto de Filosofia da Linguagem

O Desespero da Humanidade: Desespero-fraqueza

Introdução

“Todos nós somos uma síntese com uma finalidade espiritual…”

Kierkegaard

Kierkegaard[1] escreveu em 1849, “Desespero Humano – Doença até a Morte”, um estudo básico, no qual o filósofo procura refletir sobre o significado dos desesperos, e como devemos lidar com tais desesperos de uma maneira saudável para a nossa existência. “A antropologia proposta por Kierkegaard é que: toda existência tem de encarar a tarefa de unificar uma complexidade constitutiva submetida à divisão entre a alma e corpo, convocada a ser ultrapassada pela mediação do espírito”( FARAGO, 2006, p. 21) O autor em tal livro busca definir três dimensões do eu para explorar a condição concreta do eu: 1- o “eu” é uma síntese de opostos polares; 2- o “eu” é auto-relacionável, que se orienta por si próprio; 3- o “eu” é dependente de Deus. Segundo Kierkegaard, o eu não é a relação em si, mas o seu voltar-se sobre si. E ao apresentar o eu como uma relação, desenvolve que “o homem é uma síntese de infinito e finito, de temporal e de eterno, de liberdade e de necessidade, é em suma uma síntese”. (Kierkegaard, p. 195)

Portanto, o eu é devir, e por essa razão somente é o que será, realizando-se, no entanto, concretamente, numa síntese vivida no instante. E existindo na não-existência, dessa forma, não sendo ainda, o eu é desespero. O desespero está ligado ao caráter provisório da existência. Por isso, não há como não ser desesperado, ou seja, como existir fora dele.

Para Kierkegaard, o desespero é algo universal. E todos os homens, mesmo não tendo consciência do desespero o vivenciam. Segundo ele, o desespero põe a tona a miséria e a grandeza do homem. Kierkegaard analisa o desespero seguindo um duplo esquema: onde o primeiro esquema seria considerar o desespero a partir dos fatores que constituem a síntese que é o indivíduo: finitude e infinitude. O segundo esquema seria considerar o desespero sob o aspecto de subconsciência-consciência, ou seja, o não querer ser si – próprio (fraqueza e desafio).

O Desespero

O desespero, segundo Kierkegaard, é motivado pelo desejo de não ser si – próprio, pelo desejo de ser si – próprio e pelo fato de não ser consciente de ter um “eu”. O desespero se define pelo desequilibro da dialética/síntese (finito e infinito), podendo o eu desesperar de si ou de algo, apercebendo-se ou não disso; O desespero é a doença mortal que a torna incapaz de realizar-se a si mesma, é a doença da própria personalidade humana, tomada como mortal por trazer ao seu existir o morrer a cada instante. Segundo Kierkegaard, ela é apenas universal, e também inexorável e se caracteriza como vantagem do ser humano que se avança pela fé, pelo contato com Deus. Assim: “O desespero é a discordância interna de uma síntese cuja relação se refere a si mesma. Todavia, a síntese não é a discordância, é apenas a sua possibilidade, ou então implica-a.” (Kierkegaard, 2007 [1849] p.21).

O desespero não é algo posterior ou relacionado a um objeto, estar relacionado com algo a ser, desesperos particulares, o desespero de si próprio. Consiste numa doença mortal, é a síntese entre o finito e o infinito. E o desespero considerado sobre essa dupla categoria de finito e de infinito está relacionado ao desespero da infinidade ou carência de finito e o desespero do finito ou carência de infinito. Já o desespero visto sob a dupla categoria do possível e da necessidade, relaciona-se ao desespero do possível ou a carência de necessidade e ao desespero na necessidade ou a carência do possível. Kierkegaard acrescenta que a inquietação é o verdadeiro comportamento para com a vida, para com a nossa realidade pessoal.

Desespero-fraqueza

Em seu livro III. Cap. 2b. p. 227- 236, Kierkegaard nos dá uma noção de desespero-fraqueza e para ele, a fraqueza é a ausência de uma consciência infinita,relacionada ao desespero de uma coisa temporal. O desespero-fraqueza é uma manifestação do desespero que é caracterizado pelo não querer ser si mesmo devido a algum fator em sua existência, a partir de algo externo, quantitativo e material (questões do espontâneo e do imediato, que tem relação com quantidade, ciência, comércio e Estado). O eu que se desespera na fraqueza, será sempre passivo. ” O que dizes da fraqueza está certo, mas não é dela que deves desesperar; devemos despedaçar o eu para nos tornarmos nós próprios, deixa-te pois de desesperar dela.” (Kierkegaard, p. 230)

Dividindo-se no desespero quanto ao temporal ou de uma coisa temporal e quanto ao eterno ou de si mesmo.

Desespero temporal ou duma coisa temporal

O desesperar do temporal ou duma coisa temporal, que equivale a desesperar-se do finito, vem a ser o mesmo que, desesperar-se de si mesmo e do eterno. Nesse caso, desesperar-se de si próprio e do eterno é a fórmula do desespero. Kierkegaard afirma que:

” Não se encontra consciência infinita do eu, do que seja o desespero, nem da natureza desesperada do estado em que nos encontramos; neste caso desesperar é apenas sofrer; suportar-se passivamente uma opressão que vem de fora, e de modo nenhum o desespero vem de dentro como se fosse uma ação. É, em suma, por um abuso inocente de linguagem, um jogo de palavras, que na linguagem da espontaneidade se empregam palavras como: o eu, o desespero.” (Kierkegaard, p. 221)

Este desesperado que Kierkegaard descreve, não suspeita do desespero que se passa por trás dele, e julga-se desesperar-se de uma coisa temporal, mas de fato o seu desespero diz respeito à eternidade. E ele se desespera à eternidade, justamente por dar valor às coisas temporais. O desespero do temporal é caracterizado pelo chamado sujeito espontâneo, contingente ao meio externo, puro, imediato, no qual não se constata consciência da infinitude do eu nem do que é o desespero, no qual desesperar se manifesta como pura e simplesmente sofrer, suportar passivamente uma opressão que vem de fora e, pela ausência de reflexão sobre a origem e a conformação de seu estado, não quer ser a si próprio, podendo mesmo, em sua mais abjeta forma, desejar ser outrem. Quando um mínimo de autoconsciência se alia ao sujeito espontâneo chega-se ao mais vulgar, mais freqüente dos desesperos, que não necessariamente advém de um choque com o meio, mas possivelmente da reflexão sobre si mesmo. Entretanto, na assunção desse eu que timidamente se expressa há a percepção da íntima diferença com o mundo exterior, a ruptura do eu e do imediato, e essa discrepância o faz recuar amedrontado. Assim, desespera e o faz passivamente, sem buscar sua autêntica potencialidade.

O homem aqui desespera da sua fraqueza. Ele condensa-se numa nova consciência que é a consciência da sua fraqueza. O homem vê que dar valor ao temporal/ao finito é uma fraqueza, é desesperar-se. E em vez do desesperado escolher ou optar pela possibilidade de voltar-se para Deus, para assim transformar o seu desespero em fé, ele mergulha no desespero, e se desespera desta sua fraqueza. E consciente do seu desespero, sabe que dar valor ao temporal, equivale a perda da eternidade e a perda do seu eu.Há nesse caso, o crescimento na consciência do eu, pois é impossível desesperar-se do eterno sem a consciência do eu, sem a idéia de que há ou houve nele eternidade. E para desesperar-se de si, também é necessário a consciência de ter um eu; e é disso que o homem se desespera: de si próprio, e não do temporal. Há aqui uma maior consciência do que seja o desespero, que é a perda da eternidade e de si próprio.

Quando o homem perde o temporal ou uma coisa temporal, o desespero parece vir de fora, mas vem sempre do eu. E quando o desespero surge ou vem do eu, trata-se de um desespero-desafio. A partir disto, vemos um progresso no qual o seu próprio crescimento de intensidade aproxima este desespero da salvação; e ele salvaguarda a cada instante uma probabilidade de salvação.

Assim como um pai deserda o seu filho, o eu recusa reconhecer-se após tanta fraqueza. No seu desespero, o homem não quer ouvir falar mais de si, nada mais quer saber de si. Esse desespero, segundo Kierkegaard, possui um grau profundo e encontra menos freqüente no mundo. O eu ocupa-se e ilude o tempo a recusar ser ele próprio. É o que se chama de hermetismo[2].

Segundo Kierkegaard, ninguém está iniciado nesses segredos do seu eu. Qualquer eu, por pouco esclarecido que seja, tem a idéia de se dominar. E o desesperado tem o hermetismo suficiente, ou seja, o desconhecimento de si próprio, para se distanciar dos segredos do seu eu, sem perder o aspecto de “um vivo” (de um homem, de um mortal).

Considerações Finais

Observamos então, a busca incansável de Kierkegaard, em nos esclarecer a noção de desespero que se encontra intrinsecamente ligada à questão da própria existência humana. Existindo, pois em todo ser humano, características do desespero, estando o ser consciente ou não de seu desespero e que por sua vez é essencial para a aproximação com Deus.

É a síntese entre finito – o eu – e infinito – Deus.

“Deus habita em uma luz de onde emana cada raio que ilumina o mundo (…).”

Kierkegaard

Filosofia – Escopo

Método Cartesiano e introdução ao escopo
Aprendemos na aula passada que o método cartesiano é composto de quatro regras. Vamos estudá-las em seqüência.

Tópicos:

  1.  Regra da evidência
  2.  Segunda regra: a regra da análise
  3.  Terceira regra: a de síntese
  4.  Compreensão ou revisão
  5. O Escopo

Regra da evidência

A primeira das quatro regras do método cartesiano é a regra da evidência: não aceitar jamais nenhuma idéia, conceito ou proposição que não seja clara por si só. Qualquer forma de conhecimento será indecomponível; ela é como se fosse um elemento básico constitutivo. Por não ser composta de outros conceitos, essa forma de conhecimento implica clareza, distinção e total evidência, daí ela é intuitiva no sentido racional do termo.

Segunda regra: a regra da análise 

Se ainda não chegamos a idéias claras e distintas, então vem a regra da análise, a segunda. Devemos decompor um objeto, uma idéia em suas idéias componentes até chegar a idéias claras e distintas. Enquanto ainda não se estabeleceu idéias claras e distintas continuamos analisando, quebrando as idéias mais complexas até chegar às mais simples possíveis.

Essa característica de decomposição é exatamente levar o problema da complexidade à simplicidade. Tudo que é composto é complexo, segundo o modelo de Descartes. Então estabelecemos, a partir da complexidade, a simplicidade. É exatamente a idéia básica da análise. Analisamos tudo o que é complexo e decompomos de tal modo a chegar às idéias mais simples.

Podemos, é claro estabelecer um raciocínio para chegar à condição de simplicidade. No momento em que ela é atingida, o raciocínio pára. Por isso que dissemos antes que este é um dos métodos mais simples, e por isso ele está na base de todas as formas de conhecimento. Não há um conhecimento ou um método que não se baseie nisso. Pode ser uma teoria física ou filosófica. Isso por que, se este não fosse o método mais simples, ele seria um método inválido.

No final das contas é exatamente isso que a ciência moderna faz: os médicos tomam um problema até chegar a algo que se pode ter uma certeza maior de ser a causa de uma doença.

Depois que chegamos à condição de análise, então vem a segunda regra. Não basta saber as idéias fundamentais que determinam a explicação daquele problema, daquele objeto. Então surge a segunda regra, em que voltamos reconstruindo das partes elementares, simples, claras e distintas para entender o próprio problema, pois ele continua sendo complexo. Entendemo-lo nas idéias simples para então entender a complexidade.

Exemplo:

Um exemplo não-cartesiano, mas no qual podemos aplicar essa regra: tomemos a noção de força da Física:

F = m.a

Então a idéia de força não é uma idéia clara e distinta, pois pode ser decomposta nos conceitos de massa e aceleração. O fato de conhecermos a noção não segue que ela deixou de ser complexa. A força, portanto, é complexa porque pode ser decomposta. A força não era uma idéia óbvia quando Newton estava desenvolvendo suas Leis do Movimento e especialmente a Teoria da Gravitação Universal. Se é óbvio que o objeto cai e a explicação para isso é clara e distinta, então não seria necessária toda uma teoria. Logo a idéia de força se decompõe em duas outras. E aceleração, por sua vez, se define como?

a = v / t

Assim, mais uma vez, decompomos a noção de aceleração. Neste caso, chegamos a uma etapa em que temos dois conceitos compondo a noção de aceleração: velocidade e tempo, o primeiro divido pelo segundo. Portanto ainda não temos uma noção clara e distinta. E a velocidade? Por mais banal que seja, ela também não é uma idéia clara e distinta porque a compomos pelas idéias de espaço e tempo. Daí,

v = S / t

A velocidade, portanto, é uma idéia decomponível. A pergunta é: espaço e tempo são idéias claras e distintas? Agora sim! Pelo menos na teoria de Newton. Então a composição acaba. Agora, sabemos a definição de cada um desses elementos. Espaço, tempo e massa são as grandezas mais fundamentais da Física.

Notem agora que tais idéias são da Física. Noções como espaço, tempo, massa, são idéias claras e distintas, que tomamos por uma intuição intelectual imediata, e que podemos usar para compormos qualquer conceito que precisarmos. Na Física, ao se chegar a idéias claras e distintas, não precisamos de mais nada. Poderíamos reformular desse modelo, se necessário: escrever a velocidade em função da aceleração e do tempo, ou o tempo como quociente da velocidade pela aceleração, e assim por diante. O interessante é que, o que é simples para uma forma de conhecimento não segue necessariamente que é a idéia mais simples de todas. Se pensamos em idéias simples, o espaço é uma forma de extensão. O espaço é a resultante das três dimensões, uma extensão volumétrica. Já o tempo, por exemplo, é uma extensão linear. E a noção de extensão é uma noção da Física? Não, é da Geometria, portanto da Matemática. O que é extensão? É uma limitação determinada matematicamente pelas idéias da Geometria. Portanto, saindo do campo da mecânica newtoniana, podemos decompor a noção de espaço e tempo: o primeiro como extensão volumétrica, e o segundo como extensão linear. Agora estamos no campo da Matemática pois estamos falando em Geometria. Na Geometria, não há nada mais simples do que o conceito de extensão.

A matéria, que se associa à massa, é um conceito da Física, um conceito básico dela. Mas a matéria é também um conceito que depende de outro. Pertence ao conceito de substância, que não só a Física trabalha, mas a Química também. E a noção de substância não pertence à Matemática, mas à Filosofia. Aí chegamos aonde Descartes quer: Matemática e Filosofia! Elas que contêm os conceitos mais básicos que existem. Abaixo dos conceitos delas não podemos ir. Tanto que Descartes chama nossos corpos de substância extensiva, ou res extensa. A pergunta é: uma pirâmide geométrica tem extensão? Sim. Tem substância? Não, porque é um produto do pensamento. Mas o pensamento para Descartes é uma substância, ainda que não empírica, daí chamada de res cogitans.

Findo tudo isso, chegamos ao final da análise, e não há idéias mais claras que essas. São idéias indecomponíveis.

Olhem o método cartesiano: quando o professor de ensino médio nos dá um problema, o que fazemos? Achamos os elementos das fórmulas, certo? Um corpo está indo a 20 km/h. Calcule a aceleração. Você quer saber exatamente a aceleração. Para sabê-la, temos que saber a velocidade. Para achá-la, temos que saber o espaço. Por isso precisamos compor o problema. É a…

Terceira regra: a de síntese.

Também chamada de regra de composição. Depois de chegar às idéias claras e distintas, como as idéias são intuitivas, conseguimos recompor o problema a partir delas. Partimos do desconhecido, ao buscar a aceleração de um corpo A ou B. Por que uma estrela gira, o que está causando determinada doença, o que o vírus HIV faz para destruir nosso sistema imunológico? Todo problema é desconhecido. Então nós o decompomos para chegar às idéias que não temos dúvida. Ao fazer isso, decompomos todo o trajeto e vamos explicando as complexidades. Nessa hora, já saberemos as prováveis causas dos problemas em questão.

Regras da síntese: recomposição. Quer dizer: pegaremos todos os resultados (as idéias claras e distintas que extraímos) aos quais já e fazer o caminho inverso, indo do desconhecido ao conhecido. A idéia clara e distinta é conhecida; lembrem-se que ela é inata.

Apesar de o físico poder explicar o que é o espaço e o tempo, alguns de nós temos dúvidas do que seja o espaço e o tempo? Não, tais coisas são intuitivas. Idéias como matéria, espaço e tempo são idéias que admitimos sem mesmo precisar defini-las, por isso são intuitivas. Nesse caso estamos compondo ou recompondo o problema, indo do simples ao complexo. E aí chegamos à solução. Então o processo cartesiano é de “dupla mão”. Primeiro analisamos, depois recompomos ou sintetizamos. No momento em que terminamos essa composição, chegamos à solução do problema. Na verdade isso não é a solução, mas os elementos fundamentais que a trarão.

Um exemplo bem interessante é: como se chegou à descoberta da penicilina? Fleming, nos anos 30, pesquisava bactérias. Ele já se sabia que elas eram as causadoras de diversas doenças, e buscava uma solução para tais males. Que situação era essa? Ele tinha um problema, que precisava de uma hipótese. A hipótese, nesse sentido, era complexa. Já se sabia como determinadas bactérias atacavam nosso organismo. Ele queria, então, saber como matá-las e achar uma forma de imunização. Ele queria, portanto, achar um elemento químico que satisfizesse sua pesquisa. Este era o problema.

Um dia ele preparava algumas culturas de bactérias e tinha, no balcão de trabalho, alguns fungos do gênero Penicillium, e acidentalmente alguns esporos do fungo caíram sobre culturas bacterianas, sem que ele percebesse. Ao notar, ele fez um novo experimento: colocou as bactérias numa estufa a 30ºC e derramou esporos sobre uma das culturas. Quando voltou depois de uns dias, percebeu que as culturas que estavam mortas eram as que tinham sido atingidas pelo Penicillium. Então ele chegou a uma pré-conclusão: “o fungo mata”. Ele buscava a solução para a sífilis, que era o terror da época. Ele tinha um problema: qual era? Determinar, primeiramente, se o fungo é capaz mesmo de matar, pois pode ter sido outra coisa. Agora o problema mais elaborado: foi a totalidade do esporo ou foi alguma parte dele que causou a morte das bactérias? Isto é uma questão complexa pois é algo desconhecido. É o esporo todo ou apenas partes, elementos dele que causaram isso? Portanto podemos usar o método cartesiano para explicar o processo de Fleming.

Vamos lá: ele sabia que o fungo matou as bactérias. É o esporo como um todo ou apenas algum de seus elementos? Ele partiu para a decomposição: pegou o esporo e fracionou-o em todos os seus elementos componentes, que ele não teria mais dúvidas do que seriam. Então ele foi até os elementos químicos básicos. E o que ele fez? Ele testou cada um desses elementos. Depois de tudo, ao chegar à decomposição, ele começou a testar um por um. Pegou as mesmas bactérias, produziu culturas, e em cada uma delas ele colocou componentes químicos, e em outras pôs contraprovas, que são reagentes que não são alterados.

No final das contas, ele chegou à conclusão de que um dos componentes, que ele chamou penicilina, era o causador da morte das bactérias. Então, o que ele fez foi recompor. Mas ele precisava das outras componentes? Não, porque ele chegou a uma idéia clara e distinta, e passou a saber, a partir de então, a causa exata da morte das bactérias.

A solução, portanto, é: a penicilina é a causadora da morte dos microorganismos.

Mas isso é suficiente? Não, porque ele poderia estar enganado. Tanto é que, hoje em dia, pelo menos nos países onde a saúde pública tem uma certa relevância, o sistema ou agência que é responsável pela admissão de produtos químicos no comércio só o autoriza depois de extensivos testes. Por quê? Porque uma ou outra experiência podem estar erradas em um elemento. Daí vem a quarta e última regra:

Compreensão ou revisão. O que diz ela? Que devemos revisar todos os resultados e os processos quantas vezes forem necessárias até ter-se a certeza que estão corretas. Ou, pelo menos, ter uma probabilidade de certeza altíssima. Deve-se, portanto, revisar. A revisão dos resultados é, assim, a aplicação N vezes quando forem necessárias da segunda e terceira regras. A noção de fórmula física, por exemplo, é uma noção complexa, mas, no Ensino Médio, como nós as decoramos, elas acabaram figurando como idéias simples, pois em geral não se sabe prontamente as características dos elementos de uma formula na hora da apliação.

Esta aplicação, portanto, leva à recorrência das três regras anteriores.

Revisão, então, neste sentido, significa recursividade das regras. A recursividade não é exatamente uma característica do método? Aqui também vemos a condição de tantalidade (aplicar tanto quanto bastar).

É um método bem simples, por isso ele se perpetua. É também por isso que o modelo de Descartes é analítico, porque para Descartes o objeto de qualquer disciplina, ciência ou mesmo da Filosofia será analisado e, em seguida, ganhar-se-á conhecimento daquilo que não era conhecido, chegando conseqüentemente a novos desconhecimentos: com novas perguntas respondidas, novas perguntas surgem.

O que se desconhecia na época da penicilina? Sempre havia algo a mais. Não se sabia que as bactérias eram extremamente resistíveis, pois se modificam rapidamente. Nesse caso, as bactérias se mostraram, com o tempo, resistentes, e não mais foram afetadas pela penicilina. Pronto: tinha-se um novo problema, que levou ao desenvolvimento de antibióticos sintéticos, mais fortes. O objeto tem sempre algo a mais. Enquanto esse novo fenômeno não aparece, o modelo vale; quando aparecer o novo desconhecimento, aplica-se novamente o método para passar a abrangê-lo, e substituir a pergunta atual pela nova, que deverá vir em seguida.

O escopo

De posse dessas idéias, agora podemos ir para o último aspecto da concepção de Filosofia como teoria: o escopo.

Nos já vimos a explicação e os modelos de Filosofia a partir da concepção de objeto, de método e agora veremos a concepção de Filosofia a partir do seu escopo, de seu objetivo, de seu fim.

Para que a Filosofia está direcionada?

Ao acabar esta parte, terminaremos a noção de Filosofia como teoria.

Qual é o fim da Filosofia? Esta é a idéia. Neste caso então, temos duas possibilidades: a primeira, que vamos entender para poder entender a segunda. A primeira concepção de Filosofia implica que ela é uma disciplina que deve ser criada para solucionar questões que o homem tem. Em outras palavras, a primeira concepção de Filosofia pelo escopo é o que podemos chamar de concepção práksica da Filosofia. Ela diz: o que é práxis? Práksis, em grego, é traduzido normalmente por prática, mas é incorreta essa tradução. Práksis, em grego, se opõe a tékhne. O que essa palavra lembra? Técnica. Nesse sentido temos o termo prático, que é confuso. Tékhne quer dizer prática, um tipo de conhecimento manual para os gregos. Técnica de fazer navios, casas, etc. Um conhecimento por tentativa-e-erro, um conhecimento não teórico. Práksis é o contrário: é uma teoria mesmo, não uma técnica. Por isso o professor não usa o termo tékhne em português. É uma ação, mas não no sentido físico do termo, como no sentido de se arremessar a caneta de quadro branco, mas ação volitiva do homem, proposta pela condição de escolha e determinações volitivas, ou seja, políticas, morais, jurídicas, etc. Isso é Práksis. Então, uma posição da Filosofia é que ela é uma disciplina práksica. Significa que ela deve ser constituída para trazer um benefício aos homens. Um benefício nas suas condições sociais, políticas, morais, etc. É, portanto uma teoria de ação. Não é que o modelo é um modelo acional, mas o resultado é trazer modificações, ou revoluções, no sentido amplo do termo ¹. Então, neste sentido, ela é um doutrina de ação. Toda Filosofia deve buscar alterar algo, e fazê-lo, evidentemente, para melhor. A linha práksica é a de Platão. Ele é um teórico do qual seu objeto tem realidade (ele é um filósofo realista); a famosa República é real, como uma teoria construída, portanto é um teórico sintético, o objeto é construído, mas para ele é exatamente esse o exemplo: ele diz, na passagem 283-B: o que adianta ao homem conhecer a produção do ouro se esse conhecimento não beneficia os outros, ou se o homem é egoísta? Então Platão, na República, admite que a classe dos produtores produzem para o bem da comunidade, da cidade, não para seu próprio bem, não para se tornarem simplesmente mais ricos, não para terem mais ou melhor que os outros. O que adianta conhecer a imortalidade, ou construir uma teoria sobre ela, se ela não for beneficiar também os outros? Nesse caso, ele está pensando nos governantes. Quem é o sábio? O filósofo, e o filósofo é o governante. Ele quem conhece a imortalidade. Não no sentido de que se viverá para sempre, mas de promover as condições de conhecimento que leve a cidade a ser harmônica, justa, e permitir sua continuidade. Então, centrar o conhecimento para o domínio do poder para seu benefício levaria às formais ruins de governo para ele, que são: oligarquia, tirania, democracia.Daí tiramos que ele é um teórico da Práksis. Toda teoria para ele visa ter uma aplicação para benefício dos homens. Por isso Platão constituiu a República exatamente como modelo de comunidade política para solver os problemas que aquelas comunidades políticas históricas existentes empíricas, com modelos tirânicos, oligárquicos e democráticos. Ele criou então um modelo para o benefício dos homens. Não era, portanto, um mero exercício intelectual. É um constructo teórico mas que seu resultado, seu escopo é trazer o bem. Neste caso, o fim de toda teoria é trazer o bem. Agora, podemos dizer em sentido muito amplo do termo: este modelo implica que a Filosofia é revolucionária: ela revoluciona o status quo estabelecido. Não revolucionária no sentido estrito do termo, como as revoluções sanguinolentas.

A revolução do status quo visa ao bem comum.

John Stuart Mill: grande proponente do modelo liberal de Estado. Mill também é contra a democracia porque diz que ela é uma forma para benefício dos governantes. Vamos ver o governo representativo de John Stuart Mill depois, baseado na noção de liberdade.


Na aula que vem, vamos fechar com a outra concepção de escopo, que é a teorética, a inversão da noção de práksica. Líder desse ideário é Aristóteles. Depois, finalmente, veremos os teóricos que não aceitam a Filosofia como teoria.

A melhor definição de revolução strictu sensu é de Olavo de Carvalho, adaptadamente: “a promoção de um evento futuro e grandioso, visando a mudança completa do status quo, levada a cabo por um indivíduo ou um pequeno grupo, mediante a concentração ilimitada de poder nas mãos desse(s) sujeito(s) que prometem realizar a subversão. Essa concentração de poder se dá com a entrega de confiança, meios de realização, direitos subjetivos e dinheiro dos indivíduos para o revolucionário.”

Os Dez Pergaminhos

Pergaminho Número Um

Hoje começo uma nova vida.

Hoje mudo minha pele velha que sofreu, por muito tempo, as machucaduras do fracasso e os ferimentos da mediocridade.

Hoje renasço e meu berço é uma vinha onde há frutas para todos.

Hoje colherei uvas de sabedoria da mais cheia e produtiva videira da vinha, pois elas foram plantadas pelos mais sábios de minha profissão que me antecederam, geração após geração.

Hoje provarei o sabor das uvas destas videiras e, em verdade, engolirei a semente do êxito incrustada em cada uva para que uma nova vida possa germinar dentro de mim.

A carreira que escolhi é plena de oportunidades, embora repleta de desgostos e desapontamentos e, se os corpos daqueles que fracassaram fossem empilhados um em cima do outro, lançariam sua sombra sobre todas as pirâmides da Terra.

Contudo, eu não fracassarei como os outros, pois em minhas mãos tenho agora o roteiro que me guiará por águas perigosas às praias que, ontem mesmo, pareceriam apenas um sonho.

O fracasso não será mais pagamento pelo meu esforço. Assim como a Natureza não preparou meu corpo para tolerar a dor, também não determinou que minha vida sofra o fracasso. O fracasso, como a dor, é elemento estranho a minha vida. No passado eu o aceitei, como  aceitei a dor. Agora eu rejeito a ambos e estou preparado para a sabedoria e os princípios que me guiarão das sombras para a luz da riqueza, posição e felicidade, bem além dos meus sonhos mais extravagantes, quando até mesmo as maçãs douradas do Jardim das Hespérides me parecerão justa recompensa.
O tempo ensina tudo para quem vive eternamente, mas não tenho o luxo da eternidade. Contudo, dentro do tempo que me foi concedido, devo praticar a paciência, pois a Natureza jamais age apressadamente. Para criar a oliveira, rainha de todas as árvores, cem anos são necessários. Em nove semanas a cebola já está velha. Eu tenho vivido como uma cebola. Isto não me agrada. Agora, desejo tornar-me a maior das oliveiras e, em verdade, o maior dos vendedores.

E como se realizará isto? Pois não tenho nem o conhecimento nem a experiência para alcançar grandeza e já tropeço na ignorância e caio nas águas da lamúria. A resposta é simples. Começarei minha jornada desembaraçado do peso de conhecimentos desnecessários e de obstáculos da experiência sobre trabalhos sem resultados. A Natureza sempre me forneceu conhecimento e instinto maior do que a qualquer animal da floresta, superior até mesmo ao valor da experiência em geral superestimado por velhos que parecem sábios, mas falam tolices.

Em verdade, a experiência ensina a fundo, porém seu curso de instrução devora os anos dos homens e dessa maneira o valor das lições diminui com o tempo necessário para adquirir-se sua sabedoria especial. Seu objetivo desperdiça-se com a morte dos homens. Ademais, a experiência é comparável à moda; uma ação que resulta em êxito hoje poderá ser inaproveitável e impraticável amanhã.

Apenas princípios permanecem e estes eu agora tenho em meu poder, pois as leis que me levarão à grandeza estão contidas nas palavras dos pergaminhos. O que eles ensinarão será mais evitar o fracasso do que obter êxito, pois o que é o êxito senão um estado de espírito? Dois, entre mil sábios, se tanto, definirão o êxito nas mesmas palavras, enquanto o fracasso é sempre descrito de apenas um modo. O fracasso é a incapacidade do homem em atingir seus objetivos na vida, sejam eles quais forem.

Na verdade, a única diferença entre aqueles que falharam e aqueles que tiveram sucesso está na diferença de seus hábitos. Bons hábitos são a chave do sucesso. Maus hábitos são a porta aberta para o fracasso. Assim, a primeira lei que obedecerei é: formarei bons hábitos e me tornarei escravo deles.
Quando criança, fui escravo de meus impulsos; agora sou escravo de meus hábitos, como todos os adultos. Abri mão de minha vontade própria, cedendo aos anos de hábitos acumulados e os últimos feitos de minha vida já parecem estar marcados por um destino que ameaça aprisionar meu futuro. Minhas ações são ditadas pelo apetite, paixão, preconceito, avidez, amor, medo, ambiente, hábito, e o pior de todos estes tiranos é o hábito. Se, portanto, devo ser escravo do hábito, que seja um escravo de bons hábitos. Meus maus hábitos devem ser destruídos e novos sulcos preparados para boas sementes. Eu formarei bons hábitos e me tornarei escravo deles.

E como realizarei esse difícil feito? Através destes pergaminhos, pois cada um deles contém um princípio que expulsará o mau hábito de minha vida e nela recolocará outro que me conduzirá para mais perto do sucesso. Pois é outra das leis naturais que apenas um hábito pode dominar outro hábito. Assim, para que estas palavras escritas realizem a tarefa escolhida, devo disciplinar-me ao seguinte, que é o primeiro de meus hábitos:
Eu lerei cada pergaminho por trinta dias seguidos, da maneira recomendada, antes de passar ao pergaminho seguinte.

Primeiro, lerei as palavras em silêncio, ao acordar. Depois, lerei em silêncio, após almoçar. Finalmente, lerei de novo, antes de retirar me para o leito e, mais importante, nesta ocasião lerei em voz alta.

No dia seguinte, repetirei o processo e continuarei dessa maneira por trinta dias. Tomarei, então, o pergaminho seguinte e repetirei esse processo por outros trinta dias. Continuarei assim até viver com cada pergaminho por trinta dias, e minha leitura se torne um hábito.

E o que será conquistado com esse hábito? Aqui está o segredo oculto das conquistas humanas. Com a repetição das palavras diariamente, elas logo se tornarão parte de minha mente ativa, porém, mais importante, também se infiltrarão em minha outra mente, essa misteriosa fonte que nunca dorme, que cria meus sonhos e freqüentemente me faz agir de maneiras que mal percebo.

Assim que as palavras destes pergaminhos forem assimiladas pela minha mente misteriosa, eu começarei a despertar, cada manhã, com uma vitalidade que jamais conheci antes. Meu vigor aumentará, meu entusiasmo se levantará, meu desejo de encontrar o mundo ultrapassará qualquer medo que um dia conheci ao nascer do sol e serei mais feliz do que jamais acreditei ser possível neste mundo de luta e tristeza.

Finalmente, encontrar-me-ei reagindo em todas as situações que confrontar, como foi recomendado nos pergaminhos, e, logo, essas ações e reações se tornarão fáceis de executar, pois cada ato, com a prática, torna-se fácil.

Assim, nasce um novo e bom hábito, pois, quando um hábito se torna fácil, através de constante repetição, é um prazer executá-lo e, se é um prazer executá-l o, é da natureza do homem executá-lo freqüentemente. Quando eu o executo freqüentemente, ele se torna um hábito e eu me torno seu escravo; e desde que seja um bom hábito é a minha vontade.

Hoje começo uma nova vida.

E juro solenemente a  mim mesmo que nada  retardará o crescimento de minha nova vida. Não perderei um dia sequer destas leituras, pois este dia não pode ser recuperado nem posso substitui-lo por outro. Não devo, não quero quebrar o hábito de ler diariamente estes pergaminhos e, em verdade, os poucos momentos passados cada dia com este hábito são apenas um pequeno preço a pagar pela felicidade e êxito que serão meus.
Ao ler e reler as palavras dos pergaminhos, nunca permitirei que a brevidade ou a simplicidade de suas palavras me faça encarar a mensagem como se fosse superficial. Milhares de uvas são amassadas para encher uma jarra de vinho, e a casca da uva e sua polpa ainda são bicadas pelos pássaros. Assim é com estas uvas de sabedoria das gerações. Muito tem sido filtrado e abalado pelo vento. Apenas a verdade pura permanece destilada nas palavras, para ser lembrada. Beberei segundo as instruções e não perderei uma só gota. E absorverei a semente do êxito.

Hoje minha pele velha se assemelha a poeira. Andarei altivo entre os homens e eles me reconhecerão, pois hoje sou um novo homem, com uma vida nova.

Pergaminho Número Dois

Saudarei este dia com amor no coração.

Pois este é o maior segredo do êxito em todas as aventuras. Os músculos podem partir um escudo e até destruir a vida, mas apenas os poderes invisíveis do amor podem abrir os corações dos homens, e até dominar esta arte não serei mais que um mascate na feira. Farei do amor minha maior arma e ninguém que a enfrente poderá defender-se de sua força.

Podem opor-se ao meu raciocínio, desconfiar de meu discurso; podem desaprovar meus trajes; podem rejeitar meu rosto; e podem até suspeitar de meus negócios; contudo, meu amor enternecerá todos os corações, comparável ao Sol cujos raios suavizam o mais frio barro.
Saudarei este dia com amor no coração.

E como o farei? De hoje em diante olharei todas as coisas com amor e renascerei. Amarei o Sol porque aquece os meus ossos; não obstante, amarei a chuva porque purifica meu espírito. Amarei a luz porque me mostra o caminho; não obstante, amarei a escuridão porque me faz ver as estrelas. Eu receberei a felicidade porque ela engrandece o meu coração; não obstante, tolerarei a tristeza porque abre a minha alma. Aceitarei prêmios porque são minhas recompensas; não obstante, receberei de bom grado os obstáculos, porque eles são meu desafio.

Saudarei este dia com amor no coração.

E como falarei? Enaltecerei meus inimigos e eles se tornarão amigos. Cavarei fundo, buscando razões para aplaudir; jamais arranjarei justificativas para maldizer. Quando tentado a criticar, morderei a língua; quando me decidir a elogiar alguém, falarei alto acima dos tetos. Não é assim que os pássaros, o vento, o mar e toda a natureza falam com a música de louvor pelo seu criador? Não posso conversar no mesmo tom com seus filhos? De hoje em diante relembrarei este segredo e mudarei minha vida.
Saudarei este dia com amor no coração.

E como agirei? Amarei todos os comportamentos dos homens, pois cada um tem qualidades para ser admirado, mesmo se estiverem ocultas. Com amor derrubarei o muro da suspeita e ódio que construíram em volta dos corações e, em seu lugar, construirei pontes para que meu amor possa entrar em suas almas.

Amarei as ambições, pois elas podem inspirar-me; amarei os fracassos, pois eles podem ensinar-me. Amarei os reis, pois eles são apenas humanos; amarei os humildes, pois eles são filhos de Deus. Amarei os ricos, pois eles são, não obstante, solitários; amarei os pobres, pois eles são muitos. Amarei os jovens, pela fé que têm; amarei os velhos, pela sabedoria que partilham. Amarei os formosos, por seu olhar de tristeza; amarei os feios, por suas almas de paz.

Saudarei este dia com amor no coração.

Mas como reagirei às reações dos outros? Com amor. Pois, sendo a minha arma para abrir os corações dos homens, o amor é também o meu escudo para repelir as setas do ódio e as lanças da ira. A adversidade e o desencorajamento se chocarão contra meu novo escudo e se tornarão como as chuvas mais brandas. Meu escudo me protegerá na feira e me sustentará quando sozinho. Ele me reanimará em momentos de desespero e, contudo, me acalmará na exultação. Tornar-me-ei mais forte e mais protegido usando-o até o dia em que ele seja parte de mim, e andarei desembaraçado entre todos os comportamentos dos homens, e meu nome se erguera alto na pirâmide da vida.

Saudarei este dia com amor no coração.

E como enfrentarei cada um que encontrar?

De apenas um modo. Em silêncio, e, para mim mesmo, dir-lheei: “Eu Amo Você.” Embora ditas em silêncio, estas palavras brilharão em meus olhos, desenrugarão minha fronte, trarão um sorriso a meus lábios e ecoarão em minha voz; e o coração dele se abrirá. E quem dirá não às minhas mercadorias quando seu coração sente meu amor?

Saudarei este dia com amor no coração.

E acima de tudo amarei a mim mesmo, pois, quando o fizer, zelosamente inspecionarei todas as coisas que entraram em meu corpo, minha mente, minha alma e meu coração. Jamais abusarei das solicitações da carne, mas, sobretudo, cuidarei de meu corpo com asseio e moderação. Jamais permitirei que minha mente seja atraída para o mal e o desespero, mas sobretudo a elevarei, com o conhecimento e a sabedoria das gerações. Jamais permitirei que minha alma se torne complacente e satisfeita, mas haverei de alimentá-la com meditação e oração. Jamais permitirei que meu coração se amesquinhe e padeça, mas compartilhá-lo-ei e ele crescerá e aquecerá a Terra.

Saudarei este dia com amor no coração.

De hoje em diante amarei a humanidade. Deste momento em diante todo o ódio desaparece de minhas veias, pois não tenho tempo para odiar, apenas para amar. Deste momento em diante dou o primeiro passo necessário para me tornar um homem entre homens. Com amor, aumentarei minhas vendas cem vezes mais e me tornarei um grande vendedor. Se nenhuma outra qualidade possuo, posso ter êxito apenas com  o amor. Sem ele eu fracassarei, embora possua todo o conhecimento e as técnicas do mundo.

Saudarei este dia com amor e terei êxito.

Pergaminho Número Três

Persistirei até vencer.

No Oriente, os touros jovens são testados para o combate na arena de um modo apropriado. São levados um a um para a arena, e permite-se que ataquem o picador que os provoca com uma lança. A bravura de cada touro é então avaliada com cuidado segundo o número de vezes que demonstra persistência para investir apesar da ferroada da lâmina, De hoje em diante reconhecerei que cada dia sou testado pela vida do mesmo modo. Se persisto, se continuo a tentar, se continuo a investir, serei bem-sucedido.
Persistirei até vencer.

Eu não cheguei a este mundo numa situação de derrota, nem o fracasso corre em minhas veias. Não sou ovelha à espera de que meu pastor me aguilhoe e acaricie, mas um leão, e me recuso a falar, andar e dormir com o rebanho. Não ouvirei aqueles que se intimidam e se queixam, pois tal doença é contagiosa. Eles que se unam ao rebanho. O matadouro do fracasso não é o meu destino.

Persistirei até vencer.

Os prêmios da vida estão no fim de cada jornada, não próximos do começo; não me é dado saber quantos passos são necessários a fim de alcançar o objetivo. O fracasso pode ainda se encontrar no milésimo passo, mas o sucesso se esconde atrás da próxima curva da estrada.Jamais saberei a que distância está, a não ser que dobre a curva.

Sempre darei um passo avante. Se este não resultar em nada, darei outro e mais outro. Em verdade, dar um passo de cada vez não é difícil.
Persistirei até vencer.

De hoje em diante, considerarei o esforço de cada dia como um golpe do meu machado no poderoso carvalho. O primeiro golpe pode não causar tremor na madeira, nem o segundo, nem o terceiro. Cada golpe pode parecer insignificante e sem nenhuma conseqüência. Contudo, a custo de tais golpes, o carvalho finalmente tombará. Assim também será com os meus esforços de hoje.

Sou comparável a uma gota de chuva que lava a montanha; à formiga que devora o tigre; à estrela que ilumina a Terra; ao escravo que constrói uma pirâmide. Construirei meu castelo com um tijolo de cada vez, pois sei que pequenas tentativas repetidas completarão qualquer empreendimento.

Persistirei até vencer.

Jamais aceitarei a derrota, e retirarei de meu vocabulário palavras e expressões como “desistir”, “não posso”, “incapaz”, “impossível”, “fora de cogitação”, “improvável”, “fracasso”, “impraticável”, “sem esperança” e “recuo”, pois são palavras e expressões de tolos. Evitarei o desespero, mas se essa doença da mente me contagiar, então prosseguirei, mesmo em desespero. Trabalharei firme e permanecerei. Ignorarei os obstáculos sob meus pés e manterei meus olhos firmes nos objetivos acima de minha cabeça, pois sei que onde um deserto árido termina, a grama verde nasce.

Persistirei até vencer.

Eu me lembrarei das velhas leis comuns e as usarei em meu benefício. Persistirei com o conhecimento de que cada fracasso em vender aumentará minha oportunidade de êxito na tentativa seguinte. Cada “não” que ouvir me trará para junto do som do “sim”. Cada sobrolho franzido que encontrar apenas me preparará para o sorriso que chega. Cada infortúnio com que me deparar trará consigo a semente da sorte do amanhã. Eu preciso da noite para apreciar o dia. Devo fracassar muito para alcançar o sucesso definitivo.

Persistirei até vencer.

Tentarei e tentarei e tentarei de novo. Cada obstáculo considerarei como um mero atraso em relação ao meu objetivo e um desafio à minha profissão. Persistirei e desenvolverei minhas técnicas como um marinheiro desenvolve a sua, aprendendo a escapar da fúria de cada tempestade.

Persistirei até vencer.

De hoje em diante, aprenderei e aplicarei outro segredo importante para o sucesso do meu trabalho. Ao findar de cada dia, independente de êxito ou fracasso, tentarei efetuar mais uma venda. Quando os meus pensamentos acenarem com o caminho de casa ao meu corpo cansado, resistirei à tentação de partir. Tentarei novamente, farei uma tentativa mais para fechar com vitória e, se fracassar, farei outra. Jamais permitirei que o dia termine com um fracasso. Assim, plantarei a semente do êxito de amanhã e ganharei uma insuperável vantagem sobre aqueles que interrompem o trabalho a uma determinada hora. Quando outros interrompem suas lutas, então a minha começará e minha colheita será plena.

Persistirei até vencer.

Não permitirei que o êxito de ontem me embale na complacência de hoje, pois essa é a grande razão do fracasso. Esquecerei os acontecimentos do dia anterior, sejam eles bons ou maus, e saudarei o novo sol com a confiança de que este será o melhor dia de minha vida.

Até onde o fôlego me acompanhar, persistirei. Pois agora conheço um dos maiores princípios do êxito; se persisto o bastante, vencerei.

Eu persistirei.

Eu vencerei.

Pergaminho Número Quatro

Eu sou o maior milagre da natureza.

Desde o começo dos tempos jamais houve outro com minha mente, meu coração, meus olhos, meus ouvidos, minhas mãos, meu cabelo, minha boca. Ninguém que me antecedeu, ninguém que ainda vive, nem ninguém que virá pode andar e falar e pensar exatamente como eu. Todos os homens são meus irmãos, porém sou diferente deles todos. Sou uma criatura única em todo o universo.

Eu sou o maior milagre da natureza.

Embora eu seja do reino animal, os prazeres apenas animais não me satisfazem. Dentro de mim arde a chama que tem passado de gerações incontáveis, e seu calor é uma constante incitação para o meu espírito, para me tornar melhor do que sou, e melhor me tornarei. Soprarei esta chama da insatisfação e proclamarei minha singularidade ao mundo.

Ninguém é capaz de reproduzir minha pincelada, ninguém é capaz de repetir as marcas de meu cinzel, ninguém é capaz de reproduzir minha caligrafia, ninguém é capaz de fornecer o meu produto, e, em verdade, ninguém tem a habilidade para vender exatamente como eu.  De hoje em diante, aproveitarei esta diferença, pois é uma garantia a ser inteiramente incentivada.
Eu sou o maior milagre da natureza.

Basta, para mim, de vãs tentativas ou imitações dos outros. Em vez disto, colocarei minha singularidade à mostra na feira. Eu a proclamarei, sim, eu a venderei. Começarei agora a acentuar minhas diferenças, a ocultar as similaridades. Da mesma forma, aplicarei este principio às mercadorias que vender.  Vendedor e mercadorias diferentes dos outros e orgulhoso das diferenças.

Sou uma criatura única na natureza.

Sou raro, e há um valor em toda raridade; portanto, sou valioso. Sou o produto final de milhares de anos de evolução; portanto, estou melhor equipado em mente e corpo do que todos os imperadores e sábios que me precederam.

Mas minhas técnicas, minha mente, meu coração e meu corpo estagnarão, degenerarão e morrerão se não forem colocados em uso. Tenho potencial ilimitado. Emprego somente uma parte de meu cérebro; flexiono apenas uma desprezível porção de meus músculos. Posso centuplicar minhas realizações de ontem, e é o que farei a partir de hoje.

Jamais ficarei satisfeito com as realizações de ontem, nem me entregarei mais à vanglória dos meus feitos que, em realidade, são pequenos demais para serem sequer reconhecidos. Posso realizar muito mais, e realizarei, pois por que deveria o milagre que me produziu findarse com o meu nascimento? Por que não posso estender este milagre aos feitos de hoje?

Eu sou o maior milagre da natureza.

Não estou nesta terra por acaso. Estou para um propósito, e esse propósito é crescer como uma montanha e não me encolher ao tamanho de um grão de areia. De hoje em diante aplicarei todos os meus esforços para me tornar a mais alta montanha e forçarei minhas capacidades até que elas peçam misericórdia.

Aumentarei meu conhecimento da humanidade, o meu próprio e das mercadorias que vendo; assim minhas vendas se multiplicarão. Praticarei e melhorarei e aperfeiçoarei meu vocabulário para vender minhas mercadorias, pois este é o fundamento sobre o qual construirei minha carreira, e jamais esquecerei que muitos atingiram grande riqueza e êxito com apenas uma apregoação, pronunciada com excelência. Também procurarei constantemente melhorar meus modos e virtudes, pois eles são o açúcar que a todos atrai.

Eu sou o maior milagre da natureza.

Concentrarei minha energia no desafio do momento e minhas ações me ajudarão a esquecer tudo o mais. Os problemas caseiros em casa serão deixados. Não pensarei em minha família quando estiver na feira; isso viria obscurecer meus pensamentos. Da mesma maneira os problemas da feira na feira serão deixados, e não pensarei em minha profissão quando estiver em casa, pois isto embotará o meu amor. Não há lugar na feira para minha família, nem há lugar em meu lar para a feira. Divorciarei um do outro e assim permanecerei casado com ambos. Separados devem permanecer ou minha carreira morrerá. Este é um paradoxo das gerações.

Eu sou o maior milagre da natureza.

Recebi olhos para ver e mente para pensar, e agora conheço um grande segredo da vida, pois percebo, finalmente, que todos os meus problemas, desânimos e agitações são, em verdade, grandes oportunidades disfarçadas. Não mais serei enganado pela aparência dos outros, pois meus olhos estão abertos. Olharei mais do que a roupa e não serei iludido.

Eu sou o maior milagre da natureza.

Nenhum animal, nenhuma planta, nenhum vento, nenhuma chuva, nenhuma pedra, nenhum lago teve o mesmo começo que eu, pois fui concebido em amor e trazido à luz com um propósito. No passado não havia examinado este fato, mas de hoje em diante ele modelará e norteara minha vida.
Eu sou o maior milagre da natureza.

E a natureza não conhece derrota. Por fim, ela emerge vitoriosa e assim emergirei eu, e após cada vitória a próxima luta se torna menos difícil. Vencerei e me tornarei um grande vendedor, pois sou uma pessoa única no universo.

Eu sou o maior milagre da natureza.

Pergaminho Número Cinco

Viverei hoje como se fosse meu último dia.

E agora o que farei com este último e precioso dia que resta em meu poder? Primeiro, tamparei seu conteúdo de vida para que nenhuma gota se derrame na areia. Não desperdiçarei um momento sequer cultivando os infortúnios ou as derrotas do ontem, as dores de coração, pois por que deveria eu desperdiçar o bem lembrando-me do mal?

Poderá a areia escorrer do chão para a taça do tempo? levantarse-á o sol de onde se põe e se porá de onde se levanta? Posso reviver os erros do ontem e corrigi-los? Posso chamar de volta os ferimentos do ontem e curá-los? Posso tornar-me mais jovem do que era ontem? Posso retirar o mal que fiz, os socos que dei, a dor que causei? Não. O ontem está enterrado para sempre e nele não mais pensarei.

Viverei hoje como se fosse meu último dia.

E agora o que farei? Esquecendo o ontem também não pensarei no futuro. Por que deveria eu trocar o agora pelo talvez? Pode a areia de amanhã escorrer para a taça antes de hoje? Levantar-se-á o sol duas vezes esta manhã? Posso executar os feitos de amanhã enquanto estiver na trilha de hoje? Posso colocar o ouro de amanhã na bolsa do hoje? Pode a criança de amanhã nascer hoje? Pode a morte de amanhã lançar suas sombras de volta e enegrecer a alegria de hoje? Deveria preocupar-me com os eventos que talvez jamais testemunhe? Deveria me atormentar com os problemas que talvez jamais venha a ter? Não! O amanhã está tão enterrado quanto o ontem e não pensarei mais nisso.

Viverei hoje como se fosse meu último dia.

Este dia é tudo o que tenho e estas horas são agora a minha eternidade. Saúdo este nascer do sol com gritos de alegria, como um prisioneiro que é aliviado da sentença de morte. Ergo meus braços em gratidão por esta dádiva sem preço: um novo dia. Da mesma maneira, levarei a mão ao peito em gratidão ao pensar naqueles que saudaram o nascer do sol do ontem e que não mais estão entre os vivos. Sou realmente um afortunado e as horas do hoje não são senão um prêmio imerecido. Por que me foi permitido viver este dia extra quando outros, muito melhores do que eu, já desapareceram? Será que eles realizaram seus propósitos enquanto o meu ainda está por alcançar? Será esta uma outra oportunidade para que eu me torne o homem que poderei ser? Há um propósito na natureza? Será este o meu dia de vencer?

Viverei hoje como se fosse meu último dia.

Não tenho senão uma vida e a vida não é nada mais que uma medida de tempo. Ao perder tempo, destruo a vida. Se desperdiço o hoje, destruo a última página de minha vida. Aproveitarei, portanto, cada hora deste dia, pois ela jamais poderá voltar. Ela não pode ser depositada hoje para ser retirada amanhã, pois quem pode burlar o vento? Agarrarei com as duas mãos e acariciarei com amor cada minuto deste dia, pois seu valor é sem preço. Que moribundo pode comprar outro fôlego, embora, de bom grado, dê todo o seu ouro? Que preço ouso fixar para as horas adiante de mim? Eu as farei inestimáveis!

Viverei hoje como se fosse meu último dia.

Evitarei com fúria os desperdiçadores de tempo. A demora destruirei com ações; a dúvida enterrarei sob a fé; o medo desmembrarei com confiança. Onde houver bocas ociosas não ouvirei nada; onde houver mãos ociosas não me demorarei; onde houver corpos ociosos não visitarei. De hoje em diante, sei que cortejar a ociosidade é roubar alimento, roupa e calor daqueles que amo. Não sou ladrão. Sou um homem de amor e hoje é minha última oportunidade de provar meu amor e minha grandeza.

Viverei hoje como se fosse meu último dia.

Cumprirei hoje os deveres de hoje. Hoje acariciarei meus filhos enquanto são crianças; amanhã eles partirão e eu também. Hoje abraçarei minha mulher com doces beijos; amanhã ela partirá e eu também. Hoje ajudarei um amigo em necessidade; amanhã ele não mais gritará por ajuda, nem eu ouvirei seus gritos. Hoje me entregarei ao sacrifício e ao trabalho; amanhã não terei nada para entregar e nem haverá ninguém para receber.

Viverei hoje como se fosse meu último dia.

E se for será meu maior monumento. Farei deste o melhor dia de minha vida. Beberei a cada minuto à sua plenitude. Provarei seu sabor e agradecerei aos céus. Farei valer todas as horas e negociarei cada minuto somente por alguma coisa de valor. Trabalharei mais arduamente do que jamais trabalhei e forçarei meus músculos até que chorem de dor, e então prosseguirei. Farei até mais visitas do que antes. Venderei mais mercadorias do que jamais vendi antes. Ganharei mais ouro do que jamais ganhei antes. Cada minuto do dia de hoje será mais frutífero do que horas do dia de ontem. Meu último dia deve ser meu melhor dia.

Viverei hoje como se fosse meu último dia.

E, se não for, cairei de joelhos e agradecerei aos céus.

Pergaminho Número Seis

Hoje serei dono de minhas emoções.

As marés avançam; as marés recuam. Vai o inverno, vem o verão. Finda-se o calor, começa o frio. Levanta-se o Sol; põe-se o Sol. Clara é a Lua cheia, negra é a Lua nova. Chegam os pássaros; partem os pássaros. Florescem as flores, murcham as flores. Plantam-se as sementes, colhem-se as colheitas. Toda a natureza é um círculo de ânimos; eu sou uma parte da natureza e, assim como as marés, meus ânimos se elevarão, meus ânimos cairão.

Hoje serei dono de minhas emoções.

É uma das artimanhas pouco percebidas da natureza que cada dia acorde com ânimos diferentes dos da véspera. A alegria de ontem será a tristeza de hoje; já a tristeza de hoje se transformará na alegria de amanhã. Dentro de mim há uma roda constantemente a girar, da tristeza para a alegria, da exultação para a depressão, da felicidade para a melancolia. Como as flores, a florescência plena da alegria de hoje fenecerá e murchará em desespero; porém, relembrarei que, como as flores mortas de hoje carregam a semente da florescência de amanhã, assim também a tristeza de hoje carrega a semente da alegria de amanhã.

Hoje serei dono de minhas emoções.

E como dominar essas emoções, para que cada dia seja produtivo? Pois, a não ser que o meu ânimo seja forte, o dia será um fracasso. As árvores e as plantas dependem da temperatura para florescerem, mas eu farei minha própria temperatura, sim, eu a transportarei comigo. Se eu trouxer a chuva, a melancolia, a escuridão e o pessimismo aos meus fregueses, eles reagirão com chuva, melancolia, escuridão e pessimismo e não comprarão nada. Mas, em vez disso, se lhes trouxer alegria, entusiasmo, claridade e riso, eles reagirão com alegria, entusiasmo, claridade e riso e minha temperatura produzira uma colheita de vendas e um celeiro cheio de ouro.

Hoje serei dono de minhas emoções.

E como dominarei minhas emoções para que cada dia traga a felicidade e seja produtivo? Aprenderei este segredo das gerações; Fraco é aquele que permite que seus pensamentos controlem suas ações; forte e aquele que força suas ações a controlar seus pensamentos. Cada dia, ao acordar, seguirei este plano de batalha antes que seja capturado pelas forças da tristeza, da lamúria e do fracasso:
Cantarei, se me sentir deprimido.
Rirei, se me sentir triste.
Redobrarei meu trabalho, se me sentir doente.
Avançarei, se sentir medo.
Vestirei roupas novas, se me sentir inferior.
Erguerei minha voz, se me sentir inseguro.
Relembrarei meu êxito passado, se me sentir incompetente.
Relembrarei meus objetivos, se me sentir insignificante.
Hoje serei dono de minhas emoções.
De hoje em diante saberei que apenas os de capacidade inferior podem estar sempre em sua melhor forma e eu não sou inferior. Dias haverá em que terei de lutar contra forças que me derrubariam, se pudessem. Os desesperados e os tristes são fáceis de conhecer, mas há quem virá com sorriso e mão de amizade, e pode destruir-me. Também contra esse jamais devo ceder o controle.
Recordarei meus fracassos, se me tornar confiante demais.
Pensarei nas fomes passadas, se abusar do presente.
Relembrarei minha luta, se me sentir complacente.
Relembrarei momentos de vergonha, se me entregar a momentos de grandeza.
Tentarei parar o vento, se me sentir com poder demais.
Relembrarei uma boca sem alimento, se atingir grande riqueza.
Relembrarei momentos de fraqueza, se me tornar demasiado orgulhoso.
Fitarei as estrelas ao sentir que minhas técnicas são inigualáveis.

Hoje serei dono de minhas emoções.

E , com este novo conhecimento, também entenderei e reconhecerei os ânimos daquele a quem visito. Permitirei que extravase sua ira e irritação de hoje, pois ele não conhece o segredo de controlar sua mente. Posso tolerar-lhe as setas e insultos, pois agora sei que amanhã ele mudará e, então, será uma alegria aproximar-me dele.

Não mais julgarei um homem apenas por um encontro; não mais deixarei de visitar amanhã, de novo, aquele que se encontra irado hoje. Neste dia ele não dará um tostão por artigos de ouro; amanhã, trocará sua casa por uma árvore. Meu conhecimento deste segredo será minha chave para a grande riqueza.

Hoje serei dono de minhas emoções.

De hoje em diante, reconhecerei e identificarei o mistério dos ânimos em toda a humanidade e em mim. A partir de hoje estou preparado para controlar qualquer estado de espírito com que desperte cada dia. Serei dono de meus ânimos pela ação positiva e, enquanto for dono de meus ânimos, controlarei o meu destino.

Hoje controlarei o meu destino e meu destino é tornar-me o maior vendedor do mundo.

Serei dono de mim mesmo.

Serei grande.

Pergaminho Número Sete

Rirei do mundo.

Nenhuma criatura viva ri, à exceção do homem. As árvores podem sangrar quando feridas e os animais no campo gritarão de dor e fome, mas apenas eu tenho o dom de rir, e ele é meu, para usar quando o desejar. De hoje em diante, cultivarei o habito de rir.

Sorrirei e minha digestão será melhor; rirei baixinho e minhas obrigações serão aliviadas; rirei e minha vida se alongará, pois este é o segredo da vida longa, e agora é meu.

Rirei do mundo.

E principalmente rirei de mim mesmo, pois o homem é mais cômico quando se leva a sério demais. Jamais cairei nesta armadilha da mente. Pois, embora eu seja o milagre da natureza, não sou ainda um mero grão jogado para lá e para cá pelos ventos do tempo? Sei eu realmente de onde vim e para onde vou? Não parecerá tola minha preocupação de hoje, daqui a dez anos? Por que devo permitir que os mesquinhos acontecimentos de hoje me perturbem? O que pode ocorrer ante este Sol, que não parecerá insignificante no rio dos séculos?

Rirei do mundo.

E como posso rir, quando confrontado com o homem ou o feito que me ofende de maneira a fazer brotar minhas lágrimas e minhas imprecações? Três palavras ensaiarei dizer, até que se tornem um hábito tão forte que, imediatamente, aparecerão em minha mente, a qualquer momento que o bom humor ameaçar abandonar-me. Essas palavras, passadas pelos antigos, me conduzirão por toda a adversidade e manterão minha vida em equilíbrio. As três palavras são: Isto também passará.
Rirei do mundo.

Pois todas as coisas ditas, na verdade, passarão. Quando estiver abatido pelo desgosto, devo consolar-me, pois isto também passará; quando estiver enfunado com o êxito, devo advertir-me de que isto também passará; quando estiver carregado de riqueza, direi para mim mesmo que isto também passará. Sim, pois, em verdade, onde está aquele que construiu as pirâmides? Não esta soterrado dentro de sua pedra? E também não serão as pirâmides soterradas pela areia? Se todas as coisas um dia passarão, por que deveria eu preocupar-me com o hoje?

Rirei do mundo.

Pintarei este dia com risos; modelarei esta noite numa canção. Jamais trabalharei para ser feliz; mas, sobretudo, permanecerei ocupado demais para ser triste. Desfrutarei hoje a felicidade de hoje. Ela não é um grão para ser armazenada numa caixa. Ela não é vinho para ser guardada na jarra. Ela não pode ser guardada para o dia seguinte. Deve ser plantada e colhida no mesmo dia e isto eu farei, de hoje em diante.

Rirei do mundo.

E, com meus risos, todas as coisas serão reduzidas ao seu real tamanho. Rirei dos meus fracassos e eles desaparecerão nas nuvens de novos sonhos; rirei de meus êxitos e eles se encolherão aos seus reais valores. Rirei do mal e ele morrerá esquecido; rirei da bondade e ela se esforçará e crescerá. Cada dia será triunfante apenas quando meus sorrisos provocarem sorrisos dos outros e isso farei até com os que não compram minhas mercadorias, evitando aborrecer-me como fazia até agora.

Rirei do mundo.

De hoje em diante derramarei apenas lágrimas de suor, pois as de tristeza, de remorso ou de frustração não têm valor na feira, enquanto que cada sorriso pode ser trocado por ouro e cada palavra gentil saída de meu coração pode construir um castelo.

Jamais permitirei tornar-me tão importante, tão sábio, tão imponente e tão poderoso que esqueça de como rir de mim mesmo e do meu mundo. Assim, sempre permanecerei uma criança, pois apenas como criança recebo a capacidade de erguer os olhos para os outros; e, enquanto erguer os olhos para os outros, jamais serei grande demais para a minha cama.

Rirei do mundo.

E enquanto rir jamais serei pobre. É esta, então, uma das maiores dádivas da natureza e eu não mais a desperdiçarei. Apenas com o sorriso e a felicidade posso eu realmente tornar-me um êxito. Apenas com o sorriso e a felicidade posso apreciar os frutos de meu trabalho. Se assim não fosse, muito melhor seria fracassar, pois a felicidade é o vinho que aguça o sabor da comida. Para apreciar o êxito devo ter felicidade e o sorriso será o criado que me servirá.

Serei feliz. Terei êxito. Serei o maior vendedor que o mundo jamais conheceu.

Pergaminho Número Oito

Hoje centuplicarei meu valor.

Uma folha de amoreira, tocada pelo gênio do homem, torna-se seda.

Um campo de barro, tocado pelo gênio do homem, torna-se um castelo.

Um cipreste, tocado pelo gênio do homem, torna-se um santuário.

A lã tosquiada da ovelha, tocada pelo gênio do homem, torna-se vestuário para um rei.

Se é possível às folhas, ao barro, à madeira e à lã terem seu valor centuplicado, sim, multiplicado pelo homem, não posso eu fazer o mesmo com o barro que leva meu nome?
Hoje centuplicarei meu valor.

Sou comparável ao grão de trigo que enfrenta um de três futuros. O trigo pode ser ensacado e  armazenado num depósito até servir de alimento ao suíno. Ou pode virar farinha e fazer o pão. Ou pode ser lançado à terra e crescer até que sua espiga dourada divida-se e produza, de um, milhares de grãos.

Sou comparável ao grão de trigo, com apenas uma diferença. O trigo não pode escolher entre ser alimento do suíno, base da farinha, ou plantado para multiplicar-se. Eu posso escolher e não deixarei que minha vida seja alimento do suíno, nem a deixarei colocar-se sob as rodas do fracasso e do desespero para ser despedaçada e devorada pela vontade dos outros.

Hoje centuplicarei meu valor.
Para crescer e multiplicar é necessário plantar o grão de trigo na escuridão da terra e meus fracassos, meus desesperos, minha ignorância e minhas inabilidades são a escuridão em que fui plantado a fim de amadurecer-me. Agora, como o grão de trigo que brota e floresce é apenas nutrido com chuva e sol e ventos quentes, eu também devo nutrir meu corpo e minha mente para realizar meus sonhos. Mas, para crescer a grande altura, o trigo deve esperar pelos caprichos da natureza. Eu não necessito esperar, pois tenho o poder de escolher meu próprio destino.

Hoje centuplicarei meu valor.

E como realizarei isto? Primeiro, estabelecerei objetivos para cada dia, cada semana, cada mês, cada ano e para minha vida. Assim como a chuva deve cair antes que o trigo quebre a casca e brote, assim também devo ter objetivos antes que minha vida se cristalize. Ao estabelecer meus objetivos, pensarei em meu melhor desempenho no passado e o centuplicarei. Este será o padrão sobre o qual viverei no futuro. Jamais me preocuparei com a elevada altura de meus objetivos, pois não é melhor apontar minha lança para a lua e atirá-la apenas numa águia do que apontá-la para a águia e acertar apenas na rocha?

Hoje centuplicarei meu valor.

A altura dos meus objetivos não me apavorará, embora possa tropeçar freqüentemente antes de alcançá-los. Se tropeçar, levantarme-ei e minhas quedas não me preocuparão, pois todos os homens devem tropeçar muitas vezes para alcançar a glória. Apenas o verme é livre da preocupação de tropeços. Eu não sou um verme. Que os outros construam uma caverna com seus barros. Eu construirei um castelo com o meu.

Hoje centuplicarei meu valor.

E assim, como o Sol aquece a terra para fazer com que brote a semente de trigo, também as palavras destes pergaminhos aquecerão minha vida e transformarão meus sonhos em realidade. Hoje superarei toda ação que executei ontem. Subirei a montanha do hoje com o extremo de minha capacidade, amanhã subirei mais alto que hoje e, no dia seguinte, mais alto que na véspera. Superar os feitos dos outros é importante; superar meus próprios feitos, é tudo.

Hoje centuplicarei meu valor.

E assim como o vento quente conduz o trigo à madureza, o mesmo vento levará minha voz aos que me darão ouvidos, e minhas palavras anunciarão meus objetivos. Uma vez pronunciadas, não ousarei recordá-las para que não percam a expressão. Serei meu próprio profeta, e embora todos possam rir de minhas alocuções eles ouvirão meus planos, conhecerão meus sonhos; e assim não haverá saída para mim até que minhas palavras se tornem feitos realizados.

Hoje centuplicarei meu valor.
Não cometerei o terrível crime de aspirar a pouco demais.
Executarei o trabalho que o fracasso não executará.
Sempre deixarei o meu desígnio exceder a minha compreensão.
Jamais me contentarei com o meu desempenho na feira.
Sempre elevarei meus objetivos tão logo os atinja.
Sempre me esforçarei para fazer a próxima hora melhor do que a hora presente.
Sempre anunciarei meus objetivos ao mundo.
Contudo, jamais proclamarei minhas realizações. Deixarei, ao contrário, que o mundo se aproxime de mim com louvores e que eu possa ter a sabedoria de recebê-los com humildade.

Hoje centuplicarei meu valor.

Um grão de trigo quando centuplicado produzirá centenas de talos. Centuplique-os dez vezes e eles alimentarão todas as cidades da Terra. Não sou eu mais do que um grão de trigo?

Hoje centuplicarei meu valor.

E, feito isso, repetirei a façanha e repetirei de novo e haverá espanto e estupefação diante de minha grandeza, assim que as palavras destes pergaminhos se cumprirem em mim.

Pergaminho Número Nove

Meus sonhos são insignificantes, meus planos são poeira, meus objetivos são impossíveis.

Todos nada valem, a não ser seguidos por ação.

Agirei agora.

Jamais existiu mapa, por mais cuidadosamente executado em detalhe e escala, que elevasse seu possuidor um só centímetro do chão. Jamais houve uma lei, conquanto honesta, que impedisse um crime. Jamais houve um pergaminho, mesmo como este que agora tenho nas mãos, que ganhasse um tostão sequer ou produzisse uma única palavra de aclamação. Somente a ação transforma o mapa, o papel, este pergaminho, meus sonhos, meus planos, meus objetivos em força viva. A ação é o alimento e a bebida que nutrirá o meu êxito.

Agirei agora.

Minha acomodação, que me atrasa, nasceu do medo, e agora reconheço este segredo tirado das profundezas de todos os corações corajosos. Agora sei que para vencer o medo devo sempre agir sem hesitação e as hesitações do meu coração desaparecerão. Agora sei que a ação reduz o leão do terror à formiga da equanimidade.
Agirei agora.

De hoje em diante, relembrarei a lição do vaga-lume que acende sua luz apenas quando voa, apenas quando está em ação. Tornar-me-ei um vaga-lume e, mesmo durante o dia, meu fulgor será visto, apesar do sol. Que os outros sejam como borboletas que alisam suas asas, mas dependem da caridade de uma flor para viver. Serei como o vagalume e minha luz iluminará o mundo.

Agirei agora.

Não evitarei as tarefas de hoje e não as deixarei para amanhã, pois sei que o amanhã jamais chega. Deixe-me agir agora, mesmo que minhas ações possam não trazer felicidade ou êxito, pois é melhor agir e fracassar do que não agir e atrapalhar-me. A felicidade, em verdade, pode não ser o fruto colhido pela minha ação, mas sem ação todo fruto morrerá na vinha.

Agirei agora.

Agirei agora. Agirei agora. Agirei agora. De hoje em diante,repetirei estas palavras sempre e sempre, cada hora, cada dia, até que elas se tornem um hábito como minha respiração e as ações que se seguirem tornem-se tão instintivas como o piscar de meus olhos. Com estas palavras posso condicionar minha mente a executar tudo que seja necessário ao meu êxito Com estas palavras posso condicioná-la a enfrentar todos os desafios que o fracasso evita.

Agirei agora.

Repetirei estas palavras sempre e sempre.

Ao acordar, eu as pronunciarei e pularei da cama, enquanto o fracasso dorme uma hora mais.

Agirei agora.

Ao entrar na feira, eu as repetirei e imediatamente enfrentarei a primeira possibilidade, enquanto o fracasso pondera, ainda, se valerá a pena.
Agirei agora.

Ao encontrar uma porta fechada, eu repetirei as palavras, e baterei enquanto o fracasso espera lá fora com medo e agitação. Ao me defrontar com a tentação eu as repetirei outra vez e agirei imediatamente para afastar-me da maldade.

Agirei agora.

Ao ser tentado a desistir e recomeçar amanhã, eu as pronunciarei e, imediatamente, agirei para consumar outra venda.

Agirei agora.

Apenas a ação determina meu valor na feira e, para multiplicar meu valor, multiplicarei minhas ações. Andarei por onde o fracasso teme andar. Trabalharei enquanto o fracasso procura descanso. Conversarei enquanto o fracasso permanece calado. Visitarei dez que podem comprar minhas mercadorias, enquanto o fracasso faz grandiosos planos para visitar um. Direi que está tudo consumado antes que o fracasso diga que é tarde demais.

Agirei agora.

Pois o agora é tudo que tenho. O amanhã é o dia reservado para o trabalho do preguiçoso. Eu não sou preguiçoso. O amanhã é o dia em que o mau se torna bom. Eu não sou mau. O amanhã é o dia em que o fraco se torna forte. Eu não sou fraco. O amanhã é o dia em que o fracasso terá êxito. Eu não sou um fracasso.

Agirei agora.

Quando o leão está faminto, ele come. Quando a águia tem sede, ela bebe. Se não agem, ambos  correrão perigo.

Sinto fome de êxito. Sinto sede de felicidade e paz de espírito.

Agirei para não correr perigo numa vida de fracasso, de miséria e de noites indormidas.
Eu ordenarei e obedecerei às minhas próprias ordens.

Agirei agora.

O êxito não esperará. Se eu retardo, ele se compromete com outro e eu o perco para sempre.

Esta é a hora. Este é o lugar. Eu sou o homem. Eu agirei agora.

Pergaminho Número Dez

Quem tem a fé tão pequena que, em momento de grande desastre ou agitação, não haja clamado a seu deus? Quem já não gritou quando confrontado com o perigo, a morte, ou o mistério além de sua compreensão ou experiência normal? De onde vem esse profundo instinto que escapa da boca de todas as criaturas vivas em momentos de perigo?

Mova rápido sua mão ante os olhos de alguém e ele irá piscar. Dê uma pancadinha logo abaixo do joelho e sua perna irá pular. Confronte alguém com um negro horror na face e ele dirá, “Meu Deus”, levado pelo mesmo impulso.

Não necessito permear minha vida de religião a fim de reconhecer este grande e maior mistério da natureza. Todas as criaturas que andam sobre a terra, inclusive o homem, possuem o instinto de gritar por socorro. Por que possuímos esse instinto, esse dom?

Não são nossos gritos uma forma de súplica? Não é compreensível, num mundo governado pelas leis da natureza, que uma mente grandiosa, à parte de dar ao cordeiro, à mula, ao pássaro, ao homem, o instinto de gritar por socorro, tenha também permitido que o grito fosse ouvido por algum poder superior capaz de ouvir e atender ao grito de socorro? De hoje em diante eu suplicarei, mas meus gritos por socorro serão apenas pedidos de orientação.

Jamais suplicarei pelas coisas materiais do mundo. Não peço ao criado que me traga comida. Não determino ao hospedeiro que me dê um quarto. Jamais buscarei dádivas de ouro, amor, saúde, vitórias mesquinhas, fama, êxito ou felicidade. Suplicarei apenas por orientação para que eu venha a saber a maneira de adquirir estas coisas e serei sempre atendido em minha súplica.

A orientação que busco pode chegar como pode não chegar, mas não são ambas uma resposta? Se uma criança busca pão com seu pai e não encontra, não deu o pai uma resposta?

Suplicarei por orientação e suplicarei como um vendedor, desta maneira:
Ó criador de todas as coisas, ajudai-me. Pois hoje saio pelo mundo nu e só, e sem vossa mão para orientar desviar-me-ei do caminho que conduz ao êxito e à felicidade.

Não peço ouro ou roupa ou mesmo oportunidades segundo minha capacidade, mas orientação para que possa adquirir capacidade segundo minhas oportunidades.

Ao leão e à águia ensinastes a caçar e a prosperar com os dentes e as garras. Ensinai-me a caçar com palavras e a prosperar com amor para que eu possa ser um leão entre os homens e uma águia na feira.

Ajudai-me a permanecer humilde nos obstáculos e fracassos; mas não oculteis dos meus olhos o prêmio que virá com a vitória.

Conferi-me tarefas para as quais outros fracassaram; mas orientai-me na colheita das sementes do êxito nos fracassos dos outros. Confrontai-me com temores que temperarão o meu espírito; mas dotai-me de coragem para rir de meus receios.

Reservai-me dias suficientes para alcançar meus objetivos; mas ajudai-me a viver este dia como se fosse o meu último dia.

Orientai-me em minhas palavras para que elas frutifiquem; mas  acautelai-me a língua, para que a ninguém difame.

Disciplinai-me no hábito de tentar sempre e sempre; mas mostrai-me a maneira de utilizar-me da lei das médias. Favorecei-me com a prontidão em reconhecer as oportunidades; mas dotai-me com a paciência que concentrará minha força.

Banhai-me em bons hábitos para que os maus hábitos se afoguem; mas concedei-me a compaixão pela fraqueza dos outros.

Fazei-me sofrer para saber que todas as coisas passarão; mas ajudai me a contar minhas bênçãos de hoje.

Sujeitai-me ao ódio, para que ele não seja um estranho; mas enchei minha taça de amor para transformar estranhos em amigos.

Mas que todas estas coisas aconteçam apenas segundo vossa vontade. Sou uma uva pequena e solitária compondo a vinha, mas me fizestes diferente de todas as outras. Em verdade, deve haver um lugar especial para mim. Orientai-me. Ajudai-me. Mostrai-me o caminho.

Deixai-me tornar em tudo aquilo que planejastes para mim quando minha semente foi plantada e escolhida por vós para brotar no vinhedo do mundo.
Ajudai este humilde vendedor. Orientai-me, Meu Senhor.

Texto extraído do livro “O Maior Vendedor do Mundo” – Og. Mandino

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Vamos ajudar o Pequeno Grande Lucas portador de Epidermólise Bolhosa

A campanha do Lucas, portador de Epidermólise Bolhosa, doença diagnosticada como incurável, visa angariar recursos para o tratamento do garoto!

Descrição

O Lucas, um garotinho residente na cidade de Montes Claros – MG é portador de uma doença genética de nome Epidermólise Bolhosa até então diagnosticada como incurável! A doença causa bolhas em todo corpo, inclusive internamente, e provoca um grande sofrimento ao pequeno. A causa foi abraçada pelo 3o. Período em Administração de Empresas das Faculdades Santo Agostinho, em Montes Claros – MG, administradores dessa fan page.

Os recursos visam a manutenção do tratamento que é muito dispendioso e a realização de algumas cirurgias, imprescindíveis para que o Lucas tenham uma melhor qualidade de vida!

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Historia do Livro

Espelho da sociedade

A história do livro confunde-se, em muitos aspectos, com a história da humanidade. Sempre que escolhem frases e temas, e transmitem idéias e conceitos, os escritores estão elegendo o que consideram significativo no momento histórico e cultural que vivem. E, assim, fornecem dados para a análise de sua sociedade. O conteúdo de um livro — aceito, discutido ou refutado socialmente — integra a estrutura intelectual dos grupos sociais.

Nos primeiros tempos, o escritor geralmente vivia em contato direto com seu público, que era formado por uns poucos letrados, já cientes das opiniões, idéias, imaginação e teses do autor, pela própria convivência que tinha com ele. Muitas vezes, mesmo antes de ser redigido o texto, as idéias nele contidas já haviam sido intensamente discutidas pelo escritor e parte de seus leitores. Nessa época, como em várias outras, não se pensava na enorme porcentagem de analfabetos. Até o século XV, o livro servia exclusivamente a uma pequena minoria de sábios e estudiosos que constituíam os círculos intelectuais (confinados aos mosteiros durante o começo da Idade Média) e que tinham acesso às bibliotecas, cheias de manuscritos ricamente ilustrados.

Com o reflorescimento comercial europeu, nos fins do século XIV, burgueses e comerciantes passaram a integrar o mercado livreiro

da época. A erudição laicizou-se e o número de escritores aumentou, surgindo também as primeiras obras escritas em línguas que não o latim e o grego (reservadas aos textos clássicos e aos assuntos considerados dignos de atenção). Nos séculos XVI e XVII, surgiram diversas literaturas nacionais, demonstrando, além do florescimento intelectual da época, que a população letrada dos países europeus estava mais capacitada a adquirir obras escritas.

O mundo lê mais

No século XX, o consumo e a produção de livros aumentaram progressivamente. Lançado logo após a Segunda Guerra Mundial (1939/45), quando uma das características principais da edição de um livro eram as capas entreteladas ou cartonadas, o livro de bolso constituiu um grande êxito comercial. As obras — sobretudo best sellers publicados algum tempo antes em edições de luxo — passaram a ser impressas em rotativas, como as revistas, e distribuídas às bancas de jornal. Como as tiragens elevadas permitiam preços muito baixos, essas edições de bolso popularizaram-se e ganharam importância em todo o mundo.

Até 1950, existiam somente livros de bolso destinados a pessoas de baixo poder aquisitivo; a partir de 1955, desenvolveu-se a categoria do livro de bolso “de luxo”. As características principais destes últimos eram a abundância de coleções — em 1964 havia mais de duzentas, nos Estados Unidos — e a variedade de títulos, endereçados a um público intelectualmente mais refinado. A essa diversificação das categorias adiciona-se a dos pontos-de-venda, que passaram a abranger, além das bancas de jornal, farmácias, lojas, livrarias, etc. Assim, nos Estados Unidos, o número de títulos publicados em edições de bolso chegou a 35 mil em 1969, representando quase 35% do total dos títulos editados.

Vós! Vós! A vital, a universal, a gigante força sem resistência, que não dorme, sempre calma,

Segurando a Humanidade em vossas mãos abertas, como se fora um brinquedo efêmero

Que, doente, sempre vos esquece!

Pois que também vos esqueci,

(Absorvido que estava nessas pequenas potências de progresso, política, cultura, riqueza, invenções, civilização),

Perdi o meu reconhecimento de vosso poder sempre controlador, vós, poderosos, agonia dos elementos,

No qual e sobre o qual flutuamos, no qual todos boiamos.

Walt Whitman

Dê um passo atrás para avançar emocionalmente

Analisando os próprios sentimentos

Quando você está angustiado ou deprimido, você deve analisar seus sentimentos para descobrir o que está errado ou deve simplesmente não pensar nisso e seguir em frente?

Uma nova pesquisa sugere uma solução para estas questões e para um paradoxo psicológico relacionado: Supõe-se que a reflexão sobre as emoções facilite o processo de lidar com elas, mas tentativas de entender emoções dolorosas freqüentemente saem pela culatra e perpetuam ou reforçam emoções e humores negativos.

Autodistanciamento emocional

A solução não está nem na negação e nem no deixar-de-lado. De acordo com o psicólogo Ethan Kross, da Universidade de Michigan (Estados Unidos), a melhor forma de avançar emocionalmente é analisar os sentimentos de alguém a partir de uma perspectiva psicologicamente distanciada.

“Nós não somos muito bons em analisar nossos sentimentos de forma a nos sentirmos melhores,” diz Kross. “Pensar sobre o que fazemos é uma habilidade humana inestimável, mas ficar revisando nossos erros seguidamente, re-experimentando as mesmas emoções negativas que sentimos inicialmente, tende a nos manter travados na negatividade. Pode ser de grande auxílio dar-se um tempo mentalmente, para depois sentar-se e tentar rever a situação de uma certa distância.”

Aprendendo o autocontrole

Kross, que está lecionando uma disciplina de autocontrole neste semestre, publicou dois artigos científicos sobre o assunto neste ano. Um dá evidências experimentais de que as técnicas de autodistanciamento melhoram a recuperação cardiovascular depois de emoções negativas. O outro mostra que a técnica ajuda a proteger contra a depressão.

Nas próximas pesquisas, Kross planeja investigar se o autodistanciamento ajuda a lidar com outros tipos de emoção, incluindo a ansiedade, e as melhores formas de ensinar as pessoas como se engajar em análises de autodistanciamento no seu dia-a-dia, e não apenas quando se pede a elas que relembrem experiências negativas em uma pesquisa de laboratório.

 

Argumento

 

Na lógica, um argumento é um conjunto de uma ou mais sentenças declarativas, também conhecidas como proposições, ou ainda, premissas, acompanhadas de uma outra frase declarativa conhecida como conclusão.

Um argumento dedutivo afirma que a verdade de uma conclusão é uma consequência lógica das premissas que a antecedem.

Um argumento indutivo afirma que a verdade da conclusão é apenas apoiada pelas premissas.

Toda premissa, assim como toda conclusão, pode ser apenas verdadeira ou falsa; nunca pode ser ambígua.

Em função disso, as frases que apresentam um argumento são referidas como sendo verdadeiras ou falsas, e em conseqüência, são válidas ou são inválidas.

Alguns autores referem-se à conclusão das premissas usando os termos declaração, frase, afirmação ou proposição.

A razão para a preocupação com a verdade é ontológica quanto ao significado dos termos (proposições) em particular. Seja qual termo for utilizado, toda premissa, bem como a conclusão, deve ser capaz de ser apenas verdadeira ou falsa e nada mais: elas devem ser truthbearers (“portadores de verdade”, em português).

Argumentos formais e argumentos informais

Argumentos informais são estudados na lógica informal. São apresentados em linguagem comum e se destinam a ser o nosso discurso diário. Argumentos Formais são estudados na lógica formal (historicamente chamada lógica simbólica, mais comumente referida como lógica matemática) e são expressos em uma linguagem formal. Lógica informal pode chamar a atenção para o estudo da argumentação, que enfatiza implicação, lógica formal e de inferência.

Argumentos dedutivos

O argumento dedutivo é uma forma de raciocínio que geralmente parte de uma verdade universal e chega a uma verdade menos universal ou singular. Esta forma de raciocínio é válida quando suas premissas, sendo verdadeiras, fornecem provas evidentes para sua conclusão. Sua característica principal é a necessidade, uma vez que nós admitimos como verdadeira as premissas teremos que admitir a conclusão como verdadeira, pois a conclusão decorre necessariamente das premissas. Dessa forma, o argumento deve ser considerado válido. “Um raciocínio dedutivo é válido quando suas premissas, se verdadeiras, fornecem provas convincentes para sua conclusão, isto é, quando as premissas e a conclusão estão de tal modo relacionados que é absolutamente impossível as premissas serem verdadeiras se a conclusão tampouco for verdadeira” (COPI, 1978, p.35). Geralmente os argumentos dedutivos são estéreis, uma vez que eles não apresentam nenhum conhecimento novo. Como dissemos, a conclusão já está contida nas premissas. A conclusão nunca vai além das premissas. Mesmo que a ciência não faça tanto uso da dedução em suas descobertas, exceto a matemática, ela continua sendo o modelo de rigor dentro da lógica. Note que em todos os argumentos dedutivos a conclusão já está contida nas premissas.

1) Só há movimento no carro se houver combustível.

O carro está em movimento.

Logo, há combustível no carro.

2) Tudo que respira é um ser vivo.

A planta respira.

Logo, a planta é um ser vivo.

3) O som não se propaga no vácuo.

Na lua tem vácuo.

Logo, não há som na lua.

4) Só há fogo se houver oxigênio

Na lua não há oxigênio.

Logo, na lua não pode haver fogo

5)  P=Q

Q=R

Logo, P=R

Validade

Argumentos tanto podem ser válidos ou inválidos. Se um argumento é válido, e a sua premissa é verdadeira, a conclusão deve ser verdadeira: um argumento válido não pode ter premissa verdadeira e uma conclusão falsa.

A validade de um argumento depende, porém, da real veracidade ou falsidade das suas premissas e de sua conclusões. No entanto, apenas o argumento possui uma forma lógica. A validade de um argumento não é uma garantia da verdade da sua conclusão. Um argumento válido pode ter premissas falsas e uma conclusão falsa.

A Lógica visa descobrir as formas válidas, ou seja, as formas que fazer argumentos válidos. Uma Forma de Argumento é válida se e somente se todos os seus argumentos são válidos. Uma vez que a validade de um argumento depende da sua forma, um argumento pode ser demonstrado como inválido, mostrando que a sua forma é inválida, e isso pode ser feito, dando um outro argumento da mesma forma que tenha premissas verdadeiras mas uma falsa conclusão. Na lógica informal este argumento é chamado de contador.

A forma de argumento pode ser demonstrada através da utilização de símbolos. Para cada forma de argumento, existe um forma de declaração correspondente, chamado de Correspondente Condicional. Uma forma de argumento é válida Se e somente se o seu correspondente condicional é uma verdade lógica. A declaração é uma forma lógica de verdade, se é verdade sob todas as interpretações. Uma forma de declaração pode ser mostrada como sendo uma lógica de verdade por um ou outro argumento, que mostra se tratar de uma tautologia por meio de uma prova.

O correspondente condicional de um argumento válido é necessariamente uma verdade (verdadeiro em todos os mundos possíveis) e, por isso, se poderia dizer que a conclusão decorre necessariamente das premissas, ou resulta de uma necessidade lógica. A conclusão de um argumento válido não precisa ser verdadeira, pois depende de saber se suas premissas são verdadeiras.Tal conclusão não precisa ser uma verdade: se fosse assim, seria independente das premissas. Exemplo: Todos os gregos são humanos e todos os seres humanos são mortais, portanto, todos os gregos são mortais. Argumento válido, pois se as premissas são verdadeiras a conclusão deve ser verdadeira.

Exemplos

Alguns gregos são lógicos e alguns lógicos são chatos, por isso, alguns gregos são chatos. Este argumento é inválido porque todos os chatos lógicos poderiam ser romanos!

Ou estamos todos condenados ou todos nós somos salvos, não somos todos salvos por isso estamos todos condenados. Argumento válido,pois as premissas implicam a conclusão. (Lembre-se que não significa que a conclusão tem de ser verdadeira, apenas se as premissas são verdadeiras e, talvez, eles não são, talvez algumas pessoas são salvas e algumas pessoas são condenadas, e talvez alguns nem salvos nem condenados!)

Argumentos podem ser invalidados por uma variedade de razões. Existem padrões bem estabelecidos de raciocínio que tornam argumentos que os seguem inválidos; esses padrões são conhecidos como falácias lógicas.

Solidez de um argumento

Um argumento sólido é um argumento válido com as premissas verdadeiras. Um argumento sólido pode ser válido e, tendo ambas as premissas verdadeiras, deve seguir uma conclusão verdadeira.

Argumentos indutivos

Lógica indutiva é o processo de raciocínio em que as premissas de um argumento se baseiam na conclusão, mas não implicam nela. Indução é uma forma de raciocínio que faz generalizações baseadas em casos individuais.

Indução matemática não deve ser incorretamente interpretada como uma forma de raciocínio indutivo, que é considerado não-rigoroso em matemática. Apesar do nome, a indução matemática é uma forma de raciocínio dedutivo e é totalmente rigorosa.

Nos argumentos indutivos as premissas dão alguma evidência para a conclusão. Um bom argumento indutivo terá uma conclusão altamente provável. Neste caso, é bem provável que a conclusão realizar-se-á ou será válida. Diz-se então que as premissas poderão ser falsas ou verdadeiras e as conclusões poderão ser válidas ou não válidas. Segundo John Stuart Mill, existem algumas regras que se aplicam aos argumentos indutivos, que são: O método da concordância, o método da diferença, e o método das variações concomitantes.

Argumentação convincente

Um argumento é convincente se e somente se a veracidade das premissas tornar verdade a provável conclusão (isto é, o argumento é forte), e as premissas do argumento são, de fato, verdadeiras. Exemplo:

Nada Saberei se nada tentar.

Falácias e não argumentos

Uma falácia é um argumento inválido que parece válido, ou um argumento válido com premissas “disfarçadas”. Em primeiro Lugar, as conclusões devem ser declarações, capazes de serem verdadeiras ou falsas. Em segundo lugar não é necessário afirmar que a conclusão resulta das premissas. As palavras, “por isso”, “porque”, “normalmente” e “consequentemente” separam as premissas a partir da conclusão de um argumento, mas isto não é necessariamente assim. Exemplo: “Sócrates é um homem e todos os homens são mortais, logo, Sócrates é mortal”. Isso é claramente um argumento, já que é evidente que a afirmação de que Sócrates é mortal decorre das declarações anteriores. No entanto: “eu estava com sede e, por isso, eu bebi” não é um argumento, apesar de sua aparência. Ele não está reivindicando que eu bebi por causa da sede, eu poderia ter bebido por algum outro motivo.

Argumentos elípticos

Muitas vezes um argumento não é válido, porque existe uma premissa que necessita de algo mais para torná-lo válido. Alguns escritores, muitas vezes, deixam de fora uma premissa estritamente necessária no seu conjunto de premissas se ela é amplamente aceita e o escritor não pretende indicar o óbvio. Exemplo: Ferro é um metal, por isso, ele irá expandir quando aquecido. (premissa descartada: todos os metais se expandem quando aquecidos). Por outro lado, um argumento aparentemente válido pode ser encontrado pela falta de uma premissa – um “pressuposto oculto” – o que se descartou pode mostrar uma falha no raciocínio. Exemplo: Uma testemunha fundamentada diz “Ninguém saiu pela porta da frente, exceto o pastor, por isso, o assassino deve ter saído pela porta dos fundos”. (hipótese que o pastor não era o assassino).

Retórica, dialética e diálogos argumentativos

Considerando que os argumentos são formais (como se encontram em um livro ou em um artigo de investigação), os diálogos argumentativos são dinâmicos. Servem como um registro publicado de justificação para uma afirmação. Argumentos podem também ser interativos tendo como interlocutor a relação simétrica. As premissas são discutidas, bem como a validade das inferências intermediárias.

A retórica é a técnica de convencer o interlocutor através da oratória, ou outros meios de comunicação. Classicamente, o discurso no qual se aplica a retórica é verbal, mas há também — e com muita relevância — o discurso escrito e o discurso visual.

Dialética significa controvérsia, ou seja, a troca de argumentos e contra-argumentos defendendo proposições. O resultado do exercício poderá não ser pura e simplesmente a refutação de um dos tópicos relevantes do ponto de vista, mas uma síntese ou combinação das afirmações opostas ou, pelo menos, uma transformação qualitativa na direção do diálogo.

Argumentos em várias disciplinas

As declarações são apresentadas como argumentos em todas as disciplinas e em todas as esferas da vida. A Lógica está preocupada com o que consititui um argumento e quais são as formas de argumentos válidos em todas as interpretações e, portanto, em todas as disciplinas. Não existem diferentes formas válidas de argumento, em disciplinas diferentes.

Argumentos matemáticos

A base de verdade matemática tem sido objeto de um longo debate. Frege procurou demonstrar, em particular, que as verdades aritméticas podem ser obtidas a partir de lógicas puramente axiomáticas e, por conseguinte, são, no final, lógicas de verdades. Se um argumento pode ser expresso sob a forma de frases em Lógica Simbólica, então ele pode ser testado através da aplicação de provas. Este tem sido realizado usando Axioma de Peano. Seja como for, um argumento em Matemática, como em qualquer outra disciplina, pode ser considerado válido apenas no caso de poder ser demonstrado que é de uma forma tal que não possa ter verdadeiras premissas e uma falsa conclusão.

Argumentos políticos

Um argumento político é um exemplo de uma argumentação lógica aplicada a política. Argumentos Políticos são utilizados por acadêmicos, meios de comunicação social, candidatos a cargos políticos e funcionários públicos. Argumentos políticos também são utilizados por cidadãos comuns em interações de comentar e compreender sobre os acontecimentos políticos

Implicação

Na lógica e na matemática, a implicação, ou condicional é a indicação do tipo “SE…ENTÃO”, indicando que uma condição deve ser satisfeita necessariamente para que a outra seja verdadeira. Por exemplo, a expressão: “Se João esquia, Maria nada” é uma implicação.

Na lógica booleana, as implicações retornam FALSO se, e somente se, o antecedente é VERDADEIRO e o conseqüente é FALSO.

Tabela Verdade SE…ENTÃO / SI…TUNC / IF…THEN
Entrada1 Entrada2 Saída
VERDADEIRO VERDADEIRO VERDADEIRO
VERDADEIRO FALSO FALSO
FALSO VERDADEIRO VERDADEIRO
FALSO FALSO VERDADEIRO

 

Inferência

Inferência, em Lógica, é o ato ou processo de derivar conclusões lógicas de premissas conhecida ou decididamente verdadeiras. A conclusão também é chamada de idiomática.

Definição

O processo pelo qual uma conclusão é inferida a partir de múltiplas observações é chamado processo indutivo. A conclusão pode ser correta , incorreta, correta dentro de um certo grau de precisão, ou correta em certas situações. Conclusões inferidas a partir de observações múltiplas podem ser testadas por observações adicionais.

Exemplos de Inferência

Filósofos gregos definiram uma série de silogismos, corrigir três inferências de peças, que podem ser usados ​​como blocos de construção para o raciocínio mais complexo. Começamos com o mais famoso de todos eles:

Todos os homens são mortais Sócrates é um homem Portanto, Sócrates é mortal.

O leitor pode verificar que as premissas e a conclusão são verdadeiras, mas a lógica segue junto com inferência: a verdade da conclusão segue da verdade das premissas? A validade de uma inferência depende da forma da inferência. Isto é, a palavra “válido” não se refere à verdade das premissas ou a conclusão, mas sim a forma da inferência. Uma inferência pode ser válida, mesmo se as partes são falsos, e pode ser nulo, mesmo se as peças são verdadeiras. Mas uma forma válida e com premissas verdadeiras sempre terá uma conclusão verdadeira.

Considere o seguinte exemplo:

Todos os frutos são doces.

A banana é uma fruta.

Portanto, a banana é doce.

Para a conclusão ser necessariamente verdadeira, as premissas precisam ser verdadeiras.

Agora nos voltamos para um forma inválida.

Todo A é B.

C é um B.

Portanto, C é um A.

Para mostrar que esta forma é inválida, buscamos demonstrar como ela pode levar a partir de premissas verdadeiras para uma conclusão falsa.

Todas as maçãs são frutas. (Correto)

Bananas são frutas. (Correto)

Portanto, as bananas são maçãs. (Errado)

Um argumento válido com premissas falsas podem levar a uma falsa conclusão:

Todas as pessoas gordas são gregas.

John Lennon era gordo.

Portanto, John Lennon era grego.

Quando um argumento válido é usado para derivar uma conclusão falsa de premissas falsas, a inferência é válida, pois segue a forma de uma inferência correta. Um argumento válido pode também ser usado para derivar uma conclusão verdadeira a partir de premissas falsas:

Todas as pessoas gordas são músicos

John Lennon era gordo

Portanto, John Lennon era um músico

Neste caso, temos duas falsas premissas que implicam uma conclusão verdadeira.

Inferência incorreta

Uma inferência incorreta é conhecida como uma falácia. Os filósofos que estudam lógica informal compilaram grandes listas deles, e os psicólogos cognitivos têm documentado muitas vieses de raciocínio humano que favorecem o raciocínio incorreto.

Inferência lógica automática

Os sistemas de IA primeiro providenciaram “inferência lógica automática”. Uma vez que estes já foram temas de investigação extremamente popular, levaram a aplicações industriais sob a forma de sistemas especialistas e depois “business rule engines”.

O trabalho de um sistema de inferência é a de estender uma base de conhecimento automaticamente. A base de conhecimento (KB) é um conjunto de proposições que representam o que o sistema sabe sobre o mundo. Várias técnicas podem ser utilizadas pelo sistema para estender KB por meio de inferências válidas.

Escada da inferência

Essa teoria foi desenvolvida com maior profundidade por Chris Argyris, através de uma pesquisa científica em 1990, com o título de Escada da Inferência (Ladder of Inference), e define que adotamos crenças baseadas em conclusões inferidas a partir do que observamos e nem sempre comprovadas, acrescidas por experiências passadas, de conformidade com o que distingue também, segundo alguns matemáticos, como “Efeito borboleta”, na interpretação do chamado “Caos’, que em chinês antigo, tinha como interpretação uma letra, que era o “reinício”… “

A partir dessas pesquisas baseadas em anteriores pensamentos, Argyris descobriu que toda pessoa tem a tendência de subir a Escada da Inferência rápido demais, no sentido também enpregado na Estatística, ou seja, na chamada “Matemática – aplicada (sentido Puro – Filosófico)” -; Portanto, “- Quase instantaneamente após ver ou ouvir alguem falar ou agir”; as pessoas absorvem “e somam as novas observações/informações com seu conjunto de suposições já existentes “, – algumas vezes incitando ações que têm apenas… -… … -… “uma relação distante em relação ao que foi originalmente observado ou ouvido…” – E…

… Quando à “dinâmica – da – escalada” acontece dentro de um contexto – social e/ou organizacional… – É, por assim dizer,… criado um ambiente “de conflitos”,- podendo ser facilmente agravados pelas suposições assumidas. Princípio da Inferência Matemática (chamada Pura) pois na antiga Grécia a Matemática Pura foi considerada religião e política de Estado, vide obras nessa área de pensamento filosófico, Livro “Inferência” do Econometrista e Matemático Mário Henrique Simonsen, na obra editoriada pela FGV, Rio de Janeiro, 1960.

A escada teria o formato abaixo – lembrando que, como subir uma escada, a leitura deve ser feita de baixo para cima:

Eu ajo de acordo com minhas crenças.

Eu adoto crenças sobre o mundo.

Eu tiro conclusões.

Eu faço suposições baseadas nos significados que absorvi.

Eu absorvo significados (culturais e pessoais).

Eu seleciono dados a partir do que observo.

Todas as informações do mundo – dados e experiências observáveis

NB. Minhas crenças influenciam os dados que seleciono.

Bi-implicação

Existe um caso especial de implicação em que as duas condições precisam ser mutuamente satisfeitas para serem verdadeiras, como por exemplo a expressão: “João esquia, se, e somente se, Maria nada”.

Tabela Verdade SE E SOMENTE SE / SI ET SOLITER SI / IF AND ONLY IF
Entrada1 Entrada2 Saída
VERDADEIRO VERDADEIRO VERDADEIRO
VERDADEIRO FALSO FALSO
FALSO VERDADEIRO FALSO
FALSO FALSO VERDADEIRO

 

Forma de um argumento

Os argumentos lógicos, em geral, possuem uma certa forma (estrutura). Uma estrutura pode ser criada a partir da substituição de palavras diferentes ou sentenças, que geram uma substituição de letras (variáveis lógicas) ao logo das linhas da álgebra.

Um exemplo de um argumento:

(1) Todos os humanos são mentirosos. João é humano. Logo, João é mentiroso.

Podemos reescrever o argumento separando cada sentença em sua determinada linha:

(2) Todo humano é mentiroso.

(3) João é humano.

(4) Logo, João é mentiroso.

Substituimos os termos similares de (2-4) por letras, para mostrar a importância da noção de forma de argumento a seguir:

(5) Todo H é M.

(6) J é H.

(7) Logo, J é M.

O que fizemos em C foi substituir “humano” por “H”, “João” por “J” e “mentiroso” por “M”, como resultado dessas alterações temos que (5-7) é uma forma do argumento original (1), ou seja (5-7) é a forma de argumento de (1). Além disso, cada sentença individual de (5-7) é a forma de sentença de uma respectiva sentença em (1).

Vale enfatizar que quando dois ou mais argumentos têm a mesma forma, se um deles é válido, todos os outros também são, e se um deles é inválido, todos os outros também são.

Falácia

Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso.

Reconhecer as falácias é por vezes difícil. Os argumentos falaciosos podem ter validade emocional, íntima, psicológica, mas não validade lógica. É importante conhecer os tipos de falácia para evitar armadilhas lógicas na própria argumentação e para analisar a argumentação alheia.

É importante observar que o simples fato de alguém cometer uma falácia não invalida toda a sua argumentação. Ninguém pode dizer: “Li um livro de Rousseau, mas ele cometeu uma falácia, então todo o seu pensamento deve estar errado”. A falácia invalida imediatamente o argumento no qual ela ocorre, o que significa que só esse argumento específico será descartado da argumentação, mas pode haver outros argumentos que tenham sucesso. Por exemplo, se alguém diz:

“O fogo é quente e sei disso por dois motivos: 1. ele é vermelho; e 2. medi sua temperatura com um termômetro”.

Nesse exemplo, foi de fato comprovado que o fogo é quente por meio da premissa 2. A premissa 1 deve ser descartada como falaciosa, mas a argumentação não está de todo destruída.

Tipologia das falácias

Acidente:

Quando se considera essencial o que é apenas acidental.

Ex.: A maior parte dos políticos é corrupta. Então a política é corrupta.

Inversão do acidente:

Tomar uma exceção como regra.

Ex.: Se deixarmos os doentes terminais usarem heroína, devemos deixar todos usá-la.

Afirmação do consequente:

Essa falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do modus ponens (afirmação do antecedente) nem do modus tollens (negação do consequente). A sua forma categórica é:

Se A, então B.

B

Então A.

Ex.: Se há carros, então há poluição. Há poluição. Logo, há carros.

Carros são uma causa para poluição, não a única causa.

Negação do antecedente:

Essa falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do modus ponens (afirmação do antecedente) nem do modus tollens (negação do consequente). A sua forma categórica é:

Se A, então B.

Não A

Então não B.

Ex.: Se há carros, então há poluição. Não há carros. Logo, não há poluição.

Carros são uma causa suficiente para poluição, não a única causa.

Anfibologia ou ambiguidade:

Ocorre quando as premissas usadas no argumento são ambíguas devido à má elaboração sintática.

Ex.:

Venceu o Brasil a Argentina.

Ele levou o pai ao médico em seu carro.

Quem venceu? Que carro?

Apelo à autoridade anônima:

Fazer afirmações recorrendo a autoridades sem citar a fonte.

Ex.: Os peritos dizem que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear é estar preparado para ela.

Que peritos?

Apelo à emoção:

Recorrer à emoção para validar o argumento.

Ex.: Apelo ao júri para que contemple a condição do réu. Um homem sofrido que agora passa pelo transtorno de ser julgado em tribunal.

Apelo à novidade:

Argumentar que o novo é sempre melhor.

Ex.: Na filosofia, Sócrates já está ultrapassado. É melhor Sartre, pois é mais recente.

Apelo à antiguidade ou tradição:

Afirmar que algo é verdadeiro ou bom porque é antigo ou “sempre foi assim”.

Ex.: Se o meu avô diz que Garrincha foi melhor que Pelé, deve ser verdade.

Apelo à vaidade:

Provocar a vaidade do oponente para vencê-lo.

Ex.: Não acredito que uma pessoa culta como você acredita nesta teoria.

Apelo ao preconceito:

Associar valores morais a uma pessoa ou coisa para convencer o adversário.

Ex.: Uma pessoa religiosa como você não é capaz de argumentar racionalmente comigo.

A pessoa é estigmatizada.

Apelo ao ridículo:

Ridicularizar um argumento como forma de derrubá-lo.

Ex.: Se a teoria da evolução fosse verdadeira, significaria que o seu tataravô seria um gorila

Apelo à força:

Utilização de algum tipo de privilégio, força, poder ou ameaça para impor a conclusão.

Ex.: Acredite no que eu digo, não se esqueça de quem é que paga o seu salário.

Apelo à consequência:

Considerar uma premissa verdadeira ou falsa conforme sua consequência desejada.

Ex.:

Se Deus existe, então temos direito à vida eterna. Cobiçamos a vida eterna. Então Deus existe.

Se Deus não existe, não precisamos temer punições no pós-vida. Não cobiçamos penas no pós-vida. Então, Deus não existe.

A premissa é válida porque a conclusão nos agrada.

Apelo à riqueza:

Essa falácia é a de acreditar que dinheiro é fator de estar correto. Aqueles mais ricos são os que provavelmente estão certos.

Ex.: O Barão é um homem vivido e conhece como as coisas funcionam. Se ele diz que é bom, há de ser.

Apelo ao Lucro:

Considerar uma premissa verdadeira ou falsa conforme sua consequência financeira.

Ex.:

Se o aquecimento global for verdade, então muitos cientistas vão ganhar dinheiro para pesquisas e muitas empresas vão lucrar milhões, para produzir energia de fontes que não emitem dióxido de carbono: Portanto o aquecimento global não é verdade.

Se o aquecimento global for verdade, então países pobres, ou em desenvolvimento vão ter prejuízo por não explorar suas jazidas de petróleo e carvão: Portanto o aquecimento global não é verdade.

A premissa é válida ou invalida porque a conclusão vai trazer lucro, ou vai trazer prejuizo financeiro.

Ataque ao argumentador:

Em vez de o argumentador provar a falsidade do enunciado, ele ataca a pessoa que fez o enunciado.

Ex.: Se foi um burguês quem disse isso, certamente é engodo.

Apelo à ignorância:

Tentar provar algo a partir da ignorância quanto à sua validade.

Ex.: Ninguém conseguiu provar que Deus existe, logo ele não existe.

Ou o contrário,

Ex.: Ninguém conseguiu provar que Deus não existe, logo ele existe.

Argumentum ad lapidem:

Desqualificar uma afirmação como absurda, mas sem provas.

Ex.: João, ministro da educação, é acusado de corrupção e defende-se dizendo: ‘Esta acusação é um disparate’.

Baseado em quê?

Apelo à pobreza:

Oposto ao ad Crumenam. Essa é a falácia de assumir que, apenas porque alguém é mais pobre, então é mais virtuoso e verdadeiro.

Ex.: Joãozinho é pobre e deve ter sofrido muito na vida. Se ele diz que isso é uma cilada, eu acredito.

Apelo ao medo:

Apelar ao medo para validar o argumento.

Ex.: Vote no candidato tal, pois o candidato adversário vai trazer a ditadura de volta.

Apelo à misericória:

Consiste no recurso à piedade ou a sentimentos relacionados, tais como solidariedade e compaixão, para que a conclusão seja aceita, embora a piedade não esteja relacionada com o assunto ou com a conclusão do argumento. Do argumento ad misericordiam deriva o argumentum ad infantium – “Faça isso pelas crianças”. A emoção é usada para persuadir as pessoas a apoiar (ou intimidá-las a rejeitar) um argumento com base na emoção, mais do que em evidências ou razões.

Repetição nauseante:

É a aplicação da repetição constante e a crença incorreta de que, quanto mais se diz algo, mais correto está.

Ex.: Se Joãozinho diz tanto que sua ex-namorada é uma mentirosa, então ela é.

Apelo ao povo ou à maioria:

É a tentativa de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas.

Ex.: Inúmeras pessoas acreditam em Deus, portanto Deus existe.

Apelo à temperança:

Recorrer ao meio-termo sem razão.

Ex.: Não temos relógio, mas alguns estão dizendo que são dez horas e outros dizem que são seis horas, então é mais acertado supor que são oito horas.

Apelo à autoridade ou Magister dixit (Meu mestre disse):

Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa.

Ex.: Se Aristóteles disse isto, então é verdade.

Argumentum verbosium (prova por verbosidade):

Tentativa de esmagar os envolvidos pelo discurso prolixo, apresentando um enorme volume de material. Superficialmente, o argumento parece plausível e bem pesquisado, mas é tão trabalhoso desembaraçar e verificar cada fato comprobatório que pode acabar por ser aceite sem ser contestado.

Bola de neve:

Elaborar uma sucessão de premissas e conclusões que conduzem ao absurdo.

Ex.: Se aprovarmos leis contra as armas automáticas, não demorará muito até aprovarmos leis contra todas as armas e então começaremos a restringir todos os nossos direitos. Acabaremos por viver num estado totalitário. Portanto não devemos banir as armas automáticas.

Bulverismo:

Argumentar partindo do pressuposto de que o oponente já está comprovadamente errado.

Ex.:

Você está dizendo que a Bíblia é correta? Nem vou discutir com você, parei. Sabemos que a ciência comprovadamente explica tudo corretamente.

Se você não acredita que a Bíblia é infalível, já perdeu o argumento, pois é óbvio que ela é.

É egocentrismo ideológico.

Causa complexa:

Supervalorizar uma causa quando há várias, ou um sistema de causas.

Ex.: O acidente não teria ocorrido se não fosse a má localização do arbusto.

Houve muitas outras causas.

Causa diminuta:

Apontar uma causa irrelevante.

Ex.: Fumar causa a poluição do ar em Edmonton.

A causa maior é a poluição industrial e dos automóveis.

Círculo vicioso:

É a tentativa de provar uma conclusão com base em um ponto de partida não demonstrado.

Ex.: A inflação diminui o poder dos salários, temos que aumentar os salários, mas fazendo-o, teremos que aumentar os preços para pagá-los, o que aumentará a inflação.

Ex.: A polícia me passou uma multa porque não gosta de mim. E a prova de que eles não gostam de mim é terem me passado uma multa.

Complexo do pombo enxadrista:

Proclamar vitória, dando a entender que venceu a discussão, sem ter conseguido realmente apresentar bons argumentos.

Conclusão irrelevante:

Obter uma conclusão com que nem todos concordam.

Ex.: A lei deve estipular um sistema de cotas nas eleições para que as mulheres possam ocupar mais cargos políticos. Os cargos são dominados por homens e não fazer algo para mudar essa situação é inaceitável. Necessitamos de uma sociedade mais igualitária.

Definição circular:

Definir um termo usando o próprio termo que está sendo definido.

Ex.: A Bíblia é a Palavra de Deus porque ela diz que é.

Definição contraditória:

Definir algo com termos que se contradizem.

Ex.: Para serem livres, submetam-se a mim.

Definição muito ampla:

Ex.: Uma maçã é um objeto vermelho e redondo.

Mas o planeta Marte também é vermelho e redondo.

Definição muito restrita:

Ex.: Uma maçã é um objeto vermelho e redondo.

Mas há maçãs que não são vermelhas.

Definição obscura:

Definir algo em termos imprecisos ou incompreensíveis.

Ex.: Vida é a borboleta sublime que bate suas asas dentro de nós.

Deus das lacunas:

Responder a questões sem solução com explicações sobrenaturais e/ou que não podem ser comprovadas.

Ex.: Os passageiros do avião sobreviveram porque Deus interveio no acidente.

Dicto simpliciter (regra geral):

Ocorre quando uma regra geral é aplicada a um caso particular onde a regra não deveria ser aplicada.

Ex.: Se você matou alguém, deve ir para a cadeia.

Não se aplica a certos casos.

Generalização apressada (falsa indução):

É o oposto do Dicto simpliciter. Ocorre quando uma regra específica é atribuída ao caso genérico.

Ex.: Minha namorada me traiu. Logo, as mulheres tendem à traição.

Distorção de fatos:

Mascarar os verdadeiros fatos.

Ex.: O segredo da minha força são os cabelos.

É omissão de informação.

Egocentrismo ideológico:

Realizar um argumento de forma parcial e tendenciosa.

Ex.: O comunismo é o ideal, pois Trotsky disse que…

Ênfase:

Acentuar uma palavra para sugerir o contrário.

Ex.: Hoje o capitão estava sóbrio (sugerindo embriaguez).

Equívoco:

Usar uma afirmação com significado diferente do que seria apropriado ao contexto.

Ex.: Os assassinos de crianças são desumanos. Portanto, os humanos não matam crianças.

Joga-se com os significados das palavras.

Esnobismo cronológico:

Ocorre quando o pensamento, arte ou ciência de um período histórico anterior é tido como inevitavelmente inferior, quando comparado com o presente.

Ex: A é um argumento antigo, da época em que as pessoas também acreditavam em B. Se B é claramente falso, A também é falso.

Estilo sem substância:

Validar um argumento por sua beleza estética ou pela elegância do argumentador.

Ex.: Trudeau sabe dirigir as massas. Ele deve ter razão.

Evidência anedótica:

Refere-se a uma evidência informal na forma de anedota (conto, episódio, derivado do grego anékdota, significando ‘coisas não publicadas’), ou de “ouvir falar”. A evidência anedótica é chamada de testemunho.

Ex.: Há provas abundantes de que Deus existe e de que continua produzindo milagres hoje. Na semana passada, li sobre uma menina que estava morrendo de câncer. Sua família inteira foi à igreja e rezou e ela se curou.

Explicação incompleta:

Ex.: As pessoas tornam-se esquizofrênicas porque as diferentes partes dos seus cérebros funcionam separadas.

Explicação superficial:

Usar classificações para tirar conclusões.

Ex.: A minha gata Elisa gosta de atum porque é uma gata.

Expulsão do Grupo (falácia do escocês):

Fazer uma afirmação sobre uma característica de um grupo e, quando confrontado com um exemplo contrário, afirmar que este exemplo não pertence realmente ao grupo.

Ex.:
- Nenhum escocês coloca açúcar em seu mingau.
- Ora, eu tenho um amigo escocês que faz isso.
- Ah, sim, mas nenhum escocês de verdade coloca.

Falácia da divisão (tomar a parte pelo todo):

Oposto da falácia de composição.

Supõe que uma propriedade do todo é aplicada a cada parte.

Ex.: Você deve ser rico, pois estuda em um colégio de ricos.

Falácia de composição (tomar o todo pela parte):

É o fato de concluir que uma propriedade das partes deve ser aplicada ao todo.

Ex.: Todas as peças deste caminhão são leves; logo, o caminhão é leve.

Falácia da pressuposição:

Consiste na inclusão de uma pressuposição que não foi previamente esclarecida como verdadeira, ou seja, na falta de uma premissa.

Ex.: Você já parou de bater na sua esposa?

É uma pergunta maliciosa.

Falácia da probabilidade condicionada:

Ocorre quando expõem estatísticas e probabilidades sem oferecer o contexto necessário para sua interpretação, confundem-se probabilidades condicionais, invertendo-as ou tratando-as como se fossem incondicionais.

Ex.: Os jurados foram expostos à chance de o marido vir a matar a mulher, sendo que ele a espancava (1 em 1.000, de qualquer forma muito mais alta que o risco de uma mulher ser morta por um marido que não a espanca, ou por um estranho qualquer na rua), quando o dado relevante, diante do fato consumado (a esposa já tinha sido assassinada)era “qual a chance de a mulher ter sido morta pelo marido, dado que ele a espancava”.

Falácia de validação pessoal (efeito Forer):

Avaliar algo ou alguém com critérios genéricos, dando a entender que essa avaliação é individual.

Falácia do espantalho:

Consiste em criar idéias reprováveis ou fracas, atribuindo-as à posição oposta.

Ex.:

Deveríamos abolir todas as armas do mundo. Só assim haveria paz verdadeira.

Meu adversário, por ser de um partido de esquerda, é a favor do comunismo radical e quer retirar todas as suas posses, além de ocupar as suas casas com pessoas que você não conhece.

O outro é convertido num monstro, um espantalho.

Falácia genética:

Consiste em aprovar ou desaprovar algo baseando-se unicamente em sua origem.

Ex.: Você gosta de chocolate porque seu antepassado do século XVIII também gostava.

Aponta-se a causa remota como o fator de validade.

Falácia nomotética:

Consiste na crença de que uma questão pode ser resolvida simplesmente dando-lhe um novo nome, quando na realidade, a questão permanece sem solução.

Falacia non causae ut causae (falácia da falsa proclamação de vitória ou tratar como prova o que não é prova):

Consiste na declaração de vitória, servindo-se de respostas fracas ou incompletamente respondidas pelo adversário, quando efetivamente os argumentos próprios não provaram logicamente a posição. É semelhante à do pombo enxadrista.

Falácias tipo “A” baseado em “B” (outro tipo de conclusão sofismática):

Ocorrem dois fatos. São colocados como similares por serem derivados ou similares a um terceiro fato.

Ex.:

O islamismo é baseado na fé.

O cristianismo é baseado na fé.

Logo, o islamismo é similar ao cristianismo.

É uma falsa aplicação do princípio do silogismo.

Falsa causa:

Afirma que, apenas porque dois eventos ocorreram juntos, eles estão relacionados.

Ex: Nota-se uma maior frequência de erros de português em sala de aula desde o início das redes sociais e o uso do internetes. O advento das redes sociais vem degenerando o uso do português correto.

Falta mostar uma pesquisa que o comprove.

Falsa dicotomia (bifurcação):

Também conhecida como falácia do branco e preto ou do falso dilema. Ocorre quando alguém apresenta uma situação com apenas duas alternativas, quando de fato outras alternativas existem ou podem existir.

Ex.: Se você não está a favor de mim, então está contra mim.

Ignoratio elenchi (conclusão sofismática) ou falácia da conclusão irrelevante:

Consiste em utilizar argumentos que podem ser válidos para chegar a uma conclusão que não tem relação alguma com os argumentos utilizados.

Ex.: Os astronautas do Projeto Apollo eram bem preparados, todos eram excelentes aviadores e tinham boa formação acadêmica e intelectual, além de apresentarem boas condições físicas. Logo, foi um processo natural os Estados Unidos ganharem a corrida espacial contra a União Soviética, pois o povo americano é superior ao povo russo.

Só a conclusão é discutível.

Inconsistência:

Construir um raciocínio com premissas contraditórias.

Ex.: John é maior do que Jake e Jake é maior do que Fred, enquanto Fred é maior do que John.

Qual é maior?

Invenção de fatos:

Consiste em mentir ou formular informações imprecisas.

Ex.: A causa da gripe é o consumo de arroz.

Inversão de causa e efeito:

Considerar um efeito como uma causa.

Ex.: A propagação da AIDS foi provocada pela educação sexual.

Inversão do ônus da prova:

Quando o argumentador transfere ao seu opositor a responsabilidade de comprovar o argumento contrário, eximindo-se de provar a base do seu argumento.

Lembrando que o ônus da prova inicial cabe sempre a quem faz a afirmação primária positiva.

Ex.: Dragões existem, porque ninguém conseguiu provar que eles não existem.

No caso acima, o ônus da prova recairá sobre quem fez a afirmação de que dragões existem.

Ex.: Dragões não existem porque ninguém conseguiu provar que eles existem.

Ausência de evidência não significa evidência de ausência, no entanto o ônus da prova permanece subentendido para quem afirma que dragões existem, enquanto não houver a defesa da tese primária positiva, pois não é necessário nem possível provar que algo não existe se não há demonstração positiva de que exista.

Non sequitur (não segue):

Tipo de falácia na qual a conclusão não se sustenta nas premissas. Há uma violação da coerência textual.

Ex.: Que nome complicado tem este futebolista. Deve jogar muita bola.

Pergunta complexa:

Insinuação por meio de pergunta.

Ex.: Apoias a liberdade e o direito de andar armado?

São duas peguntas numa só.

Petitio principii:

Demonstrar uma tese partindo do princípio de que já é válida.

Ex.: É fato que a Bíblia é infalível, portanto todos devem buscar nela a verdade.

A premissa foi tomada como verdadeira sem prova.

Plurium interrogationum:

Ocorre quando se exige uma resposta simples a uma questão complexa.

Ex.: O que faremos com esse criminoso? Matar ou prender?

É um falso dilema.

Depois disso, por causa disso:

Consiste em dizer que, pelo simples fato de um evento ter ocorrido logo após o outro, eles têm uma relação de causa e efeito. Porém, correlação não implica causalidade.

Ex.: O Japão rendeu-se logo após a utilização das bombas atômicas por parte dos Estados Unidos. Portanto, a paz foi alcançada devido à utilização das armas nucleares.

Red Herring:

Falácia cometida quando material irrelevante é introduzido no assunto discutido para desviar a atenção e chegar a uma conclusão diferente.

Ex.: Será que o palhaço é o assassino? No ano passado, um palhaço matou uma criança.

Redução ao absurdo:

Consiste em averiguar uma hipótese, chegando a um resultado absurdo, para depois tentar invalidar essa hipótese.

É um jogo de raciocínios para tentar fazer o primeiro contraditório.

Ex.:
- Você deveria respeitar a crença de C porque todas as crenças são de igual validade e não podem ser negadas.
- Eu recuso que todas as crenças sejam de igual validade. De acordo com sua declaração, essa minha crença é válida, como todas as outras crenças. Contudo, sua afirmação também contradiz e invalida a minha, sendo exatamente o oposto dela.

O outro caiu em contradição.

Redução ao nazismo:

Invalidar um argumento pela comparação com Hitler ou o nazismo.

Ex.: Hitler acreditava em Deus, então os crentes não devem ser boas pessoas.

Reificação:

Ocorre quando um conceito abstrato é tratado como coisa concreta.

Ex.: A tristeza de Joãozinho é a culpada por tudo.

Teoria irrefutável:

Informar um argumento com uma hipótese que não pode ser testada.

Ex.: Ganhei na loteria porque estava escrito no livro do destino.

Terceira causa:

Ignorar a existência de uma terceira causa não levada em conta nas premissas.

Ex.: Estamos vivendo uma fase de elevado desemprego, que é provocado por um baixo consumo.

Há uma causa tanto para o desemprego como para o baixo consumo.

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Essa é minha amiga Marilia – E Esse é um poema para Ela

 

MULHER

Para entender uma mulher
é preciso mais que deitar-se com ela…
Há de se ter mais sonhos e cartas na mesa
que se possa prever nossa vã pretensão…

Para possuir uma mulher
é preciso mais do que fazê-la sentir-se em êxtase
numa cama, em uma seda, com toda viril possibilidade… Há de se conseguir
fazê-la sorrir antes do próximo encontro

Para conhecer uma mulher, mais que em seu orgasmo, tem de ser mais que
amante perfeito…
Há de se ter o jeito certo ao sair, e
fazer da saudade e das lembranças, todo sorriso…

- O potente, o amante, o homem viril, são homens bons… bons homens de
abraços e passos firmes…
bons homens pra se contar histórias… Há, porém, o homem certo, de todo
instante: O de depois!

Para conquistar uma mulher,
mais que ser este amante, há de se querer o amanhã,
e depois do amor um silêncio de cumplicidade…
e mostrar que o que se quis é menor do que o que não se deve perder.

É esperar amanhecer, e nem lembrar do relógio ou café… Há que ser mulher,
por um triz e, então, ser feliz!

Para amar uma mulher, mais que entendê-la,
mais que conhecê-la, mais que possuí-la,
é preciso honrar a obra de Deus, e merecer um sorriso escondido, e também
ser possuído e, ainda assim, também ser viril…

Para amar uma mulher, mais que tentar conquistá-la,
há de ser conquistado… todo tomado e, com um pouco de sorte, também ser
amado!”

Carlos Drumond de Andrade

 

 

Conhecimento Proporcional Outras Abordagens

Abordagem 1

1.Conhecer, em sentido lato, é adquirir e organizar informações sobre o meio envolvente de modo a permitir a constante adaptação do organismo ao meio, possibilitando assim a sua sobrevivência. Cada espécie de acordo com a sua herança biológica, tem neste sentido o seu tipo de conhecimento. Nos animais prepondera a informação inata (biológica). Nos seres humanos predomina a informação adquirida em sociedade.

2. Conhecer, em sentido restrito, apenas aplicável aos seres humanos, pode ser entendido como a construção de representações mentais que o sujeito organiza ao longo da vida na sua relação com os objetos.  É esta a perspectiva que seguiremos nestas páginas.

3. Nesta perspectiva restrita, alguns conceitos foram sendo consagrados para descrever a estrutura envolvida na  atividade cognitiva.

Numa perspectiva fenomenológica são centrais os seguintes conceitos:

- Sujeito (aquele que conhece).  Falar do sujeito é falar de algo que é único, com interesses, perspectivas próprias.

- Objeto (o que é conhecido). Aquilo que se apresenta aos sujeitos, e como tal é apreendido sempre de modo diverso. O objeto está fora do sujeito, transcende-o.

- Representações. Da relação entre o sujeito e o objeto,  produz-se na consciência do sujeito uma representação do objeto, que o permite evocar na sua ausência. A representação é sempre contaminada por fatores de natureza subjetiva.

Numa perspectiva sensitiva temos que ter em conta os seguintes:

- Sensação (apreensão imediata do objeto pelo sujeito).As sensações são processos fisiológicos de ligação do organismo ao meio, através dos órgãos sensoriais. Estes processos consistem na transmissão de um influxo nervoso (corrente elétrica que percorre os nossos nervos) desde os órgãos sensoriais até aos centros de descodificação. A sensação realiza-se  pela ação de um estímulo específico sobre o receptor que é apropriado para o receber. Os ouvidos recebem os estímulos sonoros, os olhos os luminosos, etc.

- Percepção (configuração ou construção individual dos dados sensoriais, em função dos mecanismos receptores, experiências anteriores, interesses, etc). A palavra percepção deriva do latim “perceptio”que significa ação de recolher, e por extensão “conhecimento” como apreensão. Também provém de “percipere” que significa apoderar-se de algo, perceber. Neste último sentido a percepção distingue-se da sensação, pois é a própria consciência da sensação (ou conhecimento). O que caracteriza a percepção é a apreensão da realidade, não como impressões sensoriais isoladas, mas um conjunto organizado, ou uma  totalidade portadora de sentido.

- Razão (elaboração de representações mentais abstratas (conceitos, discursos), relações lógicas e teorias interpretativas sobre a realidade.

4.  Tipos de Conhecimento. O conhecimento pode ser adquirido ou construído de diversos modos:

a ) Conhecimento experiência. O que adquirimos através do contacto com objetos ou situações, mas também na vivência dos nossos estados metais.

Exemplo: O João conhece a cidade de Boston.

b) Conhecimento competência. Adquirido em geral através da imitação de ações, e que resultam na aquisição de habilidades e saber-fazer. Conhecimento prático.

Exemplo: Ele sabe plantar batatas.

c) Conhecimento proposicional ou de verdades. Está ligado à produção de juízos, enunciados verbais. É a forma mais freqüente de transmissão de conhecimentos entre as pessoas. O conhecimento é verdadeiro ou falso.

Exemplo: Sabe que D. Afonso Henriques foi o primeiro rei de Portugal.

5. Conhecimento e Crença. A teoria tradicional sustenta que para que haja conhecimento é necessário que estejam reunidas três condições:

a) Crença (ou Convicção). Ninguém conhece nada, se não acreditar naquilo que lhe dado conhecer. Desta afirmação não se pode inferir que saber e acreditar sejam mesma coisa.

b) Verdade. Não basta acreditar para que haja conhecimento, é necessário que aquilo em que acreditamos corresponda a algo real. O conhecimento é inseparável da verdade. As nossas crenças têm que corresponder a algo que possa ser visto, verificado, provado.  Daqui não podemos inferir que todas as crenças que se revelem verdadeiras, e por conseqüência as possamos considerar conhecimento.

Exemplo: Posso estar convencido que um dado número irá sair na lotaria, mas se tal por hipótese ocorrer, isto não significa que possamos falar em conhecimento.

c) Justificação. Uma “crença” que se revela “verdadeira” não é nenhum conhecimento. Para que possamos considerar algo como conhecimento é necessário também que este se seja justificado por um conjunto de bons argumentos racionais, capazes de nos convencer que não se trata de um mero acaso ou coincidência.

Não podemos por último concluir uma “crença justificada” seja um conhecimento, é necessário que também seja verdadeira. Neste sentido, podemos definir o conhecimento como uma “crença verdadeira justificada”.

A principal objeto a esta Teoria radica no fato destes conceitos aplicados ao conhecimento não serem tomados de forma absoluta, o que pode dar origem a falsidades. A crença pode ser mais ou menos forte; a verdade questionável; a justificação mais ou menos conclusiva.

6. As teorias explicativas sobre o conhecimento  foram sempre um tema central na história da filosofia, e mais recentemente, também na ciência. As perspectivas da ciência não são, como é obvio, coincidentes com as da filosofia.

Abordagem 2

Tipos de Conhecimento

Existem 3 tipos de conhecimento – em comum têm a existência de um sujeito e de um objeto de conhecimento:
• Saber Fazer – tocar piano, andar de bicicleta, …
• Conhecimento por Contacto – conhecer Paris, o Figo, …
• Saber Que – conhecimento proposicional *, saber que Paris é uma cidade, Figo um jogador, …

*caracteriza-se por ser um conhecimento de proposições. é constituído por uma proposição (frase declarativa com valor de verdade).

Definição de Conhecimento

O conhecimento é constituído por um objeto do conhecimento (cognoscente) e por um objeto (cognoscível). O conhecimento resulta da relação entre estes dois termos.
A relação entre sujeito e objeto é uma correlação, o que significa que o objeto do conhecimento existe em função de um sujeito e que o sujeito do conhecimento só tem sentido em função de um objeto que se propõe conhecer.
A correlação sujeito – objeto é irreversível, isto é, tem funções diferentes.
A função do sujeito consiste em apreender as características/determinações do objeto construindo assim, na consciência do sujeito, uma imagem ou representação do objeto. Pelo que o objeto em si permanecerá exterior ao sujeito sem ser alterado. O que não acontece ao sujeito que após o conhecimento é modificado porque passa a ter a imagem (representação) do objeto.

Origem do conhecimento

As questões relacionadas com o conhecimento, nomeadamente a origem do conhecimento foram objeto de debate ao longo do século XVII e XVIII. Tendo em atenção que os sentidos e a razão constituíam as fontes possíveis do nosso conhecimento, iriam configurar-se movimentos antagônicos:
1. Racionalistas – Descartes
2. Empiristas – Locke e David Hume
Para os empiristas todo o nosso conhecimento provém da experiência, não existindo portanto nenhum conhecimento à priori, enquanto que para os racionalistas somente é verdadeiro o conhecimento que provém da razão – à priori.

O fato dos empiristas entenderem que todo o conhecimento provém da experiência levanta outro problema:
- O da possibilidade ou valor do conhecimento;
Será que o conhecimento que obtemos pelos sentidos é verdadeiro? Sabemos que os sentidos são enganadores e que os empiristas tenderão para um cepticismo que nega a possibilidade de um conhecimento verdadeiro. No entanto, esta solução não irá satisfazer os racionalistas, uma vez que, um dos seus grandes objetivos é o de alcançar um saber verdadeiro. Assim sendo, será aceite como verdadeiro todo o conhecimento que provem única e exclusivamente da razão.

O valor do conhecimento: racionalistas e empiristas
O debate da Idade Moderna acerca do conhecimento centrar-se-á nas questões de origem e da possibilidade – se é ou não possível obter um conhecimento verdadeiro – do conhecimento.
Em relação a esta questão há na tradição a resposta dos cépticos da Antiguidade que defendiam uma atitude de dúvida sistemática: segundo eles, a justificação que permite tornar uma crença verdadeira em conhecimento não é mais que outra crença que necessita de ser justificada. Este argumento designado de regressão infinita assenta nos seguintes pontos:
Toda a justificação é inferida de outras crenças;
Por regressão infinita tais crenças não estão justificadas
Logo, conhecimento não é possível.

O ato de conhecer.

Em relação ao processo do ato de conhecer, podemos distinguir 2 etapas. A percepção e a razão. A percepção é, num primeiro momento, o processo pelo qual um indivíduo organiza e interpreta as impressões sensoriais no sentido de lhe atribuir um significado. Mas para que a percepção tenha essas impressões sensoriais é necessário um movimento anterior que capte os estímulos que o meio lhe oferece através dos sentidos. A sensação é a forma direta e imediata de captar as impressões da realidade através dos cinco sentidos, mas ainda não há conhecimento, pois ao nível da sensação há apenas dados sensoriais. Não há ainda a interpretação desses dados que nos chegam através dos sentidos. É só ao nível da percepção que esses dados vão ser analisados, trabalhados, ela unifica e organiza os dados sensoriais num todo coerente. A percepção decifra a mensagem sensorial, atribuindo-lhe um significado. A distinção entre percepção e sensação prende-se no fato de que pela sensação captamos os estímulos exteriores e pela percepção organizamo-los internamente.

Não nos podemos esquecer que o sujeito está sempre marcado por um determinado horizonte de referências, daí que a forma que percepcionamos algo possa variar de pessoa para pessoa e, mesmo sendo a mesma pessoa, a percepção que tem de um mesmo objeto pode variar, podemos concluir que nunca há uma identidade entre o que é construído (percepção) e o real. O conhecimento a que chegamos pela percepção é o conhecimento empírico. No entanto, o homem não fica ao nível do conhecimento empírico do real. Ele trabalha esses dados empíricos procurando uma validade racional. Estamos noutro nível de conhecimento, o racional, que busca a racionalidade/ sentido do real de forma consciente.

A importância do conhecimento empírico é, não a de nos dar a verdade objetiva e universal, mas a de nos abrir ao mundo, de ser o receptor das múltiplas informações exteriores e o de fornecer os dados a partir dos quais a razão pode pensar.

Todo o conhecimento empírico se caracteriza por apenas transmitir imagens particulares dos objetos. Esta forma de conhecimento é sempre contingente, ou seja, é assim, mas poderia ser de outro modo. É igualmente um conhecimento particular, pois só conhecemos objetos ou fatos isolados. Nada no conhecimento empírico nos transmite as leis estruturais reguladoras dos fenômenos da realidade ou a essência, o invariável dos objetos (a sua necessidade). Isto só é feito pelo conhecimento racional que é executado pela razão pois é a faculdade de procurar o que há de comum e de essencial nas coisas. Daí a razão ser a faculdade que busca a unidade (unifica as percepções em conceitos, classes), a

universalidade (busca o universal das coisas) e o sentido (procura dar sentido às percepções e ao mundo). A percepção por si só não basta, mas é sem dúvida o ponto de partida para o conhecimento racional. Conclui-se que sensação, percepção e razão caminham de mãos dados no que diz respeito ao processo de conhecimento.

Daqui se conclui que na percepção há uma unificação e organização dos dados dos sentidos ao nível cerebral, ou seja, decifra a mensagem sensorial. O produto da percepção é uma representação empírica. É um conhecimento contingente, particular e subjetivo. O conhecimento empírico resulta da organização num todo coerente dos dados sensoriais e simultânea interpretação. A razão, por sua vez, é a condição fundamental da atividade cognitiva humana. É a faculdade humana que permite interpretar e organizar o real não só em percepções mas também em idéias. A razão cria conceitos, juízos, raciocínios/ argumentos, saberes sistematizados (filosofia e ciência). A razão produz um conhecimento necessário, universal e objetivo, possibilitando um conhecimento teórico e abstrato do real. Contudo, nem todos os homens percepcionam da mesma maneira. O sujeito está sempre marcado por um determinado horizonte de referências, por determinados contextos cognitivos, daí que a forma como percepcionamos algo pode variar de pessoa para pessoa e, mesmo sendo a mesma pessoa, a percepção que tem de um mesmo objeto pode variar, podemos concluir que nunca há uma identidade entre o que é construído (percepção) e o real. Isto leva-nos à questão de saber se o conhecimento é uma cópia do real ou se é uma construção do sujeito. A este respeito podemos distinguir duas correntes distintas na história da filosofia. O realismo é a doutrina que afirma que por meio do conhecimento atingimos uma realidade distinta da nossa representação e independente dela, mas que lhe corresponde. Por outras palavras, o realismo admite a existência da realidade exterior (ou do mundo externo) como sendo coisa distinta do pensamento ou das nossas representações, o que significa que, para o realismo, o nosso conhecimento atinge a própria realidade e não apenas as representações subjetivas – atinge o que é, e não o que pensamos que seja. Contrariamente ao realismo, o idealismo afirma que o objeto de conhecimento é produto do espírito, o que significa que o conhecimento é produto do sujeito e que as coisas não são mais do que conteúdos de consciência. Berkeley, por exemplo, pensava que o mundo exterior que percepcionamos só existe na nossa percepção. Daí a expressão: esse = percipi, isto é, há uma identidade entre o ser de algo e o ser apercebido. O idealismo não nega propriamente a existência do mundo externo, mas reduz este às representações, ou seja, ao pensamento, às idéias. Como tal, o nosso conhecimento atinge apenas as modificações subjetivas e não a própria realidade – atinge o que pensamos e não o que é.

A percepção por si só não basta, mas é sem dúvida o ponto de partida para o conhecimento racional. Conclui-se que sensação, percepção e razão caminham de mãos dados no que diz respeito ao processo de conhecimento. Daqui se conclui que na percepção há uma unificação e organização dos dados dos sentidos ao nível cerebral, ou seja, decifra a mensagem sensorial. O produto da percepção é uma representação empírica. É um conhecimento contingente, particular e subjetivo. O conhecimento empírico resulta da organização num todo coerente dos dados sensoriais e simultânea interpretação. A razão, por sua vez, é a condição fundamental da atividade cognitiva humana. É a faculdade humana que permite interpretar e organizar o real não só em percepções mas também em idéias. A razão cria conceitos, juízos, raciocínios/ argumentos, saberes sistematizados (filosofia e ciência). A razão produz um conhecimento necessário, universal e objetivo, possibilitando um conhecimento teórico e abstrato do real. Contudo, nem todos os homens percepcionam da mesma maneira. O sujeito está sempre marcado por um determinado horizonte de referências, por determinados contextos cognitivos, daí que a forma como percepcionamos algo pode variar de pessoa para pessoa e, mesmo sendo a mesma pessoa, a percepção que tem de um mesmo objeto pode variar, podemos concluir que nunca há uma identidade entre o que é construído (percepção) e o real. Isto leva-nos à questão de saber se o conhecimento é uma cópia do real ou se é uma construção do sujeito. A este respeito podemos distinguir duas correntes distintas na história da filosofia. O realismo é a doutrina que afirma que por meio do conhecimento atingimos uma realidade distinta da nossa representação e independente dela, mas que lhe corresponde. Por outras palavras, o realismo admite a existência da realidade exterior (ou do mundo externo) como sendo coisa distinta do pensamento ou das nossas representações, o que significa que, para o realismo, o nosso conhecimento atinge a própria realidade e não apenas as representações subjetivas – atinge o que é, e não o que pensamos que seja. Contrariamente ao realismo, o idealismo afirma que o objeto de conhecimento é produto do espírito, o que significa que o conhecimento é produto do sujeito e que as coisas não são mais do que conteúdos de consciência. Berkeley, por exemplo, pensava que o mundo exterior que percepcionamos só existe na nossa percepção. Daí a expressão: esse = percipi, isto é, há uma identidade entre o ser de algo e o ser apercebido. O idealismo não nega propriamente a existência do mundo externo, mas reduz este às representações, ou seja, ao pensamento, às idéias. Como tal, o nosso conhecimento atinge apenas as modificações subjetivas e não a própria realidade – atinge o que pensamos e não o que é. O conhecimento como crença verdadeira justificada Falamos até aqui em conhecimento, mas o que é, de fato, o conhecimento? Na perspectiva tradicional, como já vimos, conhecimento é apenas o conhecimento verdadeiro.

Mas como podemos defini-lo? A esse respeito estudamos o Teeteto de Platão. A questão que envolve toda a obra é “O que é o conhecimento?”. A primeira proposta de Teeteto é a de que o conhecimento é a percepção: conhecer algo é tomar contacto com ela por meio dos sentidos. Sócrates observa que os sentidos de pessoas diferentes são diferentemente afetados: a mesma rajada de vento pode ser sentida por um pessoa como quente e por outra como fria. Assim, apreender através dos sentidos é o mesmo que parecer. Teeteto abandona a tese de que o conhecimento é a percepção; propõe que, em vez disso, consiste nos juízos verdadeiros da alma que reflete. Sócrates aprova esta mudança de rumo. Há uma dificuldade, aponta Sócrates, na tese de que o conhecimento é o juízo verdadeiro. Se um júri for persuadido por um causídico inteligente a produzir um certo veredicto, então, mesmo que o veredicto esteja de acordo com os fatos, os jurados não possuem o conhecimento que uma testemunha ocular possuiria. núcleo de estágio de filosofia _Escola_Sec_Dr_Jaime Magalhães Lima Teeteto modifica então a sua definição de modo a que o conhecimento seja um juízo ou crença que seja não apenas verdadeiro mas também articulado. Assim, devemos fazer notar duas ideias que fazem parte do conceito de conhecimento. Primeiro, se S sabe que p (que uma proposição é verdadeira), então tem de acreditar que p. Segundo, se S sabe que p, então p tem de ser verdadeira. O conhecimento requer tanto a crença quanto a verdade. Comecemos pela segunda idéia. As pessoas às vezes dizem que sabem coisas que mais tarde se revelam falsas. Mas isto não é saber coisas que são falsas, é pensar que se sabem coisas que, de fato, são falsas. O terceiro requisito é a justificação – as duas condições anteriores são necessárias para o conhecimento: o conhecimento requer crença e requer verdade. Mas será que isto é suficiente? Será que estas duas condições não são apenas separadamente necessárias, mas também conjuntamente suficientes? É a crença verdadeira suficiente para o conhecimento? Que será então necessário, para além da crença verdadeira, para que alguém possua conhecimento? A sugestão mais natural é a de que o conhecimento requer dados de apoio, ou uma justificação racional. Note-se que ter uma justificação não é apenas pensar que se tem uma razão para acreditar em algo. S sabe que P, se tem provas que P é verdadeiro – se S tem uma crença que, embora verdadeira, não tem provas dela, então só “sabe” por acaso. Ter uma opinião verdadeira é condição necessária de saber, mas não é ainda condição suficiente. Cada uma destas condições (crença, verdade e justificação) é por si só apenas necessária e não suficiente. No seu conjunto, isto é, quando as três condições estão reunidas, são condições suficientes para que haja conhecimento. Contudo, esta definição de conhecimento não é consensual. Há várias objeções que se levantam: se todo o conhecimento digno desse nome tem de ser sempre uma opinião verdadeira, então todos os nossos conhecimentos têm de ser sempre infalíveis.

Ora, muitas das nossas opiniões tidas como verdadeiras revelaram-se falsas. Poderá concluir-se que essas opiniões não eram conhecimento? Se todo o conhecimento digno desse nome tem de ser necessariamente verdadeiro, então não pode haver progresso no conhecimento. Ora, tem-se verificado um progresso nas nossas crenças, inclusive nas crenças dos cientistas. Poderá então concluir-se que as nossas crenças e as crenças dos cientistas não eram conhecimentos? A definição tradicional parece incorreta (ou incompleta) por duas razões. Se “S sabe que P” sob a condição “P é verdadeiro”, então: qualquer razão que pudesse aduzir-se posteriormente contra P seria falsa por princípio e deveria ser abandonada por S.; Qualquer razão que pudesse aduzir-se posteriormente a favor de P seria redundante e desnecessária. Podemos concluir, então, que os conceitos de conhecimento e verdade nada têm a ver entre si? Podemos representá-los como uma exclusão? Esta alternativa não resiste a outras objeções:

Objeção 1: Se não há verdade, então não é verdade que não há verdade.

Objeção 2: Se tudo fosse falso, então seria falso que tudo fosse falso.

Objeção 3: Se nada é verdade, então pode pensar-se seja o que for. Morte da Filosofia!

Objeção 4: Se nada fosse verdadeiro nem falso, não haveria diferença entre o conhecimento e a ignorância. Conhecimento e verdade parece, então, que são dois conceitos diferentes, mas solidários entre si. Nenhum conhecimento é a verdade, mas um conhecimento que não fosse em nada verdadeiro não poderia distinguir-se de um erro, de uma ilusão, de um delírio. Nenhum conhecimento é absoluto, mas nenhuma crença seria conhecimento se não fosse pela parte de absoluto que ela comporta ou de que participa.